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domingo, 1 de fevereiro de 2015

Era pois uma voz de bom senso que queria ouvir.


 "Caro Eng. José Martino

Como pode ver acima, NÂO sou agricultora. Mas a minha família até datas relativamente recentes, sempre viveu dos rendimentos da agricultura.

Herdei, a meias com uma irmã, um terreno em Vilar do Torno, Lousada, O terreno que foi sempre tratado pela família está há muitos anos com vinhas e esteve arrendado nos últimos dez anos, tendo os arrendatários deixado tudo em bastante mau estado e muito sujo.

Este terreno tem cerca de 11 hectares, é plano e  praticamente contínuo, possui um beiral e uma casa antiga em ruínas, mas com uma excelente exposição solar. Todas as vinhas têm licenças.

Tivemos entretanto uma proposta de compra e outra de exploração com parceria. A pessoa que nos fez esta proposta, uma pessoa local de uma família de agricultores, pretende arrancar a vinha, se não toda pelo menos a mais velha, e plantar olival.

Esta hipótese  da parceria agradava-me, porque permitia ficar com qualquer coisa na terra que sempre foi nossa e transmiti-la a filhos e netos. Mas põe-se a dúvida: será a exploração viável? Será rentável? Será mais lucrativo vender pelos 450.000/500.000 da proposta que temos (ainda não formalizada) e que é a opção da minha irmã?

 Ou será que vendendo estamos a “deitar fora” um bem que já não se fabrica mais e que nos poderia trazer algum rendimento anual, se calhar melhor do que investir o dinheiro em bancos ou em imóveis?

Tenho lido os seus blogues com interesse pois parecem-me cheios de bom senso. Eu já não sou nova, mas sou e quero continuar a sê-lo, uma pessoa activa. Reformada (miseravelmente) não me imagino a cruzar os braços ou a ir para universidades seniores ou afins. Era pois uma voz de bom senso que queria ouvir.
Atentamente"

Comentários:
1 - Parece-me má opção colocar olival no concelho de Lousada pois não tem condições de clima para esta cultura, além de que a economia de escala mínima é pelo menos ao nível dos 20 hectares de exploração (a médio / longo prazo corre o risco de não ter rentabilidade e não receber a renda)

2 -  Caso os solos fossem os adequados, recomendaria a cultura dos kiwis para os 11 hectares de  exploração agrícola (a economia de escala mínima fica nos 8-10 hectares) e a venda das licenças de vinha. OU reconverter a vinha utilizando as ajudas previstas nos projetos Vitis, caso  a Vossa exploração permita produzir uvas para vinho verde de alta qualidade e fazendo a exploração através de parceria.

3 - A renda da sua exploração pode variar entre os 500 e os 1000 euros por hectare e ano. (Só visitando o terreno teria condições para lhe indicar valores mais  ajustados).

4 - Compare o valor da renda com o valor dos juros da aplicação do montante da venda e assim pode na atualidade ter um critério para tomar uma decisão.

5 - Cenários possíveis?
a) Venda:  Conseguem vender por 500 000 euros, pagam os impostos, dividem o dinheiro, metade para cada irmã. Aplica no banco a sua parte, pode correr o risco de perder valor  e provavelmente esta opção deixará a irmã satisfeita.
b) Arrendam a propriedade: o património continua na família e vão usufruindo da renda. O valor do imóvel irá manter-se ao longo do tempo. Corre o risco da sua irmã não ficar satisfeita com a solução e ser fonte de divisão familiar a médio longo prazo.   
c) Investem e exploram a propriedade em parceria: fazem o investimento e a exploração é feita por uma empresa que assume todos os custos e entrega uma parte das produções (recomendo que contate o Eng. Pedro Bragança da Landman: pbraganca@landman.pt).

6 - O que sonha fazer quando se reformar? Se o seu sonho passar pela agricultura prepare-se psicologicamente para uma atividade dura porque irá cometer erros, recomeçar, tentar e tentar, n vezes, até ter sucesso. Tenho a certeza que ao fim de alguns anos se irá sentir muito satisfeita consigo própria e com a vida.

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