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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Será que estou a ser demasiado negativo?

 
"Boa tarde,
Isto realmente é uma vergonha, tenho um familiar com um projecto submetido em Julho e não há previsões para quando ele será avaliado. e com esta historia do orçamento e com uma possível queda do governo, provavelmente este ano não existe aprovações de projecto pelo menos de forma a responder aos milhares que estão à espera. Será que estou a ser demasiado negativo? Abraço e continuação de excelente trabalho. Nota: Já assinei a petição."
 
Comentário:
1- Falta massa crítica na sociedade portuguesa sobre a importância dos apoios públicos ao investimento na agricultura e à instalação dos jovens agricultores sobretudo para dois terços do território nacional, as regiões muito deprimidas e sem alternativas de desenvolvimento económico que não sejam a agricultura e a agroindústria.
 
2 - Do grau de importância atribuído ao ponto 1 pela sociedade portuguesa à agricultura assim resultará o mesmo grau de prioridade na atribuição de orçamento de estado 2016 e seguintes para este mesmo objetivo. Conclusão: parece implícito que a leitura dos decisores políticos à análise dos portugueses indica que em altura de aperto orçamental a agricultura e o mundo rural não são prioridades orçamentais, pois em função da procura de apoios ao investimento, na minha opinião, devem ser precisos pelo menos mais 200 M€ para apoiar todas as candidaturas já submetidas 
 
3- O desenvolvimento das agriculturas de Portugal será aquilo que nós portugueses sejamos capazes de fazer, de mostrar que os apoios públicos não são esmolas pagas pelos contribuintes europeus e nacionais porque não demoram cinco anos a serem devolvidos em IRS, IRC, contribuições para a segurança social, além do Estado poupar nos apoios dados em subsídio de desemprego e apoios sociais. Este tipo de apoios são dados aos agricultores em toda a Europa, mesmo nos países cujas economias e agriculturas são desenvolvidas porque há um risco climático e estrutural muais elevado na agricultura face aos setores de atividade económica, dai que no caso português, se houvesse justiça na distribuição das ajudas dentro dos países da UE, os apoios europeus e nacionais deveriam ser mais elevados para chegar a maior número de agentes do mundo rural (a maioria dos mais de 200 000 players agrícolas portugueses não recebe qualquer apoio público à sua atividade). 

4 - A realidade indica que quando o sistema de tramitação das ajudas funciona normalmente ao longo de um largo período de tempo, faz com que exista um incremento de candidaturas devido há confiança que gera na sociedade portuguesa. Nessas alturas são usuais expressões do tipo:  "agora é que vai ser! A agricultura é uma oportunidade  que está a ser apoiada como deve ser! A agricultura vai dar a volta!".
A mesma realidade e a experiência do passado dos muitos quadros comunitários de apoio anteriores trazem conhecimento que o indicado no seu comentário ocorreu em todos em eles, levam a concluir que em 6/7anos de apoios há sensivelmente metade do tempo em que estão fechados (1,5 a 2 anos no inicio para lançar colocar em funcionamento e 1 a 1,5 anos no fim por falta de verbas para atribuir).

5 - As equipas de análise do ministério da agricultura têm limite quanto ao número de candidaturas tramitadas, não devem estar dimensionadas para este períodos temporais de pico na procura sob pena de dentro de um ano estarem sobredimensionadas para os próximos anos, pois não há dinheiro para satisfazer tão elevada procura.           

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