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domingo, 29 de janeiro de 2017

Formação Profissional da Espaço Visual

Financiadas:
Jovens Agricultores PRODER:
M1 - Formação Básica de Agricultura 06-02-2017
M3 - Gestão da Empresa Agrícola 07-02-2017
M4 - Componente Prática em Contexto de Trabalho - Fruticultura 04-02-2017
M4 - Componente Prática em Contexto de Trabalho - Peq Frutos e Bagas 04-02-2017
Jovens Agricultores PDR:
Agricultura Sustentável - 7580 - Financiada 15-02-2017


Não financiadas:

Agricultura Sustentável  - E-learning - 2 Fev.

Distribuição e Comercialização de Produtos Fitofarmacêuticos - 20 Fev.

Modo de Produção Integrado - Geral - 22 Fev.

Segurança na Manipulação de Máquinas e Equipamentos Agrícolas - 25 Fev.

Atualização em Distribuição e Comercialização de Produtos Fitofarmacêuticos - 25 Fev

Aplicação de Produtos Fitofarmacêuticos 35 horas - 27 Fev.

Iniciação à Apicultura - 28 Fev

Formadores em Distribuição, Comercialização e Distribuição de Produtos Fitofarmacêuticos - 3 Mar

Modo de Produção Biológico (Operadores) - 17 de Março.


Inscrições: http://formacao.espaco-visual.pt/

Informações: Tânia Pacheco - 962 929 498

Workshop “Gestão no agroalimentar”

Organização: Associação Empresarial de Amarante

Workshop “Gestão no agroalimentar”
11 de fevereiro de 2017

Entrada gratuita, sujeita a inscrição.

LOCAL: Parque de Campismo de Celorico de Basto, Carvalhas, 4890 Celorico de Basto
Coordenadas GPS: Lat: 41.390261 N Long: -8.005815 O

CONTACTO: Julieta Oliveira Email: geral@aeamarante.pt Tel. 255 410 240

HORÁRIO: 10h – 12:30h

CONTEÚDOS:
A importância da gestão e controlo de indicadores no domínio dos processos das empresas no agroalimentar.
A recolha de dados, seu tratamento e suas implicações no sucesso do negócio agroalimentar.
Fatores que conduzem ao lucro das empresas agroalimentares.

ANIMADORES:
Eduardo Ribeiro – Engenheiro Mecânico, empresário agrícola e consultor.

Experiência de 15 anos na indústria com domínio na gestão de empresas multinacionais. Em 2014 iniciou o seu projeto com uma plantação de kiwis arguta. Experiência na Gestão do pomar e nos seus indicadores.

José Martino – Engenheiro Agrónomo, consultor e empresário.

Carreira profissional como consultor em agricultura, projetos de investimento e ambiente, empresário agrícola, bloger e articulista em órgãos de comunicação social nacionais e regionais. Autor e coordenador de vários planos de desenvolvimento rural: vinha, kiwi, pequenos frutos e frutos secos. Responsável pela criação de associações (APK - Associação Portuguesa de kiwicultores, RefCast - Associação Portuguesa da Castanha) e Organizações de Produtores. Implementação e promoção de Bolsas Municipais de Terras.


Inscreva-se:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeb3LlRSJ9x1dD128Vuwjt37qg6C1dSgeTDdFYBVjOMJ6chQg/viewform?c=0&w=1

Rentabilidade económica rápida nos investimentos da agricultura?

Boa noite Sr. Engenheiro!
Peço desculpa de o estar a incomodar, mas regularmente visito o seu blog e vejo que o sr. é um mestre em agricultura.
Sr. Engenheiro, sou um jovem empresário no ramo de publicidade e lavandarias, mas neste momento aluguei uma pequena quinta por um período de 7 anos renováveis pelo mesmo período se ambas as partes concordarem, toda murada em volta, dentro da minha cidade.
A quinta tem uma área total de 4 hectares sendo 1,5 de laranjal, é rica em água, e a minha ideia inicial era fazer nos restantes hectares plantação de ervas aromáticas, mas ja fiz várias visitas a outras plantações e a ideia que fiquei é que mesmo com uma candidatura teria que recorrer ao banco e só teria o investimento pago ao fim dos primeiros 5-6 anos por isso desisti da ideia. Será que existe outro tipo de culturas para estes tipos de quintas que se possa rentabilizar o investimento mais rápido.
Agradecia a sua preciosa ajuda.
Obrigado

Comentários:
1 - Não se pode ser empreendedor sem dinheiro. As fontes de financiamento do negócio devem ser por ordem de prioridade: capital próprio, fundos da família ou amigos, em complementaridade crédito bancário, business angels (empresários que são sócios da empresa, participam no capital, ajudam na definição e implementação da estratégia empresarial, facilitam o acesso ao crédito. A participação depende muito do potencial do jovem para a gestão operacional do negócio e da sua respetiva rentabilidade intrínseca), angariação de fundos através de campanhas de crowdfunding (financiamento colaborativo, é uma forma simples e transparente de angariação de fundos para um projeto através de uma comunidade online que partilha os mesmos interesses).

2- O paybck do investimento (recuperação do capital investido) de 5-6 anos, para negócios da agricultura, é um prazo aceitável e relativamente curto. Prazos mais curtos exigem investimentos muito intensivos em capital, maior risco rutura da atividade por desvio financeiro, pelo exige como contrapartida para minimizar o risco, o conhecimento rigoroso do “como fazer os pormenores de gestão operacional, logística e técnica” (sistema de gestão já testado nessa atividade, bem como ter na empresa quadros de topo e intermédios com esse mesmo desiderato ou seja, transferidos de outra empresa que tinha a mesma ocupação cultural). Atividades que recomendo: hortícolas em hidroponia, floricultura, etc.

3 – Deve negociar com o banco uma operação de crédito a 7 anos, com 2 anos de carência (só paga juros) e cinco de amortização em linha com o período produtivo (contratualmente preveja que possa fazer amortizações antecipadas sem penalizações, é uma salvaguarda para o caso de conseguir implementar as plantas aromáticas sem derrapagens, nem imprevistos).

4 – Na minha opinião o que está desajustado é o prazo do contrato de arrendamento que deveria ser pelo prazo temporal mínimo de 15 anos, sendo o ideal de 25 a 30 anos. Este prazo justifica-se porque a secagem e armazenamento das plantas aromáticas é um investimento caro, perdura ao longo de muitos anos, possuindo um peso significativo na distribuição dos diversos investimentos para desenvolver esta atividade.

5 – Não fugindo à questão colocada, teoricamente, no seu caso, deve optar pelas culturas hortícolas, atividades que duram alguns meses desde a sementeira/plantação à colheita, tem baixos custos de manutenção, tem o seu maior encargo na mão de obra, a qual, pode baixar se o trabalho for realizado por si e pela família. Na prática, o seu sucesso irá depender da sua capacidade para gerar escoamento e/ou mercado, seja pela integração em organizações de produtores, seja pela produção de uma gama de produtos para cabazes e venda aos habitantes da cidade próxima. Por outro lado, deve tirar partido do 1,5 hectares de laranjal já existente, melhore a qualidade das produções, certifique-as mo modo de produção biológico, e tente incrementar o seu valor pela venda o mais diretamente possível ao consumidor, seja para consumo fresco, seja para sumo.

6 – Recomendo que um técnico visite a sua exploração para lhe dar um parecer mais ajustado à sua realidade (Espaço Visual: Benjamim Machado  - 924 433 183)     

sábado, 7 de janeiro de 2017

Cogumelos

Trabalho jornalístico publicado na AGROVIDA (suplemento mensal do semanário Vida Económica sobre agricultura) no passado dia 6 janeiro de 2017, da autoria da jornalista Teresa Silveira, o qual contém as minhas opiniões sobre o cluster dos cogumelos

“Portugal tem condições excecionais e os cogumelos
irão ser negócio ao longo do território continental”

“Portugal poderia ter algum
peso internacional na produção
de cogumelos se o custo da
energia e dos combustíveis
fosse mais baixo e competitivo,
em linha com os custos dos
países concorrentes diretos.
E também se a estratégia de
abordagem aos mercados
internacionais fosse apoiada
politicamente para ser mais
aprofundada e competitiva”,
afi rma José Martino, CEO da
Espaço Visual.
Em entrevista à “Vida
Económica”, este engenheiro
agrónomo não tem dúvidas:
“Portugal tem condições
excecionais” para a produção
neste setor. Mas é preciso
“massa crítica empresarial,
bem como ‘players’ da
comercialização com escala
logística”. E também que a
estrutura de gestão do PDR
2020 “analise a enorme
quantidade de candidaturas que
tem em carteira”.
TERESA SILVEIRA
teresasilveira@vidaeconomica.pt

Vida Económica - Portugal
tem condições de se afi rmar
como um produtor de cogumelos?
José Martino - O negócio
dos cogumelos assenta na comercialização
das produções de
duas formas de produção: em
substrato e troncos de madeira e
nos cogumelos silvestres recolhidos
nas fl orestas, ocupando, em
volume de negócios, o terceiro/
quarto lugar dentro das hortícolas.
A produção de cogumelo
branco em substrato é um negócio
verticalizado, da produção à
comercialização, tirando partido
das economias de escala, do
saber produzir, da logística integrada
e, sobretudo, do menor
custo da mão de obra necessária
para a colheita, a qual tem peso
na estrutura de custos do negócio.
negócio.
Assim, Portugal poderia ter
algum peso internacional neste
segmento se o custo da energia
e dos combustíveis fosse mais
baixo e competitivo, em linha
com os custos dos países concorrentes
diretos. E também se
a estratégia de abordagem aos
mercados internacionais fosse
apoiada politicamente para ser
mais aprofundada e competitiva.

VE – Então, precisamos de mais
escala e massa crítica, é isso?
JM - Para os cogumelos provenientes
das produções em
troncos há grandes difi culdades
de competitividade devido à
micro e pequena escala dos produtores,
à sua defi ciente massa
crítica empresarial, bem como
‘players’ da comercialização com
escala logística reduzida, etc.
Neste segmento, há oportunidades
para os ‘projetos de autor’,
da produção à comercialização
com marca própria, sejam individuais
ou coletivos. Neste último
caso tenho expetativa que Amarante
venha a ter sucesso na sua
estratégia. Na minha opinião,
é pouco provável que Portugal
venha a ser um produtor de referência
mundial devido à realidade
que descrevi. No entanto,
existe potencial, temos fl orestas
com alta capacidade produtiva
e baixos custos na produção da
matéria-prima troncos de carvalho
ou eucalipto, temos regiões
com invernos e verões suaves e
começa a haver conhecimento
que poderia ser transferido para
os produtores ganharem massa
crítica competitiva.
No terceiro segmento, recolha
e valorização de cogumelos
silvestres, o potencial é enorme.
Estamos a falar de dezenas ou
até centenas de quilos por hectare
e por ano, para centenas
de milhar a milhões de hectares
em várias regiões de Portugal.
Sobretudo nas regiões de baixa
densidade, a produção de cogumelos
assume um valor muito superior à produção de madeira,
infelizmente recurso desprezado
face ao seu potencial total.
É preciso desenvolver o cluster
do cogumelo silvestre, recurso
endógeno, para o valorizar em
Portugal.

VE - Da experiência que tem,
como olha para a evolução
desta atividade em Portugal? É
rentável e com futuro?
JM - Da minha experiência de
vinte anos na consultoria agrícola
posso concluir que a produção
de cogumelos em Portugal está
a fazer o seu caminho, de forma
errática, por tentativa e erro, não
queimando etapas, não fazendo
as coisas bem-feitas às primeiras
tentativas, porque falta um
instrumento público de política
que alinhe os agentes públicos e
privados em prol dos superiores
interesses públicos do cluster,
um plano estratégico de desenvolvimento
de fi leira que identifi
que os objetivos de cada um
dos seus segmentos e os respetivos
e planos de ação. A rentabilidade
e o futuro da atividade
em Portugal dependem direta
e exclusivamente da competência
dos ‘players’. E posso atestar
que há um segmento restrito
deles que são dos mais competentes,
para as condições envolventes
de organização média a
fraca, pertencentes aos segmentos
dos melhores, mais competentes
a nível global. Portugal
tem condições excecionais, pela
sua fl oresta, pela aposta política
que está a acontecer, pela gestão
equilibrada e regulada da recolha/
apanha, e irá incrementar
e valorizar de forma exponencial
os cogumelos silvestres, produtode alto valor acrescentado, em
linha com as novas tendências
do mercado de consumo, cujo
valor de venda é superior ao da
carne.

VE - Em Portugal, há margem
para a produção de cogumelos
crescer ainda mais nas várias
regiões do país?
JM - Na minha perspetiva,
os cogumelos irão ser negócio
ao longo de todo o território
continental, privilegiando-se os
modos de produção e espécies
mais ajustadas a cada região.
Creio que se a recolha de cogumelos
silvestres estivesse organizada,
melhor organizada, com
normalização e embalagem no
país, provavelmente o valor do
negócio apareceria distribuído
ao longo de todo o território de
Portugal.

VE – E o PDR 2020? Está a
dar a resposta adequada aos
projetos de investimento neste
setor?
JM - O PDR 2020 está a fazer
o seu caminho de analisar e
aprovar a enorme quantidade
de candidaturas que tem em
carteira. É muito importante
que este caminho que está a
ser percorrido pelo Ministério
da Agricultura termine rapidamente.
É previsível que seja
uma realidade até março de
2017, para interromper esta
suspensão de futuro que está
a gerar nos milhares de jovens
agricultores, os quais têm a
sua vida suspensa, a maioria há
mais de um ano, na expetativa
e esperança de obterem os
apoios para se instalarem rapidamente
na agricultura.