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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Kiwis Arguta

A Espaço Visual está a organizar uma visita de estudo a França com o objetivo de mostrar pomares de kiwis arguta NERGI da Sofruileg e uma das estruturas que procederá à sua comercialização, a Prim'Land.
A saída será na quinta feira, dia 17 de janeiro e a chegada será no sábado, dia 19 janeiro.
Para analisarem o programa e mais pormenores do evento devem consultar o site da Espaço Visual em www.espaco-visual.pt a partir do dia 30 de dezembro de 2012.

Plantas aromáticas e medicinais

Luis Vaz disse:

"Gostaria de saber se nesses 100 mil euros de investimento esta incluíndo eletrificação e elaboraçao de furo de agua bem como construçao de estrutura (armazem).
obrigado"

"boa tarde, sera que me podem informar do preço que pode custar um secador de plantas para uma exploraçao de 2,5 ha que podera crescer ate aos 5ha.? obrigado"


Comentários:
1 - O valor de investimento que indicou (100 000 euros /ha) inclui os melhoramentos fundiários, construções e infraestruturas.

2 - O secador das plantas para explorações entre os 2,5 ha e 5,0 ha custa entre 18 000 a 20 000 euros.

Horta biológica e mini loja para escoar a produção

PayPaiva disse:

"Boa tarde a todos, vou direto ao ponto: herdei alguns terrenos rústicos em Semide/Miranda do corvo e penso em empreender horta biologica e uma mini loja para escoar a produção. Gostaria de informações acerca desse nicho de mercado, penso na qualidade e não quantidade, modo artesanal e estou a buscar mais informações pois terei que me mudar para Portugal para isso. Espero contar com seus conhecimentos, imensamente grata, Patrícia Paiva"

Comentários:
1 - Defendo que deve fazer o levantamento, quer em Portugal, quer no estrangeiro, dos projetos implementados em horticultura biológica, vertente produção biológica integrada com a comercialização direta. Na minha opinião, trata-se de projetos de autor com vinco nas características próprias de cada empresário e da sociedade onde se inserem. Deve aproveitar os exemplos dos outros para construir com o sucesso o seu modelo.


2 - Recomendo que recorra a uma loja na internet para comercializar os seus produtos. Na minha opinião, parece-me mais fácil para encontrar o seu público alvo.   

Apoios do ProDeR à cultura na nogueira

Hélder Dantas disse:

"Boa noite.
Gostaria de saber que se há subsídios para plantação de nogueiras e posteriormente comercialização de nozes.
Há limite de hectares?
Há limite de nogueiras por hectare?

Com os melhores cumprimentos"

Comentários:

1 - Há subsídios para a plantação de nogueiras e para investimento em entrepostos de preparação e embalagem das nozes para a sua posterior comercialização.


2  - O limite dos hectares por projeto de investimento a serem apoiados estão balizados aos tectos dos valores dos vários tipos de projeto : 250 000 euros de incentivos na instalação de jovens agricultores (ação 1.1.3 do ProDeR); 24 999 euros de investimento elegível de pequena dimensão (ação 1.1.2 do ProDeR) capta 50% ou 40%, conforme a parcela se situa em região desfavorecida ou favorecida, respetivamente; 975 000 euros de apoio para investimentos na agricultura que não estejam enquadrados nas ações do ProDeR já indicadas neste parágrafo (apoios de 30% a 55%, conforme a região é desfavorecida ou favorecida, jovem agricultor já instalado, sócio de O.P.).

3 - O limite do número de nogueiras por hectare é decorrente do tecnicamente recomendável (compasso mais apertado: 5x5m = 400 plantas por hectare).   

Tenho atualmente emprego, mas nunca se sabe o dia de amanhã...

Rui Madureira disse:

"Bom dia Sr. Eng.
penso ser aqui o lugar certo para deixar questões...
Acompanho diariamente o seu blog, sou "amador" do mundo das plantas e encontro aqui informação muito útil.
Tenho actualmente emprego, mas nunca se sabe o dia de amanhã...
Disponho de um terreno de 5000m2 de terreno cultivável e outros tantos de arvoredo.
Não me sai da ideia uma estufa de pequena dimensão de viveiro de plantas ornamentais de interior, uns 3000m2 de frutos vermelhos e cogumelos em trocos á sombra do arvoredo. Para além disso fala-se muito pouco da cultura do physalis em Portugal, porque será?
Tenho 30 anos, o terreno é em Marco de Canaveses e tenho disponibilidade ao fim da tarde e aos fins-de-semana.
Existe aqui potencial de rentabilidade?
Obrigado e continuação do bom trabalho!"


Comentários:
1 - Comungo das suas expetativas que o mundo do trabalho é feito de mudanças em que NÃO SABEMOS O QUE IRÁ ACONTECER NO DIA DE AMANHÃ, defendo, há muitos anos, que "vivemos na instabilidade estável" (tudo muda de forma constante, o que hoje nos dá segurança, amanhã deixa de o ser, temos um devir constante que nos obriga a refletir, assumir riscos, decidir e atuar).
O mundo do trabalho nos dias de hoje é semelhante ao caminho que percorremos no nosso dia a dia, constituído por uma espécie de facas colocadas verticalmente, sobre o bico da lâmina apoiamos os nossos pés, esta situação obriga-nos a encontrar percursos em que as facas estão muito próximas para distribuirmos o nosso peso sobre um elevado número. Quando só temos uma faca para suportar cada um dos nossos pés corremos o risco de nos ferirmos. O mesmo acontece na nossa vida profissional quando temos uma única atividade, deixamos passar o tempo, a rotina instalar-se, ficamos desatualizados e por uma razão ou outra somos despedidos.


2- Á partida não sou defensor da multiplicidade de atividades agrícolas de microdimensão. Porquê? A agricultura de sucesso exige especialização, conhecimento profundo da atividade. Constato  que só pessoas muito competentes conseguem obter sucesso com mais de duas culturas agrícolas. Por outro lado, aumenta-se de forma acentuada a problemática da abordagem comercial: há pouco interesse da agroindústria/agentes de comercialização em comprar e valorizar pequenas quantidades de produções agrícolas e além disso, os custos da logística de embalagem e distribuição podem comprometer a rentabilidade do projeto.     


3 - Respondendo de forma direta à sua questão: o potencial de rentabilidade é atingido em função da capacidade e competência do empresário. Já vi micro projetos obterem rentabilidade e falharem projetos com a dimensão muito acima da economia de escala. No entanto, verifico que há maior probabilidade de sucesso no caso em que a dimensão do projeto está em linha com a que é recomendada pela análise técnica.


4 - Vá em frente, não desista, estruture um projeto  com as atividades que levem em linha de conta as suas convicções, aquilo em que acredita, o que o faz mexer e ser feliz.      

Framboesa

Nuno Oliveira disse:

"Caro Eng. José Martino,

Mais uma vez agradeço a disponibilidade para responder a este tipo de dúvidas no blogue.

Relacionada com esta questão da framboesa em túnel perguntava o seguinte:

Recorrentemente se fala numa área de cerca de 1ha para existir algum tipo de rentabilidade na cultura dos pequenos frutos como a framboesa. Ao ver os preços e custos associados à produção vê-se que uma produção de 10 toneladas/ha para framboesa convencional para congelado está próximo do break even. Na Sérvia leio sobre estudos em que conseguem recordes de 30 t/ha ao ar livre com não remontante Meeker.

A minha questão é a seguinte: uma vez que só disponho neste momento de cerca de 8000m2 em comodato ao apostar numa cultura mais intensiva em túnel de remontante sobretudo para venda em fresco não é possível aprovar um projecto Proder apesar de estar abaixo do hectare?

Se conseguir produzir profissionalmente e atingir as médias de outros produtores semelhantes noutros países tenho alguma confiança que consigo ter um projecto rentável e aprender o suficiente, nomeadamente sobre o exigente processo de colheita, para posteriormente expandir a plantação com uma candidatura de um familiar daqui a 3-4 anos.

Agradeço desde já a atenção"

Comentários:

1 - A rentabilidade de um projeto de instalação de um jovem agricultor através de 8000 m2 com a cultura da framboesa terá que ser por um especialistas na matéria e determinada para o caso seu concreto, em função dos investimentos necessários em infraestruturas e melhoramentos fundiários. No entanto, em tese, eu diria que é possível fazer a instalação do jovem empresário agrícola.

2 - Na minha opinião, o incremento da produtividade na cultura da framboesa é possível se o empresário for organizado, rigoroso e muito exigente. Não pode ser argumento utilizado em sede de análise do projeto ProDeR, mas uma salvaguarda que garante que os objetivos do rendimento bruto preconizados na candidatura serão sempre atingidos, evitando futuros problemas com auditorias e controlos. 

Plano de negócio (2)

Miguel disse:

"Caro Eng. Martino,

Pelas contingências da conjuntura económica, estou focado em substituir a minha ocupação actual e cada vez mais intermitente de arquitecto de espaços (sub)urbanos pela de jovem agricultor em ambiente rural.
Acompanho o seu blog, já participei em workshops/cursos de formação e já visitei vários produtores agrícolas de diferentes tipo e de vários produtos, desde agricultura convencional a biológica passando por estufas e hidroponia, de produtores PAM a produtores de frutos vermelhos, de produtores de cogumelos a produtores de brassicáceas, de produtores de hortícolas a frutícolas. Complementei as minhas visitas com visitas a grandes distribuidores do sector da zona Oeste e de Santarém.
A minha questão é que neste momento estou numa encruzilhada.
Tenho vontade e determinação em avançar, mas estou consciente que os meus 3 hectares na zona de Oliveira do Hospital, não me permitem ter escala produtiva (volume e/ou oferta para 52 semanas) ou a diversidade/portfólio de produtos consistente e diferenciada no mercado. Além disso estou condicionado pela necessidade de facturação no primeiro ano de cultura. Outra condicionamento é que esta zona tem o sector primário vocacionada para a maça ou queijo da serra que não favorece o associativismo ou a alavancagem de mercados e custos logísticos de produtores de outros produtos. Contudo, não estou condicionado pelo montante de investimento
Gostaria da sua opinião do tipo de culturas podem ser adequadas a esta área e a esta zona de forma a clarificar quais os rumos mais adequados de forma a fazer o meu caminho.
Muito obrigado
Miguel

PS - Irei marcar uma reunião com o Espaço Visual, mas gostaria que esta questão fosse respondida no seu blog porque acredito que para quem está recentemente interessado neste sector, este esclarecimento pode ser importante. A sua resposta irá tornar a reunião muito mais produtiva e consequente."

Comentários:
1 - Agradeço a questão colocada. Creio que me pergunta quais as culturas que recomendo para uma exploração agrícola com 3 hectares de terreno agrícola, com disponibilidade de água para rega (inclui a possibilidade de a captar na exploração)  no concelho de Oliveira do Hospital na ótica da remuneração, desde o primeiro ano, do trabalho do empresário.

2 - Na minha opinião as atividade agrícolas devem pagar o trabalho do empresário a tempo inteiro na atividade, pelo menos, 750 euros por mês.

3 - Nos pressupostos indicados em 1 e 2 defendo que pode investir nas cultura de: framboesa, groselha, horticultura em estufa, floricultura em estufa, porcos bísaros, viveiros, etc.

4 - Defendo que o associativismo deve servir para defesa dos interesses socioprofissionais e que a defesa dos interesses diretos económicos e financeiros devem passar pelo cooperativismo, cooperação empresarial, agrupamento complementares de empresas, etc. O resultado destas formas de defesa de interesses depende mais da vontade própria dos empresários/agricultores do que das atividades, regiões geográficas, etc. etc.


5 - Na minha opinião, deve elaborar um Plano de Negócio para a sua exploração como forma de garantir qual a atividade que melhor satisfaz todos os pressupostos que  traçou como empresário.       

Ajudas públicas à instalação na agricultura

 Filipe Machado disse:

"Boa noite... chamo-me filipe machado e estava a pensar submeter as ajudas do proder para a floricultura... gostaria de saber quais os requisitos e a as ajudas que ele da para o inicio da atividade..
muito obrigado pela atenção"

Comentários:

1 - Para um jovem agricultor que se inicia na atividade o ProDeR atribui um prémio de primeira instalação no valor de 40% do investimento até um máximo de 30 000 euros ou 40 000 euros no caso de se tratar de uma sociedade de dois jovens agricultores. Este prémio é pago após a apresentação do respetivo pedido de pagamento, o qual pode ser realizado logo após a assinatura do contrato das ajudas, mesmo antes do inicio de qualquer investimento.

 

2 - As ajudas são atribuídas através de subsídio no valor de 60% ou 50% do valor dos investimentos elegíveis. conforme estes se realizam em regiões desfavorecidas ou favorecidas, respetivamente (para saber a classificação de cada freguesia, pesquise neste blogue em portaria das regiões desfavorecidas).

 

3 - Os requisitos para obter as ajudas são:
a) Ter mais de 18 anos e menos de 40 anos.
b) Não ter obtido anteriormente apoios através  de ajudas públicas à agricultura (regras estão definidas no aviso de abertura do concurso da ação 1.1.3 do ProDeR, em www.proder.pt).
c) Submeter projeto na base de dados do ProDeR, devidamente elaborado e rentável. 


4 - Caso o proponente se queira instalar na agricultura e tenha 40 ou mais anos pode recorrer aos apoios previstos na ação 1.1.1 do ProDeR (30 a 55% de subsídios ao investimento, conforme a parcela se situa em região favorecida ou desfavorecida, se trata de um jovem agricultor, já instalado na atividade e por último se é "não associado" ou "associado de OP".    

Plano de Negócio

Telmo Roxo disse:

"Boa noite, Sr. Engº José Martino

O que será necessário para a elaboração de um plano de negócios ou estudo de viabilidade económica?
Existem alguns indicadores disponiveis na internet, custos de produção/preço de venda do produto?Qual a melhor força de o executar, terá que se recorrer a um tecnico especializado?

Muito obrigado pelos esclarecimentos que me tem vindo a prestar.

Cumprimentos,"

Comentários:

1 - Para a elaboração de um plano de negócio é necessário:
a) Vontade e determinação para pesquisar na internet, recolher informações. falar (ser eficaz nas perguntas com o objetivo de obter as respostas com os conhecimentos necessários) com técnicos e empresários dessa atividade, quer em Portugal, quer no estrangeiro e redigir o documento.
b) Fundos financeiros, próprios ou públicos (passaporte do empreendedor) para suportar os custos com as deslocações, contatos telefónicos, assessorias com técnicos.


2 - A internet tem informação, sendo necessário transformá-la em conhecimento (informação que interessa e que faz ganhar dinheiro) através da validação do que é diferenciador, eficiente e eficaz.


3 - A melhor forma para executar o plano de negócios é  recorrer a parcerias entre o trabalho do próprio, o empresário, e uma empresa especializada em consultoria agrícola. A Espaço Visual até ao dia 15 de janeiro de 2013, irá divulgar uma parceria para prestar serviço aos potenciais jovens empresários agrícolas na elaboração do respetivo plano de negócio.     

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Qual a estratégia para o nosso projeto?

mycah disse:

"Muito Obrigada pelo serviço público prestado com este blog.
Somos um grupo de 3 jovens com idades entre os 29 e os 35 anos. Eu sou
licenciada em Engenharia Alimentar com mestrado em Tecnologia
Alimentar e neste momento encontro-me a trabalhar em Angola, um dos
outros membros do grupo frequentou a licenciatura de Engenharia
Agronómica e tem experiência profissional em gestão.
Temos como objectivo comprar um terreno no concelho de Odemira,
perto da costa de forma a conseguir colher dividendos de produção mas
também de turismo.
Estamos interessados na produção de vegetais em aquaponia, produzindo
também peixe de água doce.
Em relação aos vegetais procurámos saber quais são as variedades mais
procuradas pela hotelaria gourmet, que está sobretudo localizada no
Algarve , Lisboa e Troia, sendo que nós ficaríamos localizados
relativamente perto.
Temos duvidas sobretudo quanto ao tamanho do terreno a comprar, uma
vez que também já li neste blog o Engº a desaconselhar a comprar de
terrenos, contudo como pensamos em construir, não só uma habitação
própria mas também numa 2ª fase infraestruturas para o turismo
ecológico, continuamos a decidir pela compra.

Em relação ao enquadramento em projectos do Proder, temos duvidas
sobre se será melhor tentar financiamento com o projecto de aquaponia
ou se seria mais fácil iniciar com um projecto de hidroponia e ir
depois adaptando a aquaponia, diminuindo assim o investimento inicial?

Procurámos informação sobre cooperativas e uma vez que só são
necessários 5 pessoas e existem algumas diminuições de impostos
estamos a tentar concluir se seria benéfico a formação de uma
cooperativa. Como se enquadram as cooperativos nos planos de apoios?

Espero não ter explicado bem a minhas questões e mais uma vez muito obrigada.

Mª do Carmo Alves"

 


Comentários:

1 - Parece-me uma solução muito acertada a realização do levantamento de mercado sobre os vegetais que os hotéis e restaurantes de topo procuram e valorizam. Devem começar pela forma de produção que melhor dominam a tecnologia de produção, eventualmente como segundo fator de decisão, o custo de investimento na tecnologia.


2- A compra de terreno deve ser ponderada se existirem os capitais próprios convenientes para o investimento e para a fase de exploração até ao equilíbrio da tesouraria. Caso contrário, devem optar pelo arrendamento. O tamanho do terreno deve ser aquele que é recomendável como dimensão da atividade que irão desenvolver a médio prazo, passados 5-6 anos


3 - Os investimentos em infraestruturas turísticas devem ser muito bem analisados porque em Portugal há excesso de oferta. No entanto, recomendo que devem investir se o turismo ecológico for uma excelente oportunidade de negócio.

4 -  Parece-me, salvo melhor opinião, que do ponto de vistas fiscal, nesta altura, as cooperativas não são mais interessantes que as empresas. Recomendaria que no Vosso caso candidatassem 3 projetos de instalação de jovens agricultores com empresas unipessoais, tirando partido dos três prémios de instalação no valor de 30 000 euros cada. 

E venham daí Marcelos, Medinas, Praças da Alegria, o que for!

Pedro disse:

"Se me permite,
Antes falar muito da agricultura, para ajudar a consciencializar a opinião pública do que não falar nada ou falar pouco.
E venham daí Marcelos, Medinas, Praças da Alegria, o que for. É publicidade e marketing gratuito, há que aproveitar o bom que isso pode dar.

Sem a pressão da opinião pública, o ministério da agricultura vai adormecendo e engordando como aconteceu ao longo dos anos. Depois os agricultores queixam-se da falta de agilidade do máquina burocrática do ministério...pudera, ninguém sabe sequer que eles existem..."só" um punhado de pessoas que são os agricultores.

Cumprimentos"


Comentários:

1 - Tão ou mais importante que falar muito sobre agricultura é importante haver quem saiba do que está a falar sob pena de se perder esta mudança histórica que dá pelo nome de "movimento dos novos rurais".  Há uma grande mudança de visão da sociedade portuguesa sobre as suas agriculturas, há uma enorme expetativa que a agricultura seja uma "luz ao fundo do túnel" pela sua rentabilidade e exportações para combater a crise financeira e ajudar a desenvolver a economia de Portugal. Caso falhe esta nova visão voltaremos ao momento histórico anterior, o qual se vive há alguns séculos e que corresponde à agricultura atrasada, de subsistência, sem valor acrescentado, sem negócio, etc. à qual se dedicam os portugueses mais limitados e menos competentes. 


2 -  No entanto, valorizo que a agricultura esteja na moda sobretudo nos meios de comunicação social, embora sofro muito porque verifico que a oportunidade identificada em 1. parece não estar a ser capitalizada para o sucesso.


3- Defendo que o ministério da agricultura ficará mais agilizado na tramitação dos processos burocráticos se todos os seus utentes fossem exigentes e reclamassem por escrito, quer no respetivo livro, quer escrevendo ao membro do governo que tutela esse serviço, quer ao provedor de justiça. Com este método e após receberem alguns milhares de missivas escritas os responsáveis políticos iriam tomar medidas para resolver e encontrar soluções para os problemas dos utentes.  

Investimentos do ProDeR

Tânia Macedo disse

"Boa noite! o que acontece se recebermos o premio e nao conseguir mos acabar o investimento? p premio nao tem de ser justificado correcto? e sim tudo o que seja ilegível"


Comentários:


1 - Após o recebimento do prémio o jovem empresário agrícola deve providenciar a realização do investimento dentro dos prazos que constam no contrato.


2 - Antes de encerrar o projeto deve ser feito o ponto de situação dos investimentos e no caso de não haver coincidência entre os itens e valores aprovados e realizados deve ser feito um único pedido de alteração com o objetivo de ajustar todos os investimento enquadrando-os e fazendo que sejam os investimentos aprovados.


3 - O valor do prémio não tem que ser justificado, pelo que, este é recebido logo que seja apresentado o respetivo pedido de pagamento, após a contratação e pode ser recebido antes de qualquer investimento.

  

Cravo

André Silva disse:

Boa noite sr. engenheiro

Antes de mais quero felicita-lo pelo trabalho que tem feito e por todas as preciosas informaçoes que contem o seu blog.

Resido na zona de chaves, tenho 25 anos e estou a pensar investir num projecto de cravo com 3200 m2. Acha que a área em questão é suficiente para o projecto ser rentável?

Tenho no entanto algum receio relativemente ao estado do mercado quanto á procura do cravo. Na sua opinião terei dificuldade em escoar o produto?

Qual o montante que o estado me cede para este tipo de investimento?

Recomenda-me algum outro tipo de cultura para esta região?

Desde já muito obrigado

Votos de um feliz natal e próspero ano novo

André Silva"


Comentários:

1 - A rentabilidade de um projeto verifica-se quando este paga todos os custos, reais ou atribuídos e produz valor adicional.


2 - Na pequena dimensão da agricultura pode ser rentável, mas não gerar um cash flow interessante para o investidor dar por bem empregue o seu tempo nessa ocupação. Assim sendo, os seus 3200 m2 com a cultura de cravo podem ser rentáveis, mas não gerarem o necessário e suficiente para sustentar a sua família.


3 - Para saber sobre o potencial da cultura do cravo e do seu potencial de mercado deve consultar o Sr. Agostinho Cabugueira, responsável pela Tâmega Flor, em Chaves.


4 - Após a recolha de informação conforme o indicado em 3, marque uma consulta com a Engª  Sónia Moreira (917 075 852) para definir no que deve investir e qual a respetiva dimensão de atividade.   

Apicultura

absinto disse:

"Ex.mo Senhor,
É com muita satisfação que lhe dou os parabéns pelo excelente serviço público que presta através do seu blog.

Estou a reflorestar com espécies autóctones e melíferas uma área de cerca 1,5 hectares em Penafiel, ao mesmo tempo estou a erradicar as invasoras e sou apicultor em modo biológico de pequena escala desde 2007. Nunca tive nenhum apoio e desde 2000 todos os meus esforços são no sentido de preservar este património.

Tenho 41 anos e estou desempregado, a área total é de 5 artigos com cerca de 5 hectares em 4 artigos florestais e de cultivo (concelho de Penafiel).

Acha viável algum apoio na área Reflorestação/Protecção contra incêndios/erradicação invasoras/Apicultura?

Em caso afirmativo e se tiver disponibilidade gostaria de elaborar um projecto com a sua assinatura.

Muito obrigado pelos seus comentários.
Melhores cumprimentos,
Eduardo"


Comentários:

1 - Parece-me muito interessante a atitude que tem assumido de melhorar a sua floresta através da reflorestação, controlo de invasoras, etc. No entanto, fica a questão: qual o resultado económico  que a sua exploração pode contribuir para a sua remuneração de trabalho, quer real, quer potencial?


2 - Não o posso ajudar nas questões formuladas quanto aos apoios para a área florestal porque não domino esse tema.


3 - Defendo que deve investir na apicultura recorrendo às ajudas para o efeito que existem no ProDeR    (há uma ajuda  de âmbito florestal e a ação 1.1.2 do ProDeR ( esta apoia com 40 ou 50%, conforme os investimentos se situam em regiões favorecidas ou desfavorecidas, excepto a aquisição das abelhas) porque já tem experiência na atividade e conhece o negócio.


4 - Telefone à Engª. Sónia Moreira (917 075 852) e combine com ela a elaboração do seu projeto de investimento. 

Framboesas, groselhas e mirtilos

"Chamo-me Carlos Henriques e gostaria de saber qual a rentabilidade dos pequenos frutos (mirtilos, framboesas e groselhas) se produzidos em estufa e qual o período que demoram a atingir a produção plena. Grato pelos esclarecimentos já prestados".

Comentários:

1 - A produção em estufas faz sentido para a cultura da framboesa localizados no Algarve ou Sudoeste Alentejano. Para a framboesa e groselha nas regiões junto ao litoral faz sentido produzi-las em tuneis ou sob coberturas em plástico. O mirtilo deve cultivar-se ao ar livre.

2 - A rentabilidade destas cultura varia com o investimento sobretudo em infraestruturas e melhoramentos fundiários. O rendimento líquido varia entre os 25 000 a 60 000 euros, dependente da espécie, produtividade, nível tecnológico, etc.

3 - A framboesa atinge a plena produção ao 2.º ano, a groselha ao 3.º ano e o mirtilo ao 5.º ano. 

Regiões Desfavorecidas

Carlos Godinho disse:
" Bom dia Eng.º
Sou um jovem de 28 anos, trabalhador precário, por enquanto, apostado em vingar no Sector Agrícola, venho por este meio solicitar a sua ajuda.
Sou da região de Santarém e a minha família possua 40 ha que apenas servem de cultivo de Milho.
Tendo um futuro incerto, vejo neste o Sector "a luz ao fundo do túnel".
Gostaria de saber qual a melhor forma de avaliar a maior rentabilidade tanto de colheitas como economicamente, que se pode "tirar" de toda esta área. Será através de um Plano de Negócios ou através de Estudo de Viabilidade Económica? Após esta avaliação tenho interesse em concorrer ao Programa Jovem Agricultor, sabendo que financiamentos posso utilizar.
Uma outra questão que lhe quero colocar é se existe algum mapa que indique quais as zonas favoraveis ou desfavoraveis em Portugal Continental?

Agradeço a atenção e também todo o apoio que tem prestado a leitores como eu. A sua experiência e profissionalismo têm sido um grande orientador.

Atentamente,
Carlos Godinho

Contato: acgodinho@gmail.com"
 
 
Comentários:
1 -  Para o seu autor, este blogue é um dos instrumentos, não único, com que contribui de forma direta e pessoal, para o desenvolvimento de Portugal e enquadra-se numa atitude de cidadania a favor do bem público, criação de massa crítica na agricultura e na construção/implementação de um modelo de desenvolvimento económico que tire partido da criatividade empreendedora dos portugueses, o qual tem como objetivo levar a um Portugal desenvolvido com base na criação de riqueza (duplicação, em dez anos, do PIB per capita). Neste sentido, o seu autor entendeu empregar o tempo disponível respondendo às questões que lhe são colocadas nos comentários deste blogue, mas entende responder apenas às que na sua opinião têm elevado interesse para os seus leitores, não há qualquer critério de temporalidade face à data de pedido (critério de resposta).
 
2 -  Pode tirar partido da exploração que tem disponível através de um trabalho mais profundo do Plano de Negócios ou mais superficial de Estudo de Viabilidade Económica. Na minha opinião, caso tenha disponibilidade de tempo, deve trabalhar com o máximo rigor e utilizar o Plano de Negócios.
 
3 - Na  minha perspetiva deve apresentar o seu projeto ao ProDeR durante o 1.º trimestre de 2013. Trata-se de um feeling pessoal porque não possuo informação privilegiada no que diz respeito ao nível de desistência de candidaturas, à taxa média de não utilização dos fundos nos pedidos de pagamento apresentados face ao orçamento aprovado em contratação, ao número e valor médio de projetos submetidos diariamente, etc. 
 
4 - As regiões desfavorecidas estão definidas na portaria 377/88 de 11 de junho 



quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Dúvida

Natural disse:

"Viva Sr.Engº José Martinho,

Quero felicita-lo pelo o seu blog, a partilha de tamanha informação suscinta e explicativa, bastante interessante.
A minha questão é a seguinte, sou proprietária de um terreno com 172m, nos arredores de cascais, situado entre duas moradias, um lugar calmo e tranquilo para se estar, dado que com a crise financeira instalada, não consigo construir uma moradia, assim gostaria de o disponibilizar para criação de um negócio, em parceria, como posso criar esta iniciativa. POdia me ajudar em como rentabilizar o terreno. Mais uma vez o meu obrigada.
Cumprimentos,
Adélia de Jesus".

Comentários:

1- Qual a superfície do terreno? 172m2?

Tenho terreno e análises, que culturas recomenda?

 crash pad dummy disse:

"Boa tarde Eng. José Martino,

Enviei este comentário há algum tempo, mas como não vi nenhuma resposta no blog, envio-o de novo para o caso de ter sido mal enviado.

Tenho andado a seguir desde há alguns meses o seu blog e fiquei muito surpreendido por verificar que há muita gente a querer enveredar, aparentemente sem experiência, no mundo da agricultura. Talvez como refúgio da crise, por outros sectores terem perdido interesse, seja como for, parece-me uma área a desenvolver e na qual, também eu, estou agora interessado. Assim, tenho disponíveis dois terrenos com cerca de um hectare cada para iniciar uma exploração agrícola. Ambos os terrenos têm água. Mas, levei amostras para análise ao solo dos dois terrenos e o resultado foi que ambos têm mais de 80% de terra fina, são pesados e pouco ácidos. Um deles tem uma vinha velha em parte do terreno e o outro produziu regularmente milho. Para ajudar, os terrenos encontram-se no concelho de Figueiró-dos-Vinhos onde as geadas são frequentes e a humidade no Outono já é elevada.
Depois de navegar na internet, nomeadamente percorrendo o seu blog, despertaram-me curiosidade o mirtilo, o kiwi, a romã, a framboesa e outros frutos vermelhos. Li alguns artigos/manuais/conselhos sobre a produção de cada um destes frutos e chego sempre à mesma conclusão, quando não é o terreno que é inadequado, é o clima.
Apresentado o cenário, gostaria de saber se de facto existe alguma cultura que se possa adequar a estas circunstâncias. Não pensei noutras fruteiras mais comuns (pomar, olival, vinha) porque me parece que é nos nichos de mercado que obterei rentabilidade numa área tão pequena.
Se for possível, e se estiver no âmbito do seu blog, gostaria de ter uma sugestão sua de uma cultura ou culturas que tornem possível o aproveitamento desses terrenos de forma eficiente.

Com os melhores cumprimentos,

Sérgio Silva"

 
Comentários:
 
1 - Não fique surpreendido por haver muita gente que se interessa pela agricultura, ela está na moda, agora jornalistas e comentadores estão arvorados em especialistas em agricultura, até o célebre Prof. Marcelo leva pelo menos dois domingos seguidos que fala sobre agricultura no seu programa da TVI.
 
2 - A análise indica solo pesado. Nas análises que efetuou pediu a análise mecânica.
 
 
3 -  Para essa região pode excluir o kiwi por estar situada demasiado a sul. Quanto às restantes, não posso fazer-lhe indicação de culturas/atividades recomendáveis porque não visitei o seu terreno. Nós os agrónomos somos como os médicos, não fazemos diagnósticos sem ver o doente/terreno.
 


4 - Fale com a Eng. Sónia Moreira (917 075 852) se pretender agendar uma visita ao seu terreno.

Mirtilos na Guarda

Ana Santos disse:

"Olá boa noite, Sr.Eng.

Tenho um terreno com 3 ha, com solo arenoso e ao lado de uma barragem agricola, acha que seria uma boa opção a plantação de mirtilos. O clima seria bom, já que é na zona da Guarda, com grandes geadas não danificaria a planta? Obteria ajudas financeiras para a plantação?"

Comentários:

1 - Terá de levar um técnico ao seu terreno para verificar se a toalha freática no inverno não se encontra demasiado perto da superfície podendo matar as plantas do mirtilo por encharcamento.

2 - Terá de fazer o  levantamento das datas das geadas tardias de primavera e verificar se a zona é ventosa na primavera e verão. Com estas informações um técnico  que conheça a cultura pode avaliar a possibilidade de cultivar o mirtilo no seu terreno.


3 - As plantas de mirtilo são originárias de climas frios e por isso, relativamente resistentes às geadas, exceto na floração, pelo que devem ser escolhidas variedades cuja floração não seja coincidente com os períodos de geada.


4 - Pode obter ajudas financeiras para se instalar como jovem agricultora (mais de 18 anos e menos de 40 anos) com pelo menos um hectare de mirtilos (recomendo que se tiver condições financeiras invista 1 há de mirtilos e 2 há de groselhas, para diversificar com duas atividades), cujo custo total de plantação com todas as infraestruturas e melhoramentos fundiários pode oscilar entre os 40 000 euros  a 80 000 euros, que se traduzem na obtenção de um subsídio de 100% do investimento até 75 000 euros e 60% acima deste montante.

Isto está mau para fazer agricultura e as ajudas ProDeR para os jovens agricultores

umSerVisionário disse:

"Bom dia.
Em primeiro lugar gostaria de felicitar o Eng. José Martino pelo serviço público que aqui presta, em substituição (possível) do Estado (de todos os governos pós 25 de Abril) por défice de estratégia (nacional e regional) para a Agricultura (que é um sector de actividade!), sobretudo no que toca à tipologia da produção ("o que produzir?") e à localização do profissional na cadeia de valor ("produzir e/ou comercializar?" qual a lógica e os porquês).
A agravar, o facto da nossa estrutura fundiária ser tão fragmentada e a maior parte dos agricultores não serem profissionais (> 95% pelo menos), mas sim de subsistência, exaustos, vindos de uma luta por satisfazer a necessidade mais básica que é a alimentação (sobretudo pré 25 de Abril). Só quem conhece o interior do país e as algumas freguesias das ilhas é que conhece a realidade que falo e que é o verdadeiro contexto de Portugal. A agravar ainda mais o facto de muitas freguesias tenderem para o desaparecimento, fruto da centralização dos investimentos.
Falamos então de Desenvolvimento Rural (que parece um chavão político mas não o é) onde é gritante não haver política nacional e regional. As cooperativas não funcionam (pior, muitas delas servem para encher os bolsos de nomeados pelos partidos para funcionarem como ponto de controlo de poder), não evoluíram para a lógica do mercado global, obviamente que assim não escoam, se é muito mais barato importar. Obviamente que dizer que importamos tudo é mentira, há agricultores com coeficientes de produção do melhor da Europa e do Mundo. Espero que sejam os novos agricultores (jovens com formação) que possam mudar a agricultura, já que este ajustamento económico pelo menos está a servir para isso (esquecendo o Desenvolvimento Rural).

Gostaria então de colocar agora as seguintes questões:

1) A 30 de Novembro, o programa SP1 - Competitividade (= peq. investimentos, modernização e capacitação, e jovens agricultores) evoluiu para uma taxa de compromisso de 103% e taxa de contratação de 100%. Sabe-nos dizer se está prevista uma alocação de fundos que provoque consequentemente a diminuição da taxa de compromisso, permitindo assim a instalação de mais jovens agricultores?. É que concluo a minha formação superior em Agronomia em Setembro do próximo ano e vejo que me calha mal tendo em conta esta taxa de compromisso, esta PAC ter o fim em 2013, e tal como o que disse o engenheiro num post anterior, a deadline de 4 a 6 meses para a aprovação (contratação) de novos projectos. Será que devo então apresentar um projecto (jovem agricultor) no primeiro ou segundo trimestre de 2013? Se for aprovado, o Estado tem obrigatoriedade de ter fundo para a execução a 100%?

2) Tentei obter a resposta à pergunta mas não consegui: O prémio de instalação é pago quantos meses após a aprovação do projecto? A dinâmica do investimento e reembolso consequente de 3 em 6 meses percebi globalmente, aqui, pelos seus posts.

Obrigado e peço desculpa pelo texto longo,
Artur Pinhata,
Vale do Boi, Alfândega da Fé"


Comentários:

1 - Entendo que todos temos de trabalhar com a realidade e especificidade das agriculturas de Portugal para obtermos melhores resultados: a dimensão das explorações, parcelamento, agricultores, empresários, formação, ministério da agricultura, etc. e que devemos trabalhar, montar processos para obter melhores resultados. Pela minha pessoa posso afirmar que faço o que está ao meu alcance e "mais alguma coisa...", tento inovar, romper, improvisar, tentar, convencer, escrever, falar, persuadir, atuar fora da caixa, etc. com o objetivo de criar massa crítica, um grupo de gente de boa vontade para formar uma equipa que mude a realidade. Temos de conseguir que as pessoas tenham competências para desenvolverem com sustentabilidade económica e ambiental as sua explorações agrícolas.

2 - O desafio é: com a realidade que cada um de nós tem pela frente, deve fazer mais e melhor! Não são os outros, não é o ministério da agricultura, não são as cooperativas, é cada um de nós. "O que posso concretamente fazer por Portugal, pela minha região, pela minha terra, pela minha família, por mim próprio?" = "O que posso fazer de excelente pela minha pessoa?"


3 - No subprograma 1 do ProDeR, apoios ao investimento na ótica da competitividade, há uma taxa de compromisso acima de 100% porque o governo decidiu e bem, aprovar projetos em overbooking porque infelizmente a taxa de execução dos investimentos na melhor da hipóteses é de 80%, ou seja se o governo tivesse decidido não correr riscos, aprovando os projetos de acordo com o orçamento disponível, teria muitos milhões de euros para devolver a Bruxelas, porque a União Europeia adianta ajudas e caso não sejam gastas terão que ser devolvidas e serão atribuídas a outros países.


4 - Acho que deve submeter o seu projeto no primeiro trimestre de 2013 porque dentro do quadro da previsão possível é de contar, por um lado há desistência de projetos e noutros casos, há subinvestimento, os valores apresentados nos pedidos de pagamento são muito inferiores aos valores orçamentados e contratualizados. O seu projeto sendo aprovado e contratado, porque há orçamento disponível, ou seja, está assumido que o Estado Português lhe irá pagar as ajudas nas condições indicadas pelo contrato de ajudas.


5 - Após receber o contrato assinado, será disponibilizado na base de dados do IFAP o quadro para carregamentos dos pedidos de pagamento do prémio das ajudas e este sendo submetido, dentro de 1,5 a 3 meses terá o valor do prémio de instalação como jovem agricultor creditado na sua conta bancária  

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O que fazer?

Maria João Dionísio disse:

"Boa tarde Eng. José Martino,

Tenho 52 anos e, para criação do meu posto de trabalho, pensei na agricultura pela importância que teria para mim o contacto com a terra. Moro no Algarve e descobri a empresa Hubel e a Cooperativa Madre Fruta, ambas sediadas aqui e com enorme sucesso na cultura de frutos vermelhos em hidroponia.

Interessei-me de imediato, pois para além de terem garantido o escoamento total da sua produção, trata-se de uma cultura biológica pois não requere os habituais insecticidas, etc. O investimento, mesmo para somente 1ha, é bastante elevado, pois estamos a falar de tecnologia de ponta aliada à agricultura e em ambiente de estufa. Pensei que através do Proder pudesse ter uma ajuda, mas, pelo que percebi, primeiro é preciso ter o capital para investir, e só depois se obtêm as ajudas financeiras, se estiver tudo de acordo com o pretendido.

Agradecia que me confirmasse se é assim como disse, pois acho estranho como é que alguém consegue investir na agricultura quando tudo é tão caro, desde o simples trator ao sistema de rega, etc. Se for como digo, tenho que por de parte este projeto e avançar por outra via, que passo a explicar: na impossibilidade de trabalhar por conta própria, estou a ver se consigo trabalho no campo, de preferência aqui no Algarve, mas sem excluir outras zonas geográficas. Lembrei-me de começar pelas colheitas, mas ainda não consegui achar na net um tipo de calendário com informação das datas das colheitas de norte a sul do país e com o nome das empresas responsáveis pelas mesmas, de forma a poder fazer um contacto e candidatar-me. Existe tal calendário ou algo semelhante? Aceito também outras sugestões.

Espero ter sido explícita na exposição, e aproveito para lhe desejar felicidades e sucesso no trabalho que tem vindo a executar."

Comentários:

1 -  Felicito-a pela coragem que demonstra em querer criar o seu negócio ou encontrar trabalho. É de pessoas com a fibra da senhora que precisamos como exemplo para conseguirmos ultrapassar as dificuldades que enfrentamos no dia a dia.

2 - Para assumir o estatuto de empreendedora é necessário elaborar um Plano de Negócios com algum rigor e utilizá-lo como forma de conseguir junto de investidores os capitais necessários para tirar partido das ajudas financeiras atribuídas pelo ProDeR. Verifique se pode começar de forma mais simples e com menores exigências de capital, assumindo esta fase como uma primeira etapa do processo.

3 -  Para encontrar mais contatos para trabalho nas colheitas dos pequenos frutos além dos sócios da Madrefruta, deve contatar a Driscoll's, tem várias explorações desde o Ribatejo até ao Algarve e também a Freshfactory, a qual parece comercializar pequenos frutos de explorações agrícolas ao longo de todo o território nacional.   

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Apoios ProDeR para investimentos em 1000 m2 de morangos?

Joaquim Santo Amaro disse:

"Morangos em estufa
Tenho um terreno com cerca de 1000m2, onde pretendo instalar, uma estufa para a produção de morangos.
Tenho 50 anos e estou desempregado. Será que posso beneficiar de algum apoio para a instalação."

Comentários:

1 - Qual o valor do investimento com plantação de morangos, incluindo estufa, sistema de rega, etc.?


2 - Para investimentos até 25 000 euros deve concorrer às ajudas da ação 1.1.2 do ProDeR, obtendo um subsídio de 50%  do valor do investimento se a parcela estiver situada em região desfavorecida ou 40% se estiver em região favorecida (todas os concelhos e freguesias estão classificados numa das duas categorias).
Para investimentos superiores a 25 000 euros deve concorrer às ajudas da ação 1.1.1 do ProDeR (ver os subsídios em www.proder.pt).

Cogumelos e Galinha Pedrez: Devo investir?

José Alves disse:

"Bom dia. Admiro o Blog, é muito elucidativo e, serve de plataforma para muitas dúvidas!
Eu sou da região de Braga, e meus pais possuem cerca de 5200M2 terreno agrícola e 2200M2 vinha inativa. Fui recentemente a uma sessão incentivo ao cultivo de Cogumelos, organizada pela C.M. Vila Verde.
Devo investir no cultivo de Cogumelos? (Shiitake)- Posso concorrer ao Proder com Cogumelos e Galinha Pedrez (autóctone)!?
Obrigado e parabéns pelo seu trabalho."

Comentários:

1 - Na minha opinião deve pedir a quem lhe deu a ideia de produzir cogumelos em troncos que lhe indique 3 explorações modelo para visitar. Contate os empresários e avalie a rentabilidade que estão a obter. Eu  tenho muitas dúvidas sobre a rentabilidade deste tipo de produções como atividade única e profissional como forma de obter um rendimento do trabalho e de capital adequados para sustentar uma família e remunerar o capital investido.


2 - Na minha opinião parece-me que projetos bem estruturados com galinhas de raças autóctones são rentáveis se tiverem a dimensão adequada. Tenho dúvidas se os terrenos que possui serão suficientes para rentabilizar o seu projeto.


3 - Parece-me que um projeto com galinha pedrez e cogumelos poderá ser interessante. Para obter mais pormenores sobre este tipo de investimento marque uma consulta junto da Eng.ª Sónia Moreira da Espaço Visual (917 075 852).

Há apoios ProDeR para parcelas localizadas em Ovar?

Silvia disse:
 
"Sónia, eu também sou de ovar, a nossa cidade não tem apoios da proder"
 
Comentários:
 
1- Os apoios do ProDeR aplicam-se a todas as regiões de Portugal Continental incluindo Ovar.
 
 
2 - Neste momento estão abertas as ações:
- 1.1.1 (modernização e capacitação das empresas);
- 1.1.2 (investimentos de pequena dimensão):
- 1.1.3 (instalação de jovens agricultores).
 
3 - Consulte mais informações em www.proder.pt e www.espaco-visual.pt ou marque uma consulta com a Eng.ª Sónia Moreira (917 075 852)
 

Vejo a agricultura como oportunidade. Quero saber a opinão de especialistas!

Sónia Teixeira disse:

"Boa tarde,

Antes de avançar para algo mais sério gostaria de ter a opinião de especialistas sobre algo que para mim tem ganhado alguma importância nos últimos tempos.
Chamo-me Sónia Teixeira e há muito vejo a agricultura como uma oportunidade, principalmente porque era umas das componentes que estudei em Geografia! gosto da àrea só que infelizmente sentia que não era muito prestigiante, nos dias que corre começa a assumir um novo papel e um novo rumo. Enquanto hobbie tenho um terreno em Ovar com apetência agrícola de apenas 1300m2, atendendo à sua localização e metragem, aconselhariam, a prática de alguma cultura em específico, que investimento rondaria, haveria apoios do PRODER para um àrea tão pequenina?
Quando olho para a agricultura como uma oportunidade falo na viabilidade de um projeto que penso vir a desenvolver juntamente com um colega que gosta da agricultura e que já faz alguns trabalhos nesse âmbito, mas que coloca a hipótese de alterar a sua especificidade da sua pequena empresa agrícola (tratorista, cultura de milho e batata...) para outra área e juntamente comigo. Este colega possui uma área agrícola de aproximadamente entre 1 a 2hcts em Santa Maria da Feira e pensamos investir numa cultura de mirtilos ou frutos vermelhos ou noutra área que fosse viável, para isto precisávamos do vosso apoio/opinião. Que cultura seria mais apropriada para a área e localização. Investimentos necessários, apoios, formação, rentabilidade...
Obrigada
Comentários:

1 - Se pensa dedicar-se à agricultura deve fazê-lo de forma o mais profissional possível. Assim sendo, acho que devem investir implantando mirtilos, framboesas e groselhas, com o mínimo de 1 há. Ocupando os seus 1300 m2 (0,13ha) e a restante superfície nas parcelas do seu amigo (este dar-lhe-á de arrendamento a superfície de terreno que lhe disponibilizar). Se ambos tiverem menos de 40 anos apresentem dois projetos com 75 000 euros de investimento em cada um (obterão 90% de subsídio a fundo perdido: 30 000 euros de prémio, pago após a contratação do projeto e os restantes 50% até 4 pedidos de pagamento, após a realização do investimento). Recomendo que façam o investimento e a exploração em conjunto, utilizando o mais possível a mão de obra e máquinas próprias, reportando os respetivos custos a cada um dos projetos.

2 - A rentabilidade dos mirtilos é de 25 000 euros por ha, a das framboesas 30 000 euros por ha e a groselha 40 000 euros por ha.

3 - Os mirtilos começam a produzir ao 3.º ano e atingem a plena produção ao 5.º ano. A Framboesa produz no 1.º ano e atinge a plena produção ao 2.º ano. A groselha produz ao 2.º ano e atinge a plena produção ao 3.º ano.

4 - Como formação deve frequentar os estágios formativos da Espaço Visual (ver: www.espaco-visual.pt)

5 - Marque uma consulta com a Eng.ª Sónia Moreira da Espaço Visual para esclarecer pormenores do projeto (917 075 852):   

domingo, 9 de dezembro de 2012

Que fazer com um terreno de 1 ha em Santa Comba Dão?

Correia disse:

"Olá muito boa tarde, possuo um terreno perto de Santa Comba Dão com uma área perto de 1 ha e tenho lido aqui os seus comentários e desde já lhe agradeço a disponibilidade e a ajuda, gostaria que me ajudasse, em termos de condições terreno climatéricas e outras, que plantar nesta zona? kiwis? ou mirtilos? qual é mais rentável? como obter as ajudas financeiras do PRODER? e que valores poderei receber perante esta área de terreno? agradeço uma resposta, muito obrigado."

Comentários:

1 - Para avaliar as aptidões de solo e clima do seu terreno deve providenciar que um técnico especializado o visite para avaliar o seu potencial.

2 - Se pesquisar neste blogue sobre as ações 1.1.1. 1.1.2 e 1.1.3 encontrará todas as informações que necessita saber sobre ajudas públicas ao investimento.

3 - Para obter resposta específica sobre os pontos 1. e 2. pode marcar uma consulta junto da Eng.ª Sónia Moreira da Espaço Visual (917 075 852)

O que fazer numa sociedade agrícola com dois cunhados?

Carlos Baptista disse:

Boa noite Sr. Engenheiro

Tenho um terreno com cerca de 3 hectares na região de Montemor-o-Velho e estou a pensar candidatar-me a um projecto do proder! Tenho 30 anos e um emprego a full-time mas este projecto seria para seguir numa sociedade com os meus dois cunhados. Também dispomos de maquinaria agrícola e alguma experiência! Poderia dizer-me qual seria na sua opinião o melhor produto para apostar, qual o que melhor se adapta ao clima, o mais rentável e o mais fácil de escoar!? Os mirtilos serão viáveis!? E os kiwis!?
Obrigado e Parabéns pelo seu trabalho..."

Comentários:

1 - Para um investimento num terreno com 3 há terá de pensar em culturas intensivas como por exemplo, os pequenos frutos (morangos, framboesas, mirtilos, etc.) floricultura em estufa, etc.

2 - Defendo que devem elaborar um plano de negócios mesmo que sumário (existem na net diversos modelos que podem utilizar como matriz) com o objetivo de determinar o nível de rentabilidade e de resultados que irão obter. Serão três sócios pelo que devem obter resultados e lucros para distribuir que sejam interessantes para todos. Em conclusão, devem investir e trabalhar para ter resultados que sejam importantes para três pessoas/empresários. Pela minha experiência posso afirmar que quando começamos não acautelamos estes pormenores e passados alguns anos o projeto falha porque nenhum dos sócios está satisfeito com os resultados porque estes seriam interessantes caso se fosse um único empresário.

3 - Para kiwis devem pensar em começar com uma exploração de 10 ha, sabendo que dentro de 4 a 6 anos terão de passar para 20 a 30 ha.

4 - Os 3 ha são interessantes iniciar uma exploração agrícola em pequenos frutos, a prazo terá de caminhar para os 4-8 ha.   

Maracujá

Alexandre Rodrigues disse:
"Produção de maracujá

Boa noite, não sei o sitio certo para colocar a minha questão, por esse motivo vou publica-la aqui. A questão é a seguinte. Tenho interesse na produção do maracujá, e sou do concelho de vila verde. O clima é bom para a produção?."
 
 
Comentários:
1 - Colocou a sua questão no sítio certo: nos comentários aos posts. Desta forma posso responder-lhe de forma a que a resposta sirva como esclarecimento para todos os leitores deste blog.
 
2 - Não gosto e de futuro não irei responder a questões colocadas por anónimos. Acho que faz parte do espirito de cidadania a pessoa identificar-se quando pretende um esclarecimento.
 
3 - O maracujá não suporta geadas durante o inverno, daí não me parece que o concelho de Vila Verde tenha aptidão para a cultura competitiva do maracujá.  

Eu não percebo nada de agricultura e este blogue que me parece muito útil!

Anónimo disse:

"Nunca percebo porque é que algumas pessoas em vez de serem factuais agridem verbalmente as outras. Eu não percebo nada de agricultura, vim aqui parar por mero acaso, e de facto gostava de dar os parabéns a este blogue que me parece muito útil. Parabéns!"

Comentários:

Sem comentários  porque é perfeitamente elucidativo!
(Trata-se de um comentário colocado num post de resposta a um leitor que me indicou como mentiroso nas indicações que dei sobre a produtividade de uma plantação de mirtilos  (30 ton/ha))   

Vale a pena?

Miguel Monteiro disse:

"Vale a pena? entendo que tenho que trabalhar muito, entendo isso e não me importa, a minha questão é se vale a pena?

Temos duas alternativas ou vamos embora para a Bélgica e alugamos um restaurante que é a nossa área, ou ficamos por aqui e alugamos uma quinta em salva terra para cultivar...mas valerá a pena, posso ter sucesso? não é para ser rico, mas para viver melhor?"

Comentários:

1 - Caro Miguel Monteiro, lança-me um desafio ao qual é muito difícil de responder da forma mais eficaz porque não é fácil opinar sobre a decisão de vida de outra pessoa.

2 - Creio que deve trabalhar na área que mais o satisfaça, restauração ou agricultura.

3 - Pergunta: "vale a pena? Pela minha experiência pessoal, posso afirmar que vale a pena. Dentro de pouco tempo farei 51 anos e nos 26 anos  que levo de tempo de trabalho profissional não ocupo menos de 12 horas por dia de 2.ª a Sábado (inclusive), trabalho as manhãs de domingo e mesmo nalgumas tardes deste dia emprego-as a escrever neste blogue. O ponto chave para ter sucesso é acreditar que irá ter sucesso e trabalhar árdua e de forma persistente para o conseguir. A vida tal como na agricultura colhemos o que semeamos ou plantamos, ou seja, terá de se lançar em negócios ou ser um especialista  para ser melhor remunerado e obter visibilidade profissional, não pode semear milho e querer colher frutos vermelhos que obviamente têm maior potencial de rentabilidade.


4 - Para obter sucesso empresarial tem que fazer um Plano de Negócios, tem que determinar o nível de rendimento que irá atingir tendo em conta o valor do investimento que irá fazer, isto aplica-se quer para a agricultura, quer para a restauração.


5 - Ser  rico ou viver melhor vai depender de si, da sua capacidade para gerar riqueza e para a manter ao longo do tempo.     

O que devo investir nos meus terrenos?

Luís Neves disse:

"Boa tarde,

Sou o Luís Neves e moro em Ferreira do Zêzere, Ribatejo. mas muito perto da Beira Interior nomeadamente Sertã. Por ser muito novo, 21 anos, não entendo nada de agricultura mas está é muito praticada na minha zona e tenho ouvido falar no programa ProDer.

Como estou desempregado fiz uma pesquisa pela Internet, no seu blog, falei também com pessoas que se candidataram a projectos de caracóis Um destes disse-me para apostar nos frutos vermelhos e fazer um projecto de jovem agricultor. Tenho cerca de 1ha de terreno em duas parcelas. As minhas questões são as seguintes?

1- Será os frutos vermelhos uma cultura adequada a zona em que me insiro?
2- Caso não seja adequada qual a mais rentável?
3-É necessário um grande investimento inicial?
4- Para exportar existem cooperativas ou temos de procurar uma empresa particular?

Espero uma ajuda da sua parte.

Cumprimentos"

Comentários:

1 - Terá que pedir a  um técnico que verifique se os seus terrenos têm aptidão de solo e clima para a cultura de pequenos frutos. Caso necessite a Eng.ª Sónia Moreira da Espaço Visual (917 075 852) pode-o ajudar nesta avaliação técnica de terreno.

2 - Com a visita ao terreno o técnico pode-o ajudar na procura de outras alternativas rentáveis.

3 - O investimento inicial pode variar entre os 75 000 a 120 000 euros, conforme a necessidade de investimentos na cultura e nas respetivas infraestruturas. Creio que necessita de 15 000 a 20 00 euros de capitais próprios.

4 - Tem de procurar na região onde terá a sua exploração agrícola quais as organizações que lhe podem valorizar as suas produções agrícolas

Apicultura

Bruno Miguel disse:

"Boa noite srº Eng.
Estou a ponderar uma candidatura a um projecto do PRODER no âmbito da apicultura. Sou apicultor à cerca de 11 anos e neste momento fiquei desempregado. Como tal um projecto PRODER é uma hipótese bem real para mim. A minha questão é se é viável adquirir equipamento na Finlândia para o projecto.
Atentamente"

Comentários:

1 - Na minha opinião, acho que deve apostar na apicultura como empreendedor para criar o seu posto de trabalho porque já tem experiência na atividade e conhece os seus ossos de ofício.

2 - Pode adquirir os equipamentos em qualquer país desde que cumpra os requisitos legais para fazer a transação, neste caso, são elegíveis na ação 1.1.3 do ProDeR, a qual apoia a instalação de jovens empresários agrícolas.

Figos

Abílio Nobre disse:

"Boa noite Sr Engº

Obrigada pelo blogue.
Tenho pesquisado sobre a produção de figos e penso plantar 1 ha de figueiras pingo mel no oeste (40 km de lisboa). O terreno que tenho já foi objeto de análise à terra, tendo sido indicada essa árvore. poderei eventualmente avançar para mais 0,5ha de figos.
O Sr Engº tem informação sobre qual a produção mínima que poderá justificar exportação de figos?
quais as entidades nacionais que melhor acompanham a exportação destes frutos?
tem indicações sobre o consumo interno, quer ao nível da venda em fresco quer da transformação?
desde já muito obrigada se me puder dar alguma informação sobre estas questões."
Comentários:

1 - Para exportar figos deve consultar operadores comerciais, como por exemplo, a Ferreira da Silva, Luís Vicente, etc., no caso de ter pelo menos 30 hectares com a cultura de figueiras.

2 - Penso que com 10 hectares de figos poderá abordar uma cadeia de supermercados para nela comercializar as suas produções.

3 - A industrialização dos figos pode ser uma atividade rentável e muito interessante como alternativa ao seu consumo em fresco

Melhoria da produtividade em Portugal (II)

Wallace Oliveira disse:

Prezados,

No Brasil vivemos um momento de crescimento e nem por isto deixamos de enfrentar o desafio da produtividade. Recentemente uma revista brasileira divulgou um estudo que aponta que 1 norte-americano produz o equivalente a 5 brasileiros e no nosso blog discutimos o assunto e uma possível solução com o uso da gestão por processos. Mais informações no link abaixo:
http://www.supravizio.com/Noticias/ArtMID/619/ArticleID/60/Por-que-somos-improdutivos-faltam-processos-BPM.aspx"

 

Comentários:

1 - Agradeço a colaboração que o Wallace Oliveira entendeu dar neste tema, o qual, para a minha pessoa é da maior importância para o futuro do desenvolvimento dos países.

 

2 - Transcrevo o artigo do blogue do nosso amigo, o qual é um importante contributo para o debate que quero promover: 


 Por que somos tão improdutivos?

Estudo recente realizado pela revista Exame mostra que um trabalhador americano produz o equivalente a cinco trabalhadores brasileiros

Author: Venki Tecnologia/terça-feira, 9 de outubro de 2012/Categories: Noticias
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Em recente edição, a revista Exame publicou uma matéria de capa falando sobre a improdutividade do trabalhador brasileiro, destacando que um único trabalhador americano é capaz de produzir mais que cinco dos nossos. A informação não é das mais espantosas, pois sabemos que, mesmo tendo evoluído muito nos últimos anos, o Brasil ainda está longe de ser referência em termos de inovação, capacitação e qualificação no que diz respeito ao trabalho. "Mas o que a improdutividade do trabalhador brasileiro tem a ver com processos?", você deve estar se perguntando. A resposta para sua pergunta é: tudo!
Talvez não fique claro em um primeiro momento, mas se pararmos para pensar, basicamente tudo em nossas vidas depende dos processos. Processos são necessários para gerir um país, uma empresa, nossa casa e por aí vai. São os processos que permitem estipular o fluxo de atividades a ser executado assim como são os processos que determinam os papeis dentro da execução. É também por meio dos processos que conseguimos ter referência dos procedimentos realizados e saber se estão sendo executados corretamente e isso já acontece há boas décadas.
De acordo com dados publicados na revista, um trabalhador brasileiro gera, hoje, em torno de 22.000 dólares de riqueza por ano. Já o trabalhador americano gera 100.000 dólares. Dessa forma, são necessários cinco trabalhadores brasileiros para gerar a riqueza que um trabalhador americano gera sozinho. Mas a discrepante diferença não existe à toa. Os americanos investem seis vezes mais que os brasileiros, portanto sua produtividade é bem maior, fazendo com que a renda per capita por americano seja cinco vezes a por brasileiro. E, se engana quem pensa que o brasileiro trabalha pouco. Muito pelo contrário! Dados do clube das economias desenvolvidas, OCDE, e da Organização Nacional do Trabalho, o trabalhador brasileiro dedica mais horas ao trabalho que os trabalhadores da maioria dos países ricos.
Segundo Wallace Oliveira, CEO da Venki Tecnologia, a baixa produtividade nas empresas brasileiras não está ligada à falta de trabalho, mas à falta de processos. “O trabalhador brasileiro trabalha bastante, porém não produz, pois a maioria das empresas não dispõe de um ambiente de processos que propicie a produtividade”, explica. Para o CEO da Venki a partir do momento em que se oferece ao trabalhador um ambiente de processos, a empresa estará agregando benefícios significativos como, por exemplo: Um estudo inédito do Boston Consulting Group revelou que 70% do recente crescimento do país deu-se a partir da incorporação de força de trabalho. Temos diminuído nosso índice de desemprego, porém alcançamos um único ponto acima da média em produtividade. De que adianta então termos mão de obra quando o que realmente precisamos é crescer em produtividade? O crescimento é positivo, porém a baixa produtividade ainda é um fator determinante no crescimento econômico e acúmulo de riquezas de qualquer país.
A partir da implementação de processos dentro do ciclo produtivo de uma empresa é então possível perceber os ganhos efetivos com a organização, eficiência e com a otimização do tempo de execução das atividades. Por meio da utilização de ferramentas BPM de gestão, por exemplo, é possível rever os processos executados e perceber como podem ser melhorados, fazendo com que se instaure um monitoramento da melhoria continua desses processos. Na matéria da Exame, o vice-presidente da Multinacional Basf, empresa de tintas sediada em São Paulo, atestou ganhos em rendimento de 50% após análise e revisão dos processos internos da empresa. A revisão dos processos envolveu desde a escala de funcionários até a área responsável pela expedição dos produtos.
Outro dado interessante é que no Brasil, 90% das empresas, as micro e pequenas empresas, possuem menos que dez funcionários e, dessa forma precisam de quatro vezes mais capital e trabalho para ter a mesma produtividade de uma empresa de grande porte. “Percebe-se que quanto menor o porte da empresa, maiores são as dificuldades para aquisição de capital para investir em pessoal, equipamentos e tecnologias que irão auxiliar na produtividade e também na gestão dessas empresas”, comenta Wallace.
O CEO da Venki Tecnologia acredita que a tendência agora é fazer com que os processos sejam levados às micro e pequenas empresas, para que elas possam, assim como as grandes corporações, garantir um bom desempenho produtivo a partir do uso do BPM. “O mercado de BPM tem que se aproximar da realidade dessas empresas no Brasil e adequar seus produtos e serviços para que possam ser úteis e colaborar para o seu crescimento”, ressalta Wallace.
Conforme destacamos em boa parte do artigo, a partir de mecanismos de gestão por processos, é possível fazer com que a produtividade das empresas cresça, permitindo que elas obtenham capital suficiente para que possam investir em ferramentas como equipamentos, mão de obra e tecnologias garantindo o aumento de produtividade em um âmbito “global”, ajudando o país a crescer produtivamente.

Participe do levantamento BPM Brasil 2012! Este estudo tem por objetivo fornecer aos participantes um panorama nacional do uso do BPM e indicar as principais tendências da tecnologia para o ano de 2013. Os participantes receberão, sem nenhum custo, um relatório final contendo estatísticas por setor, localização e porte das organizações.

Castanheiro

César Oliveira disse:

"Caro Engº Martino,
Na sequência desta sua entrada gostaria de lhe colocar algumas questões. Tendo em conta que possuo alguns terrenos na região da Guarda, mais concretamente no concelho do Sabugal com alguns hectares e que não sei muito bem como os rentabilizar.
1) O investimento em soutos de castanheiros é rentável a partir de que dimensões?
2) Podemos estar a falar de valores de que ordem de grandeza por hectare?
3) Nesta região que outras culturas poderiam ser interessantes?
4) Existem alguns apoios no PRODER disponíveis?

Desde já agradeço a disponibilidade e cumprimento-o pelo trabalho de mérito que é este blog com informação muito interessante.

Cumprimentos"

Comentários:
1 - O investimento na cultura dos castanheiros é rentável em qualquer dimensão da atividade. Na minha opinião, é mais interessante a partir dos 10 hectares.

2 - Para soutos mais intensivos, compassos de 7x6m ou 5x5 m, com rega, estamos com investimentos entre os 7500 euros a 12 000 euros  por hectare.

3 - Verifique quais são as atividades e empresários agrícolas que na região à sua volta obtém maior sucesso. Serão estas culturas aquelas que me parecem mais interessantes.

4 - Existem ajudas disponíveis nas ações 1.1.1, 1.1.2  e 1.1.3. Tem disponível informações em www.proder.pt ou marque uma consulta na Eng.ª Sónia Moreira da Espaço Visual (917 075 852)

Na apicultura tenho conhecimento e experiência: o que devo fazer para criar condições de investimento?

Paulo disse:

"Bom Dia
Mais uma vez digo excelente blog e apoio aos jovens agricultores.
Mais uma vez e apos seguir alguns conselhos neste blogue, gostava da sua ajuda/opinião sobre o seguinte: Iniciei-me em Março deste ano na Apicultura e durante este ano fiz algumas formações, falei e acompanhei alguns apicultores comprei enxames etc.. Pretendo no próximo ano dar seguimento ao “meu” adquirir conhecimentos e nos próximos 2/3 Anos aumentar o efetivo para as +/- 200/250 colmeias, pois eu e o meu irmão pretendemos conciliar o nosso trabalho com a Apicultura, e achamos ser este, mais ou menos o nº de colmeias que conseguimos “cuidar” com o tempo disponível que temos (tenho neste momento 12 colmeias em quatro sítios diferentes) Atendendo ao custo do material, enxames colmeias, etc. e com a minha disponibilidade financeira nunca irei atingir essa quantidade nos próximos anos.
Não tenho qualquer terreno meu, os quatro terrenos onde tenho as colmeias tenho a autorização dos proprietários e são distanciados entre eles 4 a 5 km, tenho 38 anos, sei que para ser um projeto mais viável tinha que ter um maior nº de colmeias, mas também sei que estas 200/250 vou conseguir cuidar.
A minha pergunta; Segundo esta ideia a que tipo de apoios posso recorrer e o que me aconselha.

Obrigado"

Comentários:

1 - Fico satisfeito que tenha leitores que decidam testar as minhas ideias e conselhos. Estou certo que estão no caminho do sucesso como empresários agrícolas.

2 - Na minha opinião deve fazer um projeto como jovem agricultor para se instalar com 300 a 1000 colmeias com as ajudas previstas na ação 1.1.3 do ProDeR (investimentos até 75 000 euros:100% de apoio em região desfavorecida; 90% de apoio em região favorecida; os enxames não são apoiados). Se tiver conhecimentos sólidos sobre a atividade, se for uma pessoa organizada e rigorosa e caso tenha interesse posso eventualmente conseguir-lhe um investidor que aceite participar numa empresa que tenha condições para o instalar como jovem agricultor (se estiver interessado nesta proposta contate a Engª. Sónia Moreira da Espaço Visual (917 075 852)).

3 - Como tem 38 anos deve apresentar o seu projeto no primeiro trimestre de 2013 enquanto tem condições para obter as ajudas para se instalar como jovem agricultor.

PAM: informações e financiamento

Natalia Antunes disse:

"Olá Sr. Eng José Martino,
Desde já quero felicita-lo e agradecer pelo grande apoio em termos de aconselhamento e informação disponibilizada.

Neste momento queria submeter uma candidatura de Jovem Agricultora na zona de Terras de Bouro de Pam`s em modo Biológico cerca de 2 ha. Tenho algumas duvidas se as condições climatéricas desta região são indicadas a ter bons resultados??
Em termos de exportação onde eu posso ter informação e ajudas?
Outra questão é não ter capital próprio, conseguir um financiamento, qual a banca e com melhores condições me aconselharia?

Um meu muito obrigada pela sua colaboração"

Comentários:
1 -  Todas as regiões do país têm condições climatéricas para as PAM porque há biodiversidade, há sempre algumas espécies e variedades que se adaptam ao seu caso concreto.

2 - Marque uma consulta com a Engª. Sónia Moreira da Espaço Visual (tel. 917 075 852), a qual lhe ajudará a obter as informações que necessita.

3 - Para financiar o seu projeto precisa de ter 15% de capitais próprios e neste caso, contate a Eng. Sónia Moreira para a ajudar, caso tenha condições de acesso, a obter financiamento bancário junto da Caixa de Crédito Agrícola da Área Metropolitana do Porto.

O IFAP não paga. O que devo fazer?

António Simões disse:

"Boa noite Engº Jose Martino, tenho uma duvida, eu tenho um pedido de pagamento referente a investimentos, entregue e cabimentado no IFAP desde finais outubro, consultei o site do IFAP onde consta um calendário de pagamentos, segundo o que la diz é um pagamento por mês, no final de cada mês, acontece que em novembro (de 26 a 30) deviriam ter sido pagos os investimentos já realizados, a minha questão é a seguinte?
Isto é normal? O IFAP não cumprir com os calendários que este mesmo disponibiliza no seu site para consulta? Se não pagaram a semana passada o pagamento passa para semana seguinte ou fica adiado até ao fim do mês de dezembro, visto que há outra data de pagamento? Faria muito gosto que conseguisse responder, pois não consigo obter resposta da parte das entidades competentes, nomeadamente a DRAP da minha zona, desde já agradeço-lhe a sua disponibilidade."

Comentários:

1 - Tem a certeza que o seu pagamento já está cabimentado? Se sim, deve contatar o IFAP em Lisboa. Ás 6. feiras normalmente não atendem o telefone.

2 - O IFAP paga na última semana de cada mês. Se não recebeu em novembro irá ser pago no final de dezembro.

3 - Se ainda espera pelo pagamento envie uma carta á Ministra da Agricultura a expor o seu caso porque desta forma, se todos atuássemos desta maneira, os políticos ficariam mais sensibilizados para resolver os problemas concretos dos utentes do seu ministério.



Oliveiras e aveleiras

Anónimo disse:

"Boa noite

Gostaria de saber qual a area minima para plantação de oliveiras e avelãs para que seja viavel através de projecto "jovem agricultor""

Comentários:
1 - Não gosto responder a perguntas de anónimos. Faz-me lembrar uma caraterística de muitos portugueses que não se assumem publicamente, refugiando-se no anonimato.


2 - Será um investimento com ambas as atividades?


3 - Se eu fosse o investidor assumiria 10 hectares como dimensão mínima da atividade, embora a médio prazo (3 a 5 anos) teria de atingir os 25 a 40 hectares. No entanto, para rentabilizar o projeto terão de se ter levar em conta os custos com infraestruturas, melhoramentos fundiários e mecanização, pelo que é possível que venha a ser necessário incrementar a dimensão da exploração. 


4 - Sobre a cultura da aveleira e a mecanização da sua colheita devem consultar a Eng. Arminda Lopes da Estação Agrária de Viseu, da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro.

O que fazer para obter mais conhecimentos sobre as PAM?

A. Pereira disse:
"Estou a tentar fazer um projecto de aromaticas na zona centro, tenho um terreno florestal de 8ha disponivel. Estava a pensar, começar com:
Manjerona ( Origanum vulgare); Segurelha; tomilho limão; Lucia Lima
Mas pondero outras plantas:
salvia officinalis icterina ou purpurascens; primula veris; jasminum officinale; cardo; artemisia abrotanum; hortelã; Arnica; Erva- Príncipe

O que acha?
Acha que deva plantar que dimensão de área?
Estou a tentar elaborar a candidatura sozinha, os gabinetes de projectos levam coro e cabelo, e não posso dispensar 3000€ só para elaborar o projecto, os 3000€ vão fazer muita falta para equipamento, ou mesmo comprar as plantas. As plantas não são subsidiadas ao que parece.
Será que me pode enviar contactos de empresas ou pessoas que me possam fazer orçamentos, para o secador, tela, rega, e para as ervas aromáticas?
como é que calculo a produção esperada durante os 3 primeiros anos, já que vai crescendo, para conseguir o plano de 5 anos para a viabilidade do projecto.
o que acha?
Com quem poderei falar para obter uma intenção de compra?
Não me pode dizer, os preços praticados (venda) para estas ervas? e quais as mais procuradas?

meu email:
argfpereira@gmail.com"

Comentários:
1 - Deve recolher informação sobre as espécies e variedades de PAM que nesta altura estão a ser mais valorizadas. Neste sentido visite a BIOFACH. A Espaço Visual está a organizar uma visita de estudo a esta feira alemã com os potenciais interessados (contate: dina.fernandes@espaco-visual.pt; 22 450 90 47)

2 - A Espaço Visual organizou no passado dia 1 de dezembro uma visita de estudo a várias explorações com PAM com o objetivo de responder a muitas das questões que os potenciais jovens agricultores necessitam esclarecimentos. Na próxima primavera esta empresa irá organizar outros eventos do mesmo tipo, noutras regiões do país, para outros pontos chave da fileira. Creio que neste tipo de eventos encontrará resposta para algumas das suas dúvidas.

3 - As empresas projetistas aportam mais valias do conhecimento e da experiência de acompanhamento de investimentos numa multiplicidade de explorações, que se traduzem em projetos que são elaborados mais rapidamente, que incorporam maior nível de conhecimento e que se traduzem em investimentos mais assertivos, o que se traduz em maior valor financeiro do que os seus custos de honorários.

4 - As plantas não são apoiadas quando não podem ser consideradas investimento (investimento =  custos que amortizam em mais do que um exercício económico).

Bons investimentos nas PAM!

Physalis

Ana Ferreira disse:

"Boa tarde.
Estou a pensar em iniciar-me como jovem agricultora. Neste momento tenho a ideia fixa em fazer um projecto de cultura de physalis, embora muita gente me esteja a tentar desencorajar dessa ideia. tenho procurado informações na net sobre esse assunto e não consigo encontrar quem a produza em Portugal, bem como a escoar. Também tenho tentado ver que produções são mais viáveis, mas é difícil encontrar essa informação. Será que me pode dar a sua opinião se devo ou não arriscar na produção de physalis?
Desde já muito obrigada.

Cumprimentos,

Ana Ferreira

f-ana@hotmail.com"

Comentários:

1 - Porque será que tem muita gente a desincentivá-la de fazer um projeto com a cultura do physalis?
Hipótese a: porque não tem todos os dados para se dedicar à atividade. Não sabe nem da sua produção, nem da sua comercialização, sobretudo quais são as suas vantagens competitivas face à sua potencial concorrência.
Hipótese b: porque a agricultura é uma atividade difícil que dificilmente gera rentabilidade.
Hipótese c: porque não deve inovar, fazer investimentos, dedicar-se a atividades que não conhece.
Em conclusão: vá em frente, nunca deixe de fazer aquilo em que acredita! Deixo-lhe o meu exemplo, leia o que escrevo neste blogue no inicio de setembro de cada ano

2 - A cultura de physalis parece-me uma atividade potencialmente muito interessante se acautelar os seus pormenores de investimento: visitar explorações em Portugal e no estrangeiro com o objetivo de elaborar um plano de negócios.


3 - Defendo que a internet é um excelente meio para acesso à informação, mas muito limitado na produção de conhecimento, saberes que permitem desenvolver atividade que geram mais valias económicas e financeiras. Para tal é preciso fazer visitas e ter conhecimento da atividade e dos seus principais players.


4 -

Acha inviável um projecto neste sector da horticultura?

Telmo Roxo disse:

Sr. Engº José Martino

- Relativamente aos produtos a apostar, estou a pensar na couve, alho francês, cebola, cenoura, feijão verde, batata e alface. Relativamente á comercialização, existe problemas da minha parte para efectuar o escoamento do produto. Apesar de ter estabelecido contacto com um grossista do mercado abastecedor do porto, garantindo-me ele que efetuaria algum escoamento, para as áreas que refere, parece-me de todo impossível que este me realize todo o escoamento. Será difícil efectuar escoamento dos produtos em mercados abastecedores como o do Porto? Têm me dito que se por algum motivo houver excesso de produção, nestes mercados escoariam com facilidade os produtos excedentes.

- Relativamente á escolha pela horticultura, optamos por este sector porque é um sector em que temos já algumas experiencias, mas acha que é um mau investimento neste ramo? Acha que o custo de produção é muito elevado em relação ao preço final do produto? Acha inviável um projecto neste sector?

- No que diz respeito ao ponto 3, possuo em termos de área á volta de 5 ha de terreno junto, mas para uma área coberta de 10000m2 o investimento será muito elevado, e tenho muito receio que com as dificuldades e deficiências a nível de plataformas de escoamento de produtos na nossa região, o projecto não tenha pernas para andar.
No seu ponto de vista para uma área coberta de 3000m2, é de todo impossível a criação de riqueza necessária para a manutenção dos dois postos de trabalho?

Peço desculpa se fui repetitivo, mas encontro-me com muitas duvidas.

Agradeço imenso os seus esclarecimentos,

Cumprimentos."


Comentários:

1 - Para investir na agricultura deve elaborar um Plano de Negócios, mesmo que seja sumário, onde entre coisas identificará o seu mercado, quem serão os seus clientes. O mercado abastecedor do Porto está com dificuldades em valorizar as produções dos horticultores porque uma parte dos consumidores deslocaram-se para as grandes cadeias de supermercados e a outra parte que compra em frutarias ou consome em restaurantes, perdeu poder de compra e muitos deles têm família no campo, as quais possuem hortas familiares que os abastecem.

2 - Nos hortícolas que pretende produzir deve ponderar qual a sua mais valia como novo produtor, devendo para este efeito visitar explorações hortícolas. Comece por falar com os responsáveis da Hortijales, continue até à Póvoa do Varzim e termine na região de Torres Vedras (região do Oeste). Irá verificar que a exportação é a principal via para o sucesso nesta atividade. Não faça investimentos na horticultura sem ouvir os profissionais. Há muita especialização e conhecimento neste setor que são necessários adquirir. Aprenda com os erros dos outros e evite cometer os mesmos, pois estes custam muito dinheiro e são a causa de muitos insucessos.

3 -  Deve definir as economias de escala para as hortícolas que pretende produzir (incluindo a batata), número de hectares que lhe tornam os custos de produção mais baratos e compare com a dimensão da sua exploração (comece com as terras que tem disponíveis, sabendo que dentro de 2 a 4 anos terá que incrementar a superfície da sua atividade).

4 - O insucesso ou sucesso de novos produtores na horticultura estarão dependentes do perfil do empresário, do seu trabalho de casa, da sua ligação a estruturas de valorização das produções, do tipo de produtos, do modo de produção (convencional ou biológico), etc. Terão dois desafios, por um lado serem capazes de produzir de modo competitivo, atingir uma produtividade que garanta que o valor das vendas estará acima dos custos e por outro lado, encontrar os operadores comerciais que garantam escoamento e valorização das produções.

5 - Pergunta-me se acho inviável um projeto neste setor. Resposta: acho que os projetos neste setor são interessantes se o trabalho de casa estiver bem feito, conforme o indicado acima nos pontos 1, 2, e 3. O que verifico, dois exemplos: os sócios da PAM, Organização de produtores da Póvoa de Varzim, a deixarem as hortícolas em estufa e a dedicarem-se a pequenos frutos (framboesas, morangos, etc.), bem como os horticultores do ar livre da região da Póvoa do Varzim a terem dificuldades na valorização das suas produções, noto que se não fossem os operadores espanhóis a intervir na região, muitos dos horticultores teriam abandonado a atividade.

6 - Na minha opinião, os projetos de investimento na horticultura com pequena dimensão podem ter problemas de rentabilidade se não forem acautelados os custos de transporte, isto é, transportar pequenas quantidades de cada vez pode acarretar custos superiores à margem bruta que esse mesmo produto gera. Tem perto de si o maior especialista que eu conheço sobre a horticultura, Sr. Norberto Pires da Hortijales, caso seja possível, consulte-o e adquira conhecimento sobre o negócio.

Votos de bons investimentos e bons negócios na horticultura!

Hidroponia (III)

Diogo disse:

"Boa noite, Eng. Martino

Desde já obrigado pelos esclarecimentos generalizados e parabéns pelo blog como um todo.
Gostaria que pudesse indicar fornecedores de equipamentos de hidroponia em Portugal, sem ser os equipamentos caseiros para se poder juntar os dados correctos para um bom plano de negócios. Apenas consegui descobrir a Hidrovista.
Obrigado e continuação de um bom trabalho."

Comentários:

1 -Se avançar para as visitas a quem já está instalado no terreno com culturas hidropónicas conseguirá ter acesso aos dados que necessita para o seu  plano de negócios.

2 -  Coloque a palavra "Hidroponia" no item "pesquisar neste blogue" e encontrará vários posts sobre este tema, incluindo o que pretende.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Projeto de Horticultura em Vila Pouca de Aguiar (II)

Telmo Roxo disse:

"Sr. Engº Jose Martino

Desde já agradeço a sua resposta, só uma ultima questão:

- O Sr. Engº que áreas (área coberta e área descoberta) acharia razoáveis para criação de riqueza suficiente para manutenção dos dois postos de trabalho?

Agradeço desde já a atenção prestada.

Cumprimentos"

Comentários:

1 - Onde vai comercializar as suas produções?  Que produtos vai apostar?

2 - Na minha opinião, neste momento, a horticultura atravessa um período dificil, pelo que, só deve entrar nesta atividade se for essa a vossa vocação e se tiverem pelo menos bom parceiro para a comercialização das produções.


3 - Na minha perspetiva deveriam dedicar-se com pelo menos 10 000 metros quadrados de estufas e 3 a 5 ha de ar livre para conseguirem manter os dois postos de trabalho permanentes (a restante mão de obra seria sazonal). 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Projeto de Horticultura em Vila Pouca de Aguiar

Telmo Roxo disse:"

Boa noite, Engº Martino

Já sigo o seu blog e aproveito para lhe dar os meus parabens pelo excelente serviço publico á comunidade agricula que cada vez mais sente dificuldades em singrar no mercado.

Sou engº civil de formação, mas os tempos são dificeis, e tendo em conta que a minha familia possue alguns ha de terreno, penso em tentar rentabilizar e dinamizar os mesmos.

Para isso recorro a si para ver se me poderá esclarecer alguns pontos referentes ao projecto:

- Penso em executar um projecto de horticultura na zona de Vila Pouca de Aguiar, 3000m2 em estufa e 7000m2 ao ar livre. Gostaria que me informasse se para esta área será possivel este projecto ser rentavel, ao ponto de criar riqueza para empregar-me a mim e a um irmão meu?

- Já penso neste projecto á algum tempo, mas tenho receio em avançar uma vez que tanto eu como o meu irmão teremos que abdicar dos empregos para nos lançar-mos nesta aventura. Pondo isto, e como poderei de alguma forma estar a hipotecar o meu emprego e o do meu irmão, gostaria que me esclarecesse.Se de alguma forma o investimento não der certo, teremos que manter o projecto durante 5 anos no mínimo?E se não for rentável ao ponto de termos que o abandonar, o dinheiro comparticipado terá que ser devolvido?

Agradeço mais uma vez o excelente serviço publico que tem vindo a prestar.

Cumprimentos"

Comentários:

1 - Para saber todos os pormenores sobre a horticultura no concelho de Vila Pouca de Aguiar consulte o Sr. Norberto Pires da Hortijales, é a pessoa que eu conheço que mais sabe sobre este tema, do viveiro das plantas, à sua colocação produção, colheita, embalagem e colocação no mercado.

2 - Creio que com a dimensão que indica não justifica que não devem abandonar os vossos empregos, mas façam um plano de negócios mesmo que seja sumário

3 - Terão que manter o projeto durante o período de tempo que seja necessário para amortizar a operação de acordo com as taxas do ProDeR (data que será indicada no formulário do ProDeR), no minimo cinco anos.

4 - Se estruturar bem o projeto não terá problemas de no futuro ter de o abandonar   

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Duas notícias para pensar


Caros leitores dos meus textos na Vida Económica, nos últimos dias, duas notícias me suscitaram a atenção. A primeira dizia respeito a uma declaração da ministra da Agricultura, Assunção Cristas, sobre a oportunidade de emprego que existia na agricultura em oposição à falta ou à extinção de empregos que se verifica em todo o país e em todos os outros setores económicos. 

Dito assim, parece que a agricultura vai ser a salvação da economia nacional, o setor capaz de absorver todo o desemprego que existe no país, a Terra Prometida de todos os jovens à procura de primeiro emprego. Eu gostaria que fosse assim. Mas, infelizmente, a realidade é diferente. E é diferente porque o Governo, a Administração Pública não ajuda, apenas trava, obstaculiza, burocratiza, protela.
É paradoxal que a ministra da Agricultura cante loas ao sector agrícola, mas depois os serviços dela dependentes tudo façam para colocar pedras no caminho daqueles que querem contribuir para investir, lançar projectos, criar riqueza e emprego. Deixo aqui um conselho à Senhora Ministra: ponha a casa em ordem e vai ver que a agricultura pode dar-lhe muitas alegrias.
No meu blogue recebo centenas de pedidos de informação, Não descuro um único. Eu sei porque é que isso acontece. Porque estes jovens, estes casais, estes investidores, que querem apostar no sector agrícola, não têm do lado da Administração a celeridade informativa, a recetividade devida, o profissionalismo merecido que podiam e deviam ter. Não culpo os dedicados profissionais da Administração Central, culpo liderança e métodos organizativos que não motivam e não estimulam. Com o meu blogue, faço muito serviço público, que é algo que me entusiasma.
A outra notícia dizia respeito à intenção da RTP de "ressuscitar" o célebre programa "TV Rural", do engº Sousa Veloso. É uma notícia muito feliz e muito oportuna. Nos meus escritos já prestei homenagem ao engº Sousa Veloso. Foi verdadeiro serviço público aquilo que ele fez durante dezenas de anos. Ele foi a cara e o rosto da agricultura portuguesa.
Espero que a RTP saiba encontrar alguém com o seu nível de conhecimento, apenas dedicado a servir a agricultura e os agricultores. Pelo meu lado, vou continuar a intervir na comunicação social e no espaço público, como no meu blogue, para servir os agricultores, a agricultura, a economia e o meu país. Sinto que tenho dado o meu contributo. 

Fonte: Vida Económica (23-11-2012)
           José Martino, engenheiro agrónomo