O autor deste blogue reserva-se o direito de publicar e responder aos e-mails e comentários que lhe são enviados (critérios: disponibilidade de tempo e interesse para os leitores). Os e-mails e comentários a merecer resposta devem obedecer à seguinte condição: o seu autor deve estar devidamente identificado com endereço e-mail e número de telemóvel.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

IFAP paga

O IFAP está a pagar no dia de hoje os apoios de jovens agricultores e outros cabimentados até ao dia 26 de Dezembro de 2011. Há noticias que os outros serão pagos na próxima semana.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Prospetiva para a cultura do kiwi

Um leitor anónimo escreveu o seguinte:

"Com tanta plantação de kiwi que se está a fazer é mais uma bolha à espera de rebentar!"


1 - Concordo com o que escreve (é uma verdade de um senhor francês chamado "L...") : se as produções de kiwi continuarem a crescer "até ao infinito" haverá uma bolha de oferta. Quais os factos e argumentos que sustentam a sua tese

2 - Aqui vão os meus: É obvio que essa era a "verdade" há 25 anos quando comecei a trabalhar em que o mercado português era fechado à importação de produtos agricolas (na década de oitenta do século passado). Desde 2005 que os pomares implantados têm como destino a exportação (as superfícies de actinideas eram mais que suficientes para abastecer Portugal).

3 - Neste preciso momento fui contactado por um amigo para o ajudar na exportação de 3o contentores com kiwis (cerca de 600 toneladas) para um país do extremo oriente. Qualquer abordagem internacional para oferta regular de kiwis obriga a que se tenha uma quantidade mínima para oferecer, por calibre, de mil toneladas. Conclusão, se esta fileira quiser ter uma preponderância na colocação interncional dos seus frutos devem os seus entrepostos ter capacidade de oferta minima comercial de 10 000 toneladas por colheita (neste momento a maior estrutura de comercialização trabalha pouco mais das 5000 toneladas e as restantes estão, na média, pouco acima das 4000 toneladas).

4 - As produções dos kiwicultores têm que ser homogéneas em categorias, calibres, poder de conservação frigorífica, brix, matéria seca, dureza, sabor, etc. para que os importadores dos diversos países assimilem dessa forma coerente a imagem dos kiwis de Portugal. Esta fileira, neste aspecto, progrediu muitos nos últimos anos, mas há um conjunto, não muito grande de kiwicultores, que precisam ter consciência que não se pode produzir kiwis de qualquer maneira e que devem melhorar as suas operações culturais sobretudo ao nível da monda de frutos.

5 - A fileira do kiwi irá passar algumas fases difíceis para se conseguir consolidar na exportação, mas tenho a certeza quecom maiores ou menores vicissitudes continuará na senda do sucesso dos últimos anos. Li recentemente que os navios estão bem nos portos, mas foram feitos e existem para galgar os oceanos que estão entre os portos, quer o mar esteja calmo, quer em períodos de tempestade. Não podemos deixar que o medo nos paralise e por isso, eu embarquei, há largos anos, no navio da fileira do kiwi contribuindo para a definição dos seus objectivos a médio/longo prazo na exportação (porto de destino), para que os kiwicultores, entrepostos e técnicos sejam mais competentes (marinheiros melhor preparados para enfrentar as tempestades). Conclusão, são os empresários que fazem a competição entre produções na oferta internacional e dos muitos contactos que fiz em ações de benchmarking nunca achei que os nossos concorrentes estrangeiros fossem mais inteligentes que os portugueses, verifiquei que acreditam no trabalho que fazem e estão muito organizados porque a cada problema que sentem procuram e implementam soluções (em Portugal perdem-se muitas horas a debater problemas e emprega-se pouco esforço a percorrer os processos das soluções). Como há muitos empresários do kiwi que acreditam nas suas capacidades e no resultado do seu trabalho, é evidente, que a estes se deve o sucesso da fileira dos kiwis de Portugal. A estes a minha homenagem e o meu bem haja!

Kiwis

Uma leitora fez o seguinte pedido de esclarecimento:

"BOA TARDE, VI ESTE BLOG QUANDO ESTAVA A PROCURA DE INFORMAÇÃO SOBRE CULTURA DE KIWIS,POIS TENHO UM TERRENO COM 4000 MTS DE ÁREA NAO NA ZONA DA FEIRA MAS PERTO ,NA ZONA DE OVAR MAIS PROPRIAMENTE EM CIMO DE VILA S JOÃO DE OVAR.GOSTARIA ,SE POSSIVEL , ME DESSEM INFORMAÇÕES SOBRE O ASSUNTO POIS GOSTARIA DE RENTABILIZAR ESTE TERRENO.as informações que pretendo sao as basicas:como se plantam,os cuidados a ter, se o terreno é a propriado(penso que sium) pois ha plantaçoes na zona,quais os custos que importam uma cultura destas : agradeço desde já e podem enviar a resposta para vandamorgana@hotmail.com"

Pode obter mais informações sobre a cultura do kiwi na Espaço Visual, Eng. Dina Fernandes, 22 450 90 47 ou na APK - Associação Portuguesa de Kiwicultores, participando no próximo Sábado, nas jornadas técnicas do dia do Kiwicultor, nas Instalações dos Bombeiros Voluntários da Feira, entre as 9h30 e as 13h00. Neste evento poderá contactar com técnicos, kiwicultores e responsáveis dos entrepostos que lhe poderão esclarecer de viva voz as dúvidas que possui sobre a cultura do kiwi.

Terrenos adequados para a cultura do kiwi: solos não encharcados, não argilosos, não pesados. Parcelas com água em abundância para rega (no pico do Verão 40m3/ha/dia). Zonas pouco ventosas. Parcelas que não teem geadas precoces de Outono ou tardias de Primavera. Zonas com alta humidade relativa de Verão e temperatura máxima nesta estação do ano não muito superior a 30 ºC. As regiões do Entre Douro e Minho e Beira Litoral são aquelas que em Portugal reunem melhores condições edafoclimáticas (de solo e clima) para a cultura do kiwi (actinidea)

A importância da imaginação e do credo que o potencial pode ser atingido

Não resisto a trancrever os pensamentos de Albert Einstein:

"A imaginação é muito mais importante que o conhecimento"; "se os factos não encaixam na teoria, muda os factos".

Os factos mostram que esta estratégia que se tem seguido para desenvolver a agricultura portuguesa, não dá resultados, do ponto de vista da balança comercial ou pagamentos. Mudar os factos:
a) incrementar as economias de escala na atividade agrícola através da implementação do banco de terras, do crédito tipo habitação para a agricultura, linhas de crédito especificas para a agricultura, fazer o cadastro dos prédios rústicos, etc.
b) promover o abaixamento da taxa de insucesso na instalação de jovens agricultores: promover estágios em explorações agrícolas de sucesso amplamente reconhecido, acautelar o fundo de maneio dos projetos de instalação dos jovens agricultores, promover parcerias empresariais ou participações no capital social das empresas dos jovens agricultores, de outros empresários ou detentores de capital, integração comercial das produções em agro-industrias ou entidades comerciais, etc.
c) Criar massa critica na agricultura: empresários agricolas de sucesso independentes do poder politico, associações e cooperativas bem estruturadas, eficientes e eficazes, prestigiar a profissão de técnico agrícola, etc.

Pagamentos ProDeR: a transparência das datas de pagamento

O IFAP pagou ontem e continuará hoje com os pagamentos das ajudas ao investimento na agricultura e agro-industria, bem como continuará na próxima semana. Tenho expetativa que saldará todos os pedidos de pagamento que estejam analisados pelo ProDeR e que constem na base de pagamentos do IFAP.

Defendo que a ministra Assunção Cristas tem que trabalhar para que possa definir, no inicio de 2012, de forma transparente, o programa do ano de 2012 com as datas em que fará pagamentos aos agricultores. Esta medida é uma nova forma de fazer política, de nova geração, ajustada ao combate da crise económica e financeira que se abateu sobre Portugal, fazendo-o de forma pioneira através da agricultura.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Uma tarde, várias reflexões

O seminário subordinado ao tema "Investir na agricultura?", que decorreu na semana passada na Escola Agrícola Conde S. Bento, em Santo Tirso, permitiu-me várias reflexões. A primeira: há muita gente jovem interessada em lançar projectos agrícolas; a segunda: a informação é uma ferramenta essencial para viabilizar um projecto agrícola; a terceira: o investimento no sector agrícola é, talvez, um dos mais reprodutivos da economia; a quarta: se houver visão e estratégia política, Portugal pode ter em poucos anos uma malha empresarial agrícola empreendedora, inovadora, exportadora, rigorosa, pragmática, dinâmica, forte, capaz - em suma, um empresariado de sucesso. Por isso, a pergunta que era o tema do seminário só pode ter resposta positiva.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Formação Profissional Agrícola

Segundo a Lusa e o Agroportal: "O presidente da Federação Agrícola dos Açores (FAA) advertiu recentemente para a necessidade de "manter intactos ou mesmo reforçar" os apoios à formação de activos como parte de uma estratégia de resistência aos impactos da globalização da concorrência no sector."

Comentários:
1 - A formação profissional é cada vez mais importante se do seu resultado se obtiverem empresários agrícolas mais competentes, competitivos e eficazes, bem como trabalhadores agrícolas bem formados, eficientes e eficazes para as funções que exercem.
2 - Que tipo de formação profissional devem os fundos públicos apoiar? Aquela que tem proliferado em Portugal que existe em função das Entidades e pessoas que a promovem? Ou pelo contrário, uma formação profissional centrada no empresário agrícola e nos seus trabalhadores, na melhoria das suas competências e nos resultados do que desenvolvem?

Instalação de Jovens Agricultores

O leitor PM escreveu:

"Em relação ao comentário do Pedro Pinto:Depende da actividade. Plantar batatas está fora de questão. Não há quem sobreviva a receber 1 centimo por kg (preço ao produtor).Por outro lado, há quem viva muito bem (mesmo muito bem) a produzir muito tomate e companhia, por exemplo.Se as plantas de aromáticas são caras, em contrapartida duram muitos anos. Melhor então será ter viveiros para vender transplantes certo? Há sempre uma oportunidade à espreita. A verdade é que desiste mais depressa quem não produz em quantidade aliada à qualidade.Por outro lado, compreendo o que diz e concordo em quase absoluto.E também sei que para se produzir em quantidade que dê lucro é preciso grande capacidade de investimento, entre outras coisas.E sim, não se deve atirar para isto de olhos fechados só porque há fundos disponíveis. Há que falar com quem já está no ramo (atenção que aqui há muitos que são do partido botabaixismo...e outros que são do partido étudocanja...é preciso saber interpretar o que nos dizem). Só acrescentaria que, para além da necessidade de se saber ler muito bem a evolução do mercado para antecipar queda de preços e facilmente mudar de fileira, é preciso optimismo e muita força de vontade.Relativamente à já não existência de apoios à instalação do jovem agricultor, solicitaria um comentário do Eng.º José Martino para esclarecimento dos interessados em iniciar actividade na agricultura e ao Pedro Pinto para, se possível, indicar a fonte de tal informação.Cumprimentos,"

Comentários:
1 - Acho que a plantação de batatas pode ser uma atividade rentável: é preciso instalar a cultura nos solos e climas adequados, possuir competências técnicas para obter altas produtividades e desenvolver este atividade em largas dezenas de hectares, tirando partido da adequada estrutura de mecanização. Exige muito estudo prévio e conhecimento, mas se estes aspetos forem acautelados é, na minha opinião, uma atividade rentável.
2 - É verdade que muitas vezes é mais fácil desistir de produzir do que lutar para estar atualizado e competitivo. Ainda no passado sábado me confidenciava um empresário agrícola de sucesso, estava a pensar desistir porque não tem continuadores na sua família e persistir no sucesso lhe é muito exigente do ponto de vista pessoal.
3 - Dou-lhe os meus parabéns pela excelente análise que faz à instalação dos jovens agricultores e como devem fazer, no terreno, a recolha de informação.
4 - Quanto aos apoios à instalação dos jovens agricultores já respondi é dei a minha opinião no post anterior

Investimento na agricultura: cautela e rigor

O leitor Pedro Pinto disse:
"Claro que concordo, mas garanto-lhe que se essas contas forem bem feitas, a grande maioria dos "futuros" produtores desiste da actividade!Falam da agricultura como a solução para a crise que se vive no País, contudo, quem já trabalha na agricultura está a abandonar a actividade porque os preços pagos à produção estão abaixo dos custos!Falam das aromáticas como solução, quando o produtor paga mais por uma planta para transplantar no terreno do que 1 Kg de planta fresca!Façam contas e falem com produtores já instalados antes de investir! Sabiam que já não há dinheiro para instalação de jovens agricultores? Somente se houver desistências..."

Comentários:
1 - O mais importante é que quem se quer instalar na agricultura deve fazer as contas antes de se tomar a decisão de investir. Os melhores empresários agrícolas que conheço são aqueles que dominam os custos de investimento e exploração, e possuem sistema de controlo para nunca ultraprassarem determinados niveis de custos. Das contas que faço concluo, é necessário ter em atenção à dimensão da exploração agrícola para chegar entre 2 a 4 anos a economias de escala da atividade. É determinante acautelar, desde a fase de planeamento, o fundo de maneio para que nunca existam estrangulamentos ao normal funcionamento da exploração.
2 - Há atividades em que a conjuntura é dificil, mas mesmo nessas há empresários que conseguem obter rentabilidade. Isto acontece porque são pessoas mais cautelosas nos investimentos e possuem controlo férreo sobre os custos de exploração. Como em todas as atividades económicas há pessoas a desistirem porque perdem dinheiro, outros empatam (não perdem ou ganham) e outros ganham. Como em tudo na vida, quando uns desistem, outros apostam e entram. A determinação, resiliência, organização e rigor são competências que o empresário agrícola deve possuir e que determinam o seu sucesso.
3 - As plantas aromáticas e medicinais são um setor rentável para quem for capaz de produzir com a qualidade que o mercado exige. Infelizmente, não se pode produzir de qualquer maneira. Obriga a conhecimentos das espécies e variedades que o mercado procura e por isso, requer mudanças rápidas na produção. Não se pode ficar à espera, é preciso agir de forma assertiva.
4 - Concordo plenamente com a afirmação: "Façam contas e falem com produtores já instalados antes de investir!". Falem com todo o tipo de produtores mas deem maior valor, tenham em linha de conta, aqueles que teem sucesso.
5 - Não há informação oficial de que não exista dinheiro para instalar os jovens agricultores. Caso este fique escasso, haverá lugar a concurso para atribuição das ajudas, sendo apoiadas as candidaturas que obtenham maior classificação. Circulam muitos rumores do tipo do que indicou, embora na minha opinião, a execução financeira está a correr tão mal (há falta de dinheiro por parte dos proponentes para apresentar os pedidos de pagamento) que as ajudas aos jovens agricultores irão persistir durante mais alguns meses.
6 - Se a ministra Assunção Cristas conseguir instalar jovens agricultores até dezembro de 2013 fará uma inversão da forte tendência que existe para o envelhecimento do empresariado agrícola português. Se fosse eu que tivesse poder para tomar a decisão, optaria por apoiar exclusivamente o investimento na instalação de jovens agricultores em detrimento do investimento dos agricultores e da agro-indústria.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Comemoração do dia da independência de Portugal

Neste dia 1 de dezembro de 2011, dia em que se comemora a independência de Portugal, irei trabalhar para dar o meu contributo para que o país combata a crise a conómica e no futuro próximo possa livrar-se do jugo da troika.

Tenho na memória a previsão da OCDE, no ano 2014, 1 em cada 7 portugueses estarão desempregados. Verifico o que se passa à minha volta, uma família da classe média, pessoas de trabalho, neste momento e desde há 4 meses, 1 em cada 13 pessoas estão desempregadas.

Começo a sentir que o empreendedorismo na agricultura pode contribuir para o combate ao desemprego. Noto que muitos dos potenciais jovens agricultores e investidores na agricultura confundem os conceitos de trabalhar na agricultura com empreender na agricultura, porque acham que para investir apenas lhes será exigido trabalhar no campo. Há que planear, orçamentar, entrar em conta com os aspetos técnicos, gerir, controlar, etc. Concordam que são funções muito diferentes face a trabalhar e executar?