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domingo, 18 de março de 2012

Os jovens e a entrada no mundo do trabalho

O leitor Pedro Teixeira deixou o seguinte comentário ao meu último post:
"AnónimoAnónimo disse...
Bom dia Sr. Eng.
Agradeço-lhe profundamente as palavras inspiradoras que aqui me deixou.
É um facto que o querer, a persistência e o trabalho alimentam oportunidades e probabilidades de sucesso em qualquer área de negócio mas quando sentimos dia a dia as vibrações negativas dos media, as estórias de colegas que mesmo tendo um potencial enorme se vêm confinados (quando muito) a trabalhar em um qualquer hipermercado em trabalhos precários, e frequentemente se ouve os testemunhos de profissionais implementados no mercado com  âncoras aparentemente sólidas que se vêm agora a ter que fechar portas e desfazerem-se dos seus colaboradores mesmo sendo considerados como "tubarões da arquitectura", é estremamente complicado mantermo-nos motivados e com esperança para o que aí vem. A única realidade que existe neste momento é termos literalmente que pagar para podermos exercer a nossa profissão em qualquer escritório, na esperança de um dia nos verem reconhecido esse esforço e nos seja concedido um contrato de trabalho. O problema é que esse dia não chega, e com tantos colegas a quererem trabalhar esse método vai sendo explorado e o trabalho gratuito vai persistindo.
Como lhe disse, não me nego à emigração, pois essa possivelmente é a única solução viável para o meu crescimento como arquitecto, contudo, e como última oportunidade que possa manter-me por cá, e porque ainda acredito no nosso país, vejo com bons olhos este tipo de negócio como estratégia empresarial que me possibilite crescer economicamente, ter um projecto aliciante para a minha vida e ao mesmo tempo me permita ir aos poucos mantendo a minha actividade como arquitecto podendo ocasionalmente participar num ou outro concurso ou mesmo exeutar algum trabalho que possa ir aparecendo.
Já estive ligado a alguns projectos empresariais das mais variadas áreas de implementação e nunca tive medo de arriscar em algo que vejo ter potencialidades de sucesso.
Tenho noção que este não é um caminho fácil, e ainda bem que assim é, pois permite-nos agarrar com todas as nossas forças estes objectivos e fazer os possíveis para que eles cheguem a bom porto.
Vou amadurecer esta ideia e concentrar-me nos seus conselhos. O mundo não pode parar e julgo ser de pessoas com vontade de trabalhar, criativas, com espírito de sacrifício e empreendedor que o nosso país precisa para poder ambicionar com um futuro melhor.
O Sr. está a cumprir e bem a sua parte.
Obrigado pelo seu trabalho e cumprimentos,
Pedro Teixeira"
Comentários:

1 - Parece-me muito correta e realista a sua abordagem ao mundo profissional. A realidade portuguesa é muito dura para os jovens porque há 35% de taxa de desemprego nesta  faixa etária e todos os anos emigram cerca de 120000 portugueses, creio que uma grande parte são jovens licenciados.

2 - É necessário ter uma atitude proativa desde a entrada na universidade para que o jovem conheça e se dê a conhecer ao mercado de trabalho. Contrato os meus colaboradores à saída da Universidade e noto que não conhecem o mundo exterior, precisam de pelo menos dois anos para terem um conhecimento básico das estradas, das regiões, das Instituições, dos players. Acho que as universidades não se preocupam em formar competências para o mercado de trabalho e os jovens não as conhecem e por isso, nãos as adquirem de forma complementar. As empresas têm falta de colaboradores que façam a diferença e as coloquem três passos à frente das outras. É necessário que se saiba escrever bem, fazer contas e possuir inteligência emocional para fazer bons negócios, progredir e subir na vida.

3 - Há estudos que demonstram que os colegas que fizeram o mesmo curso, no mesmo ano, com os mesmos professores, a mesma realidade, quando chegam à idade da reforma constata-se que apenas um grupo restrito conseguiu ter sucesso profissional. Este grupo de pessoas não são aquelas que têm o maior QI, mas os que possuem a maior inteligencia emocional, aqueles que conseguem perceber melhor a vida, as pessoas, as situações e com o passar do tempo lideram pessoas, tiram partido do que lhes aparece ou fazem com que as ameças de transformem em oportunidades. Ao longo da minha vida tenho-me cruzado com pessoas deste calibre, pessoas que começam por baixo e acabam no topo: um comercial que sendo o mais novo da equipa, passado dois anos, ascende a diretor comercial ultrapassando os colegas, um motorista numa cooperativa, que na empresa seguinte, começando por encarrregado de armazém, chegou a gerente, tive um prestador de serviços na Espaço Visual que o fez enquanto tirou o curso universitário, logo que terminou montou uma empresa e com poucos de atividade tem um enorme sucesso, etc.

4 - Na minha opinião, se um arquiteto tem que trabalhar de borla/barato para um gabinete deve fazê-lo para o mercado, pois assim adquire portefólio e com o tempo conseguirá quem esteja disposto a pagar os seus projetos. Conheço um gabinete de engenharia e arquitetura de Braga, com sócios muitos jovens que têm um enorme sucesso quer em Portugal, Moçambique e Brasil porque são muito ativos, descobrem oportunidades onde eu não as encontraria e por isso, estão sempre na crista da onda (são um exemplo que me motiva a encontrar soluções quando me sinto desmotivado)

5 - Mediante o que escreve creio que não precisa de conselhos porque já conhece a realidade dos negócios tão bem ou melhor que eu e sobretudo tem as caraterísticas pessoais certas para ter sucesso profissional. Bom trabalho e bons negócios!

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