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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Mecanização Agrícola

Verifico que quem se dedica à agricultura, seja a tempo inteiro ou part time, está muito motivado para a aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas, fazendo a aquisção de material novo, praticamente em todos os casos. Faz parte do perfil psicocultural do português esta obsessão pelos tratores e demais equipamentos da agricultura. Creio que as pessoas da minha geração (50 a 60 anos) que trabalharam na agricultura quando crianças e jovens, desde essa altura, acalentam o sonho de virem a possuir um trator e os seus equipamentos. Creio que o materializam quando têm  terra agrícola ou acesso a ela e possuem capacidade financeira minima para o efeito. Este fenómeno pode-se avaliar nos mais de 40% de montante global dos apoios concedidos pelo ProDeR (2017 a 2013) aos investimentos em máquinas e equipamentos.

Nesta altura em que há escassez nos montantes orçamentados dos fundos públicos, europeus e nacionais, por comparação com os montantes nas candidaturas em carteira, creio que seria uma posição de defesa do interesse público de Portugal,  se tivesssem prioridade na obtenção dos apoios os investimentos em melhoramentos fundiários, infraestruturas e plantações (itens de investimento mais estruturantes, impõem maiores limitações à competitividade).

Creio que com a implementação desta medida de política, perderem a elegibilidade os investimentos em máquinas e equipamentos, haveria forte desenvolvimento  no mercado de 2.ª mão com a consequente diminuição das importações e do seu valor, bem como se incrementaria o valor acrescentado bruto (VAB) da agricultura.

Haverá coragem para tomar esta decisão política estruturante?

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