O autor deste blogue reserva-se o direito de publicar e responder aos e-mails e comentários que lhe são enviados (critérios: disponibilidade de tempo e interesse para os leitores). Os e-mails e comentários a merecer resposta devem obedecer à seguinte condição: o seu autor deve estar devidamente identificado com endereço e-mail e número de telemóvel.


domingo, 28 de junho de 2015

Caros Pedro e António

Artigo que escrevi e foi publicado no JN no passado dia 25 Junho.


Caros Pedro e António
José Martino
Consultor agrícola

Caros Pedro Passos Coelho e António Costa - desculpem a informalidade, mas julgo que é um tratamento a que ambos estão habituados -, faltam pouco mais de 3 meses para um de vocês ser o Primeiro Ministro de Portugal.
Dentro de poucos dias, estou certo, o ruído será tanto que pouco ou nenhum espaço será possível obter para discutir e refletir com algum sentido de Estado o estado do país. Aproveito, assim, esta oportunidade para vos enviar o meu caderno de encargos.
Tenho tido a felicidade de há mais de 10 anos aceder a espaço público para divulgar as minhas ideias. Faço-o escrevendo sobre agricultura, setor que abracei profissionalmente vai para três décadas.
Neste período de tempo, assisti a uma profunda transformação no setor agrícola. De parente pobre da nossa agricultura, passou agora a setor da moda. De economia de subsistência passou a negócio com valor e rentabilidade. De setor de gente envelhecida passou a ser atraente para jovens modernos e inovadores.
Tudo isto foi feito sem a intervenção do poder político e, se calhar, com o alheamento do poder político. Aqui chegados, a coisa pia mais fino. Apesar de nos últimos anos, culpa da crise, a agricultura ter sido um decisivo amortecedor social, não só para travar a emigração como para absorver muito desemprego, setor de criação de muitas empresas e de projetos de sucesso de muitos jovens agricultores e empreendedores, os seus problemas estruturais mantém-se: fracas competências profissionais da mão-de-obra, energia cara, muito acima dos nossos competidores diretos, a produção é remunerada de forma injusta na distribuição de valor ao longo da cadeia, etc.
Por isso, caros Pedro Passos Coelho e António Costa, chegou finalmente a hora da agricultura. Já não bastam discursos de circunstância para captar alguns votos, nem visitas de cortesia a feiras agrícolas.
É preciso mais. E os portugueses vão estar atentos aos programas e à campanha eleitoral. O “partido dos agricultores” é um slogan bonito, mas inconsequente. O próximo Primeiro Ministro tem de colocar a agricultura na primeira linha das prioridades. Dar ao futuro titular estatuto de Ministro de Estado. Porque não?
Por fim, já que estamos a entrar num ciclo político da promoção e criação de valor acrescentado na economia deixo aqui algumas propostas:  a) Fazer a reforma do Estado no que diz respeito ao Ministério da Agricultura e dos Organismos que tutela (avaliar os objetivos de interesse público e se o orçamento está em linha com esse valor); b) Colocar o GPP a fazer ações de benchmarking e elaborar planos estratégicos para as agriculturas de Portugal; c) Elaborar legislação moderna para o Cooperativismo colocando-o em linha com o seu estatuto constitucional; d) Reformar a legislação associativa e o estatuto dos parceiros sociais; e) Elaborar o Plano de Desenvolvimento Estratégico para o regadio do Alqueva; f) Gerir o PDR 2020 através de concursos específicos para os concelhos da Região Interior de Portugal.


Com estas e outras propostas, estou certo que a agricultura portuguesa será cada vez mais o setor líder das nossas exportações e um pilar decisivo para a alavancagem da nossa economia.

Sem comentários: