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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Nos pequenos frutos está meio mundo a plantar mirtilos?

Elizabete Gonçalves disse:

"Boa tarde Eng. José Martino

Antes de mais deixe-me felicitá-lo pelo seu blog que nos tem ajudado a perceber um pouco mais do mundo da agricultura.

O meu marido possui um terreno em V.N.Famalicão com +-2500m2 o qual pretendíamos explorar eventualmente com plantação de pequenos frutos nomeadamente morango ou framboesa visto ser possível a sua produção no próprio ano. Inicialmente pensamos também na produção de mirtilos, mas pelo que lemos no seu blog dá a sensação que meio mundo está a optar por este tipo de produção.
Se me permite o abuso, gostaria de solicitar a sua opinião nos seguintes pontos:
1. Este tipo de produção seria viável para o terreno em questão?
2. Qual o custo deste tipo de plantação?
3. A partir de que quantos m2 este tipo de produção se torna rentável?
4. Existem cooperativas para a escoamento do produtos? (pois pensamos q se calhar a esta escala não nos será permitida a exportação direta)?
5. Que outro produto podería ser rentavel para a localização e áreas em questão? (ex. Kiwis arguta)
6. Seria de considerar o arrendamento de mais terrenos?

Estariamos também a considerar uma candidatura ao PRODER dado o meu marido possuir 36 anos e se encontrar actualmente desempregado.

Desde já agradeço a sua disponibilidade. Atentamente"


Comentários:
1 - É gratificante  e dá-me satisfação saber que este blog ajuda as pessoas a perceberem melhor o mundo da agricultura. Sinto que o esforço que faço e o tempo que emprego nest e processo estão a ser muito bem empregues porque o seu número de leitores está a aumentar, bem como o número de comentários.


2 - Parece-me muito interessante a produção de morangos, framboesas ou groselhas, mas também dos mirtilos (são muito rústicos, resistentes a pragas e doenças e capacidade de progressão muito grande porque se pode fazer subir a sua rentabilidade pelo incremento da sua produtividade, produção por hectare). Deve fazê-lo acautelando previamente ao investimento a quem irá vender os seus produtos.


3 - Só visitando o seu terreno ou através da análise mecânica do solo (laboratórios: EOR, A2Quimica, DRAPN, Agroideia, etc.) se podem tirar conclusões se possui solo adequado para a cultura dos pequenos frutos.


4 - Para o seu marido obter as ajudas previstas na ação 113 do ProDeR para se instalar como jovem agricultor deve ter uma exploração com a superfície minima de 1 ha (10 000 m2), para tal deve juntar mais parcelas, através de contratos de arrendamento, mesmo que não sejam confinantes com os 2 500 m2 que já possui e dedicar-se a uma ou várias das atividades indicadas. .


5 -O custo de investimento de um hectare de peqeunos frutos ronda os 75 000 euros de investimento. Terá apoio do ProDeR através de subsídio no valor de 90% do custo de investimento (30 000 euros após a assinatura do contrato e 50%  à medida que for fazendo o investimento, pagando as faturas e apresentando os respetivos pedidos de pagamento das ajudas.


6 - Sugiro que para a comercialização consulte, as Delicias do Tojal em Vila Verde, Berrybrothers em Guimarães e Frutivinhos em V. N. Famalicão. Parece-me que também deve testar o valor do mercado local, procurando grossistas nos mercados de Famalicão, Braga e Porto e postos de venda nos mercados municipais da cidade e das limitrofes.


7 - Acho que se estão a implantar muitos jovens agricultores com plantações em pequenos frutos, que há um forte potencial de exportação se as produções tiverem muita quantidade e alta qualidade, é necessário cuidar muito bem das plantas nos primeiros anos e verifico que nem todos os jovens agricultores cuidam bem, como seria desejavel das suas explorações.


8 - Deve controlar se têm perfil para serem empresários agrícolas, visitar explorações já existentes e fazer os contatos comerciais indicados. Bom trabalho. Votos de sucesso empresarial na agricultura.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Plantas Aromáticas e Medicinais (PAM)

"Boa tarde!

Estou desempregada e com ideia de recorrer a um apoio de jovem agricultora, para isso vou utilizar os terrenos da família em Miranda do Douro. Acha que chás e ervas aromáticas tem sucesso? tinha ideia de vender pequenos vasos e fazer uma produção também para vender embalado e pronto a consumir. quanto acha que um projecto desta dimensão fica?
Muito obrigado"


Comentários:
1 - Peço aos meus leitores que se identifiquem porque não gosto de responder a anónimos que não têm a coragem de dar a cara de forma pública.


2 - Parece-me muito boa ideia e estratégia recorrer aos terrenos de família para fazer agricultura.


3 - Defendo que só as pessoas que gostam e têm perfil de empreendedores se devem instalar como jovens empresários agrícolas, independentemente de estarem ou não desempregados.


4 - Os investimentos nas ervas aromáticas terão sucesso se conseguir visitar quem já está a produzi-las e perceber os ossos de oficio e os pormenores deste negócio.


5 - Trata-se de um negócio que exige conhecimento das espécies e variedades que têm interesse comercial. Por outro lado, tem que saber que produtos os mercados procuram. Creio que o mercado português está a ficar saturado com oferta de chás. O negócio e a sua rentabilidade estão na exportação de plantas aromáticas e medicinais já com marca e em unidades de consumidor. Devo ligar-se a operadores que concentram oferta para promover as exportações das PAM


6 - Das várias dezenas de projetos que a Espaço Visual já elaborou, concluo que o investimento necessário minimo é da ordem dos 200 000 euros, obtendo um apoio da ação 113 do ProDeR de 60%  +  30 000 euros de prémio de 1.ª instalação. 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Petição Pública: Provedor do Agricultor (3)

Coloquei na internet no inicio de agosto em http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N27535, uma petição pública sobre o Provedor do Agricultor no Ministério da Agricultura.

Subscreva a petição porque é importante instrumento de política, caso seja implementado, contribuindo para a nova geração de apoios eficazes às agriculturas de Portugal!

Com a sua participação civica, em prol dos superiores interesses de Portugal, iremos mudar o rumo político do país!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Petição Pública: Linhas de Crédito para Apoio à instalação de Jovens Agricultores (4)

Vitor M. Pereira disse:

"Exmo. Sr. José Martino,

No seguimento do post acho altamente positivo e de uma enorme importância a criação de linhas de credito de apoio com juros bonificados, pois o acesso ao credito nem sempre é o mais favorável. No meu caso em que a tesouraria ainda não se encontra devidamente equilibrada, embora não negativa, é necessário fazer uma “grande” ginástica, para que tudo corra de forma sustentável e sustentada. Tenho em estudo projectos em que gostava de avançar, mas devido à falta de financiamento não é possível, e a tesouraria disponível neste momento não me permite tais avanços.

Para terminar felicito esta sua iniciativa da criação de uma petição pública, a qual irei subscrevê-la, assim que tiver disponível.

Desde já grato pela atenção dispensada.

Cumprimentos"

Comentários:

1 - O acesso ao crédito bancário por parte dos jovens agricultores é importante para que estes tenham sucesso nos seus investimentos.


2 - Concordo com o leitor que sem a tesouraria estar devidamente acautelada os jovens agricultores não deviam lançar-se em investimentos, sob pena de haver algum desvio orçamental, os riscos de tal acontecer são elevados, e do projeto vir a fracassar. 


3 - Com as linhas de crédito que defendo devam ser implementadas através da CGD, como exemplo para os outros bancos, tenho a certeza que milhares de jovens agricultores terão condições financeiras para se lançarem no empreendedorismo agrícola.


4 - Faço votos para que as linhas de crédito sejam implementadas e este leitor tenha condições para desenvoler e implementar o seu projeto
 

Mirtilos (18)

Bernardo Mendes disse:

"Boa tarde Eng. José Martino,

Antes de mais, quero felicita-lo pela excelência do seu trabalho e da ajuda que tem prestado através do seu blog.

Recentemente mudei-me de Lisboa para Santarém onde tenho uns terrenos de família com cerca de 3 hectares.

Sempre tive bastante prazer em plantar pequenas arrvores de fruto mas agora que vivo fora de Lisboa, surgiu-me a ideia de utilizar os 3 hectares para o cultivo de mirtilos.

Não sei se me poderia auxiliar nas seguintes questões:

- Qual a cultura mais adequada a esta região?
- Necessito de estufa?
- Conhece alguma empresa/associação que me possa auxiliar prestando apoio agrícola e apoio a nivel de elaboração de candidatura PRODER?
- Para 3 hectares qual seria o investimento médio a realizar?

Muito Obrigado pela sua ajuda"


Comentários:

1 - Para a região de Santarém terá de analisar se o solo da sua propriedade não será demasiado argiloso (faça uma análise mecânica a amostras dos seus solos no ex-laboratório químico agrícola Rebelo da Silva, em Lisboa). Em alternativa pode usar a cultura em hidroponia

2 - Contate na região a Torriba, a Lusomorango, etc. e verifique quais as produções de pequenos frutos que têm interesse em comercializar e verifique se são interessantes as condições que oferecem aos potenciais produtores. 

3 - A Espaço Visual pode-o ajudar na elaboração do projeto ProDeR e na implementação da melhor estratégia para colocar a operação no terreno. Contate a eng. Sónia Moreira através do telemóvel 917 075 852.

4 - Precisará de um investimento na ordem dos 200 000 euros a 300 000 euros para utilizar os seus 3 ha (terá 50% de subsídio do ProDeR + 30 000 euros de prémio de 1.ª instalação, se tiver condições para se instalar como jovem agricultor).

5 - Os mirtilos são cultivados ao ar livre, mas é recomendável que as framboesas e as amoras se façam sob cobertura plástica em tunel ou estufa.

Kiwis Arguta (4)

Pedro Almeida disse:
 
"Boa tarde. Estou neste momento na fase de planeamento de um projecto agricola no conselho de Arouca, distrito de Aveiro, e o plano até agora tem sido plantar mirtilos, cerca de 1.5h, mas à medida que me vou apercebendo da quantidade de jovens na minha situação, enveredando pelo mesmo caminho, temo que o mercado do mirtilo sofra uma sobrecarga de oferta e os preços baixem drásticamente no futuro. Por isso, acho prudente pelo menos estudar alternativas e achei o kiwi arguta uma alternativa interessante (pensei em framboesas, mas a estrutura do terreno não permite a instalação de estufas). As minhas questões são:
1 - qual é a área minima recomendável para ter uma produção rentavél?
2 - qual é o preço da plantação por hectare e quantas ton produz esse hec?
3 - qual é a média paga ao produtor por kg, no conhecimento do Eng.?
Grato pela atenção e pelo serviço aqui prestado à comunidade e ao país."
 
Comentários:
 
1 - A superfície minima para obter rentabilidade interessante com os kiwis arguta é de 1 ha. No entanto, para instalar um jovem agricultor através das ajudas do ProDeR são necessários pelo menos 3 ha.
2 - O investimento de 1 ha varia entre 50 000 euros a 65 000 euros e produz 20 t/ha, ao 5.º ano quando atinge a plena produção.
3 - A média de pagamento dos arguta ao produtor foi de 8€/kg em 2011, sendo a médio prazo, horizonte de projeto, 4€/kg (rendimento bruto de 80 000 euros, com custos da ordem dos 25 000 euros por ha).  

domingo, 26 de agosto de 2012

Petição Pública: Linhas de Crédito para Apoio à instalação de Jovens Agricultores (3)

O texto da petição pública para "Criação de Linhas de Crédito para Apoio à Instalação de Jovens Agricultores" é o seguinte:

Pressupostos
No contexto de crise económica e financeira profunda que Portugal sofre, o estado português não pode perder a oportunidade para modernizar a agricultura e os projetos com mais potencial reprodutivo para incrementar as exportações e combater o défice de 3000 M€ de importação de produtos alimentares;

A agricultura é um sector da atividade económica essencial para combater a atual crise;

Que compete aos responsáveis políticos tomar as decisões mais adequadas a melhorar a economia portuguesa e torná-la mais competitiva;

Os “players” jovens e/ou com formação apostam mais na inovação, são responsáveis pelo incremento do valor acrescentado das produções agrícolas;

Há uma elevada taxa de desemprego nos jovens, sobretudo licenciados;

Que um país com futuro deve combater a emigração dos seus jovens com propostas estratégicas que aliciem os mais empreendedores a lançarem-se na produção de bens transacionáveis, agrícolas ou outros, promovendo as exportações;

Que a instalação de jovens agricultores é uma alternativa à emigração;

A taxa de jovens agricultores na atividade agrícola é muitas vezes inferior à que existe nos nossos parceiros europeus;

A taxa de insucesso na instalação de jovens agricultores tem sido muito elevada durante os anteriores Quadros Comunitários de Apoio;

A ação 1.1.3 do ProDeR está a ser um sucesso no nº de candidaturas submetidas pelos jovens agricultores, aprovadas e contratadas, muito acima do expectável;

A banca tem restringido o crédito à atividade produtiva, praticamente não aposta nas “start ups”, como é o caso das empresas de jovens agricultores, o que acarreta desistência dos seus projetos e investimentos;

Que se torna necessário não cercear a iniciativa privada dos jovens agricultores, não destruindo os seus sonhos por insuficiência de capitais próprios;

Estão a ser empregues fundos públicos, nacionais e europeus, nos investimentos agrícolas que numa grande parte se perderão se os jovens empresários não tiveram acesso ao crédito para apoiar os capitais próprios; Que uma política agrícola responsável deve privilegiar o apoio à instalação de jovens empresários agrícolas através do ProDeR;

A CGD deve ser um exemplo de boas práticas e instrumento financeiro para apoiar os sectores que produzem bens transacionáveis com capacidade exportadora;

Deve ser invertida a lógica de financiamento da especulação financeira, imobiliário urbano e grandes obras públicas, em prol dos investimentos produtivos na agricultura, indústria e sectores exportadores.

Petição
Que o Governo dê orientações à CGD para criar:

- Uma linha de crédito para apoiar os projetos de instalação de jovens agricultores, com carência de amortização de capital de acordo com as actividades a desenvolver e com taxa de juro bonificada.

- Uma linha de “crédito tipo habitação”, concedido com base no IRS do agregado familiar e com hipoteca do imóvel, sendo concedido por um período de tempo até 40 anos, com “spreads” semelhantes. Tudo com o objetivo de aquisição de prédios rústicos para a agricultura ou para apoio ao investimento e/ou tesouraria em fase de exploração.

José Martino

Criação de Linhas de Crédito para Apoio à Instalação de Jovens Agricultores (2)

Está criada em http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N28219 a petição pública sobre "Criação de Linhas de Crédito para Apoio à Instalação de  Jovens Agricultores"

Quem estiver de acordo com o texto, p.f. subscreva-a porque os jovens merecem uma grande oportunidade para terem sucesso empresarial na agricultura.

sábado, 25 de agosto de 2012

JN: "PETIÇÃO PARA APOIAR JOVENS AGRICULTORES" (1)

O JN  de hoje, na seção de economia, traz a seguinte notícia:

"PETIÇÃO PARA APOIAR JOVENS AGRICULTORES"

O engenheiro agrónomo José Martino vai lançar no inicio da próxima semana uma ptição pública on-line para a criação de linhas de crédito para apoio a jovens agricultores".

Exorto os meus leitores se estiverem de acordo com o teor da petição que ficará on-line nos próximos dias a subscrevê-la, tendo como objetivo haver um apoio de crédito bancário efetivo e real aos jovens agricultores.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Mirtilos (17)

Amélia Trindade disse:
"Boa tarde,

Tenho terrenos no concelho de Montemor-o-velho, gostaria de saber tb se será viavel e rentavel a plantação de mirtilo nesta zona e quais os custos de investimento, que tipo de apoios existem etc?!...

Obrigada"
 
Comentários:
 
1 - Há variedades de mirtilos que se adaptam às condições climáticas médias do concelho de Montemor-o-Velho.
 
2-  Os mirtilos necessitam de solos bem drenados, sem excesso de argila, não pedregosos, ácidos, ricos em matéria orgânica
 
3 - Os custos de plantação de um hectare de mirtilos com todas as infraestruturas, equipamentos, etc. pode custar entre 50 000 a 80 000 euros.
 
4 - Com um hectare de mirtilos consegue instalar-se como jovem agricultora se tiver mais de 18 anos e menos 40 anos, podendo obter 90% de subsídio para investimentos até 75 000 euros e 50% de incentivo não reembolsável para os montantes acima desse valor     


Tenho terrenos, acha que posso fazer agricultura empresarial?

Maria João Tavares disse:

"Boa tarde, a minha familia possui alguma terra no concelho de Abrantes, próximo de Vila de Rei, com levadas de água e teria um enorme gosto em rentabilizá-la na agricultua ou fruticultura. Nenhum de nós tem conhecimentos práticos ou formação na área e não tencionamos ir viver em permanência para junto da terra, pelo que teriamos que delegar a exploração da terra em terceiros. Atendendo à sua vasta experiência, gostaria que nos desse a sua opinião, se ainda assim poderiamos esperar ter sucesso e, nesse caso, que sugestões nos poderia dar? Muito obrigada"


Comentários:

1 - Uma das soluções seria colocar os vossos terrenos agrícolas na bolsa de terras e arrendá-las a quem estiver vocionado para a agricultura, eventualmente agricultura familiar (o empresário e a sua família exploram e trabalham a terra)


2 - A outra alternativa será realizarem o investimento nas vossas terras assumindo o estatuto de empresarial. Neste caso, a exploração terá que uma dimensão a atividade que suporte os custos da mão de obra executada por assalariados. Da vossa parte exige pelo menos o acompanhamento semanal para verificarem os trabalhos que foram realizados e os que serão feitos na semana seguinte.


3 - O tipo de agricultura descrito em 2 é o que mais me agrada e aquele que acho que terá mais futuro porque tem rentabilidade que permite pagar a mão de obra executada por terceiros e os riscos e trabalho do empresário.


4 - Para a agricultura empresarial é preciso além de ter as terras haver pessoas com perfil para o risco e para a gestão do negócio: alguém que vá recolher informação sobre as atividades, visitar as explorações de sucesso, que junto com os técnicos faça o planeamento dos investimentos, que tome decisões sobre o nivel de risco que vai  assumir, que faça a gestão do pessoal, que junto com o técnico faça o acompanhamento da evolução das atividades e tome as decisões que a parte técnica lhe coloque para assumir, controle a gestão finaneira, etc.


5 - Na minha opinião, a fruticultura é uma atividade excelente para investimento empresarial com acompanhamento semanal por parte do empresário. Exige que se trabalhe numa escala minima para este efeito: 20 hectares para macieiras ou pereiras, 15 hectares para cerejeira, 8 hectares para kiwis, 3 a 4 hectares para pequenos frutos (mirtilos, framboesas, groselhas, kiwis arguta etc. Pode começar com menor dimensão, mas ao fim de 4 a 5 anos deverá estar na escala minima indicada.     

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Tenho propriedades, gosto da agricultura, não tenho a noção como desenvolver a agricultura!

O leitor Nuno Oliveira fez o seguinte comentário:

Bom dia Eng José Martino
Obrigado pelas repostas que me deu e pelo contributo que presta com este blogg. Possuimos várias parcelas de terreno na mesma zona mas separadas entre si. Embora todos os terrenos antigamente fossem cultivados com batata, milho e centeio. Temos tambem alguns "lameiros" que usavamos para as juntas de vacas pastarem. Temos ainda um terreno com cerca de 1000m2 que tem pinheiros, carvalhos e castanheiros (tipo monte)onde vamos buscar a lenha para casa, outro com cerca de 800m2 que de igual modo não esta aproveitado porque passam no terreno linhas da EDP e tem um poste a meio e segundo me disseram não podem lá ser plantadas arvores.
Como lhe disse, temos bastante terreno, não temos é noção ou formação para desenvolver as coisas. Tenho vontade e não tenho medo de trabalhar nem penso nisto como forma de ficar rico. Penso nisto como forma de ter os terrenos "arranjados" e a produzir como ja estiveram antigamente e como forma de aproveitar o prazer que me dá a agricultura ensinando os meus filhos desde pequenos a usofruir de tudo o que a terra lhes dá, do contacto com a natureza, e acima de tudo do previlégio que tem de poderem ter esse contacto.
Vou-me mantendo em contacto e vou passar a ler de forma assidua o seu blogg. Um bem haja por tudo que faz pela nossa agricultura, precisavamos de mais pessoas assim para voltar a desenvolver um dos nossos patrimonios mais importantes.
Cumps"


Comentários:

1 -  Agradeço as suas simpáticas palavras no comentário acima.


2 - Peço-lhe que faça a identificação das suas propriedades agrícolas ("várias parcelas de terreno na mesma zona mas separada entre si) nos mapas do google e a respetiva medição e posteriormente, me desse nota destes dados. Com as indicações do número de  parcelas, com a respetiva superfície, a aptidão de solo (regadio ou sequeiro), eu posso fazer um exercicio teórico de tentar propor um ordenamento cultural, proposta de culturas/atividades para desenvolver nos fins de semana e férias, apontando algumas estimativas de custos de investimento e valores de rendimento.


3 - Deve pensar em rentabilizar o tempo e o dinheiro que emprega na agricultura porque caso contrário, corre o risco de rapidamente cessar a sua atividade agricola. Falo-lhe da minha experiência pessoal, se a minha produção agrícola não for rentável, a minha mulher pressiona-me para deixar esta atividade e corro o risco dos meus fihos a abandonarem. Pelo contrário, quanto mais dinheiro ganhar na agricultura, mais interesse gera na família e mais alta probabilidade de haver continuadores.


4 - Seria um exercício muito interessante pensar e delinear uma estratégia para ficar rico com a agricultura. Conheço alguns, poucos empresários, que o fizeram ou estão a implementar com sucesso. A primeira atitude para ter sucesso é acreditar que irá ter sucesso.


5 - Trabalho todos os dias com o objetivo de tornar a agricultura empresarial e um forte pilar da economia portuguesa e por isso, espero que os meus comentários o possam motivar a fazer parte do grupo de "...pessoas que estão a desenvolver um dos nossos patrimónios mais importantes".      

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Valor de um terreno

Cristina Pires disse:
 
"Boa tarde.
Herdei um olival de 2 hectares que tem cerca de 400 oliveiras de 20 anos. Fica a 7 km de Mirandela. O olival está bem tratado e está envolvido num projecto de financiamento.
Pode dar-me uma ideia do valor dele?
Obrigado."

Comentários:

1 - Para valorizar o terreno tendo por base do cálculo simplesmente o rendimento gerado pelo olival teria de se obter o valor do seu rendimento líquido (rendimento bruto (quantidade de azeitona x valor unitário da sua venda) - custos da atividade). Na minha opinião, o valor do terreno deveria corresponder ao valor de um empréstimo a 20 anos cuja soma dos valores de amortização e juros seja igual a 20% do rendimento líquido gerado pelo olival ou ao valor da renda.  Por este critério poderá variar 500 a  5000 euros por hectare


2 - Tenho a realçar que a melhor maneira de saber o valor do seu olival é colocá-lo à venda, mesmo que o seu objetivo não seja fazê-lo, porque há grandes variações no mercado local da terra e nesta altura, parece haver uma forte pressão de venda de propriedades o que gerar variações de região para região.


3 - Para calcular o valor do seu terreno teria de se entrar em linha de conta com a sua classificação no Plano Diretor Municipal, o valor das infraestruturas, melhoramentos fundiários e plantações nele colocadas, o seu potencial agroflorestal, os acessos, etc. Se necessitar do valor do terreno devidamente calculado, entre em contato com a Eng. Sónia Moreira da Espaço Visual (917 075 852) que esta empresa presta este serviço.  

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A pequena agricultura de fim de semana pode ser rentável?

Nuno Oliveira disse

"Boa tarde

Por acaso encontrei este blog a pesquisar alguma informação sobre criação de projectos agricolas e passei algum tempo a ler varias noticias. Mas rapidamente deixe-me expor o meu dilema. Desde à cerca de seis anos apaixonei-me pela agricultura. Trato de uma horta em casa dos meus pais em Rio Tinto onde produzo vários "mimos" como feijão verde, tomate, repolho, etc... a cultura por "grosso" deixo para fazer aos fins de seman em Vila Pouca de Aguiar, nos meus sogros. Produzimos em quantidade batata (apenas para casa e para dar a alguns amigos) e cebola. Temos arvores de fruto e no passado mes de fevereiro plantei mais cerca de vinte arvores de fruto varidas. A minha proxima batalha a curto prazo será recuperar a vinha em volta dos terrenos da casa e tentar produzir um vinho verde tinto dentro dos padroes da região de amarante ou Ribeira de Pena. O que me esta a incentivar nesta área é o facto de termos váras parcelas de terreno que antigamente eram cultivadas com batata, milho e centeio e neste momento se encontram quase ao abandono (só não o estão porque regularmente ou limpamos ou mandamos limpar os terrenos). Estava tentado a investir num projecto de exploração agricula para dinamizar esses terrenos, mantendo-os asseados e a produzir. Sei que o meu tempo é escasso e prende-se só com os fins de semana e esporadicamente uma ou outra tarde por semana se necesário. Sinceramente, o que me aconselha. Acha que isto teria pernas para andar. Como posso "imaginar" uma coisa destas, com que fundos de apoio e como se estruturam. onde consigo alguma informação clara, que não sejam meros diarios da republica. por fim resta-me dizer que não tenho qualquer formação na área, excepto a minha experiencia e a partilhada por amigos e familiares e algumas formações que efectuo regularmente na Lipor.
Cumps e Obrigado"


Comentários:

1 - Fico muito satisfeito que tenha frequentado algumas ações de formação da LIPOR sobre agricultura. Esta Entidade presta um serviço público de alta qualidade aos cidadãos da área metropolitana do Porto e à agricultura portuguesa.


2 - Que superfície de terreno tem disponivel? (Indique áreas de regadio e sequeiro ou sequeiro que se possa tranformar em regadio pela abertura de furos).  Com estas informações posso dar-lhe "alguns bitaites" sobre o que recomendo que possa desenvolver (para uma opinião mais avalizada teria eu ou alguém da minha equipa de visitar os terrenos para avaliar as condições de solo e clima.


3 - Deve identificar as atividades que mais gosta de desenvolver e verifique se elas se enquadram nas propriedades que possui. Seguidamente faça o controlo das que lhe parecem mais rentáveis e avalie se tem pontos comerciais para valorizar as produções.


4 - Considerações prévias:
Deve dedicar-se a atividade que possa desenvolver ao fim de semana como por exemplo o castanheiro, a cerejeira, etc. Se quiser uma atividade que está na moda dedique-se aos mirtilos ou groselhas. A atividade tem que ser rentável, ter sustentabilidade económica e escoamento assegurado para as produções.
Em função dos seus interesses, superfícies dos terrenos e capital tem disponivel para investir, irei dar-lhe a minha sincera opinião sobre o recomendo que faça.

Tem apoios ao investimento na ação 1.1.2 do ProDeR, 50% de subsídio para investimentos até 24999,99 €

5 - Pergunta-me se a situação tem pernas para andar? Depende de si, do seu querer, acreditar que vai ter sucesso e trabalhar para isso de forma organizada, persistente, sem deixar cair os braços nas horas dificeis de desânimo e insucesso, trabalhando cada fim de semana, melhor que no anterior e no seguinte melhor do que atual


6 - Há um preconceito que deve ultrapassar: não são as pessoas com maior formação na agricultura que têm melhores resultados e sucesso. Estes aparecem com quem pratica o que indiquei no ponto 5.


7- Bom trabalho!      

domingo, 19 de agosto de 2012

Mirtilos (16)

António Melo disse:
"Excelente blog!
Também estou a estudar os mirtilos e gostaria de saber quem e o importador das variedades Jewell, Sapphire e Misty, que provavelmente poderao estar mais adaptadas a minha região e queria testar.
Melhores cumprimentos"

Comentários:

1 - Sobre variedades de mirtilos e a adaptação à sua região, recomendo que fale com Juan Carlos Calvo (jccalvo@planasa.com), o melhor especialista que conheço sobre este assunto.


2 - Recomendo que analise o solo (análise sumária e bases de troca) e que verifique as datas das geadas precoces na primavera, faça  o controlo das horas de temperatura inferior a 7ºC nos meses de novembro a março. Tendo estes dados, possui a melhor base para a escolha de variedades mais adaptadas á região e aos mercados alvo que eleger (fresco exportação, fresco nacional, indústria).

Mirtilos (15)

Anónimo disse...
 
"Boa tarde, senhor engenheiro José Martino.
Gostaria de saber se na zona da Bairrada - Oliveira do Bairro - é possível (rentável e viável) plantar mirtilos, num pequeno terreno de 5000 m2.
Gostaria, ainda, de saber onde posso obter informações sobre custos de investimento, apoios financeiros comunitários, etc.
Obrigada."
 
Comentários:
 
1 - Caro Leitor,  se ler este blog com mais atenção ficará a saber que não me dá gozo, não me sinto realizado no meu trabalho de serviço público, quando tenho de responder a questões colocadas por anónimos. Defendo e pratico que devemos ter coragem para dar a cara e assumir publicamente as nossas ideias e contribuirmos para uma forte massa critica que eleve e melhore a realidade da sociedade portuguesa.  


2 - Recomendo que faça uma exploração com 1 hectare de mirtilos, pode candidatar-se ás ajudas do ProDeR para se instalar como jovem agricultor, com 75000 euros de investimento receberá 67 500 euros de apoios públicos entre o prémio de 1.ª instalação (30 000 euros) e 50% de apoio ao investimento (37 500 euros). O IVA não é elegivel,  não é apoiado porque é recuperável. Terá de suportar os custos dos investimentos  porque paga primeiro e recebe os apoios depois, excepto os 30 000 euros do prémio, o qual é pago, após a contratação e o respetivo pedido de pagamento, antes de fazer qualquer investimento. No entanto, calculo que precise de 20 000 euros de fundo de maneio para conseguir fazer os investimentos em tempo útil.  


3 - Os 5 000 metros quadrados (0,5 hectares) de mirtilos são rentáveis a partir do 5.º ano, podendo gerar 12 500 euros de rendimento líquido anual, se nessa altura, os preços de venda se mantiverem nos atuais 5 euros por quilo. Pode obter ajudas através da ação 1.1.2 do ProDeR para apoio até 24 999,99 euros de investimento total, pequenos investimentos, com um subsídio de 40% (terá de suportar 15 000 euros de capitais próprios).


4 - Pode obter informações sobre todos os itens que elencou no seu comentário, através de uma consulta e visita ao terreno, para tal deve contatar a Eng. Sónia Moreira da Espaço Visual (telemóvel: 917 075 852) 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Produção de framboesas e groselhas

Tiago Mathÿs Pinto disse:

"Boa tarde Engº.

Antes de mais, quero felicita-lo pelo excelênte trabalho que têm realizado ao longo dos tempos, quer seja através do seu blog, da Espaço Visual ou até mesmo em colóquios.

Sou ex. aluno da Escola Agrícola de Santo Tirso, e estou a iniciar um projecto de investimento para jovem agricultor na àrea dos pequenos frutos, nomeadamente para framboesa e groselha.
Tenho pensado fazer toda a produção em estufa e estou com umas pequenas dúvidas, mas que podem fazer toda a diferença. Sei que pelo facto de ser em estufa, não deverei ter a preocupação de utilizar culturas para protecção do solo (cultura de cobertura), mas seria benefico utilizar culturas para adubação verde/sideração? Ou posso simplesmente usar tela para controlo de infestantes e usar as técnicas de fertilização mais "comuns", como a fertirrega e adibação foliar?
Estou também a pensar em planear a exploração, considerando o método de produção integrada.


Com os melhores cumprimentos,"


Comentários:

1 - Sinto-me realizado quando verifico que os jovens reconhecem os resultados do trabalho das minhas equipas e da minha ação em prol do bem público e da existência de massa critica nas agriculturas de Portugal.


2 - Tenho um grande apreço pelos ex-alunos da Escola Agrícola de Santo Tirso, como são exemplos, o Eng. Fernão Veloso, o Eng. Luis Alves, etc., pelo seu grupo de professores e sobretudo, pelo imaginário que esta Escola representa no meu imaginário de infãncia, uma escola que é uma referência na formação dos operadores da agricultura.


3 - Deve fazer as framboesas e groselhas sob túneis ou estufas. No primeiro caso, faça-as com prado permanente na entre-linha e herbicida ou controlo manual de infestantes (neste último caso no modo de produção biológico) na linha das plantas. Recomendo que utlize a fertirrigação e adubações foliares na cultura em túneis e semi-hidroponia ou hidroponia na cultura em estufas, neste caso utilize o aquecimento de inverno para forçar a produção ou obtê-la fora de época.


4 - Em lugar da produção integrada recorra à produção em Global Gap, certificação esta que lhe dá mais valias para colocar as suas produções na exportação. Fale com a eng. Fernanda Machado da Espaço Visual  (916 950 073) que esta pode assessorar na definição dos investimentos e na sua implementação. Para certificar as produções no Global Gap ou Produção Integrada pode recorrer aos serviços da Naturalfa, a única empresa fora da área metropolitana de Lisboa que está acreditada para este efeito.

Como investir na agricultura sem capitais próprios?

Um leitor identificado pergunta o seguinte:

"Bom dia,
Os meus avós possuem campos agricolas abandonados e recemente foram-me disponibilizada a possibilidade de produzir nos campos, até estes sejam mais tarde partidos pelos filhos.
Não tenho grande capacidade economica, pois sou escriturário, mas tenho vontade de desenvolver um projecto no dominio da agricultura.
Pergunto se me pode ajudar a identificar que tipos de agricutura posso efetuar em na zona de Santa Maria da Feira com intuito de vender, que tipo de associações posso encontrar informações importantes e quais as dimensões mininas que devem os terrenos obedecer para conseguir apoios e/ou agricultura sustentavel.
Desculpe estas perguntas, mas certamente terá todo gosto em guiar-me por estes caminhos.
Obrigado.
Melhores Cumprimentos"

Comentários:
1 - Pode aproveitar as parcelas agrícolas da família para melhorar a sua atividade económica, através de um contrato de arrendamento.


2 - No concelho de Santa Maria da Feira pode dedicar-se à horticultura, floricultura, pequenos frutos, plantas aromáticas e medicinais, kiwis, kiwis arguta, coelhos, bovinos para carne, etc.


3 - Não consigo indicar-lhe uma atividade agrícola que se possa dedicar sem possuir o minimo de capitais próprios, mesmo recorrendo às ajudas do ProDeR.


4 - Recomendo que visite as explorações agrícolas da freguesia onde a sua familia tem as suas propriedades e numa 2.ª fase que alargue o reconhecimento para as freguesias vizinhas até conhecer o que já existe no seu concelho e sobretudo, terá acesso às atividades agrícolas que têm sucesso.


5 - Proponha-se estagiar na atividade para a qual se sinta mais vocacionado, desta maneira pode aprender todos os pormenores da atividade, podendo fazer investimentos da maneira certa e minimizar os riscos do seu investimento.

 
6 - Para ter acesso ás ajudas do ProDeR para jovens agricultores terá de possuir uma exploração com pelo menos 1 hectare de superfície agrícola, podendo a exploração ser desenvolvida em multiplas parcelas   

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Comercialização de Hortofrutícolas


Pergunta-me um leitor : o que é necessário em termos burocráticos para se poder legalmente transportar e vender horticolas de Portugal em Espanha?

1 - Deve inscrever a atividade comercial, dado o respetivo "inicio de atividade nas finanças", fixando
em função do volume de negócios o tipo de contabilidade e o regime de  IVA. Recomendo que consulte um especialista nesta matéria contabilistica. A Espaço Visual presta este tipo de serviços (consultar a eng. Sónia Moreira: 917 075 852)


2 - Terá de se inscrever como operador hortofrutícola junto dos serviços da Direção Regional de Agricultura e Pescas da Região onde o operador tem sede    


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Posso instalar um jovem empresário agrícola com 1,5 ha de terreno em várias parcelas?

Cláudia Lage disse...
Bom dia, eng. José Martino.
Antes de mais gostaria de o felicitar pela excelência do seu trabalho neste blog.
Tenho terrenos na zona de Viseu com cerca de 1,5ha, mas estes encontram-se separados. Ando com ideias de me candidatar como jovem agricultor -PRODER, mas estou com dúvidas sobre que tipo de cultura se adequa mais as minhas condições de terreno e a minha zona geográfica.
Desde já agradeço o seu comentário e obrigado pela atenção
Cláudia Lage


Cláudia Lage disse...
Boa tarde, Eng. José Martino
Só agora reparei que me expliquei mal num ponto e venho corrigir o erro. Quando me refiro a 1,5 ha é a área total se englobar todos os terrenos que posso.
Obrigado pela atenção


Comentários:

1 - Agradeço as felicitações que me endereçou sobre o trabalho que desenvolvo neste blog, as quais são importantes me motivarem, bem como para continuar a ter coragem para "roubar tempo" disponivel ao descanso e à família, para nele continuar a escrever.


2 - Ter 1,5 ha de exploração agrícola, com regadio, parcelada, não me parece, á partida, uma limitação impeditiva de instalar um jovem agricultor. No entanto, a aptidão dos terrenos deve ser avaliada por um agrónomo especialista na matéria.


3 - Para avaliar o potencial produtivo dos solos e climas da sua exploração agrícola deve recorrer a um engenheiro da Estação Agrária de Viseu, da DRAPC ou da Espaço Visual (contato: eng. Sónia Moreira: 917 075 852).


4 - Para rentabilizar um projeto ProDeR para instalar um jovem agricultor com 1,5 ha de exploração agrícola terá de optar por pequenos  frutos, horticultura ou floricultura em estufa, caracóis, coelhos para produção de carne, frangos, etc.    




Rendas para Apicultura

Daniel disse:

"Agradeço a resposta do Eng.º Martino.

Não lhe sei dizer quanto tempo demorei a ler todo o seu blogue, apenas que foram vários dias (semanas) de leitura e releitura, com 1 a 2 horas por dia dedicadas a isto.

Torna-se fácil ler os posts não só devido ao conteúdo, mas à forma suficientemente clara e objectiva da informação colocada.

Em relação a valores de arrendamentos (tenho a legislação sobre os valores máximos do arrendamento rural, mas isso é no papel).
Na sua experiência, pode-me indicar os valores médios praticados no caso da apicultura?
Conheço quem tenha conseguido arrendar por 1€/colmeia, mas não faço ideia do que é realmente praticado na generalidade dos casos.

E, para a instalação de uma unidade primária de extracção (UPP), é necessário construção de raíz, fixa ao solo, com todas as legalidade daí resultantes, ou existem UPP's móveis, como contentores...?

E uma última questão, posteriormente ao inicio da actividade apícola, caso seja pertinente mudar o local de um ou outro apiário, tendo de procurar novo terreno, é possível fazê-lo ou o contrato Proder obriga à permanência nos mesmos locais durante x anos, independentemente desses locais terem, por qualquer motivo, deixado de estar aptos à apicultura?

Cordiais cumprimentos"


Comentários:

1 - Da minha experiência retiro que os valores para as rendas dos terrenos para a instalação de apiários são muito variáveis, desde valores simbólicos até um euro por colmeia (renda superior aos 1000 euros por hectare de superfície efetiva para instalar as colmeias). Para negociar as rendas com os proprietários é necessário avaliar bem o custo de limpeza e preparação dos locais para colocação das colmeias, quanto maiores forem estes custos, mais baixas devem ser as rendas.

2 -  O ProDeR aceita que possa mudar os locais dos apários, desde que previamente à mudança faça a proposta formal e justifique-a (os locais terão de cumprir a legislação para a instalação dos apiários)

Kiwis Arguta (3)

Miguel Silva disse:

"Caro Eng. José Martino. Mais uma vez, os meus parabéns pela sua iniciativa, que se tem mostrado como um verdadeiro serviço público de qualidade em difusão de conhecimento. Tenho acompanhado as suas opiniões sobre o cultivo do kiwi arguta, as quais me têm suscitado bastante interesse. Como posso obter mais informação (técnica, de produção, e de mercado) sobre este tipo de cultivo? Será que os terrenos das regiões do oeste português são propícios ao cultivo deste tipo de kiwi? Quantos anos são necessários para se atingir uma plantação adulta capaz de produzir as ton/ha que fala? Quais são os mercados que procuram em Portugal, trabalham na exportação para esses mercados? Qual o investimento inicial necessário por ha?

Muito obrigado pela sua disponibilidade. Qualquer ajuda será bem-vinda.

Cumprimentos,"


Comentários:

1 - Como já expliquei noutro post sobre os kiwis arguta, estes necessitam das mesmas tecnologias de produção dos kiwis hayward, desde solos e clima, havendo similitude nas operações culturais. Deve ser cultivado nas mesmas regiões onde já está instalado o kiwi (Entre Douro e Minho e Beira Litoral).


2 - Na minha opinião, o mercado deste tipo de frutos (baby kiwi) deveria ser desenvolvido pelas empresas que distribuem pequenos frutos e não pelos entrepostos de kiwis, porque é uma baga verde que irá complementar as azuis (mirtilos), vermelhas (framboesas), pretas (amoras), etc., completando a gama de produtos.


3 - Os mercados de exportação para os kiwis arguta são os mesmos dos  pequenos frutos.


4 - O investimento é superior em 20 000 euros ao que necessita o kiwi hayward porque exige uma cobertura com rede para proteger dos golpes de sol e do vento, porque como não tem pêlo a sua pele degrada-se facilmente com o excesso de radiação solar e assume cicatrizes que levam à rejeição  dos frutos pela frição devida ao vento.


5 - Estou a trabalhar para promover esta cultura, pelo que no mês de setembro darei mais informações sobre este assunto

Kiwis Arguta (2)

O leitor Nuno A. escreveu o seguinte:

"O problema agora de investir nos kiwis é o cancro bacteriano, que anda a dar cabo de muitos pomares. É uma roleta russa! Tanto podemos ter cuidados e muita sorte como prejuízos enormes! Afecta mais o kiwi amarelo, mas todas as variedades tem registado problemas graves. E mesmo os que estão a safar-se não sabem se vão ter sucesso ou se pode ir tudo por agua abaixo!"

Comentários:

A grande vantagem da recomendação da implantação dos kiwis arguta é a sua resistência à PSA. Visitei pomares no estrangeiro, tendo na mesma parcela kiwis arguta e kiwis soreli (variedade amarela), estes últimos com PSA e os outros sem qualquer sintoma da bactéria. A madeira dos ramos dos kiwis arguta é mais dura que a dos outros kiwis, assim como as folhas caem antes do final de outubro, fora da época de outonal em que há condições para a penetração da PSA nas plantas 
 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Kiwis Arguta (1)

"Boa tarde Engº José Martino,
em primeiro lugar quero felicitá-lo pelo excelente trabalho de informação público que presta à sociedade, uma vez que a título pessoal colmata a falta de informação disponibilizada pelas entidades públicas destinadas para o mesmo efeito.
Sou um jovem de 25 anos e os recentes apoios do ProDer aos jovens agricultores parecem-me bastantes apelativos e, como tal, tenho pesquisado bastante sobre um conjunto diverso de temáticas. Contudo, pese embora o facto da minha área ser completamente antagónica à agricultura, não sei que tipo de cultura é mais adequada para o terreno (4ha em Cinfães). Pelo que me fui apercebendo, através de contactos com outros agricultores, o mirtilo domina a dita zona, embora não seja a minha prioridade uma vez que estimo um excesso de oferta a médio prazo, que coincide com o tempo de maturação necessário ao fruto. Neste sentido, se tiver disponibilidade para tal, ficar-lhe-ia bastante grato se me pudesse dar uma indicação sobre que tipo de plantação é mais adequada naquela região e que simultaneamente tenha um bom escoamento no mercado.
Subscrevo-me com os melhores cumprimentos,
Fernando Monteiro"
Comentários:
1 - O grande objetivo deste blog é mostrar que a agricultura é uma atividade económica, bem como presta serviços públicos, do maior interesse para Portugal. Insere-se numa estratégia pessoal de criação de riqueza, quer pela veiculação de informação de alta qualidade, eficiente e eficaz para quem quer investir na agricultura, quer pela prestação de serviços de assessoria ao investimento, á gestão das explorações agrícolas, ao licenciamento ambiental, à comercialização das produções, etc.
2 - Concordo que são apelativos os apoios do ProDeR para a instalação de jovens empresários agrícolas, embora necessitem de ser complementados com uma linha de crédito de acesso médio e custos controlados, tendo como objetivos o apoio ao investimento e tesouraria.
3 - Para saber o que é mais adequado para o seu terreno deve contratar um especialista em agronomia para o visitar  e avaliar o solo e clima. A Espaço Visual presta esse serviço (contatar a eng. Sónia Moreira: 917 075 852).
4 - Para a cultura do mirtilo dominar a região de Cinfães quantos hectares calcula que nela estão implantados?  
5 - No concelho de Cinfães, conforme os solos e diversos microclimas, dimensões das explorações agrícolas, interesse e formação dos empresários, ligações ao mercado, etc. pode cultivar a vinha, cerejeira, pessegos, nectarinas, ameixas, citrinos, criação de bovinos de raças autoctenes, pequenos frutos, kiwis, kiwis arguta, floricultura, horticultura, etc.
6 - Para alta rentabilidade, fácil escoamento e valorização das produções será de apostar nos kiwis arguta. 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Provedor do Agricultor (2)

Coloquei na internet em  http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N27535,  uma petição pública sobre o Provedor do Agricultor junto do Ministério da Agricultura.

Sbscreva-a se estiver de acordo com o texto da petição.

Muito  obrigado pela sua participação civica em prol dos superiores interesses de Portugal!

Mirtilos (14)

Pedro disse:

"Ola Bom Dia

Antes de tudo dar lhe os meus parabéns por este magnifico blogge!!

1- Sou da Região de Lamego em direcção a Viseu, ou seja uma Terra Bastante fria, mas estava interessado na produção de Mirtilo, mesmo com estas características aconselha?? Mesmo criando estufas??

2- Eu e o meu irmão estamos a pensar seriamente criar uma empresa agrícola e começar na criação de Mirtilo pois parece me um mercado em crescendo, somos ambos as áreas económicas mas com antecedentes na Agricultura, compensa criar empresa?? Ou somente um de nos como jovem agricultor??

Melhores Cumprimentos"


Comentários:


1 -  Esou muito feliz porque considera este blog como "magnifico" para os vossos interesses e anseios.


2 - E necessario avaliar concretamente se a local onde pretendem implantar os mirtilos tem aptidão para a cultura. Neste caso, o mirtilo é uma cultura de ar livre mesmo em regiões muito frias pelo que não necessita de estufas.Para avaliar o terreno consulte um especialista.


3 - Devem apresentar uma candidtura ao ProDeR para um dos manos se instalar como jovem empresário agrícola através de uma candidatura individual. Quando receber do ProDeR a respetiva carta de aprovação do projeto, deve constituir uma sociedade unipessoal por quotas e fazer no vosso advogado um acordo parassocial com o seu irmão que veicule a distribuição de quotas real entre os manos. Passados 3 a 4 anos, quando conhecerem o negócio, devem apresentar da mesma forma um segundo projeto para instalar o outro irmão. Se tudo isto necessitar de clarificação deve contatar a Eng. Sónia Moreira da Espaço Visual (917 075 852)  que esta numa consulta lhe explicará os pormenores da operação de investimento

Apicultura

Daniel disse:

"Caro Eng. José Martino, muito obrigado por ter este trabalho todo em manter um blogue "técnico" que ajude os potenciais empresários agrícolas a tomarem as suas decisões.

Li todos os posts do blogue mas ainda subsiste uma dúvida que talvez me pudesse esclarecer:

Segundo a legislação apícola, os apiários de 31 a 100 colmeias devem estar afastados uns dos outros, pelo menos, 800m.

Ora, quem quiser investir numa carreira profissional na área, necessitando de 500 colmeias para ter rendimento que sustente a família e o negócio e não tem terreno próprio, precisaria de que área para tantas colmeias?

Eu fiz as minhas contas, que exponho de seguida, mas gostaria de saber a resposta por alguém como o Eng. Martino, que está mais ligado a estas andanças.

Supondo que poderia ter 5 apiários de 100 colmeias cada, a área mínima que estimei ser necessária é de cerca de 120ha (geometria do terreno rectangular ou quadrado mais triângulo...) ou de 100ha (geometria optimizada de meio circunferência).

É claro que se fosse possível alugar vários terrenos ou conseguir cedência gratuita para vários terrenos dispersos, bastariam 5 terrenos de 1ha cada, contendo 1 apiário de 100 colmeias em cada.
Ou melhor ainda, se fosse possível alugar estradões florestais e/ou agrícolas, bastariam 3 km lineares para cumprir a legislação em vigor.

No entanto, tanto um como outro caso, parece-me muito difícil, pelo que o mais fácil de encontrar, será o aluguer de terrenos de 100 ou 120ha.

Posto isto, devo dizer que estou muito inclinado em apostar nesta área, mas a ser necessário uma área tão extensa e não havendo banco de terras e tendo eu já tido respostas negativas aquando do pedido de contractualização da cedência dos terrenos privados, o que faria na minha situação?"

Comentários:

1 - Agradeço os comentários sobre o meu blog. Registo com agrado que tenha lido todos os post. Quanto tempo empregou nesta leitura?


2 - Para instalar os apiários necessita arrendar os terrenos para colocar as colmeias (a superfície que ocupa cada colmeia + distância entre elas + superfície de terreno com 20 a 50 metros à volta para construir um perímetro de segurança, sem vegetação e com um pequeno reservatório de água, para garantir que os fogos não atingem as colmeias). Os locais devem ser servidos por caminho onde se possa chegar pelo menos de jipe (o ideal seria terem acesso para um pequeno camião). Não pode escolher terrenos muito ventosos e convém que tenham exposição a sul, sudeste ou sudoeste.


3 - Os terrenos devem ser dispersos e de natureza agroflorestal (classificação no parcelário) para o projeto ser considerado elegivel pelo ProDeR para a instalação do jovem empresário agrícola. Para cada terreno deve ser calculado o potencial apícola da região envolvente e consequentemente, definida a quantidade de colmeias a colocar em cada local. Claro que se não existir limitações pode colocar as 100 colmeias. Neste caso, necessita de 2000 a 5000 metros quadrados por local.


4 - Há dificuldades em arrendar terrenos para instalar as 500 colmeias, mas tenho a experiência que com esforço e dedicação se consegue fazê-lo entre 6 a 12 meses 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Mirtilos (13)

Merecem reflexão as palavras do eng. Bernardo Madeira, diretor da revista Agrotec, o qual teve a amabilidade de escrever neste blog o seguinte comentário:

"Acerca da Produtividade do Mirtilo tenho que sublinhar que a produtividade de 30 toneladas por hectare (30ton/ha) é a produtividade que qualquer produtor deve desejar alcançar.
Tal faz-se com mudança de mentalidade, muito estudo e bom senso.
Na literatura estão reportados exemplos de produtividades superiores a essa marca, para tal basta consultar o livro "Highbush Blueberrry Production Guide", livro já antigo, de uma época em que não havia as variedades actuais nem os fertilizantes especiais. As 20 toneladas estão ao alcance da maioria, é apenas querer. Mas esta marca só se atinge em plantações já adultas, mas bem conduzidas desde o início.
Assim, não é mentira dizer-se que o potencial económico da cultura é muito elevado, considerando as 30 toneladas. Pena é que haja empresários que se conformam com as produtividades de 4 e 5 toneladas e não trabalharem para, com as mesmas plantas e as mesmas terras, produzirem 4 e 5 vezes mais. Pelo menos tentar.
Exemplos destes nós encontramos noutras culturas. Como lemos na Agrotec nº2 vimos o exemplo de um produtor de milho que atinge as 24 toneladas de grão por hectare, quando a média nacional é de 7ton/ha e há tanta gente que não passa das 2 e 3 ton/ha, nas melhores terras da Beira Litoral e do Minho.

Não se dirá que é só querer.
Mas querer é o princípio de poder.

Bernardo Madeira (Eng)
Director da Revista AGROTEC
www.agrotec.com.pt "

domingo, 5 de agosto de 2012

Mirtilos (12)

André Almeida disse:"

Boa tarde,

Será que me podera indicar onde posso recolher informação sobre
apanha mecanizada de mirtilo? as suas vantagens e desvantagens, se ha compassos que se devem respeitar, etc
Obrigado"


Comentários:

1 - Eventualmente, pode  recolher informação sobre colheita mecanizada do mirtilo junto do Prof. Nuno Luz da Target Flavours (targetf.nl@gmail.com).

2 - A principal vantagem é o abaixamento do custo de colheita. A principal desvatagem é o elevado número de frutos que se perdem no consumo em fresco. Exige variedades de maturação em período temporal muito curto.

3 - Na Holanda os compassos para colheita mecânica são 2,65 X 0,8 m

Valor de Renda

António Alves disse:"

Boa tarde, Sr. Eng Martino gostava de saber o valor para ceder 10 HA para produçao de forragem apenas no Inverno em terrenos muito bons; uma vez que estou a explorar milho no verão.Com a possibilidade ser eu a semear ou não a dita forragem. Gostava de ter a sua opinião através de um valor por hectare.

Com os melhores Cumprimentos."


Comentários:

Falei com alguns amigos produtores pecuários e disseram-me que o valor dependeria, como sabe, do mercado local e do interesse concreto de alguma vizinho na dita produção da forragem. Encontrei os 100 euros por hectare como o melhor valor para a renda, sendo a sementeira por conta do arrendatário.  

Provedor do Agricultor


Proposta para a criação “Provedor do Agricultor”*

Atendendo que:

- A crise económica e financeira que se abateu sobre Portugal exige mudanças nos comportamentos e de vida, quer dos cidadãos, quer do Estado e dos seus Ministérios, exigindo a implementação de soluções que gerem alta qualidade e incremento da confiança nos serviços públicos. Por outro lado, a tramitação dos processos de forma eficiente e eficaz, em tempo útil, é crucial para que os cidadãos se sintam confortáveis com a administração pública e assumam maior respeito pelos responsáveis políticos.    

- O ministério da agricultura tramita, desde a sua base até ao topo, nos seus múltiplos organismos e instituições, estes possuem uma multiplicidade e diversidade de soluções de gestão, uma vasta e alargada complexidade de processos, situações e exceções, gerados pela sociedade contemporânea, os quais nem sempre são claros e visíveis para os seus utentes, por falta de uma Entidade Independente que o explicite externa e internamente.

- Não sendo claros os prazos efetivos/reais com que os cidadãos contam para o obtenção da decisão dos seus processos, há a convicção na opinião pública que existirá forte pressão de alguns lóbis sobre os responsáveis pela gestão dos diversos serviços do ministério da agricultura para a resolução de casos isolados/particulares, retirando-lhes discernimento e disponibilidade para refletirem, projetarem e implementarem soluções de fundo.   

- A falta de transparência quanto a prazos de tramitação dos processos no ministério da agricultura, sobretudo a data final em que será tomada uma decisão, gera desconfiança nos investidores desmotivando-os para o empreendedorismo/investimento.

- É importante o conhecimento se em cada serviço do ministério, a cada momento, estão alocados os meios em linha com a procura desse serviço, bem como sejam claros, em tempo útil, quais os estrangulamentos e as soluções a implementar.

- Os utentes por falta de alguém que trate as suas queixas e reclamações, não as fazem ou remetem-nas para os gabinetes dos responsáveis políticos, o que gera elevado fluxo de informação dentro de um canal que não está vocacionado para o efeito, consumindo-lhes tempo e recurso de meios que são muito importantes para gerir no topo a política agrícola portuguesa.  




Assim sendo, defende-se que para ultrapassar os pressupostos elencados deve ser criado por parte do Ministério o "Provedor do Agricultor" tendo como objetivo a melhoria da qualidade dos seus serviços e por missão:
- Representar e defender, no contacto com os serviços do ministério da agricultura as perspetivas dos utentes  
- Acentuar a fiabilidade do Serviço Público prestado pelos serviços do ministério da agricultura, bem como para promover a credibilidade e a boa imagem de todos os seus profissionais.
- Estimular o cumprimento da ética profissional por parte de todos os profissionais do ministério da agricultura e instituições tuteladas;
- Fomentar os índices de recetividade dos diversos serviços que tramitam processos ou prestam serviços, perante as observações dos utentes.       
- Contribuir para uma cultura de autocrítica e de prevenção de eventuais atitudes corporativistas no interior do ministério da agricultura, mas também por parte dos cidadãos a quem representam.

O Provedor é uma pessoa responsável por um gabinete, elo imparcial entre o Ministério de Agricultura e os seus utilizadores, que tem a função de receber críticas, sugestões, reclamações e deve agir em defesa imparcial da comunidade. Defende-se a nomeação de uma personalidade que goze de comprovada reputação de integridade pessoal e profissional, independência relativamente à área de atuação, reconhecimento público e considerado com grandes conhecimentos sobre o sistema da agricultura. O seu papel é servir de mediador entre os elementos que representa e as instituições do ministério da agricultura, nas eventuais situações problemáticas que surjam no decurso do funcionamento. O ministério da agricultura porá à dis­po­si­ção do Pro­ve­dor todos os meios neces­sá­rios para que este cum­pra a sua mis­são de garan­tir a defesa dos direi­tos dos seus utilizadores. O Pro­ve­dor desen­vol­verá a sua ação com total auto­no­mia e inde­pen­dên­cia face a quais­quer órgãos do Ministério da Agricultura e compete-lhe:
- Ava­liar a per­ti­nên­cia das quei­xas, suges­tões e críticas dos utilizado­res, pro­du­zindo as reco­men­da­ções inter­nas que delas decorrerem.      
- Escla­re­cer os utentes sobre os méto­dos e processos empregues pelos diversos serviços do ministério na defesa do interesse público e da comunidade.  
- Inves­ti­gar as con­di­ções que leva­ram à deficiente tramitação dos processos que geram reclamações.
- Trans­mi­tir aos responsáveis políticos do ministério, aos seus serviços, aos seus utilizadores e opinião pública, a refle­xão do Provedor sobre even­tu­ais des­vios que ocorram na tramitação de processos.         
-
Devem por isso dispor dos meios necessários para estimular a participação ativa por parte dos utentes. Para esse efeito, os serviços do ministério da agricultura procederão regularmente à divulgação promocional dos meios de contacto entre os utentes e o Gabinete do Provedor, que disponibilizará, diferenciadamente, endereços de correio postal e de correio eletrónico no Portal do MAMAOT, telefone e linha de telefax.
O provedor terá que editar uma newsletter mensal sobre as matérias da sua competência.
Elaborar um relatório anual e dar conhecimento público do seu teor, bem como a publi­ca­ção de quais­quer outros tex­tos ou reco­men­da­ções no âmbito das suas competências.
- Em todas as comu­ni­ca­ções, inter­nas ou públi­cas, que digam res­peito a processos tramitados no Ministério, o pro­ve­dor é obri­gado a ouvir os res­pon­sá­veis pelos serviços e a divul­gar as opi­niões recolhidas. Isto deixa de se apli­car quando os interpelados pelo Pro­ve­dor nada responderem num prazo de cinco dias úteis.

Ao ins­ti­tuir o cargo do Pro­ve­dor, o ministério da agricultura dá corpo a uma aspi­ra­ção de muitos dos seus utentes e ofe­rece-lhes um inter­lo­cu­tor per­ma­nente, inde­pen­dente e res­pon­sá­vel pela defesa dos seus direitos.

Em simul­tâ­neo, o Pro­ve­dor cons­ti­tui para os funcionários do ministério da agricultura uma ins­tân­cia crí­tica do seu tra­ba­lho à luz das nor­mas deon­to­ló­gi­cas que orientam a sua ação. Esta refle­xão crí­tica não é exer­cida ape­nas como res­posta à ini­ci­a­tiva dos utentes, antes se exprime em aná­li­ses e reco­men­da­ções trans­mi­ti­das sem­pre que o pro­ve­dor o jul­gue necessário. A cri­a­ção do cargo de pro­ve­dor do agricultor será, para os responsáveis políticos do ministério da agricultura e para todos os seus funcionários, uma con­sequên­cia natu­ral desta cons­ci­ên­cia de que um ministério de referência só o pode ser se garan­tir em per­ma­nên­cia a defesa dos interesses dos seus utilizadores.

O ministério não dis­põe da massa de conhe­ci­men­tos e da capa­ci­dade crí­tica que os seus utentes repre­sen­tam. Aten­der, ana­li­sar e enca­mi­nhar as dúvi­das, quei­xas e suges­tões dos utentes são com­pe­tên­cias do Pro­ve­dor. Este assumirá em cada parecer, ainda que alicerçado na indagação acerca de todos os pormenores analisados, ou até no recurso a terceiras entidades, o carácter de uma posição solitária, responsável e independente, que con­tri­buirão de forma pedagógica para aumen­tar a formação do utente e incrementar a sua con­fi­ança no sistema, bem como para tor­nar mais trans­pa­ren­tes os pro­ces­sos e deci­sões políticas que inter­vêm na condução das agriculturas de Portugal.

Essa rela­ção de con­fi­ança é o capi­tal político mais pre­ci­oso entre governantes e governados, pilar fundamental do regime democrático e da defesa dos superiores interesses públicos dos portugueses.           A bem de Portugal!

Assim sendo, pede-se à Senhora Ministra da Agricultura, Ambiente, Mar e Ordenamento do Território a criação do “Provedor do Agricultor”.

*José Martino

Se está de acordo com o texto desta petição, por favor assine-a (Procurar num motor de busca da internet "petição pública provedor do agricultor") porque deste modo está a fazer uma das coisas que está ao seu alcance direto para ajudar a mudar para melhor o nosso Portugal!