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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Investir na agricultura? Análise swot das fileiras estratégicas

O leitor PM perguntou o seguinte:

"Boa noite Eng.º Martino, Alguma das sessões incluirá análise swot para as aromáticas, frutos pequenos e apicultura? Cumprimentos, PM"

No seminário da próxima 4.ª feira na Escola Agrícola Conde S. Bento, em S. Tirso, espero ter alguns jovens agricultores para falarem sobre as perspetivas de pelo duas das três fileiras indicadas

Devolução de fundos financeiros a Bruxelas

Dizem as minhas fontes que a queda da Presidente do Conselho Diretivo do IFAP tem a ver com a devolução à Comissão Europeia (Bruxelas) de cerca de 300 M€ de fundos financeiros da Agricultura.

A ser verdade, concluo que qualquer responsável político tem que ser muito consciente e que só pode afirmar que não haverá devolução de fundos quando dominar toda a máquina do Ministério da Agricultura, bem como todos os processos que este tramita, sob pena de mais tarde ou mais cedo a realidade o desmentir.

Na minha opinião, já o expressei, várias vezes, de forma publica, o Ministério da Agricultura necessita de ser dominado pela liderança política, para que as determinações e decisões que tomem sejam implementadas no timing político definido. A forma de praticar esta determinação passa por obrigar que, o Ministério da Agricultura e as Instituições que tutela, tramitem os processos dentro dos prazos legais. Numa primeira fase, para aqueles casos em que o Estado se sistemáticamente, seriam alargados os prazos de tramitação e posteriormente, seriam encurtados até ao período temporal mínimo que seja possivel.

sábado, 26 de novembro de 2011

Melhorias no parcelário agrícola

O leitor Filipe Pedro descreveu a sua experiência com o Parcelario:

"Já consegui, depois de umas 7 idas a salas de parcelarios e de ter que levar um vizinho que tinha o parcelario feito no terreno errado, no que eu queria, para ajustar o dele que estava errado, ter andando terça de manha á chuva á procura de marcos a tirar coordenadas gps que disseram que dava e depois afinal outro funcionario disse que nao dava, e mil e umas questoes que mudavam consoante o funcionario, lá consegui fazer o parcelario de todos os terrenos e para a semana dá entrada a candidatura, como diz o sr eng, há funcionario que fazem o trabalho com olhos fechados e outros que com os olhos abertos nao pescam nada do programa que teem á frente, mas isso é em todas as profissoes, também tive numa sala que pagar e noutra nao paguei nada, fiquei sem perceber porque das diferenças, mas o objectivo já foi alcançado que era o que interessava o bendito ie ou antigo p1, foram quase 3 semanas nisto de manha á noite com imensos gastos só em gasoleo mas espero que valha a pena e que tenha depois aprovaçao do projecto, só mesmo com paciencia e perseverancia, senao qualquer um desiste logo nos papeis...cumprimentos".

Comentários:
1 - Este é um exemplo dos largos milhares que tipificam a utilização de uma sala de Parcelário. Era bom que os responsáveis políticos do MAMAOT e os seus diretores gerais memorizassem o episódio para que no prazo máximo de um ano casos deste tipo desaparecessem do quotidiano:
a) A produtividade em Portugal também é baixa porque os cidadãos perdem demasiado tempo em serviços públicos. Qual seria o impacto na produtividade nacional se diminuisse em 50% o tempo anual que cada um de nós gasta em serviços públicos?
b) Os custos que os cidadãos teem com as deslocações a serviços públicos terão impacto significativo na conta de importações de combustiveis?

2 - Medidas a tomar:
a) Quando há conflito sobre a utilização de parcelas que os serviços do parcelário rapidamente convocassem o segundo interessado e não tivesse que o fazer, o primeiro interessado, de modo informal.
b) Que os operadores sem perfil para lidar com o público ou com a tecnologia fossem trocados por outros competentes para a função.
c) Que a base de dados remota esteja preparada para responder ao pico da procura ou que no processo anual de validações de parcelas, fossem convocados,0 os eventuais interessados, ao longo do tempo para diminuir a pressão de o fazer num período temporal muito curto.
d) Que fossem analisadas com o devido rigor pelos serviços do ProDeR e IFAP, as marcações no Parcelário de investimentos ProDeR e fossem validados, de forma experimental os respetivos controlos, os desvios existentes, a maioria deles decorrentes de deficiências do método utilizado (parcelário) e que de forma pedagógica indicassem aos interessados o que deveria corrigir antes dos controlos efetivos, pois, uma vez mais, os agricultores que tiverem o azar de serem os primeiros a serem controlados serão as "cobaias do sistema".
e) Uniformizar o funcionamento das salas de parcelário (dar formação aos operadores tipificando o atendimento eficaz e a forma de pagamento para as operações realizadas)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Mudanças no IFAP

As notícias que me chegam do interior do IFAP indicam que a presidente do conselho diretivo, Dra. Ana Paulino, apresentou a sua demissão à Ministra da Agricultura, Assunção Cristas, apesar de que dizem as minhas fontes de que ainda não é público este facto.

Faço votos que no caso de haver mudanças no IFAP optem por uma personalidade que junte o que tem de melhor a Dra. Ana Paulino com a liderança da organização, a estruturação das equipas humanas e a eficiência e eficácia nos processos que a Instituição tramita. Que desta vez a decisão política vá no sentido de nomear toda a equipa do conselho directivo do IFAP e que esta seja da confiança pessoal de quem a vá liderar. A agricultura portuguesa e os seus agentes agradecem que se encontre a solução que despolitize o IFAP e vai de encontro aos superiores interesses de Portugal. Espero que desta vez a solução passe por uma personalidade fora do eixo Lisboa - Cascais - Leiria - Santarém - Évora.

Necessidade de uma política para a agricultura portuguesa

Ontem, tive o grato privilégio de conversar durante cerca de hora e meia com um responsável comercial de um dos mais importantes bancos nacionais. Consegui perceber as razões que levam a banca, até esta altura, a não ter grande interesse pela concessão de crédito à agricultura portuguesa: a banca tenta perceber quais são as políticas de médio/longo prazo que os governos teem para os diversos setores de atividade económica. Aqueles em que o governo aposta e por isso, tentam criar linhas de crédio para as atividades que são prioritárias. Para que haja mudança quanto à agricultura é preciso que se perceba qual a política para a agricultura nos próximos quatro a dez anos

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Parcelário Agrícola

O leitor Ricardo Santos escreveu neste blogue:
"Desde já dou os meus parabéns ao Engº José Martino pelo excelente trabalho que têm feito em prol da agricultura, eu passei pelo mesmo problema a angariação de terrenos para o meu projecto mas após alguma insistência e muita paciência consegui os terrenos que percisava demorou aproximadamente 2 anos e alguns meses a conseguir, mas consegui e hoja recebi a confirmação de que o meu projecto foi aprovado, o que eu posso desejar a todos os jovens agricultores que passam por este problema é não desistirem e terem uma dose bem grande de paciência não só ao que respeita aos terrenos mas tambem quanto ao parcelário."

Comentário:
1 - Tinha-me esquecido de comentar as dificuldades em "fazer o registo no Parcelário". Agradeço ao leitor ter chamado a atenção para este problema.
2 - Trata-se do registo das várias parcelas que constituem a exploração agrícola na base de dados do Ministério da Agricultura. Esta operação consiste na identificação em fotografia aéra (georreferenciação), no écran do computador na sala de parcelário nas Direcções Regionais de Agricultura e Pescas ou Organizações de Agricultores que prestam estes serviços, de cada uma das parcelas e a respetiva associação ao explorador, n.º artigo rústico, nome da parcela, tipo de atividade desenvolvida na parcela e forma de exploração (própria, para o caso de proprietários, arrendatário ou comodotário). Com a identificação dos limites o programa do computador gera automaticamente a superfície de cada parcela e posteriormente, a da exploração agrícola.
3 - Sem a realização deste registo é impossivel receber ajudas públicas, quer ao investimento, quer ao rendimento.
4 - É muito dificil identificar com rigor os limites das parcelas porque não são visiveis em muitas delas e sobretudo, porque basta a deslocação de por exemplo, 0,5 mm para alterar a superfície de determinada parcela.
5 - Há operadores de sala de parcelário que são excelentes profissionais, mas muitos outros que não têm perfil para a função, por não terem competências para lidarem com público ou para trabalharem com novas tecnologias.
6 - Há um desgaste muito grande dos operadores das salas de parcelário porque há períodos do ano em que são invadidos para marcação e confirmação de parcelas, bem como têm de dirrimir conflitos entres pessoas que querem marcar a mesma parcela (os operadores têm de avaliar quem tem legitimidade legal para o fazer) e sobretudo, têm que fazer marcações de parcelas com base em informações de interessados que não conseguem, por falta de jeito, identificar as parcelas (tenho assistido a cenas memoráveis em salas de parcelário: horas seguidas de sucessivas questões que o operador faz ao interessado, tendo como objetivo obter referências para saber a localização ou os limites para marcar a parcela. Muitas vezes, a marcação com sucesso da parcela é feita após várias tentativas em diferentes dias e horas). Outros dos problemas era a base de dados remota não funcionar ou trabalhar de forma muito lenta, não permitindo as gravações.
7 - Apesar da marcação das parcelas e dos investimentos nessas parcelas poder ser feita por entrega de ficheiros de levantamentos GPS muitas das salas dos parcelários não os aceitam

Seminário: Investir na agricultura? Análise swot das fileiras estratégicas

Podem consultar em: http://www.cnjap.pt/index.php/proder-redes-tematicas/seminarios/117-investir-na-agricultura-analise-swot-das-fileiras-estrategicas-em-santo-tirso, um seminário que decorrerá na Escola Profissional Agrícola Conde S. Bento, em S. Tirso, no dia 7 de Dezembro de 2011, durante todo o dia e no qual irei, junto com alguns agricultores, falar sobre quatro grandes fileiras estratégicas.

Trata-se de um convite que nos foi endereçado pela Escola, Instituição com a qual eu e a Espaço Visual temos muita honra em colaborar, porque desde jovem tenho a opinião que é muito importante a formação escolar prática agrícola nos jovens que serão futuros técnicos superiores, quadros de explorações agrícolas, trabalhadores rurais e empresários agrícolas. Da minha experiência retiro que as explorações agrícolas mais rentáveis são aquelas que aliam melhor gestão a trabalhadores e quadros melhores qualificados para a agricultura.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Uma política agrícola precisa-se!

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=2110901
Vale a pena ler esta notícia recente do JN e reflectir.
Queremos ultrapassar a crise?
Queremos reduzir o desemprego?
Queremos mais competitividade na economia?
Queremos mais exportações?

A resposta é: reforçar os apoios à agricultura; apoiar os jovens agricultores; atrair jovens para a terra, incentivando-os a montar os seus próprios negócios.

Procura de terras para exploração agrícola

O leitor Filipe Pedro escreveu o seguinte:
"como disse o marcio estou na mesma situaçao, estou com um projecto de apicultura em que o que me está a comer tempo e a cabeça é arranjar os terrenos, baldios na camara aqui da zona nem sabem dizer quem trata disso, particulares nem se sabe os donos e quem se sabe ou quer muito dinheiro ou tem medo que lhe roube o terreno, sou da zona de leiria, onde há matas nacionais, o interesse demonstrado vou tipo deixe ai um pedido por escrito e depois logo se ve, ou isso tem que ir aos chefes acima de mim mas agora ninguem sabe quem está a mandar porque o organigrama dos serviços está em reestruturaçao, enfim eu bem queria porque na area onde sempre trabalhei(construçao civil) foi chao que já deu uvas, mas aja paciência, para fazer um parcelário dos terrenos que tenho, aquilo ela mexe no rato e ando logo 100 metros para o lado, que a escala é dificil, assim como está a borucracia nunca mais arranco com o projecto... já agora nao sabia que ia dar no tvi24 mas tava"

Comentários:
1 - Encontrar terrenos adequados para uma exploração agrícola é um processo que demora, de acordo com a experiência dos projetos que me passaram pelas mãos, entre seis meses a dois anos.

2 - Só consegue chegar a bom porto, obtendo arrendamento para terrenos agrícolas, quem é muito persistente, teimoso e determinado nos objetivos. Conseguem-se superfícies limitadas, instala-se a exploração e posteriormente, alguns dos proprietários com quem se falou na fase de angariação de terrenos, veem oferecer novas parcelas pois verificam que o jovem agricultor é capaz de manter os terrenos limpos e bem explorados do ponto de vista agrícola.

3 - Há jovens agricultores que desistem de se instalarem porque necessitam dar um rumo profissional às suas vidas e não podem esperar tanto tempo (entre meio ano a dois anos) para terem acesso à terra.

4 - Recomendo ao Sr. Filipe Pedro que não desista de procurar, mesmo que nesta fase seja muito frustrante porque se continuar a tentar, verificará mais adiante que conseguirá constituir a exploração que pretende.

kiwis nos Açores

O leitor Boa Fábio Silva, que vive na ilha do Pico perguntou:

"Fico muito satisfeito por pelo menos uma pessoa poder prestar algum esclarecimento sobre o Kiwi, em especial aqui no arquipélago. Apesar do provavel potencial que a planta tem, ainda falta realizar muito trabalho. Sei que existem aqui na ilha, alguns particulares com a variedade Bruno e tal como refere tem uma excelente qualidade, no entanto é muito sensivel aos ventos mais fortes o que pode condicionar seriamente a produção. Relativamente a variedade amarela que refere não conheco, mas tenho plantados a título de experiência o kiwi jenny e alguns kiwinos. Gostaria de saber como é possivel comprar as plantas que refere. Obrigado, mais uma vez".

1. Há no serviço agrícola de S. Miguel um técnico que tem desenvolvido estudos, desde há muitos anos, sobre o kiwi Bruno. Recomendo que contate esses serviços.

2. Para comprar plantas de actinidea (plantas de kiwis) deve contatar a kiwi Greensun.

3. A cultura do kiwi nos Açores só será possivel para zonas muito abrigadas dos ventos fortes ou com sistemas de condução adaptados como o que está aplicado em S. Miguel: a parte área das plantas está desenvolvida praticamente a um metro do solo.

sábado, 19 de novembro de 2011

Apoios e rentabilidade da cultura do kiwi

Nas duas últimas semanas houve um debate entre os leitores deste blogue sobre os apoios e rentabilidade na cultura do kiwi. Aqui está a minha opinião sobre este assunto:
Os projetos de apoio à instalação de jovens agricultores na implantação de pomares de kiwis só apresentam rentabilidade para superfícies mínimas de quatro hectares ou muito próximas. Este número resulta do facto do custo de implantação de cada hectare de kiwis estar situado entre 30000 e 50000 euros, inclui a plantação (mobilização profunda, tração, mão-de-obra, plantas, estrutura de suporte e fertilizantes) os melhoramentos fundiários (terraplanagens, despedrega, drenagens, captação (poços ou furos), armazenamento (tanques ou charcas) e distribuição de água, construções (armazém de apoio) e equipamentos (sistema de rega por microaspersão ou microjet, trator e alfaias, etc.). As novas plantações só começam a produzir a partir do terceiro ano após a implantação e atingem a plena produção ao quinto ano (a conta de tesouraria só atinge o equilibrio ao quarto ano). A recuperação do investimento é conseguida entre o sétimo e o nono ano, depende do valor do investimento, isto acontece captando os apoios do ProDeR (sem este apoio financeiro, a recuperação do investimento demora mais dois a três anos).

Espero que fiquem claros os seguintes pontos:
1 - A cultura do kiwi é rentável a médio prazo porque demora cinco anos a atingir a plena produção e os investimentos são elevados.
2 - Mesmo com os apoios de instalação dos jovens agricultores são necessários capitais próprios e crédito para o investimento na instalação e para fundo de maneio para suportar os custos de exploração nos primeiros quatro anos.
3 - Existe uma linha de crédito a dez anos, disponibilizada pelas Caixas de Crédito da Área Metropolitana do Grande Porto, Vale do Sousa e Tâmega, e Noroeste, com quatro anos de carência (só há lugar ao pagamento de juros) e dez de amortização (pagamento do empréstimo entre o quinto e o décimo anos)

Apoios para a instalação de olival e azeite

Um leitor questionou os apoios para o olival e azeite.

Para a instalação de olival, neste momento, só existem os apoios para a instalação do jovem agricultor: 40% de incentivo não reembolsável (INR) até 30000 euros para agricultor individual ou 40000 euros sociedade de jovens agricultores e 60% do investimento elegivel em INR para regiões desfavorecidas e 50% nas regiões favorecidas.

Os apoios ao azeite encontram-se descritos em http://www.ifap.min-agricultura.pt/portal/page/portal/ifap_publico/GC_ajudas/GC_vegetais/GC_azeite_R

Busca de terrenos para explorações agrícolas

Da minha experiência retenho que, a maioria dos jovens agricultores, demoram entre seis meses a dois anos a conseguirem os terrenos para instalarem as suas explorações agrícolas. Não esqueço dois ou três casos mais dramáticos de pessoas que tinham muito interesse na atividade agrícola e que nunca se instalaram porque não conseguiram a terra.

Quem acompanha os comentários neste blogue verifica que há descrições de leitores que relatam as dificuldades que sentem, assim como o desgaste psicológico que acarreta, pois nunca há certezas se conseguem a terra para instalarem as suas explorações agrícolas. É um problema real que para a opinião pública e muitos dos responsáveis políticos não existe porque não conhecem o terreno.

É por todas estas e outras razões que sou um defensor público do banco e bolsas de terras

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Banco de Terras na TVI 24

http://www.tvi24.iol.pt/videos/pesquisa/Portugal+Portugu%C3%AAs/video/13517879/1



Pode visualizar neste link o programa da TVI 24 "Portugal Português" sobre o Banco de Terras. O canal fez o favor de me convidar, pelo que participei no programa com muito prazer. Divulgar a agricultura, as suas potencialidades, o negócio agrícola, os intrumentos de gestão para abraçar um projecto agrícola, mas também os seus riscos, é um dever de cidadania.


É esse dever que cumpro com determinação, também escrevendo regularmente para os jornais ou participando em outros fóruns cívicos e comunicacionais. O Banco de Terras público é um tema aliciante e que tem tudo para alavancar a nossa agricultura e atrair jovens agricultores para o sector. Estou convencido que é pela agricultura que vai passar muito do futuro da nossa economia.

sábado, 12 de novembro de 2011

Apoiar os jovens agricultores

Amanhã, na TVI 24, pelas 15 horas, vou explicar porque é que
defendo que o Banco de Terras é um projecto decisivo para a agricultura
portuguesa e para a dinamização da nossa economia. Como está tudo ligado, julgo
ser necessário lançar políticas que atraiam os jovens para a agricultura.
Por isso, o Ministério devia canalizar uma verba a rondar os
300 milhões de euros, em dois anos, para ajudar à instalação de projectos de
jovens agricultores. Com esta medida, o Governo português incentivava a entrada
de 4 mil jovens agricultores a montar o seu próprio negócio, com as vantagens
inerentes na dinamização da economia e na criação de emprego.
Devo assinalar que a média comunitária de jovens
agricultores, abaixo dos 35 anos, é de 5 por cento, enquanto que em Portugal
apenas 2 por cento dos agricultores se situa entre aquela faixa etária.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O leitor Nuno Alves colocou o seguinte:
1 - Como estamos numa economia de mercado a solução é muito simples: definam um valor para as rendas e naturalmente as terras para o banco aparecerão.Se o valor das rendas for alto, terras não faltarão no banco de terras. Se o valor for baixo, o projecto não terá sucesso. É necessário equilibrio e ponderação. Arriscar-me-ia a avançar com um valor indicativo anual de 1.500 a 2.000 euros/ha para garantir o sucesso da iniciativa e com imensos ha de terra a aderir ao banco. Duvido é que apareçam muitos agricultores para trabalhar essas terras.Uma analogia, alguém por aqui está a pensar ceder gratuitamente algum apartamento para arrendamento?Cumprimentos,Nuno Alves
11 de Novembro de 2011 10:08

2 - Apenas para complementar o meu comentário anterior, que acho que o banco de terras é uma boa ideia e certamente poderá ser um meio para dinamizar a agricultura nacional, mas não é a solução para os problemas.Considero que o principal problema é o financiamento a fundo perdido e todos os subsídios a actividades agrícolas e explorações que sem estes apoios não eram minimamente rentáveis. Faria sentido incentivos para a dinamiza de sectores ou fileiras mas não o financiamento directo à exploração. Por exemplo, neste momento existe financiamento para a instalações de kiwi mas, para explorações superiores a 4 ha e apenas para jovens empresários (os programas podem estar abertos mas não tem decisão). Deste financiamento pode resultar que o jovem agricultor tenha praticamente 100% do investimento a fundo perdido. Naturalmente, este agricultor, face a este incentivo (custo zero da exploração), não se importará de comprar terreno, em vez de 1 euro/m2, poderá dispor-se a pagar 4-5 euros. Ou seja, por via dos incentivos existe uma pressão especulativa sobre os preços dos terrenos e respectivas rendas. Pior, poderá estar a criar falsa percepção de rendibilidade das explorações (que por enquanto não é o caso dos kiwis).Enquanto não forem criadas fileiras de valor acrescentado que permitam a orientação natural dos agricultores para essas produções, iremos continuar a ter agricultores (subsidio dependentes) ricos, e outros mais pobres cujo rendimento da terra mal dá para a própria subsistência. Se eu tiver, 42 anos, 4 ha de terra, como é que posso competir com alguém de 39 anos que, mesmo não tendo terras, pagando ou não uma renda miserável, consegue plantar um pomar de kiwis a custo zero?!?! Isto não faz sentido!!! A solução não passa minimamente por eu entregar a prazo as minhas terras a esse jovem agricultor para que ele retire todo o proveito. O caminho não pode ser este! Ou estamos a defender novamente a expropriação de proprietários mas agora com um nome mais pomposo e moderno, imagine-se, com um nome de BANCO!Se as politicas para a agricultura não tiverem uma orientação de integração global, nada mudará.Atentamente,Nuno Alves.

Comentários:
1 - No banco de terras são colocadas os prédios rústicos de forma voluntária, pelos seus proprietários, não há lugar a imposições, nem expropriações porque há respeito pela propriedade privada.
2 - Há em Portugal 3 milhões de terras agroflorestais abandonadas, na minha opinião, se existirem banco e bolsas de terras a funcionar de forma eficiente e eficaz, haverá oferta de terras em quantidade suficiente para melhorar a atividade agroflorestal.
3 - Temos um grande defeito como portugueses, sempre que se propõem medidas inovadoras que podem ajudar a resolver os problemas, achamos que são a chave única para solucionar os múltiplos estrangulamentos do elevado número de processos das agriculturas de Portugal
O Semanário Vida Económica publicou hoje o seguinte artigo:

Pôr ordem em casa
José Martino (engenheiro agrónomo)
josemartino.blogspot.com

Tenho vindo a bater-me há muito tempo pelo pagamento atempado das ajudas aos agricultores portugueses. Nos últimos anos, o Estado português (leia-se Governo) não foi uma pessoa de bem.
Os agricultores portugueses que precisavam das ajudas para poder financiar os seus projectos e com isso gerar riqueza e criar emprego foram deixados pendurados, entregues a si próprios.
O resultados está à vista. O país está numa situação grave e de pré-falência. O curioso é que, de repente, todos começaram a ver na agricultura a solução para todos os problemas. Mais vale tarde que nunca.
Se é certo que o sector agrícola não é uma “ilha”, faz parte da economia portuguesa e não é imune às circunstâncias de crise económico-financeira que a União Europeia atravessa, também é verdade que tem grandes potencialidades para desenvolver. Desde que o Estado (Governo) cumpra o seu papel.
Até aqui não tem cumprido. A actual ministra Assunção Cristas já demonstrou ter sensibilidade para a situação, dizendo que tudo está a ser feito para não ocorrerem mais devoluções de ajudas comunitárias a Bruxelas.
Quero acreditar na bondade das políticas que a ministra está a implementar, mas já fico mais preocupado quando a CAP vem criticar o atraso no pagamento das medidas agro-ambientais por parte do IFAP, lamentando que o Estado se atrase no cumprimento das suas obrigações numa altura de grande rigor financeiro.
A CAP aponta o dedo ao IFADAP, acusando-o incompetência e desrespeito pelos agricultores. Junto aqui a minha voz à da CAP e peço à senhora ministra para pôr ordem em casa. Os agricultores vão agradecer e a economia portuguesa vai ganhar.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Portugal Português

No próximo domingo, pelas 15h, irá para o ar o programa Portugal Português na TVI24 sobre "O banco de terras e a agricultura". Neste programa irei apresentar as minhas ideias sobre estes assuntos.

É mais um contributo que faço para criar massa crítica sobre as agriculturas de Portugal. Por favor, vejam o programa e escrevam neste blogue as vossas opiniões. Agradeço antecipadamente a vossa participação.

Questões de um leitor

Um leitor anónimo escreveu o seguinte:

"A questão é...a ministra Assunção Cristas lê este blog? Algum dos seus vários assessores de imprensa o faz e diz à ministra "realmente o Eng.ºJosé Martino tem boas ideias para melhorar o panorama agrícola nacional, deviamos fazer o que ele sugere"?...ou eles estão blindados ao que dizem as pessoas que realmente andam em campo e têm uma melhor noção das necessidades do sector?

Quando falam em banco de terras para 2012 eu penso que, a ser...se for...deverá ser para 2014...com sorte.Entretanto os fundos do ProDer acabam e sem o banco de terras há quem não consiga arranjar terrenos e, por isso, deixe fugir a oportunidade de investimento que os fundos de apoio dão. Isto gera a não criação de emprego, logo, despesas para o estado. Gera mais importações e menos exportações, logo, mais despesas e menos proveitos para o país.As ajudas para os jovens agricultores espero sinceramente que não deixem de existir (mas temo-o), caso contrário está dado o primeiro passo para o envelhecimento e definhamento da agricultura nacional.

O crédito "habitação" aos agricultores é mais uma óptima ideia. Mas a ministra já ouviu esta ideia? É que convinha que não fosse apenas o BE a pegar nisto.

Resumindo e concluindo: Acho que são óptimas ideias as do Eng.º José Martino, mas quem as deve também ter são quem tem o poder de decisão...se não as tiverem é grave, muito grave.

P.S.: Peço desculpa pelo comentário demasiado longo."

Comentários:
1- As questões colocados são assertivas, mas as respostas não fazem parte das minhas preocupações. Para mim o mais importante é, se as ideias forem realmente boas, serão aplicadas, mais tarde ou mais cedo. Como eu existem muitos portugueses com excelentes ideias, as quais devem ser recolhidas e aplicadas. O Ministério da Agricultura deveria ter um Provedor do seu Utilizador para recolher as ideias que os portugueses entendessem facultar, bem como para acompanhar os processos que o este ministério tramita. Esta será uma boa ideia?

2 - Na minha opinião o banco de terras tem todas as condições para avançar em 2012 e produzir efeitos a longo prazo.

3 - O crédito habitação para agricutura pode ser divulgado por cada um de nós, fazendo pressão na opinião pública até que seja implementado.

4 - Agradeço o que escreveu, veiculou excelentes pontos que lançaram pistas para as dificuldades que existem na realidade e que estão além do mundo das ideias. O meu sincero muito obrigado!

As melhores atitudes para enfrentar a crise de Portugal

O eng. Vitor Monteiro deu a seguinte opinião relativamente ao meu último post:

"Cada vez mais estou convencido que o Sócrates é que tinha razão ...A vinda do FMI foi um erro crasso que atirou o País para uma profunda recessão!A eventual saída do Euro seria a machadada final na nossa ténue/praticamente.nula credibilidade ...Se isto vier a acontecer ...QUEM SÃO OS CULPADOS ... ???O QUE LHES IRÁ ACONTECER ... ???"

Comentário:
1 - Se Portugal não tivesse chegado a acordo com a troika, a qual inclui o FMI, como teriam sido pagas as pensões a partir do passado mês de Julho? Com que dinheiro se pagariam as importações de comida para não passarmos fome? Infelizmente, Portugal não teve escolha, ou aceitava as condições propostas ou a sua população passaria fome. Na minha opinião, a intervenção externa pecou por tardia. Pode-se verificar neste blogue a data em que escrevi sobre o assunto, bons meses antes do pedido de ajuda financeira internacional.
2 - A saída do euro será inevitável, em 2013, se cada um dos portugueses não fizer o que está ao seu alcance para promover o desenvolvimento económico: trabalho eficiente e eficaz, se possivel produtivo, empreendedorismo, cumprimento dos horários, ter "ganância/brio/objetividade" em produzir produtos e serviços competitivos que se possam exportar ou que substituam importações de forma competitiva, traduzir as ideias, em que somos férteis. em empresas e negócios, assumir opinião critica sobre os assuntos mais importantes da sociedade portuguesa e não ter medo de as exprimir de forma pública (opinião pública que controla a classe politica, substuindo os media). Estou a fazer a minha parte e assumir a minha quota parte de responsabilidade neste tema.
3 - Não estou preocupado em encontrar os culpados, mas dar o meu melhor e contribuir para que o meu país tenha soluções e futuro.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Medidas a aplicar na agricultura para evitar saída do euro em 2013

Acho que os portugueses não perceberam que têm de se tornar competitivos sob pena de Portugal no ano de 2013 ter que abandonar o euro, porque não haverá europa federalista que nos salve. Espero estar enganado na minha previsão!

O que proponho que se faça na agricultura portuguesa para escaparmos deste desastre:
1 - Cadastro dos prédios rústicos a entregar com a declaração de IRS. Quem não declarar os prédios perde-os para o Estado português;
2 - Banco público de terras, com penalização de IMI para os proprietários que não aderirem - a implementar no 1.º trimestre de 2012;
3 - Ajudas para instalação de jovens agricultores a funcionar de forma contínua até 31 de Dezembro de 2013 (utilizar dinheiro de outras medidas/ações menos estratégicas para conseguir-se passar, nesse ano, de 2% para 5% de jovens na agricultura);
4 - Priorizar os investimentos agrícolas cujas produções sejam de curto prazo, 1 a 2 anos, para haver criação de riqueza e emprego nos anos de 2012 e 2013, de maior incidência da crise financeira, económica e do emprego;
5 - "Crédito tipo habitação" (ver post sobre este assunto) para aquisição de terra, pagamento de tornas a co-herdeiros e investimento de médio/longo prazo;
6 - Linha de crédito de longo prazo para a agro-industria destinado ao aumento da capacidade de laboração, internacionalização, I+D, etc;
7 - Priorizar os apoios às empresas exportadoras.

... voltarei ao tema em próximos posts

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Crise, uma maré de oportunidades!

Na minha atividade de negócios que desenvolvo diariamente, constato que os resultados da crise, no imediato, em 2012, irá traduzir-se na falência de maior número de empresas, face às previsões, o que quer dizer que o desmprego estará entre os 15 e os 18% e o crescimento será superior a -5%. Por outro lado, noto que há pessoas/empresários que reagem à crise atuando como maré de oportunidades, estudando novos negócios (elaborando o respetivo plano de negócios), constituindo empresas e investindo. Sei que esta "onda", na atualidade, é pequena", mas está a ganhar corpo e no final de 2013 notaremos uma grande transformação, para melhor, no tecido empresarial de Portugal

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Opinião de uma leitora

Sara Silvestre fez no dia de hoje o seguinte comentário:
Gostei do seu blog. Sou estudante do curso de Engenharia Alimentar e o seu blog considero-o bastante directo e crítico face ás questões agrícolas e agro-industriais. Gostei. Vou continuar a passar por aqui."

Considerações:
1 - Gostava de ser "suficientemente remediado" para poder escrever de forma mais incisiva, direta e crítica sobre a realidade da agricultura e do mundo rural de Portugal.
2 - Em consciência, tento fazer o que está ao meu alcance contribuindo para melhorar este setor de atividade económica:
a) SER MASSA CRÍTICA: escrever neste blog e nos jornais, participar em debates na rádio, televisão e sessões públicas, ter opinião crítica e atenta sobre a atualidade, mais importante conseguir ter ideias sobre a forma de fazer melhor, mais eficiente e eficaz
b) EMPRESÀRIO AGRICOLA DE SUCESSO: desenvolver empresas na produção agrícola que dentro de dez anos sejam uma referência no país.
c) TÉCNICO CREDENCIADO: projetista de sucesso e agrónomo de referência
3 - Gosto de debate de opinião e que me incentivem pela expressão da opinião dos meus leitores.

Em síntese: Cara Sara Silvestre, muito obrigado pela expressão pública de que gosta do que escrevo.

sábado, 5 de novembro de 2011

"Crédito Tipo Habitação" para a Agricultura

O Semanário Vida Económica publicou ontem o seguinte artigo:

CGD ao serviço
da economia

José Martino (engenheiro agrónomo)
Josemartino.blogspot.com
É preciso colocar a Caixa Geral de Depósitos ao serviço da economia portuguesa, ao serviço de quem quer produzir, gerar riqueza e criar postos de trabalho. Uma das ferramentas essenciais para a implementação do banco de terras público é a criação de uma linha de crédito a exemplo do que sucede no crédito á habitação. Se eu pretendo comprar uma casa ou um apartamento, o banco pede-me um documento, neste caso o IRS, que comprove os meus rendimentos para me aprovar um empréstimo a 25/30 anos. Agora que o país precisa de produzir, porque é que não existe um mesmo princípio para comprar terras?
Na minha opinião faz mais sentido emprestar para produzir bens transaccionáveis, para criar condições para que se possa produzir, dando como garantia o rendimento do trabalho, tal como na compra de uma casa – só que a casa não é um bem transaccionável, fica-se uma vida inteira a pagá-la mas ela não gera nada, só gera custos.
Se, pelo mesmo princípio, aplicar 200 mil euros na aquisição de uma terra, tenho um instrumento de trabalho que vai permitir a produção de bens de consumo, que diminuirão as importações e podem gerar exportações – é este tipo de instrumentos que é necessário apoiar e estimular.
Agora que há pouca liquidez bancária, o Governo não pode lavar as mãos e atirar o ónus todo para a banca. O Governo é o principal accionista da Caixa Geral de Depósitos (CGD), pelo que devia dar-lhe indicações no sentido de criar instrumentos de apoio à agricultura, de apoio à produção de bens transaccionáveis, que substituíssem importações e gerassem exportações – só assim podemos resolver o problema da dívida.
Se a economia portuguesa não crescer – e a agricultura tem uma quota parte muito grande neste desafio -, nunca conseguiremos ultrapassar o problema da crise, que é, essencialmente, uma crise económica. Mas esta crise económica é uma oportunidade para este tipo de instrumentos, inovadores, vingarem.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Campanha da Colheita de Kiwis Ano 2011

Os frutos caraterizam-se por terem boa qualidade (os kiwis que amadurecem nos pomares são, já nesta altura, extremamente doces) embora o grau brix medido nos pomares apresenta maiores amplitudes do que nas colheitas dos últimos anos e a produção será quantitativamente, na minha opinião, 20 a 30% inferior, face a uma campanha normal (a maioria dos pomares não apresenta frutos junto aos braços). Já começaram as colheitas em todos os entrepostos e as notícias que me chegam apontam para produções inferiores em relação às previsões de colheita.
O pico da colheita terá lugar nas próximas duas semanas

Quando estará a funcionar o banco público de terras?

Um leitor fez o seguinte comentário no post de esclarecimento sobre o banco de terras, quando for implementado pelo Ministério da Agricultura, terá a possibilidade de ceder terrenos para a apicultura:

"Muito obrigado pela informação, sou da região de Aveiro e gostaria de saber qual o mecanismo para candidatar-me à utilização desses terrenos e dar andamento ao meu projecto de apicultura?"

Comentários:
1 - A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, prometeu ontem, em entrevista à revista VISÃO, que o banco de terras avançará em 2012, daí que, se quiser aproveitar esta Instituição para conseguir terras, terá que aguardar por finais de 2012 ou 2013.
2 - Recomendo que faça contatos com proprietários da região onde se pretende instalar como jovem empresário agrícola para conseguir arrendar os terrenos que precisa para o seu investimento na apicultura.
3 - Se não andar rapidamente com a apresentação da candidatura, corre o risco de não conseguir obter subsídio para apoiar o seu investimento

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Colheita de Kiwis

No próximo Sábado, dia 5 de Novembro de 2011, irei colher os kiwis da minha produção.

Se alguém quiser comprovar como se realiza a colheita dos kiwis com a adequada logística e mecanização desta operação cultural pode -se inscrever no e-mail: jose.martino@iol.pt.

A colheita terá lugar entre as 7 h e as 13h, no lugar da Agra, Covelo, Gondomar.

Alguns dados sobre a operação cultural:
- cerca de 35 colhedores
- 4 tratores: 3 com reboques de colheita+1 com empilhador frontal
- colheita para baldes, dos quais os kiwis serão despejados para paloxes de madeira e plástico com capacidade para 330 a 350 kg cada

continuação de esclarecimentos sobre investimentos de jovem agricultor

Um leitor a quem respondi às dúvidas num post do passado dia 1 de novembro de 2011, colocou os seguintes comentários:

"Não será um tractor de 90 cv potente demais para oliveiras que nos proximos 15 anos não vão ter estrutura para aguentar a colhedora de azeiton?
Na minha opinião 300 colmeias é muito mais que o suficiente para o projecto porque so o rendimento de 50 colmeias é 2500 por anos e o das oliveiras 700 euros por ano, mais os subsideos e apartir do 7 ano o rendimento das oliveiras novas vai aumentar exponencialmente devidoao crescimento das oliveiras."

Achegas:
1 - O trator com a potência indicada é o adequado para o olival
2 - Os projetos agrícolas necessitam de dimensão minima para serem rentáveis. Uma coisa são as contas e o seu resultado teórico, outra coisa são os resultados reais: produzir e cobrar. Acho que 2500 euros + 700 euros anuais de rentabilidade são valores baixos, mesmo para atividades agrícolas que se desenvolvam em part time.
3 - Os projetos com dimensão reduzida e incremento de valorização financeira no médio longo prazo (7 anos) tem grande probabilidade de desaparecerem porque não geram interesse permanente no empresário

Palpites sobre aptidão cultural de herdade alentejana

Um leitor colocou a seguinte dúvida:

"ola. eu tenho um terreno de 40h no alentejo e gostava de iniciar uma atividade agricola na herdade. Como nao tenho grande experiencia no ramo, gostava de saber quais as culturas que podem ser mais rentaveis?"

Comentário:
1. Coloca-me uma questão que é impossivel de responder, pois faltam dados para dar um palpite. A situação ideal seria visitar a sua propriedade e fazer um diagnóstico "in locu" das suas condições de clima e solo e passar para a indicação das culturas mais rentáveis.
2. Se poder irrigar penso que as plantas aromáticas e medicinais podem ser uma opção (espero que os solos não sejam demasiado argilosos).
3. Se a sua herdade for de sequeiro tenho dúvidas sobre as atividades a instalar que sejam rentáveis porque tem uma dimensão reduzida para o efeito.

Conclusão: nós, os agrónomos somos como os médicos: só fazemos diagnósticos corretos vendo e observando o doente (a propriedade)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Investimento de Jovem Agricultor

Dúvida colocada neste blogue:

"Olá. Estou a pensar fazer um projecto agricola para instalação de jovem agricultor, o projecto é o seguinte: - plantação de 10 ha de olival em terreno que é actualmente mato preço: 25000 euros - 50 colmeias e equipamento de manutençãopreço: 9100 euros-tractor de 55 cv com reboque e escarificadorpreço: 24600 euros- vedação preço: 3500 euros- cerca de 100 oliveiras com 60 anos que tambem vão entrar no projectoinvestimento total: +/- 62 000 eurosa) como a maior parte do olival é novo a curto prazo não vai produzir quase nada, so as colmeis e as 100 oliveiras é que vão produzir.. como é que calculo a viabilidade ecónomica do projecto para saber se vale a pena candidatar-me?b) poderei tambem pedir apoio para tractor de de mais potencia 65 ou 70 cv, ou será o de 55 suficiente?"

Comentários:
- Parece-me muito baixo o investimento de 2500 euros por hetare de olival, tendo por base um terreno de mato. Devem faltar itens no investimento.
- Acho que investir em 50 colmeias, 2.ª atividade agrícola, é uma dimensão muito escassa para ser alternativa à atividade principal. Recomendaria pelo menos 300 colmeias.
- Nas candidaturas ao ProDeR, para instalar jovens agricultores, não há análise de rentabilidade de curto prazo. O investimento proposto tem que possuir rentabilidade, de acordo com a vida útil do investimento. Uma opinião: o projeto parece-me rentável, mesmo que tenha de incrementar os custos de implantação do olival, embora aumente o n.º de colmeias (salvaguardo que devem ser efetuados os respetivos cálculos de rentabilidade).
- A potência do trator deve ser a adequada para trabalhar com o colhedor da azeitona (entre 90 a 120 cv), pois caso contrário não se justifica fazer investimento no trator.