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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Reflexões sobre os negócios da agricultura e respetiva competitividade




Apesar das muitas multiactividades que desenvolvo em gabinete, seja ao computador em trabalho de produção, reflexão e análise, seja em reuniões, passo no campo perto de metade do meu tempo de trabalho, faço assistência técnica a empresários agrícolas, assessoria a serviços técnicos de OP, visitas de estudo com o objetivo de conhecer pormenores de novas atividades, novos produtores, caraterizar metodologias de gestão e resultados económico financeiros, etc. 
Verifico que há variadas formas, muitos e diferentes caminhos, para atingir os mesmos objetivos no desenvolvimento da mesma atividade agrícola. Por outro lado, o que mais me impressiona é a forma de gestão empregue por alguns empresários agrícolas: conheço casos de produtores que registam todos os pormenores das atividades que fazem, hora a hora na sua exploração ou seja, e.g. a interrupção na execução de uma operação cultural, imprevistos e o respetivo tempo, equipamentos utilizados, etc. Procedem à caraterização de tudo o que constitui a sua exploração, parte produtiva, construções, melhoramentos fundiários, máquinas e equipamentos, etc. Há registos de muitas e diferentes formas, pode ser o tradicional caderno A4 para registo de dados e o Excel para o seu tratamento subsequente, passando pela recolha de dados em telemóvel ou Tablet e o recurso a sofisticados programas de gestão, terminando na panóplia de sensores que de forma automática registam os dados e o respetivo tratamento faz-se com programas informáticos avançados. É todo um admirável mundo de novas realidades que se abre nas agriculturas de Portugal, um virar de página, uma lufada de ar fresco, um contributo para o incremento do seu valor acrescentado, uma oportunidade para quem está aberto a tirar partido da gestão na agricultura, que produz utilizando as mesmas ferramentas de qualquer outro negócio moderno, eficaz e competitivo.  


Quais as razões que levam a maioria dos empresários agrícolas a não tirarem partido destas metodologias?

Na minha opinião, há um preconceito psicocultural enraizado na sociedade portuguesa, transversal a todas as classes sociais, independente do nível de formação formal: “a agricultura não pode ser levada a sério porque não é um negócio”.
Este grande grupo que se dedica ao negócio nos campos acredita que um empresário agrícola não pode ter um colaborador cuja única função é recolher dados, mesmo em períodos temporais limitados, de pico de atividade (e.g. colheita, etc.) porque é um luxo demasiado caro que a atividade nunca suporta.

Acredita a maioria dos agricultores que quem explora a agricultura não pode ter o foco de forma contínua e permanente na operação cultural seguinte, não faz com que esta seja a mais importante ou mais urgente, tendo por base os superiores objetivos da produção, otimização do binómio quantidade e qualidade e a execução da operação cultural na sua melhor oportunidade técnica.   

Como se rompe com este paradigma?

Em primeiro lugar tendo consciência dele. Em segundo lugar, gerindo de forma eficaz com o foco e metodologia que tira partido de tudo o que se faz como em qualquer grande negócio digno desse nome

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