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domingo, 12 de novembro de 2017

Tópicos da Intervenção que fiz nas Conversas sobre Agricultura no Fórum da Agrogarante, Vila Real, dia 10 Novembro

Título: Tendências da região e do setor (Região = Trás os Montes; Setor = Agricultura e Agro industria)


1. Tendências na região de Trás os Montes
1.1. Vinha e vinho – dar valor acrescentado – cuidar dos pormenores da vinha e do vinho. Controlar custos de produção. Caminhar do preço do vinho no mercado para o o valor da garrafa do vinho à saída da adega e para o quilo da uva à porta da adega. Outro objetivo: mais vinhos para além do Barca Velha, que cheguem aos 100 pontos nas avaliações dos peritos internacionais de referência. Ligação da vinha e do vinho ao turismo. Cooperação entre produtores e agroindústria das várias regiões vitivinícolas para dar escala e baixar custos no acesso aos mercados internacionais. O vinho português é pouco conhecido pelos consumidores comuns nos países consumidores, pelo que é preciso uma estratégia de digitalização elaborada nos mercados de destino para dar a conhecer os vinhos de Portugal a esses potenciais consumidores.

1.2. Azeite: implementar o processo que se fez no vinho há 25 anos: marcas de produtores, marcas de azeites por variedade e olival específico. Trabalho conjunto das principais lagares de Tras os Montes para manterem a regularidade de abastecimento dos mercados de alto valor acrescentado, evitando vender o azeite a players internacionais sobretudo italianos e espanhois que o valorizam sob as respetivas marcas. É preciso desenvolver um processo de cooptição entre players (cooperação entre players que competem nos mesmos produtos e mercados com o objetivo de baixar custos, melhorar condições de contexto, etc.).
Melhorar o regadio; caraterizar os olivais, ajustar a data optima de colheita para se obter azeite da mais alta qualidade.

1.3. Amêndoa: pode vir a ser um grande sucesso e um excelente negócio. Eu estou mais pessimista que optimista. Há plantação de massiva em Espanha há vários anos, há fortes variações dos preços de mercado em ciclos de 5 a 10 anos, vivemos o ciclo do ponto alto da curva, vamos ver como se irá comportar o preço na fase descente da curva. Recomendo aos produtores de amêndoa diversificação para 2 a 3 atividades nas suas explorações. Espero que a agroindústria da amêndoa caminhe na escala de valor encontrando segmentos de mercado específicos de valorização do produto e menos sensíveis às variações do preço ao longo do tempo.

1.4. Castanha: vista como o petróleo de Tr´ss os Montes nas palavras do presidente da RefCast – Associação Portuguesa da Castanha, Prof. José Laranjo. Parece-me que a castanha está para a região de Trás os Montes como o petróleo está para os países árabes ou Angola, extraem a riqueza mas não conseguem reter nesses espaços geográficos o valor acrescentado gerado. Para tal, é preciso desenvolver industria em Portugal que faça a valorização da castanha para além do descasque e congelação.Por outro lado, é  muito importante a extensão temporal da oferta no mercado da castanha fresca até fevereiro a abril, penetrar no consumidor jovem, encontrar formas alternativas de consumo.O castanheiro precisa de melhoramento genético ao nível das variedades e porte da árvore (copa muito grandes para suportar superfície produtiva no limite da copa, é preciso desenvolver o mesmo trabalho que foi realizado na macieira e na pereira). A cultura tem que ajustada às alterações climáticas, quer no diga  respeito ao regime de temperaturas de inverno e de verão, quer humidade atmosférica e teor de água no solo. A rega e controlo de pragas tem que ser utilizadas na maioria dos soutos.

1.5. Batata: tem que fugir da cultura tradicional de par time e caminhar conforme seja possível para algum profissionalismo com integração vertical na fileira de valor acrescentado, tirando partido da origem das suas caraterísticas organolétpicas integrando-a nas cadeias curtas de comercialização, ligando-a à gastronomia local ou regional que tira partido do turismo.

1.6. Maçã está a fazer o seu caminho na comercialização, na busca de valor acrescentado, tirando partido sobretudo do mercado espanhol. Há incremento do profissionalismo e das economias de escala.
1.7. Atividades alternativas com fortes investimentos nos últimos anos:
a.       Pequenos frutos – estão a fazer o seu caminho pois são atividades recentes, sem tradição, experiência incipiente quer na produção, quer no mercado, deficiente conhecimento técnico e tecnológico. Na minha opinião o mirtilo tem mais interesse e futuro face a framboesas e groselhas. A amora ficará dependente do aparecimento de novas variedades com melhor sabor e maior poder de conservação no pós colheita.
b.       Apicultura- teve a entrada de novos players com os apoios do ProDeR e PDR 2020. É uma atividade exigente em conhecimento, experiência e gestão de pormenores. Muitos deles irão falhar, muitos outros irão contribuir para o rejuvenescimento e evolução desta fileira. Estou otimista quanto ao seu futuro apesar da influência das alterações climáticas, pragas e doenças
c.       Cogumelos – na minha perspetiva há aumento da procura de cogumelo industrial e oportunidade para duplicação do negócio seja nos players existentes seja através de uma nova industria de cogumelo branco. A produção de outros cogumelos está a fazer o seu caminho porque é muito importante a oferta de uma gama. Creio que os cogumelos selvagens são um negócio que deveria ser potencializado com a elaboração de planos estratégicos ao nível dos municípios ou CIM, tendo como objetivo fazer o diagnóstico do estado da arte e potencial, dos objetivos a atingir se fossem executadas determinadas ações e se fosse implementado

2. Setor agrícola
a.      Pistacio, avelã e novas atividades.
b.       Digitalização e agricultura/atividades de precisão. Recolha automática de dados com armazenamento e e tratamento informático
c.       Incorporação de tecnologias de gestão, rigor nos pormenores, fazer
d.        operação certa na hora certa.
e.       Formação profissional
f.        Adaptação tecnológica para responder às alterações climáticas: captações superficiais,  deficitária, gestão da rega ao longo do dia, cobertura dos tubos de rega com plástico de faces preta e branca
g.       Agricultura no MPB e biodinâmica
h.       Projetos de autor versus integração via OP´s
i.         Agro industria em Trás os Montes e internacionalização – recursos endógenos.         



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