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sábado, 31 de março de 2012

Crédito Tipo Habitação para a Agricultura

O leitor Vitor Monteiro escrever o seguinte neste blogue:

"-) O Banco de Terras é positivo porque realmente facilita a instalação de novos agricultores.

-) Mas quem está em inicio de actividade na agricultura, além de terra, precisa de financiamento para os seus projectos.

-) Moral da Estória: por si só o Banco de Terras é pouco eficaz, é preciso também/simultâneamente resolver a questão do estrangulamento a nivel do Financiamento.

Só assim Portugal poderá efectivamente dar um ( salvo seja ) PASSO Agricola.

Nota - Não querendo ser chato: mas para o PASSO ser Largo e Sustentável precisamos, em simultâneo, resolver também a questão da CONFIANÇA.

Vitor Monteiro"

Comentários:

1 - Concordo com  o exposto, no entanto defendo que devemos colocar a bolsa de terras a funcionar de forma eficiente e eficaz (o governo não irá avançar com um banco de terras, não irá garantir a renda, nem prestar a garantia de devolver a terra ao proprietário, no final do prazo do arrendamento, pelo menos no mesmo estado de uso que a recebeu no inicio do contrato. Posteriormente, o Estado teria exigir ao arrendatário o valor que dispendesse nas garantias) e avançar para modelos que permitam aos jovens agricultores financiarem-se para além dos incentivos não reembolsáveis. Creio que esta tipologia de ajudas públicas mais consentâneas com quem se instala na agricultura irão ser implementadas no próximo quadro comunitário de apoio 2014-2020, nas ajudas para os jovens agricultores.

2 - Defendo que o governo deve avançar de imediato, através da CGD, o Estado é acionista único, com uma linha de crédito, tipo crédito á habitação, para ser atribuido será necessário o IRS da família para calcular a taxa de esforço e a hipoteca de um prédio rústico, com as mesmas condições, spread igual/equivalente  ao que é atribuido no crédito à habitação e um prazo de vigência de 20 a 40 anos. Este crédito pode ser utilizado na compra de terra, pagamentos de tornas a co-herdeiros e como quota parte de capital próprio nos investimentos de jovens agricultores que recorram á bolsa de terras para se instalarem, bem como a pequenos e médios agricultores.

3 - A proposta do crédito tipo habitação para a agricultura é perfeitamente exequivel e está ao alcance do governo ser atribuido porque não será dado qualquer subsídio ou incentivo não reembolsável.

4  - Parece-me uma metodologia financeira eficaz para complementar os incentivos não reembolsáveis dados pelo ProDeR porque gera maior reponsabilidade no utilizador dado tratar-se de um empréstimo em que o devedor tem pagar juros e fazer a amortização nas condições contratuais que são normais no mercado bancário, tem um preço de crédito muito competitivo ao nível das taxas  de juro e trata-se de um empréstimo com prazos longos que se adaptam à curva da produção e dos rendimentos brutos das atividades agrícolas.

5 - Na minha opinião, é um espécie de ovo de colombo, tira partido da experiência da banca na implementação do crédito á habitação, pode ser experimentado em pequena escala através da CGD, o risco na sua atribuição é diminuto porque os agricultores não querem perder as suasd propriedades agrícolas tal como acontece com as habitações.


 

Expresso Publica Artigo sobre Banco de Terras

O jornal Expresso publica em: http://expresso.sapo.pt/banco-de-terras-consultor-jose-martino-defende-criacao-de-credito-tipo-habitacao-para-agricultura=f715646 artigo sobre o bolsa de terras

"O Plano Estratégico da Sub-Fileira do Kiwi para o período de 2007-2013”

Este Sábado irei fazer a apresentação "O Plano Estratégico da Sub-Fileira do Kiwi para o período de 2007-2013” no seminário denominado " “O Sucesso da Fileira do Kiwi e o Futuro”, organizado pela APK - Associação Portuguesa de Kiwicultores, o qual decorrrerá pelas 10h00, no salão nobre dos Bombeiros Voluntários de Santa Maria da Feira.
É objetivo da minha intervenção demonstrar que está a ser um sucesso o que foi planeado no ano de 2007 para ser atingido no ano de 2013, bem como irei fazer uma análise prospetiva que seja a rampa de lançamento do novo "plano estratégico da sub-fileira do kiwi para o período 2014-2020"

Visão Publica Artigo Sobre Banco de Terras

A Visão publice em. http://visao.sapo.pt/banco-de-terras-consultor-jose-martino-defende-criacao-de-credito-tipo-habitacao-para-agricultura=f655913 parte das minhas declarações á agência LUSA sobre a aprovação em conselho de ministros da legislação  da bolsa de terras.
Peço aos leitores os Vossos comentários sobre este tema

quinta-feira, 29 de março de 2012

Crédito Bancário

ALI,  participante neste blogue, escreveu o seguinte:
 
"Bom dia Eng. Estive presente neste Workshop, felizmente logo na segunda fila, e acompanhei com bastante interesse a sua intervenção e o seu ponto de vista no que diz respeito principalmente ao papel da banca em conceder empréstimos aos agricultores.

Sobre este workshop deixo aqui duas notas:

1 - A banca tem que mudar as regras! Estou convencido que a banca é um sector que prima por procedimentos que não se enquadram na realidade dos investidores e empreendedores na agricultura. Em suma, é necessário mobilizar as pessoas para se alterarem as regras. Somos nós que pagamos à banca!

2- Alguem que se queira instalar na agriculuta como eu, apesar de ser de uma área completamente distinta, estou a elaborar um projecto a mais de 1 ano na area da hidroponia com objectivo de exportação (85% para o norte da Europa), vou ter que recorrer À banca para me financiar o restante que o proder não financia (o IVA e o valor restante que ultrapasse os 75000 euros). Ora, o que me apercebo é que nao existem critérios especificos para quem quer investir na agricultura! existe para quem quer comprar uma casa, um carro, um credito pessoal, agora porque nao existe um credito com condições especificas para a area da agricultura?

3 - este protocolo deveria tambem incluir um periodo de carencia de acordo com cada fileira.

Por ultimo gostaria de deixar uma nota sobre este tema: penso que a maior dificuldade para alguem que ja tem um projecto elaborado e uma ideia definida, uma estratégia e um rumo, é o facto de conseguir arranjar meios que financiem o seu projecto. Isto é, os meios financeiros que são necessários para alem do que a proder consegue cobrir.

Não podia deixar de, neste meu primeiro comentário ao seu blogue, de felicita-lo pelo seu excelente trabalho, e acima de tudo pela sua atitude extraodinária no que diz respeito à "revolta" com que o actual sistema esta montado. É importante criarmos uma corrente para podermos alterar as regras.

Grato pela sua atenção, e espero recorrer à Espaço Visual em breve.

Cumprimentos:
Ali"
Comentários:
1 - Agradeço a mais valia de expor as suas ideias neste blogue.
2 - Tenho a certeza que iremos fazer uma onda de portugueses com massa critica para mudar a política do crédito á agricultura, pois iremos transformá-la numa atividade económica com peso e dimensão de que todos os portugueses se irão orgulhar.
3 - Concordo com as suas ideias relativas ao apoio financeiro aos investimento e crédito á atividade agrícola. 
4 - Dentro de pouco tempo irei dar notícias neste blogue sobre as iniciativas que irei tomar para forçar a conretização da mudança no apoio bancário à agricultura.  

SIAG

Um leitor anónimo escreveu o seguinte comentário, neste blogue, no dia de hoje:

"Bom dia eng. martino.
Também estive no cnema em Santarém e realmente tenho pena de não ter assistido à sua intervenção. Tentei ouvir uma das mesas redondas e não consegui entender nada sobre o assunto, pois a logistica realmente não funcionou.
Tenho também a assinalar o facto de não haver muitos stands especialmente de outras áreas que não só, animais, vinha e olival."

Comentários:
1 - ´Tenho a certeza que a minha intervenção pública sobre o "Plano Estratégico da Fileira do Kiwi", no próximo sábado, nas instalações dos Bombeiros de Santa Maria da Feira terá melhores condições logísticas para os participantes ouvirem a apresentação em boas condições e assistirmos a um debate sério sobre o futuro dos kiwis com sucesso em Portugal.

2 - O SIAG realizou-se pela primeira vez. Tenho de felicitar a Organização pela coragem que tiveram em levar por diante este certame. Eu tenho ideias interessantes, inovadoras, fora da caixa, sobre certames interessantes para o mundo rural, mas até esta data não consegui força interior para as concretizar.

3 - Recomendo que a Organização encontre outra data que não seja tão perto da AGRO  em Braga e da OVIBEJA, na cidade de Beja, bem como procedam a uma divulgação mais alargada junto dos agentes do mundo rural (registo o lamento que ontem me fez um dirigente de uma Caixa de Crédito da região de Santarém que encontrei no Workshop sobre "Empreendedorismo no Setor Agrícola", o qual tinha sido convidado pelo Semanário "Vida Económica", pois caso contrário não teria dado conta da existência deste evento).

4 - Como primeira experiência do SIAG é aceitável que nele não estivessem representados muitos setores de atividade agrícola.

5 - Acho que um conjunto alargado de colóquios, 6 a 8, simultâneos, com temas variados e interventores interessantes, pode ser uma fórmula para dar força ao próximo SIAG  

Bolsa De Terras

Congratulo-me com a aprovação pelo conselho de Ministros da proposta de lei a submeter à Assembleia da República sobre a Bolsa de Terras. É muito gratificante verificar que, um dos processos em que envolvi há dois anos atrás através de uma petição pública na internet, começa a ganhar forma e irá resolver estrangulamentos estruturais da agricultura portuguesa no acesso à terra quer dos jovens agricultores, quer dos agricultores que têm sucesso na respetiva atividade agrícola e que precisam de atingir e ultrapassar as economias de escala que lhes baixam os custos de produção e os tornam mais competitivos.  
      
Lamento que o secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Luís Mira, tenha considerado “uma ideia interessante, mas insignificante” o resultado a criação de uma bolsa de terras, aprovada hoje pelo Governo, para fins agrícolas, florestais e silvo pastoris porque considera que a bolsa de terras só irá incidir sobre as terras disponibilizadas pelo Estado: “A proposta [bolsa de terras] fala de uma área total de três mil hectares. Eu relembro que a superfície agrícola em Portugal é superior a quatro milhões de hectares, portanto esta questão não é relevante para o problema da agricultura portuguesa”, considerou. Escusando-se a fazer muitos comentários sobre o modelo aprovado pelo Governo, por desconhecer o seu conteúdo, Luís Mira adiantou apenas que a criação de uma bolsa de terras fá-lo recordar a criação das hortas urbanas. “É um assunto interessante, mas o impacto que tem é reduzido”, sublinhou. Pela minha parte faço questão de trabalhar para demonstrar que a CAP está errada na posição tomada pelo seu secretário-geral. Espero no próximo Programa Televisivo "Portugal Português", da TVI24, para o qual tenho convite público para participar, dirrimir com o presidente da CAP esta polémica e espero, tal como aconteceu no último programa, expor as minhas ideias e mostrar a mais valia para as agriculturas de Portugal  e para o interesse público deste importante instrumento das políticas agrícolas de nova geração que defendo e que terão ser implementadas (se verificarem neste blogue encontrarão outras políticas deste pacote: provedor do agricultor no ministério da agricultura, crédito tipo  habitação para a agricultura a ser implementado pelo governo através da CGD,cadastro dos prédios através de declaração de IRS, comissão permanente para constrolo e limitação da seca, etc. etc.).

Nota: artigo baseado em notícia da LUSA

Workshop "Empreendedorismo no setor agricola"

Participei esta tarde na mesa redonda do workshop sobre "Empreendedorismo no Setor Agrícola"., o qual decorreu no âmbito do SIAG, no CNEMA em Santarém. Registo as péssimas condições de logística em que decorreu o evento, sobretudo a ausência de sistema de amplificação/som em condições de amplo espaço com elevado ruído de fundo. Na minha perspetiva o workshop decorreu bem porque estou habituado a trabalhar no campo, transformando as condições existentes nas possiveis para se fazer o trabalho. O debate foi interessante no tema sobre financiamento do investimento e crédito à atividade agrícola. O que retenho como relevante  é a posição da chamada de atenção, que deve ser repetida em muitos eventos para se tornar relevante, para a importância da concessão de crédito, em prazo em linha com o período temporal dos ciclos de produção agrícola, bem como contenção no respetivo custo, sob pena de retirar rentabilidade à agricultura.    

terça-feira, 27 de março de 2012

RefCast

A Rede de Cooperação da Fileira do Castanheiro, RefCast, tem como objetivo melhorar uma das poucas fileiras da agricultura portuguesa que tem superavit ou seja Portugal tem uma balança de transações positiva porque a exportação, quer em quantidade, quer em valor ultrapassa as importações. Além disso, tem uma capacidade/potencial de progressão muito grande porque os países produtores nossos concorrentes não possuem variedades tão boas como as autoctenes portuguesas, as quais dão valor acrescentado no consumo em fresco ou na sua industrialização. Espanta que esta fileira muito rentável que gera riqueza na região do interior de Portugal, Trás-os-Montes, Alto Minho, Beira Interior e Alto Alentejo tem sido esquecida pelos apoios públicos ao investimento, à melhoria genética das variedades, ao incremento das exportações, etc. etc.

Algumas Luzes sobre Empreendedorismo Agrícola

Nuno Carvalho escreveu neste o blogue o seguinte texto:

"Boa tarde Eng. José Martino.

Chamo-me Nuno Carvalho e de momento frequento o ensino superior. Queria candidatar-me ao programa ProDeR, contudo não sei se é possível, pois pretendia continuar a estudar.
A minha candidatura seria para um projecto de Apicultura, mas tenho muitas dúvidas em relação ao programa ProDeR, pois neste momento o meu maior problema é o capital para investir, pois não sei como o Programa financia os jovens agricultores..

Será que me podia dar umas luzes a cerca deste assunto?

Nuno Carvalho"

Comentários:
1 - Pode candidatar-se quer como empresário individual (quando tiver o projeto aprovado terá de dar inicio de atividade nas finanças e descontar para a segurança social), quer como empresa unipessoal ou sociedade por quotas onde detenha 51% e seja gerente.
2 - Apesar de poder continuar a estudar e ter atividade apícola, há periodos do ano em que não terá  tempo para as duas atividades.
3 - Se aceitar um conselho da minha experiência pessoal, 50 anos de idade, 30 anos de "experiências" (invenções, muitos negócios e atividades que não deram certo, sociedades, empresas, etc. etc.) 25 anos de engenheiro agrónomo, 17 anos de empresário, 8 anos de trabalhador por conta d'outrém,  posso afirmar que quando estudei agronomia empreguei muito tempo a trabalhar e hoje estou arrependido porque não estudei como devia, nem trabalhei com a concentração necessária. Quando somos muito jovens queremos "queimar etapas", mas são poucos que o conseguem realmente fazer. Defendo que quando estudamos devemos fazê-lo para sermos os melhores, adquirindo competências técnicas, científicas, escrevendo bem, falando melhor, sobretudo em público, fazendo contas com destreza conhecendo outros países, outras culturas e mentalidades. Quando trabalhamos devemos ser muito profissionais nas horas de trabalho, perceber a realidade da nossa profissão, as melhores estratégias para percorrermos a senda do sucesso, da empregabilidade, do empreendedorismo. Tenho por experiência própria que é praticamente impossivel lançar negócios e empresas sem dinheiro. Nunca consegui ter lucro antes do terceiro ano de atividade de cada empresa que possuo. Registo com agrado que há outros empresários que felizmente o conseguem fazer o que eu não consigo.
4 - O ProDeR financia 100% de investimento até 75 000 euros, para zona/região desfavorecida (pesquise na internet de definição e verifique qual a classificação da freguesia e concelho onde pretende investir). Paga-lhe 30 000 euros dos 75 000 euros antes de fazer o investimento. Tem que possuir fundo de maneio para o IVA e para os custos de exploração até obter produções e algum investimento. Na minha opinião deve possuir 25 000 euros para investir, capital próprio ou crédito.
5 - Tem experiência de apicultura? Se não a possuir não o aconselho a investir nesta atividade porque o risco é muito elevado devido às doenças. Para ganhar experiência inscreva-se num estágio na apicultura da Espaço Visual ou de outra empresa ou pratique durante um ano com um apicultor já experiente.
6 - Apesar das minhas luzes sugiro-lhe que analise os seus pontos fortes e pontos fracos e tome uma decisão pessoal porque apesar do ponto de vista médio as minhas ideias serem  realistas já tive alguns poucos casos em que não seguiram os meus conselhos e tiveram sucesso.
7 - Boa  decisão!

Workshop: Empreendedorismo no Setor Agrícola

A Vida  Económica, Grupo Editorial organiza no âmbito do SIAG, amanhã dia 28 de março 2012, entre as 14h30 e 16h30, um Workshop sobre "O Empreendedorismo no Setor Agrícola". Estou muito honrado com o convite que a Vida Económica me endereçou para intervir neste evento.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Variedades Kiwis

O leitor André Miranda (aluno da UTAD) escreveu o seguinte comentário e fez um pedido de esclarecimento:
 

"Eng. José Martino,

Desde já quero-o felicitar pelo empenho e dedicação que tem mostrado publicamente, através do blogue, artigos e palestras, para ajudar agricultores e potenciais Jovens Agricultores a terem sucesso na actividade agrícola como empresários.
Ao longo da licenciatura adquiri um gosto especial pela cultura de kiwis e após ter pesquisado sobre esta cultura, tornou-se quase "imperativo" instalar-me como produtor, apesar de não possuir terrenos próprios.
Como tal, tentei estar a par da organização nacional desta fileira e participei no dia do Kiwicultor organizado pela APK e inscrevi-me na formação em Poda de Inverno e tenciono, ainda, fazer outras formações na área.
Fiquei bastante motivado com o panorama que foi apresentado aos produtores sobre os mercados e as vendas, pelos entrepostos, no dia do Kiwicultor. Desde logo me apercebi que é uma fileira muito bem organizada, o que me deixou bastante satisfeito.
A aposta de novas variedades é uma estratégia que, a meu ver, é bastante positiva para o sector, tanto a nível de mercado como de produção.
Sobre este aspecto, e como está dentro desta fileira, eu gostava de colocar uma dúvida:

1. As cultivares Earligreen, Tsechelidis e Arguta são permitidas em Portugal sem qualquer restrição ou estão patenteadas?

Cump,
AMiranda"


Comentários:
1 - As cultivares "Earligren" e "Tsechelidis" são representadas por uma empresa "Kiwi Greensun, L.da", de Guimarães. Creio que, salvo erro, a primeira é livre, precoce (maturação entre setembro e outubro) e a segunda é o super kiwi de origem grega, frutos muito grandes, de forte produtividade (produz acima de 50 t/ha com reduzidos cuidados técnicos e de acompanhamento), há dúvidas sobre o seu sabor (se o sabor for excelente irá, a médio prazo, substituir a variedade Hayward, kiwis verdes que todos conhecemos porque tem maior produtividade e mais baixos custos de produção)   comercializada sob a forma de clube, isto é, quem as adquire assina um contrato de pagamento de royalites anual e além disso, o kiwicultor obriga-se a fornecer os kiwis para que a sua comercialização seja realizada de forma exclusiva pelo entreposto "Kiwi Greensun, L.da".
2 - No género "arguta" há variação, há variedades livres e outras sob clube. Conheço um kiwicultor que tem implantado um pomar de arguta do qual se fala que tem contrato de comercialização com um entreposto francês. É uma espécie que exige colheitas sucessivas para cuvetes. Os frutos não têm pêlo e são consumidos inteiros. Exige muita mão de obra na colheita, é muito semelhante á colheita dos pequenos frutos.       


domingo, 25 de março de 2012

O sucesso da fileira do kiwi e o futuro


 A Associação Portuguesa de Kiwicultores (APK) promove, dia 31 de março, pelas 10h00, o seminário “O Sucesso da Fileira do Kiwi e o Futuro”, no salão nobre dos Bombeiros Voluntários de Santa Maria da Feira.

Mesa Redonda com as seguintes apresentações:
- "O Plano Estratégico da Sub-Fileira do Kiwi para o período de 2007-2013”
 José Martino, gerente da Espaço Visual, kiwicultor e  engenheiro agrónomo

 - “Controlo de qualidade do kiwi no mercado português 20120-2012”
 Carolina Fernandes, técnica da APK.

Um painel de comentadores constituído por:
Ana Luísa Teixeira, do grupo Jerónimo Martins SGPS;
 Nelson Pereira, da Sonae MC;
Jacques Oliveira, do E. Leclerc de Santa Maria da Feira;
 Manuel Évora, Presidente da Direção da Portugal Fresh;
 Manuel Torres, kiwicultor.

Segue-se um espaço de debate.

Lições da Agricultura Neozelandesa (2)

Continuo com os comentários sobre a Nova Zelândia e a sua agricultura, desta vez com base no artigo que o presidente da SOGRAPE escreveu e que o Expresso publicou:
1 - A internacionalização da SOGRAPE passou por duas fases: a primeira pela exportação dos vinhos portugueses e a segunda pela produção de vinhos noutros países, sobretudo no hemisfério sul, nos quais se inclui a Nova Zelândia.
2 - A estratégia de instalação passa pela verticalização da intervenção através de compra de empresas com vinha, que fazem vinhos e que os comercializam.
3 -  A Nova Zelândia é um país em que a vinha tem os maiores índices de rentabilidade porque há conhecimento vitícola a ser produzido e aplicado para gerar valor acrescentado, bem como são possiveis conjugações/cooperações empresariais impensáveis em qualquer outro país, utilização das adegas por mais do que uma empresa e fileira organizada com base na prestação de serviços.
4 - A operação de internacionalização na Nova Zelândia traz à SOGRAPE grande prestigio internacional e excelentes resultados para o investimento que realizou neste país.
5 - A SOGRAPE é um exemplo na sua internacionalização que deve ser seguido por outros players nacionais.
6 - A organização vitivinícola  neozelandesa deve ser estudada e adpatada com o objetivo de encontrar soluções para os problemas de rentabilidade e de mercado na vitivinicultura douriense.
7 - Na minha perspetiva colocar mais 10M€ na promoção dos vinhos do Porto e Douro é uma pequena ajuda, mas nem de perto nem de longe a solução para os estrangulamentos e problemas que esta região sofre desde há alguns anos 

O sucesso (também) no novo mundo




Salvador Guedes, presidente da Sogrape
Salvador Guedes, presidente da Sogrape
A Sogrape nasceu há 70 anos com o objetivo de "mostrar os vinhos portugueses ao mundo". A vocação internacional da empresa ficou assim alinhada desde a primeira hora, hoje consolidada através da presença das suas marcas em mais de 125 mercados nos cinco continentes.


Não admira pois que, no cumprimento desta estratégia, se tenha tornado natural, a partir do final dos anos 90, que a Sogrape entrasse no sector produtivo de outras latitudes com elevado potencial vitícola - Argentina, Chile e Nova Zelândia -, complementando desta forma o investimento que a empresa também tem vindo a efetuar na área da distribuição e reforçando assim a sua posição no mercado global.

Esta exportação do seu processo produtivo para o novo mundo fez-se através de aquisições de unidades que têm em comum a verticalização da sua atividade (desde a vinha, à vinificação, engarrafamento e comercialização dos seus vinhos), permitindo à Sogrape ganhos importantes em termos de controlo do seu processo e um mais correto posicionamento como empresa global do sector vitivinícola internacional.

No caso concreto da Nova Zelândia, a geografia onde regista os mais elevados índices de crescimento e rentabilidade, pelo elevado preço de exportação dos seus vinhos, a aquisição em 2008 da Framingham - empresa-boutique responsável pela produção de vinhos na famosa região de Marlborough - tem-se revelado de primordial importância para a Sogrape ganhar prestígio e uma crescente notoriedade de todo o seu portefólio nos mercados de maior sucesso no panorama internacional.

Além disso, a Framingham abriu à Sogrape a possibilidade de produzir vinhos diferentes, com castas frescas e frutadas de climas temperados, tais como as brancas Sauvignon Blanc e Riesling, e a tinta Pinot Noir, acrescendo ganhos significativos de know how ao nível da viticultura, e da viticultura orgânica em particular, muito desenvolvida nesta geografia.

A adaptação da Sogrape à Nova Zelândia e à sua cultura foi particularmente fácil, graças à calorosa hospitalidade e informalidade do seu povo - os kiwis - e à grande racionalidade que revela para congregar esforços e investimentos em busca dos melhores resultados. (Em Marlborough, por exemplo, é comum várias empresas partilharem adegas e quase todos os produtores contratam o serviço de engarrafamento a duas unidades da região...)

Hoje, quatro anos volvidos, podemos dizer que a Framingham, fruto do trabalho, do investimento e do intercâmbio de conhecimentos, é uma aposta ganha, com a distribuição a crescer de seis para 40 mercados e a empresa a duplicar o valor das vendas sem alterar o seu posicionamento.

Não será por acaso, aliás, que o vinho Framingham F-Series Riesling Auslese 2011, produzido na Nova Zelândia pela Sogrape, acaba de ser eleito o melhor vinho desta casta numa prova cega dos maiores especialistas mundiais, ou ser ainda considerado, pela prestigiada jornalista britânica Jancis Robinson, o melhor vinho da região de Marlborough que alguma vez provou...

Salvador Guedes, presidente da Sogrape

TWITTER

Pode seguir o que escrevo no twitter em http://twitter.com/#!/martinadas.
Trata-se de uma rede social em que é fácil escrever através do telemóvel, não necessito abrir o computador ou IPAD. Por outro lado, é um desafio escrever tendo um teto máximo de 140 carateres

sábado, 24 de março de 2012

Lições da Agricultura Neozelandesa

O jornal Expresso publicou em http://expresso.sapo.pt/nova-zelandia-uma-agricultura-sem-subsidios=f713851 os artigos abaixo, os quais estão em linha com o que defendo e não resisto a publicá-los e comentá-los:
1 - O banco de terras que defendo a sua implementação é uma reforma estrutural para colocar os minifúndios das regiões Norte e Centro de Portugal na agricultura de mercado. Resolvam o problema do acesso à terra e do crédito bancário a prazos e preços compativeis com a atividade que eu encontro os empresários!
2 - A Nova Zelândia rege-se pelas leis de mercado, mas controladas: como explicam que neste país só uma única Entidade, a "Zespri, Ltd", detida pelos agricultores, comerciantes e ministério da agricultura, tenha autorização para exportar kiwis? Porque quando a exportação foi livre as empresas neozelandesas concorriam entre si e geraram abaixamento de preços tornandoo negócio inviável. Conclusão: regras de mercado mas constroladas pelo interesse público através da gestão do minsitério da agricultura. Aliás, em Portugal temos um problema semelhante com as regras que a distribuição coloca aos seus fornecedores.
3 - Na Nova Zelândia em 1986, com a falência do país, o ministério da agricultura passou de 10000 funcionários para 500. Ficou com as funções de soberania e política. Qual seria o efeito de uma reforma semelhante em Portugal? Junte-se-lhe a solução neozelandesa:"Este plano tinha como medidas-chaves a redução do endividamento, a criação de um fundo de estabilização financeira para os agricultores e uma linha de financiamento de 50% dos gastos dos agricultores que estavam em dificuldades, junto da banca privada.".
4 - A crise ajudou a implementação das reformas, mas temos que analisar outros pontos muitos importantes: ´
a) Estratégias de desenvolvimento económico: na primeira visita que à Nova Zelândia em 1999 este país tinha 50 quilómetros de auto-estradas porque havia uma prioridade no investimento produtivo face às infraestruturas; O cidadão comum aceitava como regra o financiamento das empresas em detrimento do financiamento do Estado; Conheci um chefe de investigação e pesquisa agrícola que tinha um orçamento de muitos milhões de dólares que podia gerir de forma discricionária, podia contratar quem quisesse pelo valor que entendesse e podia dazer os despedimentos que decidisse. O que não podia falhar os objetivos aprovados a médio e curto prazo, por exemplo, novas variedades comerciais de kiwis, macieiras, etc. Neste caso seria despedido. Etc. Etc.
b) Trata-se de um país sujeito a catastrofes naturais como terramotos, tufões, etc. que criam nos seus cidadãos maior abertura para o empreendedorismo porque várias vezes ao longo da vida os seus cidadãos têm de recomeçar de novo.
c) A distãncia aos mercados obriga a maior certeza e eficiência na gestão dos investimentos     


José Alves, Territory Senior Partner da PwC Portugal  
 "A agricultura portuguesa caracteriza-se por uma produtividade reduzida, estando a sua rentabilidade bem abaixo do potencial. Este facto deve-se à existência, em elevado número, de minifúndios no norte do país, onde o terreno é mais fértil, bem como a fatores geomorfológicos, o que impossibilita a utilização eficiente das máquinas agrícolas e, consequentemente, economias de escala. O sul do país caracteriza-se pela predominância de latifúndios, se bem que, em solos pobres e com pouca precipitação.
Adicionalmente, a população agrícola portuguesa possui um reduzido nível de formação, está relativamente envelhecida e não detém capacidade financeira, nem motivação, para realizar investimentos inovadores que diferenciem os seus processos produtivos dos concorrentes externos. As cooperativas nunca surtiram o efeito desejado, devido à rigidez dos seus estatutos, à limitada participação dos associados na administração das mesmas, à falta de profissionalização da gestão e à reduzida capacidade de resposta às condições do mercado, nomeadamente no que diz respeito à capacidade de comercialização dos produtos.
Ao invés, nos anos 80, a Nova Zelândia encetou um processo de reformulação do sector agrícola que se tornou um exemplo de sucesso, extremamente competitivo a nível mundial, regendo-se os produtores pelas leis de mercado.
Os subsídios, até à década de 70, foram a base de sustentação da agricultura neozelandesa. Porém, perante a crise despoletada pelos choques petrolíferos (73-79), e após a entrada do Reino Unido para a CEE (1973), principal destino das exportações agrícolas neozelandesas, os agricultores sugeriram ao Governo da altura a abolição dos subsídios, propondo, em alternativa, um plano estrutural de apoio que sustentasse uma agricultura capaz de viver num ambiente de mercado aberto.
Este plano tinha como medidas-chaves a redução do endividamento, a criação de um fundo de estabilização financeira para os agricultores e uma linha de financiamento de 50% dos gastos dos agricultores que estavam em dificuldades, junto da banca privada.
A não existência de subsídios forçou os agricultores a serem mais inovadores nos seus processos de cultivo, obrigando-os a unir-se em agrupamentos ou cooperativas sectoriais únicas. Há que salientar, também, o reajustamento da estrutura produtiva face à liberalização do mercado, com a consequente saída do sector de vários produtores.
Por fim, as condições geográficas da Nova Zelândia e do próprio clima da região favorecem a prática do pastoreio, a criação de gado e a agricultura, não tendo, Portugal, certamente, as mesmas condições naturais. Tem, no entanto, a capacidade, que os neozelandeses tiveram, de fazer melhor do que anteriormente.
 

O papel do Estado na competitividade


Assunção Cristas, ministra da Agricultura
Assunção Cristas, ministra da Agricultura
Em 2011 o sector agrícola cresceu 2,4%. Do resto da economia, apenas as indústrias transformadoras, que incluem as agroindustrias, apresentaram também uma taxa positiva (0,4%). Na última década, as exportações do setor agroalimentar aumentaram 12%, quando o crescimento médio das nossas exportações foi de 2%. No entanto a competitividade da nossa agricultura é recorrentemente posta em causa. A verdade é que, em termos de valor, a nossa balança agroalimentar é deficitária em 30%, o que corresponde a cerca de três mil milhões de euros.

Tenho uma ideia bem clara quanto ao futuro. O caminho a percorrer tem seguramente três marcos: (1) organização e concentração da oferta, (2) aumento da produção, e (3) reequilíbrio da cadeia alimentar.
A organização e concentração da oferta são vitais para a competitividade da agricultura. Em Portugal estamos melhor, com uma presença importante de organizações de produtores em diversos sectores. As frutas e hortícolas são um bom exemplo, e o aumento das exportações é o espelho do impacto deste fator no aumento da competitividade. Precisamos de organizações maiores e mais fortes. É isso mesmo que procuraremos conseguir, como um dos principais instrumentos de política nos próximos fundos comunitários de apoio ao investimento: sempre que possível, o acesso a apoios deverá ser condicionado, ou majorado, para os agricultores que escoem a sua produção através de organizações de produtores reconhecidas.
Para aumentar a produção, é essencial operar a vários níveis. Enuncio alguns em que estamos a prosseguir iniciativas concretas: meios para investimento; facilitação do acesso à terra; aumento da área e irrigação; rejuvenescimento do tecido empresarial agrícola. Superar estes obstáculos facilitará o acesso à inovação tecnológica e a focalização na investigação aplicada.
Finalmente, é necessário reequilibrar as relações entre agricultores, indústria e distribuição. É essencial para podermos ter mais produtos portugueses no nosso mercado. É uma realidade a posição de fraqueza negocial dos produtores nas relações com a indústria e com a distribuição. Esta fragilidade pode e deve ser minimizada pela melhor organização da produção. Paralelamente, o Governo está empenhado em promover um diálogo construtivo e consequente. Para tal criámos a PARCA, plataforma de diálogo com um programa de trabalhos bem definido. Foram definidas três etapas, tendo já sido alcançada a primeira: assegurar a transparência na formação do preço; estimular a autorregulação, nomeadamente através da criação de associações interprofissionais; se necessário, intervir legislativamente, por exemplo ao nível dos contratos, estabelecendo a obrigatoriedade de os celebrar por escrito e com conteúdos definidos.
A somar à maior presença interna dos produtos portugueses temos a ambição de promover o aumento das exportações através de uma estratégia clara que faça convergir o empenho de todos. Se, a médio prazo, conseguirmos atingir a autossuficiência alimentar (em valor), então é sinal de que fomos bem sucedidos na procura da competitividade desejada. Estou certa de que todos juntos lá chegaremos!
Assunção Cristas, ministra da Agricultura

O sucesso (também) no novo mundo


Salvador Guedes, presidente da Sogrape
Salvador Guedes, presidente da Sogrape
A Sogrape nasceu há 70 anos com o objetivo de "mostrar os vinhos portugueses ao mundo". A vocação internacional da empresa ficou assim alinhada desde a primeira hora, hoje consolidada através da presença das suas marcas em mais de 125 mercados nos cinco continentes.

Não admira pois que, no cumprimento desta estratégia, se tenha tornado natural, a partir do final dos anos 90, que a Sogrape entrasse no sector produtivo de outras latitudes com elevado potencial vitícola - Argentina, Chile e Nova Zelândia -, complementando desta forma o investimento que a empresa também tem vindo a efetuar na área da distribuição e reforçando assim a sua posição no mercado global.
Esta exportação do seu processo produtivo para o novo mundo fez-se através de aquisições de unidades que têm em comum a verticalização da sua atividade (desde a vinha, à vinificação, engarrafamento e comercialização dos seus vinhos), permitindo à Sogrape ganhos importantes em termos de controlo do seu processo e um mais correto posicionamento como empresa global do sector vitivinícola internacional.
No caso concreto da Nova Zelândia, a geografia onde regista os mais elevados índices de crescimento e rentabilidade, pelo elevado preço de exportação dos seus vinhos, a aquisição em 2008 da Framingham - empresa-boutique responsável pela produção de vinhos na famosa região de Marlborough - tem-se revelado de primordial importância para a Sogrape ganhar prestígio e uma crescente notoriedade de todo o seu portefólio nos mercados de maior sucesso no panorama internacional.
Além disso, a Framingham abriu à Sogrape a possibilidade de produzir vinhos diferentes, com castas frescas e frutadas de climas temperados, tais como as brancas Sauvignon Blanc e Riesling, e a tinta Pinot Noir, acrescendo ganhos significativos de know how ao nível da viticultura, e da viticultura orgânica em particular, muito desenvolvida nesta geografia.
A adaptação da Sogrape à Nova Zelândia e à sua cultura foi particularmente fácil, graças à calorosa hospitalidade e informalidade do seu povo - os kiwis - e à grande racionalidade que revela para congregar esforços e investimentos em busca dos melhores resultados. (Em Marlborough, por exemplo, é comum várias empresas partilharem adegas e quase todos os produtores contratam o serviço de engarrafamento a duas unidades da região...)
Hoje, quatro anos volvidos, podemos dizer que a Framingham, fruto do trabalho, do investimento e do intercâmbio de conhecimentos, é uma aposta ganha, com a distribuição a crescer de seis para 40 mercados e a empresa a duplicar o valor das vendas sem alterar o seu posicionamento.
Não será por acaso, aliás, que o vinho Framingham F-Series Riesling Auslese 2011, produzido na Nova Zelândia pela Sogrape, acaba de ser eleito o melhor vinho desta casta numa prova cega dos maiores especialistas mundiais, ou ser ainda considerado, pela prestigiada jornalista britânica Jancis Robinson, o melhor vinho da região de Marlborough que alguma vez provou...
Salvador Guedes, presidente da Sogrape


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/nova-zelandia-uma-agricultura-sem-subsidios=f713851#ixzz1q2IjgApr

sexta-feira, 23 de março de 2012

Estratégias para o sucesso!

Hoje tive a oportunidade de almoçar com um diretor bancário e pude aprender muitas coisas sobre a economia, a sociedade portuguesa e sobre as melhores estratégias para construir o sucesso pessoal e profssional.

O primeiro objetivo para se ter sucesso é conseguir ser exigente connosco próprio e com as pessoas que dependem de nós.

O Segundo objetivo é querer progredir e ser aberto à mudança. Façam um pequeno exercíco: anotem quantas pessoas conhecem que sejam inovadoras nas convições e resultados. Vou dar um pequeno exemplo sobre um teste que faço para testar a abertura à mudança: quando frequento um curso de formação profissional mudo frequentemente o lugar que ocupo. Imaginem que em 90%  das vezes em que ocupo outro lugar "o meu novo vizinho" sente-se mal com a alteração. Como se pode querer mudar de vida no caminho para o sucesso, evoluir nas ideias e nas convições se temos horror a assumir pequenas mudanças que nem sequer geram sacrificios pessoais internos?

O terceiro objetivo é ter objetivos claros: Sei onde quero chegar ao fim de x anos? Estou disposto a pagar "a ansiedade interna" no período temporal em que saí da minha zona de conforto?

O quarto objetivo é estar disposto a travar a batalha mesmo não tendo a certeza que a podemos vencer.  Noto que muitos das pessoas que conheço "preferem morrer de véspera" (matam-se a si próprios antes que lhes apareça a hora da morte)    

Jovens Agricultores: Pedidos de Pagamento

O leitor António Alves perguntou o seguinte:

"Bom dia Eng. Martino, gostava que me tirasse uma dúvida: efetuei o pagamento do tractor agricola e mais algumas alfaias, para efetuar o 2º pedido de pagamento "apoio ao investimento"(o primeiro foi o prémio). Tenho que ter o tractor registado em meu nome(livrete) ou faço apenas com fatura,recibo e cópia do cheque?
Como expert nesta area gostava de ter a sua opinião:
Com os melhores cumprimentos.
António Alves"
Comentários:
1 - O pedido de apoio do investimento com máquinas e equipamentos sujeitos a registo só obtém o pagamento do ProDeR se estiverem registados em nome do proponente.
2 - Tem que ser preenchido o pedido de pagamento com fatura registada na sua contabilidade, recibo, cópia do meio de pagamento (cheque ou documento da transferência), extrato bancário, conta corrente fornecedor.
3 - Tenha atenção à obrigatoriedade imposta pela legislação, a qual impõe o prazo de seis meses a contar da data de assinatura do contrato para iniciar o investimento (fatura mais anitga do investimento corpóreo)   

Estágios de kiwis Organizados pela Espaço Visual

O leitor Armando Alves escreveu o seguinte:

"Boas!

Obrigado pela sua atenção.

Quanto aos seus comentários devo referir que a ideia está bem amadurecida, andando a estudar e a aprofundar os conhecimentos da fileira (Kiwis e morangos) e consequentemente os valores do investimento a realizar.

Nesta primeira fase é complicado, tendo em conta a falta de experiência no ramo e o começar do zero. Tudo faz falta e quando damos conta o valor do investimento começa a ser muito alto.

Outro dos problemas encontrados é conseguir os orçamentos para a candidatura, melhor dizendo, o não conhecimento do meio e das empresas existentes no mercado.

Com paciência vamos lá...

Mais uma vez obrigado."
Comentários:
1 - O ponto chave na instalação na agricultura tem a ver com os elevados investimentos na agricultura, os quais são necessários para se obter uma dimensão que gere sustentabilidade económica no médio/longo prazo.
2 - Para compensar a falta de experiência dos jovens agricultores a Espaço Visual organiza estágios na cultura do kiwi com o objetivo de dar experiência e sensbilidade para os pormenores da produção. Podem contatar o eng. Daniel Portelo para terem os pormenores sobre os estágios (daniel.portelo@espaco-visual.pt; 913 349 389).
3 - A Espaço Visual tem competências para ajudar os seus clientes na obtenção dos orçamentos e demais documentação (a maioria das candidaturas de investimentos em kiwis foram elaboradas por esta empresa). Contato: Eng. Sónia Moreira (sonia.moreira@espaco-visual.pt; 917 075 852).
4 - A paciência é importante mas não chega porque é preciso organização, estratégia, trabalho, etc.
5 - Nos projetos de kiwis recomendo que tratem da comercialização antes de fazerem os projetos e investimentos sob pena de terem surpresas desagradáveis no médio prazo.       

JOSÉ MARTINO: ProDeR e os Jovens Agricultores (2)

JOSÉ MARTINO: ProDeR e os Jovens Agricultores (2): O leitor Armando Alves disse:   "Bom dia! Parabéns pelo blogue. Pretendo instalar-me como Jovem Agricultor, no entanto, ouvi dizer q...

JOSÉ MARTINO: comunicado aos Jovens Agricultores que esperam con...

JOSÉ MARTINO: comunicado aos Jovens Agricultores que esperam con...: O ProDeR tem neste momento parados algumas centenas de contratos de ajudas para instalação de jovens agricultores, os quais se encontram em ...

quinta-feira, 22 de março de 2012

comunicado aos Jovens Agricultores que esperam contratos do ProDeR

O ProDeR tem neste momento parados algumas centenas de contratos de ajudas para instalação de jovens agricultores, os quais se encontram em atraso porque na aplicação informática do controlo documental do ProDeR para emissão dos contratos, não constava a obrigatoriedade de carregamento do documento de inicio de atividade nas finanças. Esta omissão já se encontra corrigida.

Se está nesta situação verifique no balcão de beneficiário se carregou  o referido documento do inicio da atividade nas finanças. Caso não o tenha feito proceda rapidamente à supressão desta omissão porque sem ter o contrato das ajudas assinado não consegue fazer o pedido do prémio de 1.ª instalação como jovem empresário agrícola.

ProDeR e os Jovens Agricultores (2)

O leitor Armando Alves disse:
 

"Bom dia!

Parabéns pelo blogue.
Pretendo instalar-me como Jovem Agricultor, no entanto, ouvi dizer que o apoio/incentivo à instalação de Jovens Agricultores estaria para encerrar no fim do mês de Março, nos mesmos moldes do ano passado!
Tem conhecimento desta situação?
Obrigado."
Comentários:
1 - Fico muito satisfeito que se tenha identificado com alguns dos seus interesses porque tenho menor gozo pessoal em escrever respostas para leitores abstratos.
2 - Na minha opinião recomendo que submeta a sua candidatura até ao fim de Abril de 2012 porque baixou o número de submissão das candidaturas, bem como o respetivo valor dos investimentos/incentivos a atribuir por candidatura e portanto, o orçamento chegará para mais um mês. 
3 - Tenho um pressentimento pessoal que haverá orçamento para aprovar projetos de instalação de jovens agricultores até ao fim do 3.º trimestre de 2012, à taxa de submissão atual, embora esta opinião é uma mera especulação de um utilizador profissional do ProDeR. Ressalvo que, o escrito neste ponto é o mesmo resultado/tem o mesmo valor que um operador de bolsa exprima a sua opinião sobre as cotações das ações dentro de 6 meses.
4 - Questões que deve responder com seriedade e objetividade antes de avançar para o seu projeto: Já amadureceu as suas ideias sobre a atividade onde se pretende instalar? Conhece bem a sua fileira? Já definiu e fechou os investimentos que pretende realizar?
5 - Seja excelente empresário!Votos de sucesso na agricultura!    

O ProDeR e os Jovens Agricultores

A frequentadora deste blogue Carina Picas colocou mais uma questão:

 
"Obrigada pela sua rápida resposta. Iremos analisar a sua opinião. No entanto temos mais uma questão relativamente aos apoios PRODER. Mesmo sendo as candidaturas continuas, aconselha algum prazo limite para submeter a candidatura em 2012? No presente ano, temos verificado uma grande afluência ao apoio ao jovem agricultor, e temos algum receio que o "dinheiro acabe". Tendo isto gostaríamos de saber a sua opinião. Obrigada.

Respostas:
1 - Aconselho-a a submeter a V/ candidatura até 30 Abril de 2012.
2 - O Vosso receio é o meu receio que "o dinheiro acabe". Ainda recordo traumatizado os projetos de jovens agricultores que submetemos no ano de 2005, os quais ficaram com as vidas suspensas durante 1 ano até saberem que não teriam apoio do programa AGRO, infelizmente muitos destes jovens tiveram de meter os seus sonhos agrícolas na gaveta e mudar de vida.
3 - No ProDeR enquanto houver orçamento haverá a submissão contínua das candidaturas e creio que quando o orçamento ficar escasso passarão para o regime de concurso com atribuição de pontuação aos projetos, financiando-os por ordem descrescente até terminar o dinheiro disponivel.
4 - Após o período de de visitas e reflexão sobre as atividades, conseguindo o acesso á terra, defendo com base na minha larga experiência na instalação de jovens agricultores, que devem avançar rapidamente e concluir rapidamente o projeto porque a partir deste ponto, dá o mesmo trabalho fazê-lo e pelo contrário, gastar mais tempo não resulta uma solução de melhor qualidade.
5 - Na Espaço Visual tendo os investimentos fechados e existindo a documentação de suporte da candidatura, conseguimos elaborá-la e submetê-la em poucas semanas. 
6 - Votos de excelente instalação e sucesso na agricultura

quarta-feira, 21 de março de 2012

Baby Leaves(2)

A leitora Ana pretende mais esclarecimentos sobre Baby Leafs:

"Obrigada pela sua informação. Será que os possíveis compradores são só grandes superfícies ou existem intermediários que recebem o produto e depois fazem o escoamento? Já visitei a empresa que me recomendou e achei interessantissímo. O que me aconselha? Vivendo eu relativamente perto de Lisboa, que empresas posso procurar?
Obrigada

Ana"


OPINIÕES:
1 - Acho que deve um estudo de mercado tentando fazer a venda a restaurantes de gama média e alta e lojas gourmet (eventualmente terá sucesso com vendas pela internet e entregas ao consumidor final)
2 - Visite a empresa na qualidade de consumidora. Teste o serviço e o excelente marketing que utilizam.
3 - Faça recolha de informação e vá testando numa pequena horta. Na minha opinião, o mais importante é ter conhecimento para ganhar experiência pouco a pouco nas diversas espécies e variedades.
4 - Na minha perspetiva é um excelente negócio para a região de Lisboa porque aí há poder de compra (112% da média europeia)

Plantas Aromáticas e Medicinais

Pedido de esclarecimento colocado neste blogue:

"Anónimo disse...
Boa tarde,

O meu nome é Carina e em conjunto com um colega estamos a pensar avançar com um projecto de jovem agricultor, com frutos vermelhos, produção e transformação, e eventualmente ervas aromáticas.

Dentro dos frutos vermelhos, pensamos no mirtilo, framboesa, amora, groselha e eventualmente morango por hidroponia, e dentro deste assunto gostaria de saber se já existem estudos de áreas de exploração mínimas para cada espécie de modo a ser tornarem viáveis e competitivas.

No que refere às ervas aromáticas, ainda está num estudo muito prévio, ainda não temos espécies escolhidas, mas estamos a estudar a produção por hidroponia, não sei se têm conhecimento de outras explorações do género, e se têm algum feeddack sobre os resultados.

Agradecemos desde já a atenção.
Obrigada.

Opiniões:
1 - Não façam sociedade entre dois jovens agricultores porque apesar de lhes darem mais 10000 euros perdem 75 000 euros caso apresentem duas candidaturas separadas.
2 - Dependendo dos investimentos, isto é, aqueles que contemplam a plantação, armazém e alguns equipamentos creio que rentabilizará o projeto e pode remunerar bem o seu próprio trabalho se implantar dois hectares de pequenos frutos.
3 - Não conheco nenhuma exploração de plantas aromáticas e medicinais (PAM) em hidroponia. Na minha opinião creio que não traz mais valias a hidroponia porque não têm experiência nem da atividade, nem da hidroponia na atividade, e não há problemas de solo que criem impedimentos á cultura. Defendo que devem começar por PAM no solo e passados 2 experimentarem a hidroponia. Os resultados das PAM são bons se começar com 3-4 hectares e a meio prazo chegar aos 6-8 hectares.

Kiwis

O meu colega e leitor J. Silva escreveu o seguinte neste blogue:

"Engº José Martino,
antes mais muito obrigado e muitos parabéns pelo seu blog e pelas partilhas enriquecedoras que faz no mesmo.
Sou engenheiro Agrónomo e trabalho actualmente na zona de Torres Vedras, mas tenho acesso a alguns terrenos na zona de Guimarães com cerca de 6 ha e possibilidade de irrigação para o caso de plantação de Kiwis.
Gostaria, se possível, que me elucidasse sobre alguns aspectos no caso de pensar num projecto jovem agricultor.
1º partindo da situação de um terreno agrícola com cerca de 6 ha, qual seria o mínimo aproximado de capital próprio necessário para um projeto jovem agricultor (recorrendo também a linhas de crédito para o efeito)?
2º parece-lhe viável um projecto desta natureza para a região?Seria necessário ter outra cultura de prazo mais curto para rentabilizar o projecto?
3º parece-lhe viável o mesmo tipo de projecto para um terreno igualmente de 6 ha mas com mato e algum eucaliptal? Que custo acrescido poderá ter uma operação de desmatação/nivelamento por ha na zona?
Agradeço desde já a sua atenção
cumprimentos
J.Silva"

Comentários:
1- Agradeço que me tenha questionado sobre a fileira dos kiwis porque ela é uma das minhas filhas do meu trabalho como engenheiro agrónomo e já tem maior idade e tem contribuido para que muitas agricultores tenham sucesso empresarial.
2 - Capital próprio= investimento (40000 €/ha * 6 ha * 0,5 = 120 000 €) + IVA (40000€/ha*6*0,15= 43200€) + fundo maneio 4 anos ( 5000€ *6*4-43200=76800€) = 240 000 €
Linhas de crédito podem financiar 35%  do investimento ( 40000€*6*0,35 = 84 000 €) e relativamente ao montante restante poderá financiar 25 000 € na linha PME crescimento (ver caraterísticas na net) e eventualemente 25 000 € numa conta caucionada. Assim sendo, o seu capital terá que perfazer a diferença
3 - Parece-me perfeitamente viável o projeto para a região. Não precisa de cultura de curto prazo para rentabilizar o projeto, necessita de ter capitais próprios para fazer face ás necessidades financeiras do projeto. É por esta razão que sou um pequeno kiwcultor, pois não tive capitais próprios para tal.
4 - Parece-me viável passar uma zona de eucaliptal e mato a terreno agrícola com implantação de kiwis. O custo pode ir de 2500 € a 20000 € /ha, conforme as necessidades de intervenção no terreno.
5 - Bons investimentos!   

terça-feira, 20 de março de 2012

Baby leafs

A leitora Ana disse...

"baby Leafs

Boa Tarde Eng. Martino, desde já dou-lhe os meus parabéns pelo seu blogue e dedicação à dedicação que tem para com os seus leitores.
A minha questão é a seguinte. Gostava de me estabelecer como jovem agricultora, tenhoa alguns terrenos que gostava de rentabilizar. Tenho lido bastante sobre mirtilos e é uma cultura que me interessa bastante, mas como só irá produzir daqui a 3 anos, gostaria de fazer algo nesse esaço de tempo. Falaram-me nas baby leafs (hortícolas bébés). Gostaria de saber a sua opinião sobre esta cultura,se acha que tem viabilidade, se existe escoamento, qual a área necessária, se a produção é muito elevada e se existe alguma rentabilidade.
Agradeço bastante a sua atenção.
Ana"


Comentários:
1 - Na minha opinião as Bay Leafs são uma excelente oportunidade de negócio na agricultura se conseguir cultivar, possuindo conhecimentos e competências para tal, uma gama de ervas/hortícolas bebés.
2 - Tem escoamento e mercado interessante se tiver a sua exploração localizada na grande Lisboa ou Algarve porque são regiões com poder de compra para dar valor acrescentado às suas produções.
3 - Uma exploração com um hectare entre estufa e ar livre tem uma rentabilidade muito interessante.
4 - Recomendo que pesquise uma empresa desta fileira denominada "ervas finas". 

Cogumelos

A leitora Neide Ribeiro escreveu o seguinte neste blogue:
 

"Boa Dia, Eng. Martino. Primeiro quero agradecer a sua disponibilidade em responder as perguntas aos aspirantes a agricultores. Acompanho diariamente o seu blog. A algum tempo venho pesquisando sobre a possibilidade de me instalar como jovem agricultor, já fui a algumas intituições oficiais, como IFAD, associaçaõ de agricultores mais é neste blog que encontrei algumas resposta as minhas dúvidas, ou seja abriu o meu leque de possibilidade. Inicialmente pensei em plantas aromaticas e medicinais, mais não consegui terra suficiente para avançar com o projecto. Estou pensando em outra opção na produção de cogumelos, pergunto o seguinte. É possivel fazer uma parceira com a Sousacamp, mesmo com um orçamento pequeno de 75000 do PRODER.Como que entro em conctato com esta empresa? Mais uma vez, obrigado pela sua disponibilidade de responder e esclarecer as dúvidas sobre a conjuntura da agricultura portuguesa. Melhores Cumprimentos. Neide"
Comentários:
1 - Fico feliz que a leitora se tenha identificado como blogger. A minha homenagem por publicar na rede as suas opiniões.
2 - Recomendo, caso a sua paixão sejam as plantas aromáticas e medicinais que não interrompa a sua procura de terra para arrendar na região da sua habitação.
3 - Os investimentos nos cogumelos exigem pelo menos 50 000 euros de capitais próprios.
4 - Os contatos do grupo Sousacamp podem ser encontrados na internet (www.sousacamp.com). Procuram parcerias com agricultores da região Norte 


segunda-feira, 19 de março de 2012

Seminário Pequenos Frutos Organizado pela ATAHCA

O leitor Telmo Ferreira perguntou o seguinte:

"Anónimo disse...

Bioa Noite

Pretendo instalar-me na cultura dos pequenos frutos e pretendo saber mais sobre a cultura da amora, groselha e mirtilo.
Tive conhecimento pelo jornal Diário do Minho que vai haver um semimário que vai haver em Vila Verde.

Será que vale a pena ir?
Conhece os palestrantes?

Obrigado

Telmo Ferreira"
Comentário:
1 - Consultei o programa do evento em http://www.seminario.atahca.pt/dados/galeria/PROGRAMA.pdf e cheguei á conclusão que deve ir ao seminário do próximo Sábado, em Terras de Bouro porque irá tratar sobretudo do tema da comercialização dos pequenos frutos, bem como do financiamento das implantações dos pomares.


2 - Conheço alguns dos palestrantes e na minha opinião, pelos oradores presentes o seminário terá muito interesse.

3 - Recomendo que faça o máximo de contatos com produtores presentes para que os possa visitar e aprender com a experiência que lhe possam transmitir diretamente.

4 - Em síntese, parece-me que dará o dia dispendido neste evento como bem empregue.

Pagamentos ProDeR

Um leitor anónimo fez a seguinte pergunta:

"Anónimo disse...


Boa tarde, Pode explicar melhor como se processa os pagamentos do Proder. Um jovem agricultor que não consiiga recurso à banca tem alguma hipotese de se candidatar ao Proder. Vai receber 30.000€, pode utilizá-los no investimento como capital inicial e único?"
Comentários:
1 - O ProDeR nas ações de investimento paga após a apresentação da fatura, recibo, cópia do cheque ou cópia do documento da transferência bancária, extrato bancário e extrato da conta corrente do fornecedor, ou seja tem que pagar primeiro para receber o apoio três a oito meses após a submissão do respetivo pedido de pagamento.
2 - O ProDeR paga antecipadamente, antes da execução da despesa, o prémio de jovem agricultor, o qual pode atingir o valor máximo de 30 000 euros para uma candidatura em nome individual, sendo que para tal basta apresentar o respetivo Pedido de Pagamento após a contratualização das ajudas. Este montante pode ser utilizado como pretender, até como "capital inicial e único". O ProDeR também paga antecipadamente 50% das ajudas se apresentar uma garantia bancária no valor de 110% do valor antecipado. Pode justificar as ajudas antecipadas até ao último pedido de pagamento.
3 -  O ProDeR não paga ajudas sobre o IVA no caso de ele ser recuperável, porque este é reembolsável até passado pouco mais de um ano. Assim sendo, deve prever fundo de maneio para o IVA e para o período temporal entre a entrada em exploração do investimento e a entrada das receitas que equilibram as contas de tesouraria.
4 - Recomendo que se candidate ao ProDeR mesmo não tendo crédito bancário se conseguir fundo de maneio para o IVA e para a tesouraria, no tempo em que a previsão apontar para que esteja negativa.
5 - No caso do indicado em 4. recomendo que escolhas atividades de curto prazo que geram receitas no próprio ano, como por exemplo, framboesas, flores, horticultura, etc.   

domingo, 18 de março de 2012

Crise na viticultura na Região Demarcada do Douro: o que pode o governo fazer?

O presidente da Câmara de Alijó e da Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro), Artur Cascarejo, entregou ontem ao Presidente da República um documento que aborda os problemas e propostas de soluções para ultrapassar a crise que afecta a viticultura duriense e pediu-lhe ajuda, influência e esforço. Tenho pena que o conteúdo do documento não tenha sido tornado público para saber que tipo de medidas o autarca defende para defesa dos pequenos e médios viticultores da Região Demarcada do Douro. Cavaco Silva comprometeu-se a fazer chegar o documento ao poder executivo.


A questão que me assalta é a seguinte: O que é preciso fazer e  o que deve melhorar na vitivinicultura douriense?

O negócio vitivinicola, quer no Douro, quer nas principais regiões vinhateiras no mundo, está a desenvolver-se de forma verticalizada, isto é, quem detém a comercialização está a controlar a produção assumindo economias de escala que tornam essas organizações mais competitivos. Assim sendo, deixam de ter interresse pelas uvas dos pequenos e médios viticultores liquidando as uvas com valores abaixo dos seus custos de produção.Na realidade é preciso colocar as cooperativas a cumprir com eficiência e eficácia o seu papel de valorizar as uvas dos viticultores
Por outro lado, é preciso exportar em maior quantidade os vinhos DOC Douro, dando-lhes valor acrescentado. Para tal objetivo é preciso mudar as mentalidades para imprimir dimensão e escala às empresas/cooperativas.
O vinho do Porto concorre em segmentos de mercado muito concorrenciais e agressivos do ponto de vista de marketing, cuja  procura se encontra estagnada, precisa de se reinventar ou inovar como produto para incrementar a sua procura e o seu valor acrescentado. Se aumentarem os seus quantitativos de produção incrementará o risco financeiro de falência por parte das empresa exportadoras. 

Tendo por base estas considerações, o que pode o governo fazer para resolver os graves problemas da viticultura na Região Demarcada do Douro? 

Melhoria da Qualidade dos Serviços Prestados pelo Ministério da Agricultura

Ontem, Sábado,  da parte da tarde visitei um potencial jovem agricultor em Santarém, que me confessou estar desiludido com os serviços dos Ministério da Agricultura porque nos diversos contatos estabelecidos não o sabiam aconselhar sobre o que devia fazer para rentabilizar a sua propriedade. O que mais o chocou foi a forma como foi atendido, ainda bate na minha cabeça o seu desabafo: "não tiveram o minimo interesse pela minha pessoa ou pelo meu problema, apenas falaram comigo porque a isso estão obrigados!".

Como este tipo de informações me chegam recorrentemente, quer diretamente, quer neste blogue, não posso deixar de os registar com o objetivo de alertar os responsáveis que é necessário mudar a qualidade do atendimento nos diversos serviços do Ministério da Agricultura.

Defendo que para ultrapassar esta situação deve ser criada por parte do Ministério o "Provedor do Utente do Ministério da Agricultura" e pelos cidadãos deve ser formada a "Comissão dos Utentes do Ministério da Agricultura".

A qualidade dos serviços prestados pelo Ministério da Agricultura irá melhorar se todos os seus utentes forem exigentes e ativos na defesa dos seus interesses!         

Os jovens e a entrada no mundo do trabalho

O leitor Pedro Teixeira deixou o seguinte comentário ao meu último post:
"AnónimoAnónimo disse...
Bom dia Sr. Eng.
Agradeço-lhe profundamente as palavras inspiradoras que aqui me deixou.
É um facto que o querer, a persistência e o trabalho alimentam oportunidades e probabilidades de sucesso em qualquer área de negócio mas quando sentimos dia a dia as vibrações negativas dos media, as estórias de colegas que mesmo tendo um potencial enorme se vêm confinados (quando muito) a trabalhar em um qualquer hipermercado em trabalhos precários, e frequentemente se ouve os testemunhos de profissionais implementados no mercado com  âncoras aparentemente sólidas que se vêm agora a ter que fechar portas e desfazerem-se dos seus colaboradores mesmo sendo considerados como "tubarões da arquitectura", é estremamente complicado mantermo-nos motivados e com esperança para o que aí vem. A única realidade que existe neste momento é termos literalmente que pagar para podermos exercer a nossa profissão em qualquer escritório, na esperança de um dia nos verem reconhecido esse esforço e nos seja concedido um contrato de trabalho. O problema é que esse dia não chega, e com tantos colegas a quererem trabalhar esse método vai sendo explorado e o trabalho gratuito vai persistindo.
Como lhe disse, não me nego à emigração, pois essa possivelmente é a única solução viável para o meu crescimento como arquitecto, contudo, e como última oportunidade que possa manter-me por cá, e porque ainda acredito no nosso país, vejo com bons olhos este tipo de negócio como estratégia empresarial que me possibilite crescer economicamente, ter um projecto aliciante para a minha vida e ao mesmo tempo me permita ir aos poucos mantendo a minha actividade como arquitecto podendo ocasionalmente participar num ou outro concurso ou mesmo exeutar algum trabalho que possa ir aparecendo.
Já estive ligado a alguns projectos empresariais das mais variadas áreas de implementação e nunca tive medo de arriscar em algo que vejo ter potencialidades de sucesso.
Tenho noção que este não é um caminho fácil, e ainda bem que assim é, pois permite-nos agarrar com todas as nossas forças estes objectivos e fazer os possíveis para que eles cheguem a bom porto.
Vou amadurecer esta ideia e concentrar-me nos seus conselhos. O mundo não pode parar e julgo ser de pessoas com vontade de trabalhar, criativas, com espírito de sacrifício e empreendedor que o nosso país precisa para poder ambicionar com um futuro melhor.
O Sr. está a cumprir e bem a sua parte.
Obrigado pelo seu trabalho e cumprimentos,
Pedro Teixeira"
Comentários:

1 - Parece-me muito correta e realista a sua abordagem ao mundo profissional. A realidade portuguesa é muito dura para os jovens porque há 35% de taxa de desemprego nesta  faixa etária e todos os anos emigram cerca de 120000 portugueses, creio que uma grande parte são jovens licenciados.

2 - É necessário ter uma atitude proativa desde a entrada na universidade para que o jovem conheça e se dê a conhecer ao mercado de trabalho. Contrato os meus colaboradores à saída da Universidade e noto que não conhecem o mundo exterior, precisam de pelo menos dois anos para terem um conhecimento básico das estradas, das regiões, das Instituições, dos players. Acho que as universidades não se preocupam em formar competências para o mercado de trabalho e os jovens não as conhecem e por isso, nãos as adquirem de forma complementar. As empresas têm falta de colaboradores que façam a diferença e as coloquem três passos à frente das outras. É necessário que se saiba escrever bem, fazer contas e possuir inteligência emocional para fazer bons negócios, progredir e subir na vida.

3 - Há estudos que demonstram que os colegas que fizeram o mesmo curso, no mesmo ano, com os mesmos professores, a mesma realidade, quando chegam à idade da reforma constata-se que apenas um grupo restrito conseguiu ter sucesso profissional. Este grupo de pessoas não são aquelas que têm o maior QI, mas os que possuem a maior inteligencia emocional, aqueles que conseguem perceber melhor a vida, as pessoas, as situações e com o passar do tempo lideram pessoas, tiram partido do que lhes aparece ou fazem com que as ameças de transformem em oportunidades. Ao longo da minha vida tenho-me cruzado com pessoas deste calibre, pessoas que começam por baixo e acabam no topo: um comercial que sendo o mais novo da equipa, passado dois anos, ascende a diretor comercial ultrapassando os colegas, um motorista numa cooperativa, que na empresa seguinte, começando por encarrregado de armazém, chegou a gerente, tive um prestador de serviços na Espaço Visual que o fez enquanto tirou o curso universitário, logo que terminou montou uma empresa e com poucos de atividade tem um enorme sucesso, etc.

4 - Na minha opinião, se um arquiteto tem que trabalhar de borla/barato para um gabinete deve fazê-lo para o mercado, pois assim adquire portefólio e com o tempo conseguirá quem esteja disposto a pagar os seus projetos. Conheço um gabinete de engenharia e arquitetura de Braga, com sócios muitos jovens que têm um enorme sucesso quer em Portugal, Moçambique e Brasil porque são muito ativos, descobrem oportunidades onde eu não as encontraria e por isso, estão sempre na crista da onda (são um exemplo que me motiva a encontrar soluções quando me sinto desmotivado)

5 - Mediante o que escreve creio que não precisa de conselhos porque já conhece a realidade dos negócios tão bem ou melhor que eu e sobretudo tem as caraterísticas pessoais certas para ter sucesso profissional. Bom trabalho e bons negócios!

Estratégia para assumir uma profissão de sucesso

O leitor Pedro Teixeira escreveu o texto abaixo para o qual pede a minha opinião e os comentários que se seguem:
1 - Sobre a escolha do curso superior posso falar-lhe da minha experiência: em 1980 escolhi como primeira opção o curso de agronomia embora tivesse notas de acesso para entrar em qualquer curso incluindo medicina. Na época, a minha paixão foi um grande desgosto para os meus pais porque como eles tinham uma grande experência de vida sabiam das dificuldades, limitações e pouco prestigio social e político da agricultura na sociedade portuguesa. Felizmente parece que esta realidade começa a mudar! Com oito anos de trabalho técnico como agrónomo tive a minha primeira grande crise existencial sobre a escolha do curso: trabalhava como agrónomo todas as horas disponiveis, sete dias por semana, ganhava bem, mas considerava que se trabalhasse as mesmas horas como médico ou jurista seria muito melhor remunerado. Um amigo, um técnico espanhol que tinha à época já muita experiência de exercer agronomia em muitos países deu-me o conselho que lhe deixo, o qual me tem ajudado muito: "Pára de te queixares,  há excelentes oportunidades em todas as profissões, tens de ser inteligente, analisa a agronomia, verifica os setores que envolvem mais dinheiro, liga-te num deles e trabalha nele para seres uma referência!". Na minha opinião, tendo paixão pela arquitetura, "não faça fugas para a frente!" tirando um novo curso de agronomia, mas enfrente as agruras e dificuldades de começar, em último caso, se necessário exerça a profissão durante 2 ou 3 anos noutro país (acho que apesar das dificuldades pode montar uma estratégia para se lançar e ter sucesso em Portugal: ligue-se aos melhores, mas vá de forma autónoma fazendo trabalho, se necessário sem remuneração, que lhe dê portefólio. Na agronomia as coisas não são muito diferentes da arquitetura, exceto se fizer a instalação como jovem empresário agrícola. Neste caso, precisa de vocação e capital para ter potencial de no futuro vir a ter sucesso). Hoje o CV não pode ser o que temos escrito no papel mas o que consta na internet. Desafio-o a partir deste momento montar uma estratégia para o seu nome ser referenciado nos motores de busca na internet!

2 - Nos dias de hoje quem termina um curso superior é candidato ao desemprego, mas não ao "destrabalho", ou seja, na minha opinião, pela minha experiência de vida verifico que quem está disposto a correr riscos, quem tem objetivos para a sua vida e está disposto a pagar os custos pessoais, mais tarde ou mais cedo consegue chegar onde pretende. Se quer ser uma referência nas culturas hidropónicas faça benchmarking (dispenda até um ano de trabalho nesta ação): visite tudo o que exista em Portugal, naqueles países onde conseguir visitar, pesquise tudo o que puder sobre este assunto, etc. Estagie nas explorações que o aceitarem para ganhar experiência nos pormenores da atividade, aqueles que não estão nos livros e na internet. Faça um plano de negócios rigoroso e tome a decisão de investir com o conhecimento que domina "os ossos de ofício da hidroponia".

3 - O sucesso nesta atividade será fácil ou díficil de conseguir conforme tenha feito o descrito no ponto 2. com maior ou menor rigor.

4 -  Parece-me melhor negócio a cultura em hidroponia dos pequenos frutos, incluindo o morango face á cultura da alface (a horticultura encontra-se em crise porque a procura desceu devido às produções nas hortas caseiras).

5 - A Espaço Visual está através dos estágios que organiza a criar competências para os jovens agricultores terem maior sucesso nos seus investimentos. A sua maior atividade é consultoria, damos conselhos sobre as melhores estratégias para realizar os sonhos dos potenciais empresários e estes têm que fazer o seu caminho, trabalhando e ganhando experiência por conta própria até terem sucesso.

Faço votos para que este post o possa ajudar. Bom trabalho!

"Anónimo disse...
Boa noite Sr. Eng. José Martino.
Gostaria de o felicitar pelo excelente trabalho que tem desenvolvido na divulgação e defesa deste nosso grande património que é a terra e o que ela nos dá. O meu nome é Pedro Teixeira e há alguns meses que tenho vindo a acompanhar com satisfação o seu Blogue e os textos lúcidos e directos que aqui expõe. Sendo um apreciador da forma como aborda estes assuntos e vendo em si alguém com experiência e conhecimento nesta matéria, não querendo ser muito maçador, pedia-lhe que desse, se possível, a sua opinião e ajuda no seguinte:
Desde sempre que sou um curioso pela agricultura e sempre tentei cumprir o meu papel individual na defesa dos nossos recursos naturais. Há uns anos atrás, quando pensava que rumo dar à minha formação académica, fiquei indeciso entre duas paixões que mantinha, tão diferentes mas tão cativantes para mim: a Engenharia Agrónoma e a Arquitectura. Infelizmente escolhi a arquitectura e neste momento estou a terminar o curso sem ilusões de este me vir um dia a ser útil, uma vez que a crise nos trouxe a incerteza e o desemprego. Como nunca gostei de estar parado e sempre tive espírito empreendedor, vejo agora abrir-se uma janela de oportunidades nesta área que eu gostaria de agarrar. Não tendo experiência na produção agrícola, por diversas vezes pensei se seria adequado alimentar estes sonhos ou, se antes disso, seria melhor "pôr os pés assentes na terra" e começar por apostar numa formação superior nesta área. Se for exequível um investimento destes sem uma prévia formação superior exponho aqui de seguida as minhas ideias na esperança que me elucide e encaminhe antes de dar algum passo.
Há uns anos atrás eu assisti a um documentário acerca de produção de alface hidroponica e fiquei fascinado com o método exibido. A partir daí comecei a pesquisar sobre essa matéria e fui absorvendo informação. Contudo, não sei se aqui em Portugal alguém utiliza esse método de produção pois o que tenho visto é hidroponia feita em tubos de PVC e aquele era feito em grandes plataformas flutuantes. Desconheço também em que país aquilo era gravado mas julgo ter sido feito numa das maiores empresas de produção de alface, dadas as dimensões das estufas e estruturas que se podiam ver. Sei que isso é uma utopia, mas de acordo com a minha realidade seria possível com os apoios que existem constituir uma empresa que tivesse alguma possibilidade de sucesso? Que investimento teria que fazer e que área de terreno iria necessitar para a produção de alface hidroponica ter boas perspectivas de rendimentos? Sei que isto paira tudo no campo da suposição mas de qualquer forma se me puder apenas dizer se seria viável ou não eu agradecia-lhe imenso. Nos últimos tempos tenho-me interessado bastante no tema dos pequenos frutos, principalmente no morango hidroponico (como não podia deixar de ser) e pergunto-lhe se seria uma melhor opção à alface. E nestes, que área seria aconselhada para uma produção equilibrada que desse um rendimento para eu sobreviver e a empresa crescer? A meta seria fazer uma produção moderna, de qualidade e com a exportação no horizonte. A minha zona de residência é no Porto e julgo que o Norte não é o local do país mais propício a este tipo de cultura ou então estou enganado e também é possivel fazer isso por cá com qualidade. No entanto, sempre foi minha ambição um dia poder viver no campo, portanto não seria um impedimento eu deslocar-me para outra zona do país, visto também que se isto não for possível, provavelmente o meu futuro será emigrar como tantos jovens do nosso país. Não sei se tudo isto é ingenuidade minha ou se poderei mesmo pensar num projecto destes. Eu tenho pensado em dirigir-me à Espaço Visual para tirar todos os esclarecimentos que necessito, bem como tomar conhecimento de todos os processos necessários para avançar com este desafio mas antes disso decidi questionar-lhe sobre este assunto apenas para ficar com uma ideia se este é um caminho ou não.
Agradeço-lhe toda a disponibilidade por ler este texto que já vai extenso e toda a ajuda que me possa prestar 

sábado, 17 de março de 2012

Cogumelos

O leitor Pedro S. escreveu o seguinte neste blogue:

"Boa tarde Sr. Eng. Martino,

Não sei se este é um tema que lhe interesse, mas de qualquer forma atrevo-me a perguntar-lhe se a produção de cogumelos em Portugal seria interessante do ponto de vista de investimento. Será que este é um produto de fácil escoamento e implementação de negócio? Existem condições para se entrar no mercado com algumas pespectivas de sucesso ou este é um ramo de negócios que já está muito explorado e minado? Há actualmente entidades económicas/ distribuidores do género de cooperativas ou entrepostos que recebem este produto para o colocar no mercado ou esta procura teria que ser feita localmente em comerciantes e caso a caso?
Obrigado pela atenção e parabéns pelo contributo informativo que nos presta todos os dias.
Cumprimentos,
Pedro S."

Comentários:
1 - Na minha opinião, recomendo que faça investimentos na produção de cogumelos chegando a acordo com o grupo Sousacamp para lhe dar assessoria no técnica nos investimentos e na exploração da unidade, bem como para fazer a comercialização dos cogumelos. Trata-se de um grupo verticalizado instalado em Portugal, Espanha e Holanda. o qual produz substrato de produção, tem multiplas unidades de produção de cogumelos, faz o reaproveitamento do substrato que já alimentou os cogumelos, faz a industrialização enlatando-os e congelando-os. Comercializa os cogumelos em Portugal, Espanha, Holanda, etc.
2 - O escoamento é simples se trabalhar com o grupo Sousacamp, a implementação do negócio é fácil porque este grupo está interessado em fazer parcerias na instalação de jovens agricultores disponibilizando-lhes todo o know how e formação para terem sucesso empresarial nas unidades de produção.
3 - É possivel que possa ter sucesso com outra estratégia, mas noto que será pouco provável e muito custoso. Já assisti a falência de empresas nesta fileira porque é necessário possuir um know how muito especifico e muito rigoroso e além disso, o negócio parece-me que está com margens brutas muito estreitas (trata-se de um produto de baixa densidade que tem custos de logística elevados, daí que trabalhar acima das dimensões da economia de escala seja determinante para obter rentabilidade nos investimentos).       
4 - Tenho dificuldade em acreditar que possa ter sucesso com mercados locais, exceto se estiver inserido na área urbana da Grande Lisboa porque é a única região de Portugal que tem poder de compra para valorizar os cogumelos numa lógica de distribuição local.

sexta-feira, 16 de março de 2012

A Política Para a Fileira do Leite

O Ministério da Agricultura publicou no seu site às 17h25 do dia de hoje o seguinte:

"GOVERNO ESTÁ «A TRABALHAR PARA QUE SE INTRODUZA TRANSPARÊNCIA NOS PREÇOS»

A Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território afirmou que o Governo está a trabalhar para que «se introduza transparência nos preços», o que terá por consequência «acabar as relações tensas entre o setor da produção de leite e a distribuição». Assunção Cristas, acrescentou que o Governo está a trabalhar na «Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Alimentar (PARCA), que vai fazer com que todo este processo, que vai desde a produção até ao consumo final, seja transparente».
A Ministra esteve na Póvoa de Varzim, na inauguração do novo edifício-sede da cooperativa de produtores de leite Agros, onde afirmou que «precisamos de ter uma cadeia alimentar em que todos ganhem na medida do seu trabalho, dos custos que têm e do seu empenho».
Assunção Cristas afirmou também que continuará a trabalhar contra o fim das quotas leiteiras previsto para 2015, no entanto considera que «não é fácil um país que está com assistência financeira dizer que é contra esta decisão, mas estamos a preparar para uma transição, caso não seja possível voltar atrás».
A Ministra enalteceu a produção leiteira que, em Portugal, é«excedentária e autossuficiente, sendo um setor que tem contribuído para diminuir o défice, é urgente valorizar os produtos, exportar mais e fomentar boas relação entre toda a cadeia alimentar, para que se possa ter nos hipermercados bons laticínios portugueses»."

Comentários:
1 - As afirmações da ministra sobre a introdução de transparência nos preços que acabem com as relações tensas entre o setor de produção do leite e a distribuição, parecem-me sensatas e avisadas, embora, na minha opinião, a responsável pela agricultura portuguesa deva clarificar qual o prazo temporal limite em que se deve esperar esta importante introdução, sob pena de quando tal acontecer já não existirem a maioria dos produtores de leite.
2 - Não aceito que cada mês que passa os produtores de leite sintam o garrote financeiro a estrangulá-los. É dificil analisar e ver esta realidade?
3 - Valorizo como muito positiva a posição da ministra, que seja do meu conhecimento é a primeira vez que um alto responsável governamental assume, quanto ao fim das quotas leiteiras que "...estamos a preparar para uma transição, caso não seja possivel voltar atrás". Alguém acredita que processo do fim das quotas leiteiras irá retroceder? Eu considero que a defesa dos superiores interesses de Portugal exige que se defenda do ponto de vista político e diplomático a manutenção das quotas leiteiras, mas ao mesmo tempo que se trabalhe de forma afincada no plano B, sabermos de forma rigorosa o que deve fazer desde 2012, cada um dos elos da fileira do leite, para se tornar competitivo.
4 - Defendo que as organizações da fileira do leite e o governo deveriam fazer uma ação de benchmarking a nível mundial para caraterizar o seu estado da arte, bem como por reporte classificar o que se passa em Portugal. Devem ser definidos objetivos, estratégias e planos de ação. Deixemos as lamechices e vamos ao trabalho   

Medidas do Governo para Enfrentar a Seca

Publico na íntegra o texto que está publicado no sitio na internet do ministério da agricultura (2012.03.15 às 18h55):

 

"GOVERNO APROVA MEDIDAS PARA COMBATER IMPACTOS DA SECA

O Conselho de Ministros aprovou um pacote de medidas destinadas a combater os efeitos da seca na agricultura que incluem medidas de carácter nacional e comunitário.
Medidas nacionais
1 - Medidas de Apoio à Pecuária
  • Ajuda Nacional aos produtores de pecuária extensiva
  • Linha de crédito com prioridade para a produção animal
  • Auxílio ao abeberamento animal e auxílio na distribuição de palhas
2 - Medidas de redução dos custos de produção.
  • Suspensão da taxa de recursos hídricos.
  • Comparticipação nos custos de energia (eletricidade verde).
3 - Medidas de âmbito fiscal e parafiscal
  • Redução do prazo de reembolso de IVA pelo Estado.
  • Concentrar os pagamentos por conta relativos a 2012 num único pagamento a efetuar em Dezembro de 2012.
  • Isenção ou diferimento do pagamento de contribuição social por parte dos agricultores ou das empresas agrícolas.
4 - Medidas Específicas para as zonas adjacentes aos regimes públicos
  • Flexibilização e facilitação de pontos de acesso à água para rega, através de reservatórios, albufeiras do sistema, canais e hidrantes periféricos da rede primária e secundária de rega.
  • Articulação com as entidades gestoras dos aproveitamentos hidroagrícolas da possibilidade de outras medidas de apoio, nomeadamente a flexibilização dos prazos legais de recebimento da faturação da água de rega.
5 - Medidas de divulgação e logística, a serem articuladas pelo Grupo de Trabalho.
  • Divulgação dos pontos da situação e das medidas adotadas para mitigação dos efeitos da seca.
  • Divulgação das boas práticas de maneio e alimentação de gado em situações de seca.
  • Divulgação das boas práticas de gestão da água e de irrigação em situação de seca.
  • Disponibilização de apoio logístico de forma a garantir o abastecimento das explorações pecuárias em matéria de alimentação animal.
  • Divulgação das inibições já existentes quanto ao manuseamento das práticas florestais florestais que impliquem o uso de fogo.
  • Divulgação e promoção de boas práticas de eficiência no uso doméstico da água.
Medidas comunitárias
As medidas de apoio de âmbito comunitário permitirão antecipar, entre Abril e Julho, mais de 100 milhões de euros a mais 100 000 agricultores em todo o país. Estas medidas prevêm:
  • Derrogação temporária de regras para alimentação animal, em Produção Integrada (PRODI);
  • Não penalização por subutilização de direitos a prémio por ovelha, cabra e vaca aleitante, por circunstâncias excecionais;
  • Exceção relativa a encabeçamentos no âmbito das medidas agro-ambientais no âmbito das ITIs do programa nacional do desenvolvimento rural (PRODER);
  • Adaptação da tabela de produção de referência, na Ação 2.2.1 -Alteração de Modos de Produção Agrícola, do PRODER;
  • Flexibilização dos prazos limite de investimento de agricultores individuais nas Medidas 1.1 (inovação e desenvolvimento empresarial) e 1.3 (promoção da competitividade florestal) do PRODER.
Este conjunto de medidas consta de uma resolução aprovada pelo Conselho de Ministros que cria a Comissão de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento da Seca, coordenada pelo Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, que integra os Ministérios das Finanças, Economia, Administração Interna, da Saúde, da Solidariedade e Segurança Social, bem como a Associação Nacional de Municípios.
O Governo entende que o fenómeno de alteração climática a que Portugal, pela sua localização geográfica, está sujeito e, uma vez que a seca deve, de forma crescente, ser encarada como um fenómeno de determinada frequência, e nomeia esta Comissão Interministerial, que inclui ainda a Associação Nacional de Municípios, com caráter permanente e com o objetivo de:
  • Monitorizar e acompanhar o fenómeno da seca.
  • Acompanhar e avaliar medidas de gestão de risco de carácter estrutural para a mitigação dos impactos da seca.
  • Preparar a adaptação das atividades económicas e sociais a esta nova realidade.
A Comissão será apoiada pelo Grupo de Trabalho da Seca que inclui os diversos organismos do Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território e, a partir de agora, diversos outros organismos de vários Ministérios."

Comentários:

1 - Faço votos para que as  medidas aprovadas no Conselho de Ministros de ontem tenham efeitos junto dos agricultores no prazo temporal máximo de  1 mês.
2 - As medidas parecem-me ajustadas à realidade atual da seca, sobretudo ao nível da produção animal, setor de atividade que mais prejuizos tem com esta calamidade.
3 - É muito importante que publiquem os montantes em causa, quer para o crédito a conceder, quer para os apoios à eletricidade verde, com o objetivo de os colocar em linha com os valores/euros que os agricultores necessitam (espero que a comissão agora formada, bem como o grupo de trabalho diligenciem para que rapidamente o dinheiro chegue aos agricultores).
4 -  Estou à espera que a nóvel comissão produza resultados que vão de encontro ao interesse público (a seu tempo darei a minha opinião de forma pública sobre os resultados do seu trabalho).

Seca

No dia de hoje estive em visita de trabalho técnico à região da Beira Interior e verifiquei que os solos estão  extremamente secos. Nas quintas que visitei perto das Termas de Monfortinho e Idanha verifiquei que as charcas com água para abeberamento do gado ainda apresentam niveis razoavelmete elevados.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Morangos

Noto que a cultura do morango é muito interessante como cultura de regadio com forte interesse para exportação. Na minha opinião, é uma cultura que deve acompanhar os mirtilos, framboesas, groselhas, etc. As suas tecnologias de produção são determinantes para o seu sucesso: cultivados no solo ou por recurso à hidroponia, escolha de variedades bem adaptadas á região de produção, etc. O seu interesse resulta da obtenção de altas produtividades com excepcional qualidade ao nível da apresentação (cor, tamanho, etc.) sabor, dureza, duração desde a colheita ao consumo sem perda de qualidades, etc., o que se traduz em rentabilidade para explorações de alguns, poucos hectares. Recomendo que se entre nesta atividade se estiver acautelada a sua comercialização junto de um agente económico com experiência