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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Rentabilidade da Cultura da Vinha e Economias de Escala

"Exmo. Sr. José Martino,

Em primeiro lugar muito obrigado pela sua resposta.

De facto e em resposta às questões por si colocadas, e após ter feito uma análise/estudo económico verifica-se que o custo de instalação de uma vinha mais a sua manutenção por hectare tem valores bastante elevados, e num pequeno estudo que fiz (e desde já Alerto os leitores que estes valores puderam não ser totalmente verídicos), verifica-se que a instalação por hectare de vinha anda à volta dos “15.000,00€” e a manutenção poderá andar à volta dos “2.200,00€” isto por hectare. O preço de venda das uvas, sem a sua transformação, é variável e não muito elevado…
Em conclusão verifica-se que como refere o Sr. Engº José Martino é necessário ter uma exploração com uma dimensão considerável para se obter lucro.

Uma outra questão de âmbito geral que lhe gostava de colocar é se o Olival em Portugal, comparado com outros países tem potencial de desenvolvimento?

Desde já grato pela atenção dispensada.

Cumprimentos,

Vitor M. Pereira,"

Comentários:

1 - Creio que os valores de investimentos e de exploração de uma vinha estarão elevados, embora 15 000 € é um valor de investimento para implantação de vinhas em zonas muito inclinadas, podendo em média considerarem-se os 10 000 €/ha. 

2 - No seu estudo económico terá de entrar em linha de conta com os apoios do Programa VITIS que suportarão a maior parte do custo de investimento, diminuindo o seu risco.

3 - O ponto chave da rentabilidade, na minha opinião, fica na diferença entre o rendimento bruto, que resulta do produto entre a produtividade (quilos por hectare de uvas) e o preço médio de venda das uvas e os custos variáveis de exploração. Se à diferença indicada atrás forem deduzidos os custos fixos por hectare (custos fixos totais a dividir pelo número de hectares) encontraremos um valor para o rendimento liquído que será maior quanto maior for a dimensão da exploração que otimize este tipo de custos. Por outro lado, deve-se pensar qual a dimensão de uma exploração vitícola que otimize o fator de produção trabalho, ou seja, sem incrmento de custos, a maior especialização da mão de obra que leve à maior produtividade das vinhas e à maior qualidade das uvas, que se traduzirá em maior na obtenção de maior preço na sua valorização (deve analisar quais os fatores que deve empregar no seu caso para impedir o abaixamento valor de venda das uvas que se tem vindo a verificar nos últimos anos). Ponderando estes dois fatores, creio que será de 15 hectares a dimensão minima de uma exploração viticola que queira ter uma rentabilidade boa, tendo melhores resultados acima dos 25 ha.

4 - Pode ter lucro com uma pequena superfície de vinha, no entanto, parece-me mais interessante obter  bons resultados nos investimentos, se o resultado em valor absoluto, for um valor que motive o empenhamento e assunção de risco pelo empresário. Para a minha pessoa, este valor minimo é  de 25 000 euros por ano.

5 - O olival tem potencial de crescimento em Portugal no modo de produção biológico, bem como através da mudança a estratégia de valorização dos azeites, acho que se devia copiar com valor acrescentado a estratégia comercial de Itália, em lugar de seguirmos de perto a estratégia espanhola dos preços baixos para o azeite.

6 - Defendo que em Portugal se deveria seguir uma política que levasse a que 50% da produção fosse proveniente de explorações com a dimensão miníma da economia de escala, segmento este dos melhores profissionais que contribuiriam para a coesão económica e seriam o exemplo e a locomotiva para cada fileira produtiva. As explorações dos outros 50%, a maioria em número, contribuiriam para a coesão social.
As ajudas públicas ao investimento deveriam ser canalizadas em 70 a 80%  para o 1.º segmento, como forma rentabilizar os dinheiros públicos que são escassos e de criar sustentabilidade económica nas agriculturas de Portugal  

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