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sexta-feira, 16 de março de 2012

A Política Para a Fileira do Leite

O Ministério da Agricultura publicou no seu site às 17h25 do dia de hoje o seguinte:

"GOVERNO ESTÁ «A TRABALHAR PARA QUE SE INTRODUZA TRANSPARÊNCIA NOS PREÇOS»

A Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território afirmou que o Governo está a trabalhar para que «se introduza transparência nos preços», o que terá por consequência «acabar as relações tensas entre o setor da produção de leite e a distribuição». Assunção Cristas, acrescentou que o Governo está a trabalhar na «Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Alimentar (PARCA), que vai fazer com que todo este processo, que vai desde a produção até ao consumo final, seja transparente».
A Ministra esteve na Póvoa de Varzim, na inauguração do novo edifício-sede da cooperativa de produtores de leite Agros, onde afirmou que «precisamos de ter uma cadeia alimentar em que todos ganhem na medida do seu trabalho, dos custos que têm e do seu empenho».
Assunção Cristas afirmou também que continuará a trabalhar contra o fim das quotas leiteiras previsto para 2015, no entanto considera que «não é fácil um país que está com assistência financeira dizer que é contra esta decisão, mas estamos a preparar para uma transição, caso não seja possível voltar atrás».
A Ministra enalteceu a produção leiteira que, em Portugal, é«excedentária e autossuficiente, sendo um setor que tem contribuído para diminuir o défice, é urgente valorizar os produtos, exportar mais e fomentar boas relação entre toda a cadeia alimentar, para que se possa ter nos hipermercados bons laticínios portugueses»."

Comentários:
1 - As afirmações da ministra sobre a introdução de transparência nos preços que acabem com as relações tensas entre o setor de produção do leite e a distribuição, parecem-me sensatas e avisadas, embora, na minha opinião, a responsável pela agricultura portuguesa deva clarificar qual o prazo temporal limite em que se deve esperar esta importante introdução, sob pena de quando tal acontecer já não existirem a maioria dos produtores de leite.
2 - Não aceito que cada mês que passa os produtores de leite sintam o garrote financeiro a estrangulá-los. É dificil analisar e ver esta realidade?
3 - Valorizo como muito positiva a posição da ministra, que seja do meu conhecimento é a primeira vez que um alto responsável governamental assume, quanto ao fim das quotas leiteiras que "...estamos a preparar para uma transição, caso não seja possivel voltar atrás". Alguém acredita que processo do fim das quotas leiteiras irá retroceder? Eu considero que a defesa dos superiores interesses de Portugal exige que se defenda do ponto de vista político e diplomático a manutenção das quotas leiteiras, mas ao mesmo tempo que se trabalhe de forma afincada no plano B, sabermos de forma rigorosa o que deve fazer desde 2012, cada um dos elos da fileira do leite, para se tornar competitivo.
4 - Defendo que as organizações da fileira do leite e o governo deveriam fazer uma ação de benchmarking a nível mundial para caraterizar o seu estado da arte, bem como por reporte classificar o que se passa em Portugal. Devem ser definidos objetivos, estratégias e planos de ação. Deixemos as lamechices e vamos ao trabalho   

sábado, 27 de junho de 2009

O podemos aprender com os problemas actuais na fileira do leite?


1 – Os negócios das fileiras agrícolas passam por alto e baixos. A fileira do leite passa, neste momento baixo, fruto de uma crise que advém da fraca rentabilidade do seu negócio, embora há poucos anos apresentasse alta rentabilidade. Conclusão, os produtores não devem desistir nas épocas baixas porque se for possível aguentar melhores tempos/resultados virão com o passar do tempo. Muitos dos produtores que têm problemas na actualidade não os têm resultantes de investimentos realizados com base em pressupostos de preços altos na valorização do leite? Seria aconselhável terem sido mais precavidos na racionalização de custos e na melhor organização do processo produtivo 2 – Quando há problemas na fileira cada um dos elos da fileira tenta encontrar as causas maiores dos seus problemas fora daquele onde está inserido. No dia de ontem, os produtores de leite organizaram em Vila do Conde uma manifestação para protestarem contra a Distribuição Organizada porque comercia leite importado, o qual vende a preços mais baixos que o adquirido à produção nacional. Será que cada um dos produtores está a fazer tudo o que está ao seu alcance: 1- Para racionalizar os seus custos de produção? 2 - Para incrementar a produtividade e qualidade do leite produzido com o objectivo de amortecer o abaixamento do preço de valorização do leite? Conclusão: Faltam estudos que comprovem que o actual modelo técnico-económico da produção do leite é o que garante a sua maior sustentabilidade económica. Os problemas da rentabilidade da produção do leite têm que ser resolvidos pela adequação dos custos da produção ao seu valor de mercado e pelo atingir de produtividades e qualidade que garantam a competitividade deste elo da fileira.3 – Faz falta uma associação de produtores forte que defenda os interesses socioprofissionais dos seus associados. A manifestação de ontem foi organizada por um conjunto de pessoas denominado “Movimento Mais Português - Produtores de Leite”, o que parece ser uma associação informal, independente de qualquer associação agrícola. Quais as causas de não serem as associações existentes a defenderem os seus associados? Não existem para esse fim? Pelo trabalho que desenvolvem os seus associados ou a sociedade em geral não lhes reconhece “massa crítica”? Estão demasiado comprometidas com a indústria ou com os partidos políticos? Conclusão: uma associação de produtores forte seria mais eficaz na condução dos interesses da fileira.4 - Por outro lado, a indústria do leite tem os seus custos racionalizados? A estratégia de industrialização do leite é a correcta? Está a melhorar a quota dos produtos da industrialização do leite que dão maior valor acrescentado? Conclusão: Falta provar que a grande agro-indústria do leite é uma organização eficiente.5 – A concentração industrial representada na LACTOGAL é boa pelas economias de escala que obtém, mas é má porque há falta de outra entidade de dimensão semelhante que lhe faça concorrência, obrigando-a a ser mais eficiente no trabalho que realiza. A concentração da oferta deu aos seus responsáveis a ideia que podiam dominar o mercado nacional e com esta estratégia empurraram a Distribuição Organizada para a importação de leite, tendo como objectivo diversificarem os fornecedores e limitarem a força comercial da LACTOGAL. Quais as causas da LACTOGAL não ter a mesma força comercial nos produtos lácteos fora dos leites que detém nos leites? Será que estava convencida que o mercado do leite nunca teria limitações/concorrência? A estrutura humana da LACTOGAL, administração, direcção e técnica, está em equilíbrio com a realidade actual dos mercados? Porque é que ao fim de mais de vinte anos não houve renovação dos seus dirigentes? Serão os dirigentes actuais os mais capacitados para conduzir a Fileira nestes tempos conturbados de grandes incertezas? Conclusão: Faltam ser conhecidos publicamente os estudos que comprovem a eficiência da LACTOGAL
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