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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Prospetiva para a cultura do kiwi

Um leitor anónimo escreveu o seguinte:

"Com tanta plantação de kiwi que se está a fazer é mais uma bolha à espera de rebentar!"


1 - Concordo com o que escreve (é uma verdade de um senhor francês chamado "L...") : se as produções de kiwi continuarem a crescer "até ao infinito" haverá uma bolha de oferta. Quais os factos e argumentos que sustentam a sua tese

2 - Aqui vão os meus: É obvio que essa era a "verdade" há 25 anos quando comecei a trabalhar em que o mercado português era fechado à importação de produtos agricolas (na década de oitenta do século passado). Desde 2005 que os pomares implantados têm como destino a exportação (as superfícies de actinideas eram mais que suficientes para abastecer Portugal).

3 - Neste preciso momento fui contactado por um amigo para o ajudar na exportação de 3o contentores com kiwis (cerca de 600 toneladas) para um país do extremo oriente. Qualquer abordagem internacional para oferta regular de kiwis obriga a que se tenha uma quantidade mínima para oferecer, por calibre, de mil toneladas. Conclusão, se esta fileira quiser ter uma preponderância na colocação interncional dos seus frutos devem os seus entrepostos ter capacidade de oferta minima comercial de 10 000 toneladas por colheita (neste momento a maior estrutura de comercialização trabalha pouco mais das 5000 toneladas e as restantes estão, na média, pouco acima das 4000 toneladas).

4 - As produções dos kiwicultores têm que ser homogéneas em categorias, calibres, poder de conservação frigorífica, brix, matéria seca, dureza, sabor, etc. para que os importadores dos diversos países assimilem dessa forma coerente a imagem dos kiwis de Portugal. Esta fileira, neste aspecto, progrediu muitos nos últimos anos, mas há um conjunto, não muito grande de kiwicultores, que precisam ter consciência que não se pode produzir kiwis de qualquer maneira e que devem melhorar as suas operações culturais sobretudo ao nível da monda de frutos.

5 - A fileira do kiwi irá passar algumas fases difíceis para se conseguir consolidar na exportação, mas tenho a certeza quecom maiores ou menores vicissitudes continuará na senda do sucesso dos últimos anos. Li recentemente que os navios estão bem nos portos, mas foram feitos e existem para galgar os oceanos que estão entre os portos, quer o mar esteja calmo, quer em períodos de tempestade. Não podemos deixar que o medo nos paralise e por isso, eu embarquei, há largos anos, no navio da fileira do kiwi contribuindo para a definição dos seus objectivos a médio/longo prazo na exportação (porto de destino), para que os kiwicultores, entrepostos e técnicos sejam mais competentes (marinheiros melhor preparados para enfrentar as tempestades). Conclusão, são os empresários que fazem a competição entre produções na oferta internacional e dos muitos contactos que fiz em ações de benchmarking nunca achei que os nossos concorrentes estrangeiros fossem mais inteligentes que os portugueses, verifiquei que acreditam no trabalho que fazem e estão muito organizados porque a cada problema que sentem procuram e implementam soluções (em Portugal perdem-se muitas horas a debater problemas e emprega-se pouco esforço a percorrer os processos das soluções). Como há muitos empresários do kiwi que acreditam nas suas capacidades e no resultado do seu trabalho, é evidente, que a estes se deve o sucesso da fileira dos kiwis de Portugal. A estes a minha homenagem e o meu bem haja!

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