quinta-feira, 31 de Maio de 2012

Baby Leaf

Catarina Guedes disse...

"Boa Tarde Eng. Martino, gostava de lhe colocar algumas questões sobre um investimento no ramo das hortícolas baby quando me refira a hortícolas digo cenouras, pepino, rabanetes etc e não somente as folhas.
Acha uma actividade viável?Qual seria a área mínima de cultivo em estufa para existir essa viabilidade?Sabe onde poderia encontrar as respectivas sementes? A minha área de residência e o Porto.
Agradeço a sua atenção e espero que me possa ajudar."


Comentários:

1 - As baby leafs são uma atividade rentável para a qual necessita de encontrar organizações de comercialização que lhe valorizam as suas produções. Recomendo que tente o contato com as organizações de produtores reconhecidas para hortícolas (tente o contato com a FNOP - Federação Nacional das Organizações de Produtores, está instalada no edificio da CAP em Lisboa).


2 - Acho que a superfície minima deverá estar entre 1 e 4 ha.


3 - Contate a eng. Sónia Moreira da Espaço Visual que lhe poderá prestar consultoria no desenvolvimento do seu projeto (917 075 852)

Dificuldades no acesso à terra

"Caro Eng. José Martino,

Estou nesta fase de procura de terreno há 1 mês sensivelmente e fico bastante preocupado com os períodos que refere como norma para encontrar um espaço, não tenho esta disponibilidade de tempo tão alargada.

1. Poderia referir quais são as estratégias com mais sucesso para obtenção de terreno? Tenho encontrado bastante receio com os períodos de arrendamento que procuro, a partir de 15 anos...

2. Inúmeras pessoas têm terras incultas na família e não sabem onde se dirigir, e se a EV "saltasse" à frente de iniciativas públicas e constituísse ela própria um banco de terras, de submissão voluntária para estas pessoas que não utilizam as terras mas gostariam de as ver aproveitadas?

Seria um modo de estimular a mobilização do poder local e nacional para a questão.

Cumprimentos,

Nuno Oliveira"


Comentários:
1 - Reitero que os jovens agricultores para encontrarem terrenos para constituirem uma exploração agrícola, com solos e climas, dimensão, período temporal de arrendamento para permitir a rentabilização dois nvestimentos, etc.necessitam entre 6 meses a 2 anos.


2 - As estratégias de maior sucessso passam por visitar mais terrenos, fazer contactos com todas as pessoas que o conhecem e o podem recomendar, independentemente de estarem ligadas à agricultura porque há casos de pessoas que não estando ligados diretamente à agricultura têm familiares, amigos e conhecidos que detêm terra  e estão abertos a arrendá-la se o potencial rendeiro lhes for recomendado como pessoa de confiança que "leva a carta a garcia" (conheço vários casos que um desconhecido arrendou uma parcela em determinada freguesia e ao longo dos anos, os vizinhos tendo verificado a forma irreprensivel com a terra é tratada, foram oferecendo outras propriedades para arrendar e explorar).


3 - Defendo a bolsa pública de terras como forma mais eficaz de convencer os proprietários para a bondade do interesse público dos arrendamentos por prazos alargados de tempo (acima dos 15 anos).


4 - A Espaço Visual está a trabalhar de forma incipiente em conseguir prestar serviços aos proprietários ajudando-os no arrendamento das suas terras, bem como, tentando conseguir explorações para os jovens agricultores.


5 - A Espaço Visual está em negociações com diversos municipios, ao longo do território nacional, com o objetivo de lançar bolsas de terras concelhias.


6 - Recomendo que escrevam à Sra. Ministra da Agricultura expondo a V/ experiência, dificuldades, desilusões, custos, etc. na angariação de terras para se instalarem como jovens agricultores.


7 - Descrevam neste blog o processo que estão a viver no acesso à terra porque é necessário que a opinião pública, os políticos e os media tenham consciência deste grave estrangulamento na agricultura portuguesa 

quarta-feira, 30 de Maio de 2012

porque acha que o preço de aquisição dos terrenos irá cair nos proximos 5 anos?



O preço dos terrenos irá cair nos próximos 5 anos porque os portugueses estão a concluir que a agricultura é uma atividade económica que tem de ser desenvolvida com racionalidade, pelo que, o valor do fator de produção terra, será um custo de produção a integrar nos encargos de exploração, que será valorizado pelas produções dessa terra ou para ser mais claro, o valor da aquisição ou valorização da terra estará alinhado com o valor de mercado da renda.


Irá desaparecer o pressuposto atual, compra-se hoje terra muito cara porque amanhã haverá alguém que pague o mesmo ou mais, o valor de aquisição da terra tem pouco a ver com o resultado económico da suas produções. A médio prazo o valor das produções irá estagnar e a rentabilidade advirá dos ganhos de produtividade.


Na atualidade, o valor da terra está a ser corrigido em baixa mas ainda se encontra elevado porque estão a entrar na agricultura agentes económicos que acreditam no pressuposto atual do valor da terra. À medida que o tempo avance, que o dinheiro se torne mais escasso, que a pressão seja maior para a agricultura gerar resultados económicos positivos, os interessados irão preferir o arrendamento face à compra para terem acesso à terra e nessa altura, o seu valor irá cair abruptamente.


Por último, a crise financeira irá obrigar um elevado número de proprietários a vender o seu património

terça-feira, 29 de Maio de 2012

Considerações sobre a Agricultura em Trás os Montes



Vitor M. Pereira disse...
"Exmo. Sr. José Martino,

Mais uma vez obrigado pela resposta.

De facto não tive em linha de conta o programa VITIS, mas como refere e após análise é necessária uma exploração com alguma dimensão.

No segmento do Olival (Trás os Montes) o qual também tive a fazer um pequeno estudo, verifica-se que houve uma pequena diminuição na produção. Este segmento de mercado tem assumido nos últimos anos uma referência em Portugal, embora o Alentejo esteja melhor cotado na minha opinião. Mesmo assim ainda dependemos muito das importações nomeadamente de Espanha que se tem assumido como um bom produtor (e tem vindo a investir em Portugal através da aquisição de terras).
A nível internacional nas exportações verifica-se um aumento deste tipo de produto, para diversos mercados (mesmo assim a balança comercial ainda não está equilibrada, ou seja, a produção não acompanha o consumo interno).

A minha questão é em mais ou menos 5 há de Olival na produção em modo biológico será rentável? O Olival já se encontra em produção.
(Se considerarmos 250/ha oliveiras numa produção de 30Kg/por árvore, a um preço médio de penso que talvez 0.26€/Kg). O que acha o Sr. Engº desta perspectiva e deste investimento?
“Tenho sempre presente a plantação de culturas que permitam a obtenção de lucro no próprio ano.”

Verifico que a região de Trás-os-montes tem várias potencialidades, bem como já referidas pelo Sr. Eng.º José, dai referirem sempre a esta região que pode e deve ser desenvolvida, tendo sempre presente as condições (de momento encontro-me a trabalhar, mas gostava de exercer uma outra actividade part-time.)

Outra questão também de âmbito geral é, na candidatura ao PRODER é necessário possuir as terras, ou podemos ter um contrato em que caso o projecto seja aprovado podemos procedemos à sua aquisição?

Desde já grato pela atenção dispensada.
Cumprimentos,
Vítor M. Pereira"
Comentários:
1 - O olival bio é muito interessante na produtividade indicada (7500 kg/ha). Saberá melhor do que eu se o investimento será rentável porque terá de ponderar o valor do acesso à terra (compra do prédio rústico ou valor da renda) e os custos de exploração (sobretudo terá de estudar com maior acuidade o valor de custo da colheita  no caso de não ser mecanizada).
2 -  Parece-me muito boa ideia a obtenção de rendimento bruto desde o inicio da exploração, sobretudo se não forem necessários capitais para fundo de maneio para apoio à tesouraria.


3 - A existencia de lucro pressupõe que além dos custos operacionais, as próprias amortizações estão a ser pagas pela atividade, o que me parece um caso notável de rentabilidade.


4 - A região de Trás os Montes tem na minha perspetiva excelentes potencialidades para a agricultura, necessita ser abordada para a vinha, olival, amendoeiras, castanheiros, cerejeiras, macieiras, etc. através de explorações com dimensão e empresários com estrutura de capitais adequados ao negócio (capitais próprios e acesso ao crédito).


5 - A bolsa de terras é uma excelente oportunidade para a obtenção de explorações agrícolas com dimensão competitiva por incorporação de parcelas distantes entre si até 20 km.    


6 - Parecem-me boas atividades para desenvolver a agricultura em part time as indicadas em 4, assim como morangos, apicultura, etc.


7 - Para obrtenção das ajudas ProDeR pode candidatar-se com um contrato de cedência gratuita (contrato de comodato), contrato de arrendamento, compra da terra

segunda-feira, 28 de Maio de 2012

Que preço poderia ser um bom negócio na aquisição de 1 ha de terreno agricola?

Nuno Oliveira escreveu:

"Caro Eng José Martino, refere na sua esclarecedora resposta que "vale a pena comprar terrenos se for um bom negócio".

Tenho em vista um terreno em Viana do Castelo, em zona de veiga do rio Lima (mas fora do leito de cheia), com cerca de 1ha para instalação de framboesa com vedação e água já instalada (era utilizado em horticultura).

Que preço poderia ser um bom negócio neste caso?

Obrigado e votos de continuação de um bom trabalho"

Comentários:

1 - O preço máximo para o terreno agrícola deverá ser 1,0 €/m2.

2 - Acresce o valor das infraestruturas: valor da vedação a preços de construção atual e valor da captação de água.

3 -  Deve ter em conta que o preço total de aquisição do terreno deverá ser compativel com 20% do rendimento liquido da atividade agrícola ou seja corresponde ao valor anual a pagar dos juros e amortização do capital.

4 - Na minha opinião, os valores de compra dos terrenos agrícolas irão cair abruptamente nos próximos 5 anos.

domingo, 27 de Maio de 2012

Jovens Agricultores

Miguel Gomes disse...

"Boa noite!

Já agora aproveito para perguntar: uma pessoa que dê início à sua atividade como agricultor agora (com respetivo registo nas finanças, mas sem apoios comunitários) pode candidatar-se às ajudas à instalação de jovens agricultores no próximo Quadro, em 2014?

Agradeço, desde já, o esclarecimento."


Comentários:
1 - Não sei porque não estarão definidas antes de 2015 quais serão as condições de acesso às ajudas de instalação como jovem agricultor.


2 - Creio que se pretender instalar-se no próximo quadro comunitário de apoio 2014 - 2020, como jovem agricultor, usufruindo das ajudas para o efeito, não poderá exercer previamente a atividade agrícola.


Pagamentos de Ajudas do ProDeR

O leitor Ricardo Santos escreveu o seguinte:

"Boa noite Engº José Martino, eu tenho um projeto proder, finalmente recebi o premio depois de algumas complicações, e agora pretendo começar com os investimentos, e gostaria de saber quanto tempo leva o ifap a fazer o pagamento dos 50% depois da respectiva apresentação das faturas e do pedido de pagamento das mesmas.
Desde já parabéns pelo seu blog, tem ajudado muita gente como eu."


Comentários:
1 - O IFAP demora entre 1,5 e 6 meses para fazer o pagamento das ajudas ao investimento, na opção de fazer em primeiro lugar os investimentos apresentando as faturas, recibos, cópias do meios de pagamento (cheque ou transferência bancária), extratos bancários, contas correntes de fornecedores, etc.


2 - Tem como alternativa pedir a antecipação de 50% das ajudas ao investimento apresentando uma garantia bancária no valor de 110% do valor a antecipar. Esta garantia serve para continuar com antecipação da ajuda até encerrar o projeto, apresentando os respetivos documentos justificativos que estão indicados em 1.

Mirtilos/plantas de corte/ornamentais?

José Esteves escreveu neste blog:

"Boa tarde Sr. Engenheiro,
Antes de mais deixe-me dar-lhe os parabéns pelo seu blog, sendo um excelente espaço de partilha de ideias.
Venho pedir-lhe uma opinião em relação a um terreno que possuo na zona de de Viseu, dado que estou interessado em cultivar mirtilos ou plantas de corte/ornamentais.

Qual destas culturas, ou outra (dado que estou numa fase de estudo) considera que será a melhor aposta?
Estou a pensar candidatar-me á medida PRODER - Instalação de Jovens agricultores.

Como posso dar incío à produção?

Na zona de Viseu consigo encontrar alguma empresa/cooperativa para me auxiliar no escoamento da produção?
Não estou nesta área, é a razão de tanta pergunta.
Agradecendo desde já a sua disponibilidade,
subscrevo-me atentamente,
José Esteves"


Comentários:
1- Valorizo muito as pessoas que fazem perguntas com o objetivo de aprenderem, terem conhecimento e dominarem o empreendedorismo agrícola.


2 - Na região onde se encontra para questões de valorização das produções de mirtilo deve contatar o Prof. Nuno Luz da  Target Flavours (916 163 122).


3 - Na minha opinião, ambas as atividades, mirtilos ou flores de corte, são rentáveis. Terá de estudar a melhor estratégia comercial para os seus produtos e decidir em função desta se a opção será pelas duas atividades ou por uma única delas.


4- Esteja atento porque dentro de algum tempo a Espaço Visual  irá organizar eventos de demonstrações de atividades  agrícolas interessantes para potenciais jovens agricultores (consulte regularmente em www.espaco-visual.pt ).


5 - Como posso dar inicio à produção?
Recolhendo informação na internet incluindo este blog (tem muita informação que podem consultar através do seu menu de "pesquisa"), visitando explorações e empresários nas várias atividades com potencial e interesse para o seu caso, tendo acesso a terrenos e estudando as respetivas aptidões de solos e climas, tomar a decisão de investir na agricultura, fazer o projeto ProDeR, estagiar nas atividades e fazer o investimento após a aprovação da candidatura para instalação como jovem agricultor.  


6 - A Espaço Visual possui uma equipa multidisciplinar de técnicos que podem fazer desde a avaliação dos terrenos, assessoria na definição dos investimentos, elaboração dos projetos, prestar  apoio técnico ao investimento, até assessoria na fase exploração do projeto.

Ajudas ProDeR para Jovens Agricultores em Pequenos Frutos

 Paulo Teixeira disse...

"Muito obrigado por este espaço! Dou-lhe os meus parabéns! Aproveito para lhe questionar o seguinte: não tenho qualquer formação a nível agrícola mas tenho em mente um projeto de plantação de frutos vermelhos no zona de braga. em conversa com pesoas da área da agrícultura disseram-me que para concorrer ao proder eu teria que estar registado como agricultor para levar o meu projeto avante...ora achei isto muito estranho. outra questão...onde ou a quem é que posso recorrer para retirar as minhas dúvidas acerca da viabilidade da plantação que quero fazer e se os terrenos que tenho servem para essa plantação. obrigado pela ajuda."

Comentários:

1 - Não tendo formação e experiência agrícola recomendo que contate a eng. Sónia Moreira da Espaço Visual (sonia.moreira@espaco-visual.pt; 917 075 852), a qual lhe informará sobre os estágios de pequenos frutos, bem como os valores dos honorários da consultoria sobre ajudas à instalação de jovens agricultores através da ação 1.1.3 do ProDeR, incluindo eclarecimento de dúvidas, rentabilidade das atividades e visita de avaliação de aptidão do terreno que possui e elaboração de projeto.

2 - Estando aprovado o seu projeto, terá de dar inicio de atividade nas finanças na agrícultura como empresário em nome individual ou empresa unipessoal.

3 - Defendo que a agricultura tal como todas as atividades económicas rentáveis devem pagar impostos. Para tal deve existir uma política coerente que garanta as dimensões de exploração dentro das economias de escala das atividades (dimensão da exploração que leva ao menor custo fixo), a distribuição equilibrada da riqueza ao longo das fileiras, tendo como objetivo último a sustentabilidade económica e financeira dos seus empresários/empresas. ~

4 - Se pesquisar neste blog tem alguma informação sobre os pequenos frutos (exemplo: "mirtilo a árvore das patacas"

quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Investimentos de Pequena Dimensão (ação 1.1.2 do ProDeR)

Armando Alves disse...

"Boa tarde!

Um jovem agricultor, com projeto aprovado, mas sem contrato assinado, poderá candidatar-se à ação 1.1.2, como forma complementar o projeto inicial?

Obrigado."

Comentários:
1 - Nas condições indicadas pode candidatar-se às ajudas da ação 1.1.2 do ProDeR, Investimentos de Pequena Dimensão, para investimentos que não estejam previstas no projeto de instalação do jovem agricultor, ação 1.1.3 do ProDeR.


2 - A ação 1.1.2 do ProDeR apoia investimentos até 24 999,99 euros com 50% ou 40% conforme as parcelas estão localizadas em regiões desfavoerecidas ou favorecidas, respetivamente.


3 - Abriram ontem as candidaturas para os investimentos de pequena dimensão, o concurso está aberto por tempo indeterminado  

Estratégia para a Instalação de Jovens Agricultores

Maria Santos disse...

"Boa noite engº José Martino,

antes de tudo gostaria de o felicitar pelo trabalho de esclarecimento e apoio a todos aqueles que lêem o seu blog, efectivamente os espaços virtuais quando correctamente utilizados podem dar informações preciosas a quem delas necessita para evoluir na vida.
Sou neta e filha de agricultores, desde pequena que estou inserida no meio até porque foi sempre a actividade principal da minha família. Porém em termos académicos segui passos completamente distintos enveredando pela área audiovisual/multimédia, infelizmente e perante a crise que assola o nosso país eu e muitos colegas de profissão não encontramos emprego com a agravante de que a área do ensino já deu aquilo que tinha a dar.

Como nunca fui mulher de baixar braços e porque tenho no sangue o gosto pelo campo, com a idade que possuo e porque trabalhei na minha área cheguei a conclusão de que quero realizar o meu sonho/projecto de vida no ramo agricola. Quero dar passos seguros, sei que tudo na vida é um risco e a agricultura também o é, mas não devemos desistir dos nossos sonhos.
Comecei a organizar ideias e gostaria de diversificar, estou com o intuito de apostar em frutos vermelhos, mirtilos ou ervas aromáticas... porém tenho tido alguns entraves, o primeiro diz respeito às ervas aromáticas para modo biológico pois os solos de que disponho (uma parcela de 2hectares) apenas não foi cultivado há dois anos, sendo que este ano tem cevada... o que julgo que estragou a situação... a outra parcela de 1hectare e meio tem aveia. Posto isto, tenho pesquisado que os mirtilos necessitam de solos arenosos, os das minhas propriedades são argilosos, não se se adequa à zona do ribatejo que é onde resido e tenho a propriedades.
Por fim, os frutos vermelhos seria um caso a pensar, felizmente tenho as minhas ideias bem estruturadas daquilo que pretendo fazer, o maior entrave está a ser a terra.

Entretanto, posso dizer que tenho procurado terrenos e propriedades com alguns hectares para que à medida da evolução das coisas eu tenha possibilidade de expansão... tenho uma propriedade em vista com 30 hectares, toda equipada com sistemas de rega, habitação, celeiro e armazém, tal como dormitório de animais... mas pedem 400.000 euros. Fui me informar junto da banca e pedem informações como IRS, IRC do meu pai... e a questão que muitas das vezes coloco é, se temos um ou uma jovem que pretende investir na agricultura, como pode existir economia se fechamos portas? além de que os jovens agricultores ou potenciais não tem capital próprio para investir e avançar.

Assim, senhor engenheiro, gostaria de obter os seus conselhos... o que fazer na situação que lhe dei a conhecer? Qual seria a melhor aposta para os terrenos que já possuo? Visto que estou desempregada gostaria de ter rendimento no mais curto espaço de tempo possível. E se tiver de recorrer ao crédito para comprar uma propriedade como devo fazer? primeiro fazer uma projecto de instalação e só depois ir ao banco?

(Os terrenos estão extremamente inflacionados, mas ainda assim, para o Alentejo que foi onde encontrei a propriedade, pois não me importo de sair da minha actual área de residência, o meu pai com a experiência de mais de 20 anos como agricultor concordou que era um verdadeiro oásis... mas falta o capital)

Aguardarei pelos seus conselhos,

melhores cumprimentos,

Maria dos Santos

Comentários:

1 - Quando entrei no Instituto Superior de Agronomia, em Dezembro de 1980, entrei no curso que achei que era a minha vocação, em detrimento da vontade da minha família que entendia que eu poderia ter o futuro melhor acautelado se fosse médico. Sempre defendi e pratiquei uma estratégia que me levasse ao sucesso, independentemente de ter cometido muitos erros, ter feito muitas asneiras, mas nunca desisti de lutar pela agricultura, pela sua modernidade, pelo seu sucesso, para que ela se desenvolva de forma empresarial. Durante muitos anos aguentei com coragem "as bocas" de muitos que me diziam que a agricultura não era negócio, etc. etc. Felizmente nos dias de hoje muitos destes arautos da desgraça agrícola estão rendidos à conclusão que este setor da atividade económica é importante e estratégico para Portugal. Estão criadas as condições e espero que nesta altura se faça uma reforma estrutural na agricultura de forma a que esta possa contribuir realmente e com peso significativo para a criação de riqueza no país e para que os projetos da maioria dos jovens agricultores que se estão a instalar possam vingar e obter sucesso.

2 - Abrace e invista na agricultura como é o seu sonho de vida, Nunca desista de trabalhar em prol dos seus objetivos pessoais. Por mais dificil que seja o processo há sempre uma estratégia alternativa que conduz a bons resultados.


3 - Para tentar resolver o problema da certificação em MPB das parcelas com cevada e aveia, recomendo-lhe que contate a eng. Liliana Perestrelo da Naturalfa, um novo organismo certificador que está no mercado para ajudar os agricultores sobretudo os jovens (telemóvel; 913 586 296)

terça-feira, 22 de Maio de 2012

ProDeR Jovens Agricultores

Célia Oliveira disse...

"Boa tarde,

Obrigada pela informação disponobilizada no seu blog. Gostaria de esclarecer uma duvida em relação ao terreno.
Os meus pais têm um terreno que eu gostaria de desenvolver um projecto agricola. É necessário o terreno ser em meu nome ou pode estar em nome dos meus pais?
E qual é a area minima para o apoio do Proder a jovens agricultores?

Cumprimentos,

Célia Oliveira"

Comentários:
1 - Pode candidatar-se as ajudas do ProDeR para se instalar como jovem agricultora tendo um contrato de cedência gratuita (comodato) ou contrato de arrendamento, ou seja os seus pais cedem-lhe o terreno ou fazem-lhe o seu arrendamento.


2 - A superfície minima para se instalar depende da rentabilidade do investimento e das respetivas atividades. A superfície minima poderá ser 0,5 ha para floricultura ou horticultura em estufa, 1 ha para pequenos frutos, etc.+

Precisa-se uma nova política para tornar a agricultura um negócio rentável

O leitor Luís Ferreira escreveu o seguinte:

"Caro Rui P.,

Na minha humilde opinião, a resposta à sua questão, é que não existe qualquer tipo de sustentabilidade nas actividades económicas (não só nas agricolas, é generalizado a todos sectores empresariais) dependentes de subsidios.

Desde os modelos clássicos de política económica até aos modelos contemporâneos, é aceite de modo geral que este tipo de intervenção deturpa a evolução do mercado bem como enviesa a lei da concorrência.

Os resultados estão à vista, por exemplo na vinha, de um lado está a pagar-se para plantar, do outro paga-se (pagava-se) para arrancar e não produzir!! Promoveu-se o incentivo ao abate da frota pesqueira agora paga-se subsidio aos desempregados que vieram desse sector!! Incentivam-se plantações até além do limite de capacidade de escoamento no mercado, por exemplo o olival, depois vem os agricultores queixarem-se dos rendimentos decrescentes (quiçá daqui a uns anos não aparece mais um incentivo para o arranque do olival!!!). Será disto que vive o nosso agricultor? Pior é defender-se que estes investimentos/incentivos devem ter uma lógica de retorno absoluto, ou seja, desde que garanta o rendimento de um agricultor ou agregado familiar, independentemente do valor gasto!!

As implicações a nível internacional também existem quando os apoios nos países desenvolvidos leva a que nos paises do 3º mundo aprofundem as práticas ambientais e sociais muito dúvidosas (para não dizer decadentes) para conseguirem competir com o capital do mundo desenvolvido, ao invés de se aplicarem medidas mais restritivas a produtos de origem duvidosa.

Este tipo de ferramenta/intervenção poderá/deverá ser utilizado em casos muito específicos, nomeadamente os de utilidade publica ou então de incentivo a estratégias integradas, a actividades "spin-up's", inovação, desenvolvimento, diferenciação...

Fica o meu contributo, demasidado abreviado para a dimensão e complexidade da questão envolvida.

Comentários:
1 - A sustenbabilidade nas atividades económicas está muito dependente da atitude da assunção de riscos, do rigor da gestão, da resiliência, etc. do empresário, independentemente da atribuição de subsídios. Na minha perspetiva quem compete são os empresários e a sua atitude é determinante para o sucesso dos negócios.

2 - Os subsídios contribuem  para a introdução de mecanimos artificiais na lei da concorrência caso ela funcionasse de forma perfeita quer dentro de cada país, quer nas trocas comercais entre países. Parece que infelizmente as Agriculturas de Portugal são obrigadas a concorrer de forma desleal com os países que fazem parte da UE (somos das agriculturas menos desenvolvidas dos 27 países da UE daqueles que menos recebemos subsídios e parece que as Instâncias Europeias só querem extinguir esta injustiça em 2028), por outro lado, os outros países do 3.º mundo colocam na europa os seus produtos agrícolas praticamente sem custos sociais, recorrendo a mão de obra infantil e sem custos ambientais.

3 - Na minha opinião faz sentido dar apoios financeiros públicos para a plantação de novas vinhas em locais com solos e climas adequados para estas culturas, com a dimensão de parcela e exploração viticola que ultrapassem a respetiva economia de escala, com as castas de melhor qualidade e em linha com o mercado e  por outro lado, pagar para arrancar vinhas obsoletas, em terrenos sem aptidão para esta cultura, etc.


4 - Faz sentido plantar mais olival fazendo-o numa lógica de fileira, ou seja, incrementa-se a produção de azeite em linha com a agroindústria e com a estratégia de dar valor acrescentado ao azeite através das estruturas de comercialização. Defendo que esta fileira deveria fazer ações de benchmarking em Itália e na Nova Zelândia, tendo como objetivo conhecer as suas estratégias, desde a produção à comercialização, para dar valor acrescentado ao azeite, em detrimento da estratégia espanhola de escoar o azeite a granel.


5 - Defendo que as ajudas deveria ser atribuidas através de crédito bonificado ou ausência de pagamento de juros ou atráves de capital de risco porque desta forma os proponentes/agricultores/empresários agricolas sentir-se-iam mais responsabilizados nas suas atividades. O montante minimo de apoio deveria ser 150 000 euros tendo como grande objetivo que os investimentos fossem realizados para se atingir a economia de escala da atividade.



6 - Em suma, Portugal deveria ter uma política coerente para as suas agriculturas que maximizasse, do ponto de vista da rentabilidade económica, as ajudas europeias e a criação de riqueza, conseguindo substituir importações por produções nacionais competitivas e promovesse as exportações (ver posts neste blog os posts sobre as políticas de nova geração que defendo para as agriculturas de Portugal).

Conselhos (2)

José Fernandes disse...
"Boa tarde Engº José Martino

Sou de barcelos e possuo uma parcela de terreno com menos de 1ha no qual pretendo fazer algum investimento (Proder 1.1.3), o que me ocorre, dada a limitação de area, sao framboesas em estufa, cogumelos shiitake em troncos.....
*o que me aconselha?destas ou outras
*quais as produtividades destas culturas
*que area coberta minima teria de instalar


cumprimentos,

José Fernandes"

Comentários:

1 - Aconselho-o a definir os investimentos que necessitará fazer na sua exploração agrícola e em função destes e das estratégias das organizações que lhe farão a comercialização dos seus produtos decidirá a dimensão de cada uma das atividades agrícolas que irá abraçar.


2 - Para definir os investimentos recomendo que alguèm especialista nas atividades, visite o seu terreno.


3 - Deve estabelecer contatos com organizações de comercialização: há alguns posts sobre o assunto neste blog.

segunda-feira, 21 de Maio de 2012

Conselhos

A leitora Ana Isabel escreveu:

"Boa tarde Sr. Engenheiro,

Venho pedir-lhe o seguinte conselho: detenho um terreno perto de Viseu e estava interessada em cultivar mirtilos ou cogumelos. Destas duas culturas qual considera que será a melhor?
Como posso dar incío à sua produção? Que ajudas posso obter?
Estas minhas questões prendem-se com o facto de não estar nesta área, mas por razões de ter ficado desempregada, considero que a plantação de mirtilos ou cogumelos poderá ser uma alternativa.Além do mais, este meu projeto envolve a minha filha de 20 anos.
Agradecendo desde já a sua disponibilidade,
subscrevo-me atentamente,
Ana Isabel"

Comentários:
1 - Na minha opinião, creio que precisa de rendimento no próprio ano para equilibrar o seu rendimento familiar, pelo que preconizo que invista em framboesas em estufas com aquecimento, para produzir no inverno e primavera (produzem no próprio ano), conjugadas com mirtilo, o qual produz ao 3.º ano.


2 - Noto que há uma corrente de pssoas que aposta em cogumelos, mas na minha perspetiva não serão grande negócio pelas seguintes razões:
a) Para haver produção de cogumelos é necessário clima de outono, o que para produções ao ar livre não é controlável.
b) As produtividades são baixas
c) Os produtores de cogumelos brancos conseguem colocá-los no mercado a preços muito competitivos, o que faz baixar os preços dos restantes cogumelos.


3 - Leia neste blog o post "mirtilos a árvores das patacas".


4 - Tem neste blog vários posts sobre a estratégia que deve seguir: fale com os colegas da Estação Agrária de Viseu e a eng. Sónia Moreira da Espaço Visual (917 075 852), decida os investimentos, apresente candidatura ao ProDeR para as ajudas de  jovem agricultor (100% de subsidio ao investimento até 75 000 euros e 60% acima deste valor; o valor do IVA não é apoiado porque é recuperável)
    

Teremos na mesma direito a fundos para o projecto?

Joel Magalhães disse...

"Bom dia.

Eu e a minha namorada estamos a pensar em adquirir um terreno para instalar uma unidade de agro-turismo, na zona de Baião ou Mesão frio, e pensamos numa propriedade com pelo menos 1 hectare. Contudo, temos dúvidas em relação ao tipo de cultivo que poderemos fazer. Já pensamos em vinha, aliás é a principal ideia, e frutos vermelhos em estufas, árvores de fruto para fabrico de compotas, etc.
Vi o seu blog e gostei da forma como responde ás pessoas e como as aconselha. Gostava que nos pudesse aconselhar nesta situação, se puder.

Não somos agricultores, eu sou economista e a minha namorada é professora de 1º ciclo, pelo que pensamos nesta actividade para ter uma fonte de rendimento (extra para mim e principal para ela). Teremos na mesma direito a fundos para o projecto?

O projecto ainda se encontra em fase de estudo, pelo que a sua opinião pode ajudar a definir algumas coisas.

Obrigado."


Comentários:

1 - Devem escolher as atividades a desenvolverem na agricultura, por um lado, por serem aquelas que vos agradam para projeto de vida, pois "casarão" com elas durante muitos anos e por outro lado, pela rentabilidade gerada porque convém que façam as contas para determinarem o valor absoluto que a Vossa exploração agrícola irá libertar a partir do ano cruzeiro. Assim sendo, recomendo que as atividades e as respetivas dimensões sejam capazes de libertar o valor do salário que a sua namorada ambiciona ganhar, sob pena de passados alguns anos abandonarem a atividade agrícola.


2 - Têm acesso a 100% de apoio para investimentos até 75000 euros e 60% acima dos 75 000, tendo como teto máximo os 417 000 euros (recomendo que o IVA não seja elegivel, sendo recuperável), os jovens com mais de 18 anos e menos de 40 anos, que apresentem ao ProDeR um projeto rentável.


3 - Os jovens que se instalem pelas ajudas do ProDeR podem exercer outra profissão porque não é exigida que a agricultura seja a atividade principal. Para quem não tem formação agrícola ou experiência na atividade que irá abraçar, terá de frequentar, nos dois anos seguintes a contar da data de assinatura do contrato das ajudas, com aproveitamento, um curso de formação profissional com 212 horas de duração (dois a três fins de tarde e sábados).


4 - No vosso caso concreto, caso não façam 40 anos nos próximos 3 anos, aconselho que instalem um jovem e deixem o outro para o período de ajudas de 2014 a 2020 porque nessa altura já terão experiência na agricultura e apresentarão um projeto mais consolidado que o primeiro.


5 - Recomendo que visitem muitas explorações com as atividades do mesmo tipo que pretendam implementar, tendo como objetivo aprenderem "os seus ossos de oficio",  rentabilidade efetiva, ganharem experiência através das faturas de erros que outros cometeram, etc.


6 - O projeto do turismo pode ser candidatado, caso venha a abrir concurso, às ajudas da Ação 3 do ProDeR, associações do ex- programa Leader, exemplo, Dólmen para investimentos no concelho de Baião (as ajudas através de subsídos a fundo perdido, variam de 40 a 60%, conforme o número de postos de trabalho criados pelo projeto, zero a dois) 

domingo, 20 de Maio de 2012

Alguns Conselhos a um Pai

O leitor Helder disse...

"Boa tarde senhor Martino,

Desde já queria felicitar o seu trabalho em prol dos outros, raramente se encontra gentedisposta a ajudar e esclarecer da forma como o senhor o faz.

O seu blog é fonte de informação essencial para gente como eu, onde as dúvidas são uma constante.

Então aqui vai o meu pedido de ajuda.

Tenho um filho de 16 anos que frequenta o 10 ano e que contrariamente a muitos jovens,gosta da agricultura e da terra. A área Académica que pretende seguir, não podia ser outra do que engenheiro agrónomo "mais um concorrente".

O seu interesse tem duas vertentes, a agricultura biológica e a hidropónica. Depois de pesquisar e colher alguma informação, tive conhecimento do isentivo aos jovens agricultores. Gostaria de saber o seguinte:

- Apenas pode concorrer quem tenha 18 anos de idade, daqui 2 anos vamos continuar a ter Qren/Proder?

- Esperando eu que daqui 3 anos comece a sua vida académica, e sendo ele estudante, será possível recorrer ao isentivos?

- Caso daqui dois anos lhe seja dado a possibilidade de recorrer aos isentivos, e estando ele a estudar na área agrónoma, terá mesmo assim de frequentar a tal formação em dois anos?

- Vivemos no Ribatejo, temos um terreno junto a nossa residência com espaço para iniciar um projecto, a ideia era criar uma estufa hidropónica com 1000m2, quais as hortaliças que acha mais produtivas e comerciáveis? Qual o preço +/- de um estufa 1000m2 e equipamento hidroponico?

- Existemalguns cursos/formação na área da hidropónica e onde?

Peço desculpa pela minha ousadia, pedindo desde já desculpa por isso.

Achando eu que a terra é o futuro e é esse futuro que pretendo para o meu filho já que é essa a área do seu interesse.

Atenciosamente"

Comentários:
1 - Lamento informar o meu leitor Helder que este se encontra errado:"o meu maior interesse é que agronomia conquiste o maior número de pessoas com vocação para esta nobre profissão". Faz parte dos meus objetivos e designios de vida, "conseguir desencaminhar" um elevado número de jovens para técnicos e empresários agrícolas. 

2 - Felizmente e infelizmente, analiso a concorrência quer pessoal, quer empresarial, como um fator que me faz evoluir e ser mais eficiente e eficaz, assim como nas organizações que lidero. Quem tem capacidade, competência, trabalha cada um dos dias para ser melhor, hoje tenta ser melhor que ontem e amanhã melhor do que hoje, pede para ter concorrência ao nível que possui para continuar na "crista da onda durante largos e longos anos".

3 -  Dentro de 2 anos o seu filho terá de recorrer, para se instalar como jovem agricultor, às ajudas do novo quadro comunitário de apoio de 2014 a 2020. Creio que as ajudas estarão operacionalizadas, prontas a serem atribuidas entre o 2.º semestre de 2014 e o 1.º semestre de 2015.

4 - Se as condições de apoio não mudarem, se continuar a ser possivel instalar jovens agricultores sem a exigência de que sejam agricultores a titulo principal, é possivel que o seu filho com 18/19 anos se possa instalar como jovem agricultor. Caso contrário, para se instalar na agricultura terá que optar pelo estatuto de trabalhador estudante.

5 - Na minha opinião, se a instalação na agricultura for o seu projeto de vida, em lugar do projeto do pai, recomendaria que terminasse o curso, que ganhasse experiência de vida e maturidade, trabalhando por conta de outrém durante 3 a 5 anos e depois se instalasse como empresário agrícola.
Conheço muitos casos que não correram como deviam porque os investimentos foram realizados antes dos jovens saberem exatamente o que querem fazer da sua vida.

6 - Dentro de 2 anos, se as regras dos futuros apoios forem  do mesmo tipo das que vigoram atualmente, o seu filho terá que frequentar os quatro módulos de formação profissional para obter as ajudas de instalação como jovem agricultor.

7 - Para investimento em hodroponia recomendo que consulte a HUBEL que lhe darão todos as informações que necessita. bem como lhe responderão a todas as dúvidas e eventualmente, lhe indicarão um empresário com produções em hidroponia onde poderá estagiar.

8 - Se aceitar um conselho apresento-lhe a minha experiência: tenho um filho que pode ser jovem agricultor, instalar-se-á se quiser. Neste caso, eu serei seu consultor, mas na estrita medida que me pedir e aceitar o meu apoio. A vida é dele e o resultado dela será aquilo que ele for capaz de construir. Penso que lhe estou a dar o meu melhor: o meu exemplo de trabalho, de persistência, de empenho pela cidadania e de envolvimento em prol de um Portugal moderno evoluido.   

Mirtilos (8) e Avelâs



Rafael Cordeiro disse...
"Bom dia Sr. Eng. José Martino

Antes de mais quero felicitá-lo porque parece-me realmente profícuo o serviço que está a prestar neste seu blog. Encontrei-o enquanto pesquisava a internet acerca de mirtilos e vejo que tem esclarecido muita gente que a si se tem dirigido.

Nesse sentido, gostaria também de lhe colocar a seguinte questão:

Possuo alguns terrenos dispersos pelo distrito de Viseu que pretendo rentabilizar, mas estou indeciso entre cultivar mirtilos ou avelãs. Os mirtilos são certamente mais rentáveis mas também muito sensíveis pelo que precisam de grande disponibilidade e eu só poderei dedicar-me a este projecto em part-time. A opção das avelãs surge pela sua grande capacidade de adaptação e pelo facto de o meu pai ter plantado recentemente meio hectare (poderá ser interessante aumentar essa área em vez de me dedicar a uma cultura diferente). Não sei muito acerca da rentabilidade da aveleira mas penso que, em comparação com outros frutos, ainda é considerável.

Posto isto, na sua opinião qual é a melhor opção?

A área a cultivar será, numa primeira fase, de cerca de um hectare e pretendo fazê-lo através de uma candidatura aos incentivos para instalação de jovens agricultores.

Cumprimentos,
Rafael Cordeiro"


Comentários:
1 - Na minha opinião, o investimento nas avelãs será interessante se a dimensão da exploração for superior a 10 ha (precisa de mecanizar a colheita). Para obter pormenores sobre esta interessante cultura recomendo que contate a Eng. Arminda Lopes na Estação Agrária de Viseu, DRAPC 
 
2 - Consegue instalar-se um jovem agricultor com 1 ha de mirtilo.
 
3 - O mirtilo obriga a que tenha disponibilidade de mão de obra para a colheita, 4 a 6 pessoas, durante 1,5 meses, partindo do pressuposto que coloca 1 ha com pelo menos 4 variedades de mirtilo com maturações não coincidentes. Por outro lado, obriga a que durante a colheita tenha alguém responsável pelo controlo de qualidade porque terá que garantir que dentro de cada cuvete, tabuleiro e palete, os frutos têm o mesmo padrão de coloração e o mesmo estado de maturação, sob pena se ser zero o valor comercial dos mirtilos.




4 - Na minha perspetiva, se tiver a dimensão de exploração, mesmo em várias parcelas, quer as avelãs, quer os mirtilos são atividades rentáveis, muito interessantes e com futuro.     

Com 1 ha de terra pode-se obter as ajudas do ProDeR para instalar um jovem agricultor?

Henrique disse...
"Bom dia, Eng. José Martino.
Antes de mais os meus parabéns pelo blog. Já agora felicita-lo a si e a sua empresa, pelo trabalho desenvolvido na exploração de kiwis em sobrado de um amigo meu. Eu tenho algumas questões a colocar, será que pode ajudar-me?
1- Tenho um hectare se posso obter ajudas da proder, a prémio jovem agricultor e primeira instalação.
2- O terreno está em nome do meu pai se tenho que mudar para o meu?
3- Se em breve vai haver outro curso de pequenos frutos na sua empresa?
4- Eu pedi um orçamento a uma empresa, para árvores e turfa eles garantem o escoamento do produto só não sei se me ajudam nos projectos de ajudas da proder, se não o fizerem se posso contactar o (espaço visual) para me ajudarem e se sabe mais ou menos quanto fica os honorários.

O meu muito obrigado pelo tempo prestado."

Comentários:
1 - Pode obter ajudas do ProDeR para se instalar como jovem agricultor tendo uma exploração agrícola constituida por um terreno com 1 ha de superfície, tendo para o efeito de apresentar um investimento numa atividade que seja rentável nessa dimensão. Exemplos, pequenos frutos (mirtilos, framboesas, amoras, gogi, etc.), floricultura em estufa, horticultura em estufa, produção de coelhos para carne (se for permitido construir pavilhões), porcos bízaros, etc.

2 - Pode candidatar-se através da cedência gratuita do terreno (contrato de comodato) ou contrato de arrendamento.

3 - Está a arrancar organizado pela Espaço Visual, um novo estágio de pequenos frutos, pelo que, pode inscrever-se nesta próxima semana (a próxima sessão será no Sábado, dia 26 maio).

4 - A Espaço Visual elabora projetos para instalar jovens agricultores. Recomendo que contate a eng. Sónia Moreira para esclarecer as suas dúvidas (telemóvel: 917 075 852; e-mail: sonia.moreira@espaco-visual.pt)  

sexta-feira, 18 de Maio de 2012

Mirtilos (7)

"Boa tarde, eu tambem estou a pensar em plantar mirtilo mas na zona de moncao, tenho um terreno disponivel com cerca de 2300 m2. A minha maior questao para ja é para onde escoar o mirtilo pois aqui ainda não ha grandes producoes."

Comentários:

1 - Tente investigar porque certamente há produtores a instalar mirtilos no concelho de Monção.

2 - Se plantar 4 a 6 variedades de mirtilos no terreno que tem disponivel certamente que conseguirá fazer a valorização do mirtilo no mercado local sem assumir risco de comercialização

3 - Pode obter 50% de subsídio ao investimento se apresentar projeto aos apoios do ProDeR para investimentos de pequena dimensão (ação 1.1.2)

Apicultura


1 - Serão apoiadas pelas ajudas da ação 1.1.2 (investimentos de pequena dimensão) a compra das colmeias, alças, material apícola e preparação do terreno para instalar o apiário.
2 - Não é elegivel a compra dos enxames, terá de os comprar com os seus capitais.O preço dos enxames varia de 55 € a 85€ cada.


3 - A minha sugestão é que pelo mesmo valor de investimento deveria apresentar um projeto de instalação de jovem agricultor, no qual teria 100% de apoio em lugar dos 50% que captará na ação 1.1.2. Em ambos os casos terá de suportar o investimento nas abelhas/enxames e o valor do IVA.

4 - Sinceramente acho a apicultura uma atividade rentável e de futuro para os apicultores que tenham experiência, rigor, organização, etc. A experiência ganha-se com estágios junto de apicultores ou frequentando o estágio de apicultura, com a duração de 1 ano, organizado pela Espaço Visual. O rigor e organização são inerentes ao perfil do empresário, isto é, se é intrinsecamente rigoroso e organizado, a apicultura é um negócio certo para ser um emprésario mesmo em part time. Caso contrário, pense em produzir mirtilos que suportam mais erros que as abelhas

5 - A apicultura é uma atividade muito interessante, mesmo em pequena dimensão, porque produz no próprio ano, pode ser exercida em part time e está muito ajustada a atividade por conta própria com recurso a mão de obra familiar. Pode limitar os custos com a compra dos enxmaes porque não precisa de adquirir a sua totalidade, pode adquirir alguns e desdobrá-los nos anos seguintes.
Há um forte potencial de mercado para exportação do mel.

Formalização da Compra de Terreno em Projeto ProDeR

Dina Andrade disse...
"Bom dia

Sou do distrito de Viseu e vou fazer um projecto de jovem agricultor. possuo 4 hectares de terra e vou comprar mais 1 hectare. A minha qestão é a seguinte: quais os documentos necessários a apresentar no momento de submeter o projecto relativos à compra do terreno? é necessário ter a escritura ou pode ser um contrato promessa de compra e venda? e relativamente a arrendamento, é necessário possuir o contrato de arrendamento ou é suficiente um contrato promessa?

Muito obrigada e parabéns pelo blog."

Comentários:
1- Para formalizar a compra do terreno terá que submeter nos dez seguintes à submissão do projeto, a cópia da escritura de compra e venda do terreno, se realizada nos três meses anteriores á data de apresentação do projeto ou o contrato de promessa de compra e venda da parcela.

2 - Neste último caso (submissão do contrato de promessa de compra e venda da parcela) terá que estar atenta ao pormenor da titularidade da parcela, isto é, o contrato de promessa de compra e venda prevê que realizará a escritura logo após da aprovação do projeto para poder fazer o parcelário como proprietária ( é necessário apresentar o parcelário para poder assinar contrato de ajudas com o ProDeR) ou no caso de não ser possivel fazer a escritura de compra e venda do terreno nessa altura, terá que possuir, à data de apresentação do projeto, um contrato de comodato (cedência gratuita) ou arrendamento, da parcela objeto de compra e venda. 

 

quinta-feira, 17 de Maio de 2012

Políticas de Nova Geração para a Agricultura

"Rui P. disse...
 
Boa tarde!

Percebo pouco de economia, mas como podemos considerar sustentável e importante para a criação de riqueza no país uma actividade económica que está altamente dependente de apoios/subsídios ao investimento e à produção?

Se, no caso em concreto, existe um programa que suporta pelo menos 75% dos custos de investimento, quem vai suportar estes custos no futuro (aos quais ainda acrescem os subsídios à produção)? É certo que os custos não são imputados directamente ao produtor mas, vindo o dinheiro da UE, mais tarde ou mais cedo (directa ou indirectamente) o país (todos nós) teremos de o pagar e com juros.

Não seria mais vantajoso apostar em projectos com investimentos e custos de manutenção mais ajustados à nossa escala/capacidade? Salvaguardando a criação de um plano de seguros que protegesse o produtor dos riscos inerentes à actividade agrícola?

Obrigado pela oportunidade de expor estas dúvidas.

Cumprimentos,"
 
Comentários:
 
1 - Tenho todo o gosto em que exponha as suas ideias e as suas dúvidas porque do debete ideológico estruturado nasce a "massa crítica", corrente de opinião que consegue analisar e explicar os fatos e números da agricultura portuguesa com argumentos que levam e obrigam a uma política coerente para as agriculturas de Portugal.
 
2 - As agriculturas de  Portugal estão dependentes de apoios/subsídios à produção e à exploração porque estão integradas na União Europeia, um grande bloco produtor, onde esta atividade existe e está desenvolvida dentro dessa regra de jogo. O principal bloco competidor, os EUA, também o fazem, embora de forma encapotada. Nos países emergentes, Brasil, Rússia, India e China, bem como os países do 3.º mundo, o embaratecimento do valor das produções agrícolas é feito através do não cumprimento de regras de defesa do ambiente e da ausência de direitos sociais dos trabalhadores, os quais Portugal felizmente tem  de cumprir.
 
3 - A Europa deveria exigir e implementar regras para que os produtos agrícolas que os europeus consomem deveriam  cumprir as mesmas regras que exige aos seus agricultores. Infelizmente tal não acontece porque a agricultura europeia é moeda de troca para as exportações de produtos industriais, a Europa aceita a importação de produtos agrícolas com dumping ambiental e social como contrapartida para poder colocar nos mercados dos países dos outros continentes, os seus produtos industriais.
 
4 - O que se verifica é que nos países desenvolvidos a agricultura tem peso e está desenvolvida porque felizmente a alimentação da população está dependente das produções agrícolas próprias.
 
5 - Por outro lado, quer na europa, quer em Portugal os agricultores prestam um conjunto de serviços públicos que não são pagos pelo mercado: manutenção da biodiversidade quer animal, quer vegetal, paisagens tipicas das regiões com qualidade intrínsecas, as quais são usufruidas pelos turistas que pagam alojamento e refeições, manutenção da qualidade da água que abastece as populações (os solos cuidados funcionam como filtros para que a água tenha alta qualidade) produção de oxigénio, manutenção atividade económica e social no interior de Portugal, etc.   
 
6 - Os agricultores que prestam os serviços públicos pagam a fatura da atividade que exercem, quer através de baixos rendimentos, quer através de condições de vida infra humanas, habitações com condições de insalubridade, trabalho de sol a sol, 365 dias por ano. Na minha opinião, as ajudas ao rendimento deveriam ter em conta o serviço efetivamente prestado pelo agricultor à sociedade, assim como as necessidades de rendimento do agregado familiar para que a esta tivessse efetivamente o mesmo nivel de rendimento económico e financeiro de outra cujo chefe tivesse uma profissão que não fosse agricultor. Os apoios ao rendimento são atribuidos por superfície de cultura ou cabeça animal sem ter em conta os dois critérios que elenquei: o serviço efetivo prestado pelo agricultor e as necessidades do agregado familiar.

7 - Deveria ser implementada uma reforma estrutural que defendo: incentivar que os agricultores produzam dentro da economia de escala da atividade que desenvolvem (dimensão da exploração que baixa os custos fixos. Exemplos, macierias, 15 a 20 ha; olival, 20 a 30 ha, produção de leite de vaca, efetivo de produtivo de100 a 120 vacas, etc.)  tendo como objetivo que 50% das produções portuguesas advenham destas explorações mais competitivas.

8 - Na realidade, o que custa ao cidadão é quando que são atribuidas ajudas públicas a explorações agrícolas que no médio longo prazo deixam de ser competitivas, por não terem empresários competentes e/ou dimensão próxima da economia de escala, as quais encerram sem serem integradas noutras que tirem partido dos invesitmentos nos seus aparelhos produtivos. Este fato é resultado da política seguida desde a integração europeia em 1986, de atribuição de dinheiro públicos a todos sem critérios de interesse público, competência dos agricultores, dimensão da atividade/exploração, atividades, etc.

9 - Defendo políticas públicas de nova geração como por exemplo, bolsa de terras, crédito tipo habitação para a agricultura, provedor do agricultor, seguros agrícolas de rendimento, tramitação pelo ministério da agricultura dos processos burocráticos dentro dos prazos legais, etc. (ver as propostas que estão explicadas neste blog) 
 
  

quarta-feira, 16 de Maio de 2012

Formação Profissional para Obtenção das Ajudas de Jovem Agricultor


"Boa noite Sr. Eng, José Martino.
Poderia informar-me sobre quais os módulos obrigatórios e a duração dos mesmos para quem tem formação superior (licenciatura) em área não agrícola?
Cumprimentos

José Maria Lopes de Carvalho"
 
Comentários:
 
1 - Ao preencher a candidatura  para a instalação de jovem agricultor o formulário indica quais os módulos que o jovem agricultor tem que frequentar.

2 - Creio que terá de frequentar os 4 módulos,  se não tiver experiência agrícola na área do investimento (ver os módulos que estão descritos neste blog)

Porque se deve investir na agricultura?

O leitor Luis Ferreira escreveu neste blogue:

"(15k euros +2,2k euros)x15ha = 258.000 euros

a 6% ao ano => 15.480 euros/ano
a 8% ao ano => 20.640 euros/ano
a 10% ao ano => 25.800 euros/ano
a 12% ao ano => 30.960 euros/ano

é só escolher a taxa de risco a que se quer expor (existem taxas bem mais altas, mas que não recomendo)...

... e fica com todo o tempo do mundo para somar o rendimento de um parte time, sem stress, sem ter de gastar mais dinheiro na compra de terra, sem andar preocupado com as chuvas, a geada (...) deite fora todo o rendimento, aliás, que some prejuízo em cima de prejuízo.

Depois tem de somar IVAs, IRC, PECs, retenções, Segurança Social, Condições de trabalho, formalismos...

Pense bem antes de se empenhar.

Luís Ferreira"

Comentários:

1 - Na sua análise deve entrar em linha de conta com os apoios do programa VITIS que suportam pelo menos 75% dos custos de investimentos na vinha, bem como aos fatores que maximizam a produtividade da vinha e a valorização das uvas, o que baixa fortemente o risco. Parte do principio que  os investidores dispõem à partida de todo o dinheiro para suportar os custos de investimento e de exploração, o que não acontece com a maioria dos casos.

2 - É importante fazer uma análise de rentabilidade e de risco à atividade agrícola que se quer abraçar, ponderando e refletindo sobre os fatores criticos de sucesso, mas mais determinante é o perfil do empresário, a sua determinação, coragem, capacidade de gestão da mão de obra e a resiliência. Se o racicionio do leitor fosse correto, os melhores empresários seriam os economistas e gestores, bem como os melhores empresários agrícolas seriam os engenheiros agrónomos, a realidade é bem diferente.

3 - Cada um deve investir nas atividades para as quais tem vocação ou sonho, em lugar de embarcar no lado fácil de partir do pressuposto que a agricultura ou o empreendedorismo não são interessantes como projetos de vida.

4 - Ontem tive o grato prazer de almoçar com dois empresários da agricultura que começaram do zero e numa geração ergueram empresas agrícolas e agroindustriais muito importantes. Se optasem pela estratégia das aplicações financeiras certamente não teriam contribuido da mesma forma para a criação de riqueza e emprego em regiões desfavorecidas de Portugal. Tenho a certeza que alguns dos jovens que se estão a instalar na agricultura, dentro de 30 anos, estarão neste mesmo patamar de sucesso.

5 - Como se pode conseguir deter capital sem fazer investimento produtivo? Será sustentável a estratégia pessoal e de um país que privilegie os mercados financeiros? Está a vista o que esta estratégia da não produção de riqueza através da agricultura, indústria, pescas, extração mineira, serviços exportadores, etc., produziu em Portugal.

6 - Os empresários agrícolas são importantes para ajudar a combater a crise económica e fiananceira que se abateu sobre Portugal. Para muitos jovens desempregados a agricultura é uma oportunidade empresarial para exercerem o seu talento e implementarem os seus projetos de vida 

3 -   

Rentabilidade da Cultura da Vinha e Economias de Escala

"Exmo. Sr. José Martino,

Em primeiro lugar muito obrigado pela sua resposta.

De facto e em resposta às questões por si colocadas, e após ter feito uma análise/estudo económico verifica-se que o custo de instalação de uma vinha mais a sua manutenção por hectare tem valores bastante elevados, e num pequeno estudo que fiz (e desde já Alerto os leitores que estes valores puderam não ser totalmente verídicos), verifica-se que a instalação por hectare de vinha anda à volta dos “15.000,00€” e a manutenção poderá andar à volta dos “2.200,00€” isto por hectare. O preço de venda das uvas, sem a sua transformação, é variável e não muito elevado…
Em conclusão verifica-se que como refere o Sr. Engº José Martino é necessário ter uma exploração com uma dimensão considerável para se obter lucro.

Uma outra questão de âmbito geral que lhe gostava de colocar é se o Olival em Portugal, comparado com outros países tem potencial de desenvolvimento?

Desde já grato pela atenção dispensada.

Cumprimentos,

Vitor M. Pereira,"

Comentários:

1 - Creio que os valores de investimentos e de exploração de uma vinha estarão elevados, embora 15 000 € é um valor de investimento para implantação de vinhas em zonas muito inclinadas, podendo em média considerarem-se os 10 000 €/ha. 

2 - No seu estudo económico terá de entrar em linha de conta com os apoios do Programa VITIS que suportarão a maior parte do custo de investimento, diminuindo o seu risco.

3 - O ponto chave da rentabilidade, na minha opinião, fica na diferença entre o rendimento bruto, que resulta do produto entre a produtividade (quilos por hectare de uvas) e o preço médio de venda das uvas e os custos variáveis de exploração. Se à diferença indicada atrás forem deduzidos os custos fixos por hectare (custos fixos totais a dividir pelo número de hectares) encontraremos um valor para o rendimento liquído que será maior quanto maior for a dimensão da exploração que otimize este tipo de custos. Por outro lado, deve-se pensar qual a dimensão de uma exploração vitícola que otimize o fator de produção trabalho, ou seja, sem incrmento de custos, a maior especialização da mão de obra que leve à maior produtividade das vinhas e à maior qualidade das uvas, que se traduzirá em maior na obtenção de maior preço na sua valorização (deve analisar quais os fatores que deve empregar no seu caso para impedir o abaixamento valor de venda das uvas que se tem vindo a verificar nos últimos anos). Ponderando estes dois fatores, creio que será de 15 hectares a dimensão minima de uma exploração viticola que queira ter uma rentabilidade boa, tendo melhores resultados acima dos 25 ha.

4 - Pode ter lucro com uma pequena superfície de vinha, no entanto, parece-me mais interessante obter  bons resultados nos investimentos, se o resultado em valor absoluto, for um valor que motive o empenhamento e assunção de risco pelo empresário. Para a minha pessoa, este valor minimo é  de 25 000 euros por ano.

5 - O olival tem potencial de crescimento em Portugal no modo de produção biológico, bem como através da mudança a estratégia de valorização dos azeites, acho que se devia copiar com valor acrescentado a estratégia comercial de Itália, em lugar de seguirmos de perto a estratégia espanhola dos preços baixos para o azeite.

6 - Defendo que em Portugal se deveria seguir uma política que levasse a que 50% da produção fosse proveniente de explorações com a dimensão miníma da economia de escala, segmento este dos melhores profissionais que contribuiriam para a coesão económica e seriam o exemplo e a locomotiva para cada fileira produtiva. As explorações dos outros 50%, a maioria em número, contribuiriam para a coesão social.
As ajudas públicas ao investimento deveriam ser canalizadas em 70 a 80%  para o 1.º segmento, como forma rentabilizar os dinheiros públicos que são escassos e de criar sustentabilidade económica nas agriculturas de Portugal  

domingo, 13 de Maio de 2012

Agricullturas na região de Trás os Montes (2)

"Boa tarde,

Exmo. Sr. José Martino,

Em primeiro muito obrigado pela sua resposta.

No mesmo seguimento (não querendo entrar em questões de natureza técnica, pois existem locais apropriados), na sua visão de Engº. e impulsionador do desenvolvimento da agricultura, qual acharia o/a melhor plantação a ser executada nesta região (Trás-os-Montes) de forma sustentada e sustentável? Tenho alguma experiência dos meus pais na viticultura “área pela qual tem gosto”, não em produções para venda em grandes quantidades.
Tenho visitado a referida região e verifico que a aquisição de 4.08ha de terra não é um investimento muito elevado (e com as ajudas do ProDeR era possível desenvolver uma actividade agrícola sustentada), contudo penso na minha visão de que não o suficiente para a vinha (produção modo biológico). Existe também o período de sazonalidade que teria de ser combatido com produções de rentabilidade a curto prazo

Qual a sua visão para rentabilizar melhor os 4.08ha?
Um total de 500 Oliveiras teria rendimento?

Para terminar irei entrar em contacto com a sua instituição para que possa elaborar um plano negócio e estruturar devidamente as ideias.

Desde já grato pela atenção dispensada, e um obrigado pelo serviço desenvolvido no seu blog.

Cumprimentos,

Vitor M. Pereira,"

Comentários:

1 - Na minha opinião, para as várias subregiões que constituem a região de trás os Montes há potencialidades para o desenvolvimento e implementação das diversas atividades agrícolas que enunciei no meu post de resposta e outras (A vinha e o vinho, o castanheiro, a oliveira, a amendoeira, os produtos tradicionais de qualidade, o porco bízaro, as raças autóctenes de bovinos, ovinos ou caprinos, as macieiras, pereiras, cerejeiras, pequenos frutos (morangos, mirtilos, framboesas, aromas, etc.), apicultura, cogumelos, hortícolas, batata, etc.) Não há uma única atividade que seja a "salvação da lavoura", pois há lugar para o sucesso agrícola de Trás os Montes através de um conjunto muito alargado de agriculturas.

2 - Na minha perspetiva deve pensar em dedicar-se à vinha se o seu objetivo a médio longo prazo for ter uma exploração viticola com um minimo de 15 hectares de superfície para melhor suportar a amortização dos custos fixos. A minha sugestão é que faço um estudo económico da viticultura, tendo em conta os custos de investimentos, custos de exploração, a produtividade e o preço de venda das uvas. Quem lhe irá comprar as uvas? Pensa transformá-las em vinho? Neste ultimo caso que qual a rentabilidade da atividade? Quem lhe irá valorizar o vinho?
Nota: a longo prazo o consumo de álcool, mesmo dos vinhos, irá ser penalizado na sociedade pelos problemas de saúde que acarreta, pelo contrário, os hortofrutícolas terão um forte potencial de consumo.

3 - Para equilibrar a sua exploração agrícola deve optar por uma atividade que produza no mesmo ano da implantação, como por exemplo, morangos, a apicultura, framboesas, floricultura, etc.

Decisões sobre investimentos na agricultura

"Bom dia Eng.º

Não conhecia o seu blogue mas realmente para ter uma maior noção das coisas é muito útil.
Estou numa fase inicial ou fase embrionária da questão pretendia uma orientação mais específica pelo que estou a solicitar o seu apoio.
Tenho alguns terrenos que gostaria de explorar e rentabilizar. Trabalho na área agrícola mas em relação a este tipo de investimentos e quando penso em custos e lucros estou fora de todo.
Portanto dou-lhe este informação no sentido de me poder esclarecer e dar uma noção do real.

Tenho 4.5 hectares de floresta, ambos tiveram eucaliptos, um em principio manter-se-á com os mesmos e outro cujos eucaliptos foram cortados recentemente (cerca de 2 hectares) tinha a ideia de colocar pinheiras-mansas. É um investimento que justifique mais que o eucalipto?

Outra situação: tenho um outro terreno com cerca de 2.5 hectares aproximadamente que tinha pensado em instalar um pomar (pêra ou maça), a zona não é a mais forte para este tipo de pomóideas (zona de Abrantes) mas é um projeto que gostaria de desenvolver. O solo coloquei-o recentemente para análise de modo a verificar a viabilidade deste mas penso que tem as caracteristica devidas.

Até que ponto é credível recorrer a um projecto de investimento para estas situações?


Existem apoio para investimentos de pequenas dimensões como pequenas estufas e tractores?


Obrigado pela ajuda e continuação de bom trabalho.

André Filipe
Abrantes"

Comentários:

1 - Quais as razões que o levam a optar pela produção de pinhões? A quem irá vender as pinhas? Será que os 2 ha de pinheiros mansos lhe darão um rendimento minimo que compense ter de se preocupar com uma atividade florestal alterntiva ao eucalipto?
Colocadas as questões seguem-se os pensamentos: potencialmente os pinhões são melhor produto que os eucaliptos. O terreno em causa terá aptidão para ambas as culturas? Quem fará a valorização das produções?  É fácil em Abrantes comercializar as pinhas?

2 - A minha sugestão é que peça a um especialista para visitar os seus terrenos com o objetivo verificar a aptidão dos terrenos possuem para a cultura de pomoideas porque infelizmente os agrónomos tal como os médicos, não conseguem fazer diagnósticos sem visitarem os terrenos ou terem a presença dos doentes.

3 - Creio que se houver possibilidade de nos 5 ha conseguir implementar culturas agrícolas tenho a convição que poderá obter as ajudas do ProDeR, se tiver condições de elegibilidade, para se instalar como jovem agricultor.

4 - Nas ajudas para os pequenos investimentos são elegiveis, as estufas e não elegiveis, os tratores

5 - P. f. não desista de concretizar os seus sonhos e lute com todas as forças para obter sucesso.

sábado, 12 de Maio de 2012

Mirtilos (6)

 

Publiquei a 21 de janeiro o seguinte post:

"Mirtilos: a árvore das patacas

Questão colocada por um leitor:
"Preocupam-me, sobretudo, duas questões na cultura do mirtilo: a elevada dependência da mão de obra e a quantidade de área que se está a plantar em mercados que produzem em simultâneo com o nosso. Só no ano passado houve reduções do preço pago ao produtor em 25%. E foi só com base num pequeno susto com a produção espanhola... O que acha desta questão? FS"

Comentários:
1- Visitei ontem uma exploração de mirtilos que produz 30t/ha. Digam-me por favor qual o valor do rendimento líquido da cultura?
Contas de merceeiro: 30000 kg x 3 € = ....€??? ou 30000 kg x 4 € = ...€??
Ponham os custos que considerem razoaveis, pois chegarão a mesma conclusão que eu cheguei: o mirtilo tem uma das melhores rentabilidades das atividades que se podem desenvolver na agrícultura!
2 - Quem for capaz de atingir a produtividade enunciada em 1- não tem medo de espanhois ou de qualquer outra concorrência porque o preço deixa de ser determinante na rentabilidade da cultura
3 - Contra factos não há argumentos: quem for capaz de produzir mirtilos empregando a tecnologia adequada tem o rendimento assegurado para os proximos anos, mesmo que seja necessária muita mão de obra para colher e seja caro o respetivo custo de colheita.
4 - Para terem acesso á tecnologia adequada para a produção de mirtilos devem inscrever-se no respetivo estágio promovido pela Espaço Visual (tel. 22 450 90 47)"
Interessante número, mas 30 ton/ha como o consegue? Fertirrega? Maior densidade de plantação? Variedades superprodutivas (eventualmente sujeitas a royalties)?
Pergunto isto porque este número é sensivelmente o triplo do "normal" e porque procuro estar a par do potencial produtivo de cada cultura e método produtivo.

Consegue-se sempre produzir mais, dependendo da variedade e da fitotecnia...normalmente com uma proporcionalidade direta dos custos de investimento.

Um exemplo interessante, para mim, é a produção de morango. 10-30ton/ha no solo e 70 ou mais ton/ha em hidroponia e uma série de outras condicionantes técnicas, sendo que o nível de investimento é completamente diferente.

Portanto, outra questão lógica que me surge é se os custos de investimento e de produção, para uma produtividade de 30ton/ha de mirtilo, são iguais aos "preconizados" para a produtividade "normal".

Cumprimentos
PM

Comentários:

1 - Para  se obterem grandes produtividades por hectare tem que se fazer uma excelente preparação do terreno para a plantação, com enriquecimento em matéria orgânica e correção do pH. A densidade de plantação deve ser 1,0m x 2,75 m, compasso usual na Holanda. Utilizar plantas fortes, desenvolvidas, com alguns anos de viveiro, variedades modernas.

2 - Os custos de investimento que se estão a ser aceites pelo ProDeR chegam para se utilizarem os melhores fatores de produção e plantas de excelente qualidade.

3 - Como é lógico os custos são superiores (até 20%), mas a rentabilidade é exponencialmente mais elevada como podem verificar pelas contas que fiz no texto acima.
   

Alhos


"charlesnew disse...
Antes de mais, gostaria de felicitar o Jose por este excelente serviço que presta, tenho retirado aqui muita informaçao e é sempre bom ouvir a opiniao de quem sabe!
queria agradecer a sua resposta, pois eu estou para iniciar me como jovem agricultor, ouvi falar em produçao integrada e gostei do que ouvi, contudo acho que vou optar por produçao biologica, na sua opiniao acha ser possivel ou viavel a produçao biologica em grandes quantidades, ou apenas para consumo caseiro?
vou apostar no alho como sendo a principal produçao mas pretendo ter uma variedade de outros produtos, desde o marmelo a castanha mas estes dois a longo prazo!
Pesquisei e nao encontro locais pra visitar onde se faça produçao de alho pra tirar algumas ideias sera que me pode ajudar? dai tb nao saber a rentabilidade por hect na produçao do alho, pesquisei e nao encontrei maquinaria pra produçao desta cultura, sera que se faz manualmente como os meus pais faziam ha uns anos?
cumprimentos"


Comentários:
1 - Acredito e tenho a certeza que a agricultura em modo de produção biológico pode ser desenvolvida em escala empresarial. Recomendo que visite os projetos das Raizes, Cantinho das Aromáticas e Vasco Pinto.

2- Felicito-o por escolher uma gama de produções com culturas anuais (hortícolas) e outras de médio longo prazo (frutícolas). Parece-me que é a escolha acertada.

3 - Recomendo que visite os mercados abastecedores de Lisboa, Porto ou Coimbra onde pode encontrar comerciantes de alhos que lhe podem referenciar produtores que poderá visitar, quer em Portugal, quer em Espanha 

sexta-feira, 11 de Maio de 2012

Solução Para Comercialização dos Pequenos Frutos

Recebi a notícia que pretendo divulgar publicamente que o grupo Sousacamp e a empresa "Target Flavours" subscreveram contrato de parceria para a exportação/comercialização de pequenos frutos, assim como para a instalação dos respetivos pomares chave na mão ou fornecimento de fatores de produção incluindo as plantas.

Quem estiver interessado em comercializar os seus frutos através deste consórcio ou na instalação de pomares deve contatar o prof. Nuno Luz (targetf.nl@gmail.com; telemóvel 916 163 122).

A seu tempo indicarei outras soluções para a comercialização de pequenos frutos

Política de Respostas aos Leitores

Tenho recebido centenas de e-mails de potenciais jovens agricultores que me pedem conselhos para os seus projetos, pelo que, decidi, já há algumas semanas, que responderei através deste bog, dentro do tempo que tenha disponivel, aos pedidos que aqui sejam colocados. Acho que desta forma prestarei melhor serviço aos meus leitores porque as respostas dadas servirão como esclarecimento para as dúvidas de muitos outros.

Todos aqueles que pretendam respostas exclusivas, pessoais, ajustadas às sua necessidades, não públicas, deverão contatar a eng. Sónia Moreira que informará sobre o valor dos honorários que cobraremos para cada um dos caso (sonia.moreira@espaoc-visual.pt; 917 075 852).

Informo que, sempre que cobramos qualquer valor de honorários, informamos previamente os clientes sobre o seu valor e que estes aceitam pagá-los.

Instalação de Jovem Agricultor em Exploração Familiar




"Anónimo disse... Boa tarde.
Os meus pais são criadores de raça barrosã, e fazem cultura de milho, batata e centeio.
Há já algum tempo que penso em dar seguimento a estes trabalhos.
Eu poderia meter um projeto de jovem agricultor explorando as terras e os animais deles?

Obrigada"


Comentários:

1 - Parece-me muito sensato e avisado que queira continuar com a exploração dos seus pais, modernizando-a e melhorando a sua rentabilidade, pois terá a experiência e o saber necessários para avaliar com pormenor quanto vale e que riqueza pode gerar esse negócio agrícola.

2 - Tem que fazer uma análise profunda à exploração, técnica e economica, verificando pormenor a pormenor o que está bem e não necessita ser mudado, bem como aquilo que está mal e que implica fazer de novo, modernizar e melhorar. Irá verificar, por exemplo, a coerência entre as atividades criação de animais de carne da raça barrosã e a cultura da batata. Tenha em atenção que a sua exploração agrícola deve ter a dimensão que lhe permita sustentar a sua família.

3 - Após essa análise chegaria ao valor dos investimentos necessários, rendimentos e custos de exploração, concluindo-se do seu interesse e rentabilidade.

4 - Sendo rentável o projeto, poderia apresentá-lo ao ProDeR explorando as terras e os animais dos seus pais, eventualmente junto com outras terras cedidas ou arrendadas ou outros animais seus que poderá adquirir no futuro.
5 - Obterá um prémio de 1.ª instalação até 30 000 euros (40% do valor do investimento do plano empresarial: despesas elegiveis (aceites pelo ProDeR) + despesas de aquisição de animais + custos de aquisição de prédios rústicos e terrenos + participações sociais em cooperativas ou outras formas de organização de produtores + custos com direitos de produção agrícola). Serã apoiados com 50% ou 60% os investimentos, conforme cada pacela se situe em região favorecida ou desfavorecida respetivamente, para os seguintes tipos de investimentos:



- Edifícios — melhoramento, construções, aquisição, incluindo a locação
financeira; Instalação de pastagens biodiversas — nomeadamente operações de regularização
e preparação do solo, desmatação e consolidação do terreno; processos de certificação reconhecidos.
- Despesas gerais — nomeadamente, elaboração e acompanhamento
do plano empresarial, estudos técnico -económicos,
honorários de arquitectos, engenheiros e consultores, aquisição
de patentes, licenças e seguros de construção e de incêndio, até
5 % do custo total das restantes despesas elegíveis, com excepção
das relativas à aquisição de prédios rústicos.
- Máquinas e equipamentos — compra ou locação -compra de novas.
- Investimentos associados ao cumprimento de normas ambientais, de higiene
e de bem -estar animal.
 — Contribuições em espécie — desde que se refiram ao fornecimento de
equipamento ou de trabalho voluntário não remunerado.


     



Agricultura da região de Trás os Montes

"Vitor M. Pereira disse...
Boa tarde,

Exmo. Sr. José Martino,

Em primeiro lugar gostaria de o felicitar novamente pelo seu trabalho desenvolvido no seu Blog, bem como a sua colaboradora Sónia Moreira pelas suas explicações.

Uma vez que penso que o Blog tem de ter uma dimensão de resposta mais abrangente “por parte dos leitores que devem ser variados”, venho por este meio solicitar uma pequena questão relativamente à aposta na agricultura na região de Trás-os-Montes:

• A região acima mencionada é um bom potencial para o desenvolvimento da viticultura bem como na agricultura em geral? Com isto quero dizer se os solos são férteis (tendo sempre presente que à casos e casos), bem como o clima?
• A viticultura e a agricultura biológica (tendo presente as suas implicações, pela não utilização dos pesticidas, fertilizantes, etc.), poderá ser ou vir a ser um segmento com futuro quer em Portugal quer para mercados externos?
• Outro segmento que poderia ser viável nesta região é a plantação de Oliveiras?

Para terminar refiro-me a esta região mais em particular pois é uma região bastante agradável e onde existem “penso” pelo que visualizo variadíssimas terras que poderiam ser rentabilizadas.

Desde já grato pela atenção dispensada.
Cumprimentos,
Vitor M. Pereira,

Ajudas a jovens agricultores em pequenos frutos

"José Romão disse...

Boa tarde Sr. Engenheiro Martino...
Parabéns desde já pelo excelente blog

O meu nome é José Romão de Celorico de Basto - Braga

A minha questão passa pelo seguinte:

1- Somos três indivíduos com idades compreendidas entre os 18 e os 40 anos e todos com mais que o 9º ano.
Se eventualmente fizer-mos um investimento no Jovem agricultor através de uma empresa agrícola que albergue as quotas dividas em 33,333% por cada um conseguimos receber de prémio a 1ª instalação 120.000€ ou seja 40.000€ por cada um.

2 - Outra questão é a seguinte se encaixarmos em projeto a aquisição dos terrenos qual é o valor máximo que conseguimos obter de apoio.

3 - Uma vez que não temos muito dinheiro estamos desempregados e está difícil conseguir na banca, qual o valor arredondado que deve ter cada projeto para ficar com algum dinheiro para fazer face as despesas antes da sua máxima produção. Alguns colegas falam que não devo ultrapassar os 80.000€ outros falam em 120.000€ do total do investimento em frutos vermelhos em 2HA.


4 - Qual o prazo médio que demora a aprovar o projeto após submissão.

Muito Obrigado
Cordiais cumprimentos
10 de Maio de 2012 13:08"


Comentários:

1 - A resposta á questão 1 é: não. O projeto nas condições indicadas recebe 40 000 euros como prémio de 1.ª instalação. Para optimizarem o valor dos prémios devem apresentar três candidaturas individuais de jovens agricultores: 30 000 euro x  3 = 90 000 euros. Para receberem os 120 000 teriam que apresentar três candidaturas, cada uma com dois jovens agricultores, preceisam de 6 jovens agricultores = 40 000 euros/projeto de empresa com 2 jovens agricultores x 3 candidaturas.

Conclusão: os prémios de 1.ª instalação são pagos às entidades proponentes, individuais ou empresas, nestas se tiverem dois jovens agricultores sócios o prémio aumenta 10 000 euros de 30 000 euros, prémio individual, para 40 000 euros. Na minha opinião, para o investimento que pretendem fazer, deveriam candidatar 2 projetos individuais e deixar o 3.º jovem para candidatar no próximo período de ajudas de 2014 a 2020.


2 - Consulte este blog neste blog o valor dos apoios à aquisição dos terrenos (o valor do subsídio varia entre 5% a 6% do valor do investimento). 

Em síntese, não recomendo a compra de terrenos, devem optar pelo arrendamento para empregarem o máximo de apoio nos investimentos, com menor incidência de capitais próprios.


3 - Não conseguem ficar com dinheiro para suportar os custos de exploração e o valor do IVA do investimento porque não são elegiveis, apesar do ProDeR apoiar com 100% do valor do investimento até 75000€.

Deve optar com framboesas em estufas para ter uma produção com futuro e rentabilidade, assim como obter rendimento no mesmo do ano do investimento. Como corolário, vão ter de conseguir financiamento bancário atrávés do V/ trabalho ou terão de encontrar um sócio que seja conhecido da banca e que seja o garante do empréstimo. A Espaço Visual presta serviços de assessoria na obtençâo de financiamento bancário, caso tenham interesse devem contatar a eng. Sónia Moreira (sonia.moreira@espaco-visual,.pt; 917 052 857).

4 - Demora 3 a 8 meses a obtenção do contrato das ajudas e posteriormente, 1 a 2 meses para se obter o crédito na conta bancária do proponente do prémio de 1.ª instalação.   

terça-feira, 8 de Maio de 2012

ProDeR: Comprovar a Titularidade dos Prédios Rústicos da Exploração Agrícola

Pedido de esclarecimentos:

"Boa Tarde Engº

Principio por remeter os meus agradecimentos pelo excelente serviço que presta à sociedade e mais especificamente ao setor...
Peço desculpa pelo incomodo, mas precisava que me ajudasse a entender devidamente os documentos necessários à candidatura, assim, no site do Proder nao fica explicito se deve submeter-se a certidão de teor matricial (finanças) ou da conservatória de registo predial... Sendo vital tomar conhecimento, pois preciso fazer a atualização...
Muito Obrigado"

Comentários:

1 - Na submissão da candidatura deve colocar o polígono de investimento que executa numa sala de parcelário.

2 - Para  fazer o parcelário, documento que terá de submeter ao ProDeR para obter o contrato das ajudas, após  a aprovação do projeto, terá de apresentar na sala do parcelário, qualquer um dos documentos indicados, os  quais justificam que se tratam de parcelas de exploração própria (explorador/proponente e o proprietário são a mesma pessoa/entidade).