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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Mirtilos (3)

O leitor Henrique perguntou o seguinte:

"Boa tarde. Gostava de saber se na zona do Vale do Sousa na cidade de Paredes se a produção de mirtilos poderá ter êxito? Que tipo de árvore de mirtilo posso plantar ou que você indica? Tenho um hectare de terreno, que conselhos dava para quem quer se iniciar nesta produção, e como obter ajudas de apoio financeiro e técnico. O meu muito obrigado pelo tempo prestado."

Comentários:
 1 - A produção de mirtilos pode ter sucesso no concelho de Paredes por este ter condições de solos e clima para esta atividade agrícola.

2 - Eu plantaria metade da superfície da variedade precoce "Duke" e a outra metade da variedade tardia Rabiteyes".

3 - Conselhos para iniciante:
a) Inscrever-se no estágio de pequenos frutos organizado pela Espaço Visual (começa no inicio de maio) para ganhar sensibilidade nos pormenores da cultura.
b) Visitar nos próximos meses, o máximo de explorações que consiga

4  - Para obter ajudas do ProDeR (60% de subsídio ao invcestimento e 30000 euros de prémio de 1.ª instalação) consulte a eng. Sónia Moreira da Espaço Visual (917 075 852). Esta informará telefonicamente dos custos e honorários que terá de suportar nas diversas fases do projeto.

5 - A Espaço Visual dá apoio técnico á implantação e exploração do seu pomar de mirtilos.

6 - Agradeço a consulta que efetuou. Se tiver outras dúvidas coloque-as neste blogue

Mirtilos

O leitor Tony Andrade colocou neste blogue a seguinte questão:

"Boa tarde Sr. José Martino. Possuo cerca de 3.000 m2 de terra, sendo distribuida em 1.500m2 cada. Em base na sua experiência, acha que terei algum sucesso na produção de Mirtilo???? Desde já agradeço a sua atenção. Cumprimentos"

Comentários:
1 - Em Sever do Vouga a cultura do mirtilo é rentável em pequenas parcelas com superfícies de 1500 m2 e inferiores.

2 - No contexto atual conseguirá ter sucesso com qualquer produtividade que consiga obter. No futuro próximo creio que para ser competitivo terá de ultrapassar a produtividade, com excelente qualidade das produções (uniformidade de estado de maturação e coloração dentro de cada cuvete, tabuleiro e palete), das 20 t /ha. Para conseguir este objetivo defendo que plante os mirtilos de forma intensiva a 75 cm de distância entre as plantas na linha de plantação. Se pretender viver da atividade terá que começar com 1 a 2 hectares e dentro de 4 a 5 anos explorar 4 a 5 hectares.

3 - O sucesso está, na minha opinião, muito dependente da sua competência como empresário, sobretudo no desafio da gestão das equipas de colheita (18 a 20 pessoas por hectare de cada variedade) porque necessita colocar em cada cuvete de 125g ou 150 g o mesmo padrão de frutos quanto a estado de maturação e coloração, sem defeitos, etc., mas sem esquecer da manutenção dos pomares ao longo do ano: a poda, fertilização, controlo de infestantes, etc.   

Estratégia para a Instalação de jovens Agricultores (2)

Os meus leitores escreveram o seguinte sobre o tema deste post:
"Anónimo disse...


Pergunta da neta de 37 anos ao avô de 92 anos: o que é que eu tenho de fazer para ser uma boa jovem agricultora?
O avô respondeu: quando não conseguires fechar as mãos de tanto doerem e de tantos calos teres, tenho a certeza que nessa altura serás uma boa agricultora.

Nota: este relato é verídico e ocorreu no fim de semana da Páscoa.


Ou seja, não se iludam os que andam atrás da cenoura dos subsídios que sem muito trabalho nunca chegarão a bom porto.

Boa semana
NA
Nandinha disse...
Concordo plenamente com a opinião deste anónimo. Haverá, certamente, algumas pessoas a pedirem subsídios e a não quererem trabalhar, o que dará muito mau nome à agricultura em geral. A Agricultura não pode voltar ao tempo que as pessoas compravam grandes carros à conta dos subsídios.
Paula Baptista - Agropinktec, Lda. disse...
Boa Tarde,

Penso que as pessoas que estão a deixar os seus empregos ou a tentar conciliá-los com a actividade agrícola na sua maioria querem uma mudança de vida radical e apostar a valer no setor primário. No meu caso deixei a minha profissão para me dedicar a 200% a um projecto agrícola, não tem sido fácil os entraves são muitos, burocracias ainda mais.... por isso neste momento penso que estamos num ponto de viragem nível de mentalidades....(ou pelo menos assim espero e é para isso que me empenho e trabalho)
filipedro disse...
concordo com a paula, acho que esta nova geraçao que se vira para este sector vem de sectores em que se habituaram a trabalhar, nomeadamente gente que vem da construçao civil, acho que vem para viverem e nao terem que imigrar e com disposiçao de trabalhar pois é esse aspecto, falta de trabalho que os motiva embora os subsidios sejam um incentivo que tem levado com que as pessoas mais facilmente optem por esta area, como também novo modo de vida e regresso a sitios muitas vezes que tem valor sentimental que muitos guardam nas lembranças de infancia quando iam á terra e viam o avô a trabalhar a terra, isto puxa por nos com boas recordaçoes e um sentimento de regresso ás origens que temos com orgulho...


Comentários:
1 - Não creio que o caminho seja o conselho do avô porque temos de transformar os agricultores em empresários, sobretudo jovens. O empresário tem que saber fazer planos de negócio (trabalho no computador), se não tiver competências que investigue, leia, inscreva-se em curso, tem que saber fazer contas (trabalho em excel), tem que sair de casa e visitar/estagiar em explorações da mesma atividade em Portugal e no estrangeiro (saber estar, saber falar, falar linguas estrangeiras), tem que saber gerir (ter formação em gestão de empresas/negócios, gestão de pessoal), tem que saber dominar tecnologias de computadores, GPS, eletrónica aplicada nos sistemas de rega, máquinas e equipamentos, etc. Quem não possui competências deve frequentar formação profissional e pessoal para o efeito. Certamente que terão de trabalhar no campo, mas face ao passado poucas tarefas serão com a enxada ou "pá e pica".Tenho a certeza que os calos e as mãos gretadas se conseguem controlar com luvas de qualidade.

2 - Estou preocupado com os meus objetivos como empresário agrícola, em obter sucesso, em montar estratégias que gerem valor acrescentado, euros e depois em trabalhar de forma árdua para ter resultados. Penso que há muitos jovens agricultores e outros mais velhos que irão ter insucesso porque não se estão a preparar devidamente para as atividades que estão a lançar-se e abraçar, sobretudo ao nível financeiro e organizativo. 

3 - Não entendo como continuam a insistir no tema dos carros comprados com subsídios de investimento na agricultura porque na atualidade é impossivel isso acontecer: mesmo que se gaste o prémio de 1.ª instalação do jovem agricultor no valor de 30 000 euros, tem que fazer o investimento de 75 000 euros o que obriga a fundo de maneio para IVA e encargos da atividade em valor superior a esse montante. Se alguém tiver que devolver fundos pagos assume uma divida fiscal, a qual incide sobre os rendimentos pessoais e património do empresário. 

4 - Os entraves são muitos porque não conhecemos devidamente os pormenores da atividade agrícola, só a experiência de gerir uma exploração agrícola é que gera competências para o efeito (a minha sugestão: "tem que aguentar e cara alegre", cometer erros, aprender todos os dias, e fazer melhor tendo por base a aprendizagem dos erros (é mais inteligente aprender com os erros dos outros)).

5 - É preciso mudar mentalidades, mas sobretudo práticas e comportamentos. É preciso ter capital disponivel (proprio ou alheio) para se ser empreendedor. Há muito insucesso por falta de planeamento, capital, vontade de trabalhar quando os processos estão a correr mal, persistência, etc. Lido com muitos candidatos a jovens emprésarios agrícolas e noto que há alguns que estão melhor preparados que outros, mas verifico que muitos melhoram as suas perfomances pessoais quando sentem as dificuldades sérias do tipo "o barco quase a afundar".

6 - O regresso às origens e a memória dos nossos antepassados é um lenitivo que nos tempera nos tempos mais dificeis que iremos passar nas nossas explorações agrícolas, mas terá que ser a nossa vontade em obter sucesso, em querermos  ser empresários com resultados reconhecidos publicamente que nos darão forças e coragem para vencer. Temos que utilizar o exemplo daqueles poucos empresários que conseguem ganhar muito dinheiro com a agricultura. Temos que conseguir as suas competências: trabalhar de forma esforçada, acreditar que iremos ter obter excelentes resultados, boa produtividade, excelente qualidade, e montar as estratégias necessárias para os alcançar.   


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Estratégia para o desenvolvimento e crescimento de Trás-os-Montes (2)

O leitor Frederico Lucas escreveu  o seguinte neste blogue:

"Apesar de ter tido a oportunidade de participar no programa, tenho que concordar consigo.
A fileira do Direito ocupou a maioria do tempo de antena.

Um abraço"

Comentários:
1 - Acho notável o trabalho que está a fazer Frederico Lucas na promoção dos Novos Povoadores para a região de Trás-os-Montes porque assenta no principio de ensinar a pescar em lugar de dar o peixe.

2 - A melhor intervenção, na minha perspetiva, foi do prof. de Direito da Universidade de Lisboa que indiciou faltar massa critica na região. Pelas intervenções no programa estou certo que escasseia a massa critica que elabore estratégias e produza resultados em prol da região. O que é necessário fazer para que os 200 doutorados que trabalham no distrito de Bragança elaborem um plano estratégico de desenvolvimento?

3 - Para quando os Politécnicos e as Universidades exerçam a liderança efetiva nas regiões onde se inserem? O que é preciso fazer para que o seu produto, os licenciados/mestrados que formam, o seu corpo docente que faz investigação, sejam motor de desenvolvimento, de iniciativa, de inovação, de incorporação de tecnologia na região envolvente à Instituição?

4 - Defendo que as Instituições de Ensino Superior deveriam ser financiadas pelo Estado não pelo número de alunos, mas sim pelos resultados medidos na empregabilidade, no empreendedorismo e criação de riqueza de quem conclui os seus cursos e formações.      

domingo, 15 de abril de 2012

Estratégia para o desenvolvimento e crescimento de Trás-os-Montes

Assisti na passada 4.ª Feira, dia 11 de Abril 2012 ao Programa da RTP1, da equipa do Prós e Contras com o titulo “Portugal hoje – retrato da interioridade”, em Bragança. Esta iniciativa  teve como objectivo discutir a fundo diversas questões regionais de interesse público, abordando as diferentes perspectivas, ideias e opiniões sobre a estratégia de promover o desenvolvimento da região de Trás-os-Montes, em particular e o a região Interior de Portugal, em geral.  A iniciativa destina-se a “pensar” a região como um todo, recolher contributos diversos, trabalhar para construir um caminho, que ajude todo o Trás-os-Montes a alcançar o tão ansiado desenvolvimento.

Achei estranho porque não houve a intervenção de nenhum empresário, sei que um empresário meu amigo, penso que será o maior do distrito de Bragança foi convidado para participar, não esteve presente por motivos de agenda, mas infelizmente, na minha perspetiva, faltaram as opiniões daqueles que diretamente são os agentes e concretizadores dos investimentos.

Intervieram os líderes de opinião da região de Trás-os-Montes e do país, que não conseguiram passar do estágio dos diagnósticos, tipicos da vida pública portuguesa. Louvo a apresentadora, Fátima Campos Ferreira, a qual tentou por todos os meios que alguma das pessoas que falou desse, pelo menos, uma ideia concreta de uma estratégia para promover o desenvolvimento. Foi com pesar que assisti ao Programa e verifiquei que não teve interlocutores à altura do desafio.

Gostaria de ter participado e explicado aos portugueses a  "Rede de Cooperação da Fileira do Castanheiro", a proposta "ReFCast - Reforço da Cultura do Castanheiro", bem como as razões porque que esta proposta concreta de estratégia para promover o desenvolvimento do Interior de Portugal nunca avançou por falta de apoio do poder político. Com a experiência desta rede e com o background que possuo no desenvolvimento rural, poderia ter lançado o desafio, em direto, para se começar a estratégia de construir o desenvolvimento concreto de Trás-os-Monte bem como, vincar que o seu sucesso estaria dependente de uma sessão pública,dentro de um ano, para a sua avaliação e projetar o ano seguinte.

A metodologia a utilizar é a mesma que se recorreu para construir o RefCast, lançar o desafio aos players da região para participarem, organizar sessões de trabalho, com periodicidade quinzenal ou mensal, com objetivos especificos que teem de ser atingidos por sessão e por períodos temporais (mensais, trimestrais e anuais), que motivam os parceiros a participarem afincadamente porque cada player é obrigado a intervir e á medida que o tempo passa, reconhecem que o seu trabalho tem valor, o resultado final tem maior valor que a participação individual de cada um.

Seria interessante analisar o que se tem conseguido construir na fileira do kiwi, através dos seus planos estratégicos, da região do Entre Douro e Minho e da Sub-Fileira do Kiwi, bem como do Programa de Promoção das Plantações de Kiwis na Região de Bairrada entre 2000 e 2004 (130 ha) e adaptar estas estratégias/resultados para construir soluções para desenvolver a Região Interior de Portugal  



   

 
 

sábado, 14 de abril de 2012

Twitter versus blogue - José Martino


Escrevo no twitter em "twitter.com/martinadas".

Gostaria de obter opiniões dos leitores deste blogue sobre o que escrevo nesta rede social porque é um desafio muito interessante e completamente diferente de escrever este blogue, escrevo pensamentos que me ocorrem ao longo do dia, sobretudo instantaneos, que surgem na hora, que registam  a minha vivência do momento, por contraposição a esta rede social, escrevo predominantemente ao fim do dia, à noite e aos fins de semana, documentos que são o resultado de maior reflexão, mais estruturados, que demoram bastante tempo a ficarem concluidos. O que pensam sobre este assunto? Por favor, façam um esforço e participem, escrevam os vossos comentários. Obrigado!

Estratégia para Instalação de Jovens Agricultores

Perguntam-me muitas vezes: qual a estratégia que devo fazer para me instalar como jovem empresário agrícola?

A minha resposta é a seguinte:
1 - Fazer o levantamento na internet das atividades agrícolas que podem ser mais interessantes.
2 - Organizar um plano de visitas a explorações e organizações de comercialização, nacionais e estrangeiras, com o objetivo de recolher o máximo de informações (elaborar um guião de perguntas e pontos a validar. elaborar um relatório de cada visita) para decisão sobre as atividades a eleger (entre uma a duas).
3 - Rever e atualizar o plano de trabalhos de quinze em quinze dias até chegar ao objetivo final: Tomar a decisão sobre as atividades a investir tendo em conta o perfil do empresário, a sua maior ou menor intensidade em capital, acompanhamento no campo, mão de obra, etc. Recomendo que escolham atividades que tenham em conta a vocação do empresário, aquelas que lhe geram paixão, que teem a ver com o seu perfil pessoal (para uma melhor escolha trabalhar nas explorações agrícolas para saberem "os ossos de ofício" especificos).
4 - Elaborar o plano de negócio. Definir com rigor os capitais próprios ou alheios necessários ao investimento e exploração até se tornar positiva a conta de tesouraria
5 -  Apresentar a candidatura ao ProDeR para captar os incentivos de primeira instalação de jovens agricultores
6 - Estagiar
7 - Com as ajudas do ProDeR contratadas avançar para o investimento

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Haverá problemas com o call center do IFAP?

Uma leitora deste blog, Nandinha, escreveu o seguinte:
"Passa-se exatamente o mesmo com o Call Centre do IFAP 217513999."

quarta-feira, 11 de abril de 2012

proposta de mudança do paradigma do Ministério da Agricultura

É surpreendente que não se consiga ligar para o telefone (21 381 93 00: consultei o 1820 e trata-se do único número disponível para o público) do Gabinete de Planeamento e Política do Ministério da Agricultura (chama... chama..., infelizmente ninguém atende). Será que algum responsável resolve este problema que se arrasta há algum tempo?

Com o  IFAP há muitas 6.feiras em que não se consegue contacto telefónico. Não consigo descobrir a causa.

Tenho dificuldade como massa crítica e cidadão empenhado em desenvolver o meu país em perceber e aceitar que coexistem no tempo o tipo de problemas enunciados acima. Defendo que a atual crise económica e financeira de Portugal é um excelente instrumento para fazer a mudança de paradigma no ministério da agricultura: deslocar o objetivo principal deste ministério da distribuição de dinheiro para a tramitação atempada, dentro dos prazos legais, de todos os processos burocráticos sob a sua alçada. Creio que o cumprimento deste novo objetivo teria um forte incremento no produto agrícola bruto no ano de 2015 sem custos adicionais para o défice ou Orçamento de Estado

A crise e as margens brutas praticadas pela distribuicao organizada

Os produtos agrícolas portugueses que estejam dependentes da distribuicao organizada tem um grave problema de rentabilidade porque apesar da quebra na procura as cadeias de supermercados querem manter as margens do negocio esmagando os seus fornecedores. Por outro lado, a guerra de preços entre o Continente e o Pingo Doce também contrbui para a baixa dos preços nos agricultores. Verifico que nas frutas de rotação, macas, bananas, peras, etc. as margens brutas sao reduzidas ou negativas durante as promoções. As margens brutas no kiwi sao na ordem de 100% como fruta de rotação media, aumentando varias vezes as margens brutas nas frutas de baixa rotação. Quem pode inverter esta situação? Espero os comentários dos meus leitores!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Agricultura - uma alternativa de sucesso!

Hoje tive a oportunidade de expor as minhas ideias sobre o empreendedorismo na agricultura para licenciados desempregados inscritos no IEFP de S. João da Madeira. Foi um desafio muito estimulante expor a análise swot da agricultura que a tornam interesante sobretudo atrativa para jovens empresários agrícolas, bem como apresentar os apoios que podem obter do ProDeR para investirem na agricultura. Penso que quem tiver vocação para empreendedorismo pensará duas vezes sobre as vantagens dos apoios dados pelo ProDeR para a instalação de jovens agricultores (prémio de 1.ª instalação até 30 000 euros e apoios ao investimento de  50% ou 60%, conforme a parcela objeto de investimento fica situada em zona favorecida ou em zona desfavorecida, respetivamente).    

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Sei que é dificil mas os outros sectores não são mais fáceis!

Escreveram o seguinte neste blogue:

"Paula Baptista - Agropink disse...
Boa noite Eng.º José Martino,

Gostei da sua intervenção na CNEMA e concordo que a ´fórmula baseada em conferências e workshops é concerteza uma formula de sucesso. Apoio a 100% a ideia de uma "crédito habitação" para aquisição de terras para o sector agrícola.
Quanto à força interior para realizar certames que seriam de certeza muito produtivos e impulsionadores de novas experiências ao nível agrícola.

Formei à pouco tempo uma empresa agrícola com mais um sócio com o intuito de investir pessoal e financeiramente num sector que tem de ser visto como o futuro de portugal, não tenho ideias românticas sobre a actividade mas tenho muito estimulo. Sei que é dificil mas os outros sectores não são mais fáceis.
Espero assistir a mais confer~encias ou workshops ministrados por si porque na minha opinião agitar as águas pode servir para impulsionar novas pessoas a abraçarem esta actividade."

Comentários:
1 - É bom que sejamos um grupo forte e coeso a defender a importância da agricultura no tecido económico português, bem como para incrementar o prestigio económico e social dos agentes da agricultura e do mundo rural. A agricultura é uma atividade económica incontornável no desenvolvimento e crescimento da economia portuguesa e da estratégia de combate à crise económica e financeira que estamos a viver. Os 3 500 M€ de défice da balança alimentar têm de desaparecer nos próximos cinco anos através de um processo concertado entre os seus agentes.

2 - Não é possivel desenvolver a agricultura de mercado, explorando de forma sustentável os recursos que existem em Portugal sem uma política de crédito equilibrada, de acesso fácil ao crédito para investimento e exploração, montantes disponibilizados,  prazos e seus custos. A agricultura atingirá a importância que os agricultores merecem, no dia em que o crédito e os seguros desta atividade funcionarem bem (um dos barómetros será o grupo Crédito Agrícola ter mais de 75% da sua carteira de crédito nos agricultores e na agroindustria). O crédito tipo habitação será um dos novos instrumentos de apoio aos empresários agrícolas.

3 - É preciso, é urgente, é determinante, colocar em posição de liderança política as pessoas que pensam e atuam fora da caixa, possuem ideias, energia, determinação e "loucura necessária e suficiente para acreditarem que podem colocar como objetivo: tornar rentàvel e desenvolvida a agricultura portuguesa".

4 - O ponto chave do sucesso na agricultura é acreditar que se vai ter sucesso, sem perder a aderência à realidade. Acho deliciosa e espetacular a frase. "Sei que é díficil mas os outros setores não são fáceis!". Dou-lhe os meus parabéns por esta postura. É com pessoas desta fibra que Portugal chegará a país rico!

5 - Se depender exclusivamente da minha pessoa, dos resultados do meu trabalho, da minha inspiração e iniciativa, tenho a certeza que, a agricultura ganhará novos players com massa critica  para pensarem pela sua própria cabeça.  
Vamos mudar cada um de nós próprios para mudar Portugal!            

Apicultura (2)

"Nuno Cunha disse...

Boa tarde.
Ja tenho algumas colmeias,no entanto estão em propriedades emprestadas,queria queria concorrer a um projecto apicola no ambito da PRODER com um projecto de 100 colmeias.
Quero saber se posso concorrer/fazer o projecto mesmo não possuindo terrenos proprios?
Qual o montante aproximado para um projecto desta envergadura,tendo em conta colmeias e enxames novos mais restantes materiais e condicões de extraçao de mel.Qual o montante comparticipado pelo PRODER + OU -?
Qual o mês ou meses nos quais se devem apresentar os os projectos para aprovação dos fundos?
Agradeço desde ja as informações dadas.

cumprimentos:

Nuno Cunha"

Comentários:
1- Pode concorrer ás ajudas para instalação de jovens agricultores com terrenos arrendados ou cedidos gratuitamente, além dos terrenos de propriedade própria.
2 - O ProDeR apoia até 75000 euros de investimento com 90% ou 100% conforme cada um dos  terrenos da sua exploração estejam situados em zona favorecida ou desfavorecida (consulte neste blogue a indicação destas zonas)
3 - Os projetos podem ser apresentados todos os dias porque estão abertas as candidaturas á instalação de jovens agricultores. 

Apicultura (1)

Colocacaram o seguinte pedido de esclarecimento sobre apicultura:

"Anónimo disse...




BOA NOITE,

ALGUÉM ME PODE DIZER QUAL O VALOR GLOBAL PARA UM INVESTIMENTO NA APICULTURA, PARA EU VERIFICAR SE TENHO CAPITAL PARA TORNAR O MEU HOBBY NO MEU EMPREGO? E JÁ AGORA DEVE COMEÇAR SE COM QUANTAS COLMEIAS?

FICO GRATA PELA ATENÇÃO."
Comentários:
1 - Deve começar com um estágio de um ano junto de um apicultor. Depois deverá instalar 20 a 30 colmeias em 4 a 6 locais/apiários e atingir as 300 - 500 colmeias no 2.º ano após a assinatura do contrato de ajudas com o ProDeR relativo às ajudas de 1.ª instalação de jovem agricultor.
2 - O investimento ficará no intervalo dos 75 000 a 150 000 €. O fundo de maneio deverá incluir o valor da aquisição dos enxames (60 a 70€ cada), valor do IVA relativo ao investimento, a aquisição de um veiculo todo o terreno e 2000 a 4000 euros para outras despesas de funcionamento durante o 1.º ano   

terça-feira, 3 de abril de 2012

Polémica sobre a fileira do kiwi

O leitor Nuno Aleixo colocou os seguintes comentários sobre o Seminário "O sucesso do kiwi e o futuro":

"Sobre esta apresentação tenho a colocar as seguintes observações:
1) Nada em concreto se falou sobre o período 2014-2020. Tendo em conta que os critérios que serviram de base para o plano estratégico 2007-2013, nomeadamente a lei de oferta e procura, sabendo que a oferta excede a procura nacional, e que os entrepostos estão no limite da sua capacidade de armazenamento, se poderá concluir que nos próximos 2/3 anos iremos constatar aumento da dificuldade de escoamento dos kiwis e a pressão dos preços pelo lado da oferta(diminuição do preço)?
2) Gostei particularmente da apresentação da Sonae na vertente comercial que apelava à diversificação;
3) alguma indignação minha pela pouca abertura da associação e dos produtores à diversificação dos produtos, nomeadamente à vertente produção biológica;
4) pouco rigor nos estudos da associação que nem com a chamada de atenção da representante da Jerónimo Martins se dignou a reconhecer que enviesou a amostra do estudo apresentado (amostras mal dimensionadas estatisticamente)!
Atentamente,
Nuno Aleixo"

Comentários:
1 - O que se falou de concreto sobre o período de 2014-2020 é o que possivel saber-se nesta altura com base no trabalho realizado: há centenas de hetares de kiwis plantados nos últimos 3 anos que terão forte influencia neste período; há modernização e ampliação de entrepostos; há extensão do período temporal de oferta; há novas variedades; etc. etc..Para existir mais conhecimento terá de ser feito um trabalho árduo e profundo de recolha e tratamento da informação que deverá ser realizado até final de 2013.
Partindo do pressuposto que enunciou, os preços já deveriam ter descido desde 2007 (desde 2007 há mais produção nacional que mercado interno para essa produção) e tal não aconteceu, bem como há gurus da fileira do kiwi que dizem desde o ano 2001 que se espera  uma crise de queda de preços e esta catástrofe ainda não caiu sobre os kiwicultores. Em síntese, qual o efeito do frio polar sobre os pomares em Itália, qual o efeito sobre a oferta de kiwis deste país e que mudanças na oferta ao longo dos próximos anos? Qual o efeito que a PSA irá fazer sobre a oferta internacional dos concorrentes dos kiwis de Portugal? Quem conseguir responder corretamente a estas questões terá sabedoria para responder à questão que colocou.
2 - P. f. transforme a sua "alguma indignição" em ação! P. F. dê-nos uma lição: faça igual ou melhor! Precisamos de massa crítica: qual a diversificação que preconiza? O que devem fazer os kiwicultores? Qual a estratégia que devem implementar para chegar aos objetivos que defende?
3 - Não concordo com as suas conclusões sobre o estudo de mercado: pediu e leu o documento? (se o fez apresento antecipadamente a minha "mea culpa").
Controlaram-se lotes que tinham muito mais de 10% dos frutos em número e peso que não pertenciam à categoria II e portanto, não cumprem as regras legais da normalização dos kiwis.