domingo, 21 de dezembro de 2014

Elaborar contrato de arrendamento rural


"Boa noite,

Sr, Engenheiro, tenho um terreno com cerca de 3 hectares e gostaria de o ceder para um projecto agricula a um familiar mas necessitamos de um contrato para formalizar o acordo e requisitar contador de luz, procurei na internet mas não encontrei nada especifico para o que necessito, gostaria de saber se me poderia ajudar nesta situação ou se tenho outra alternativa.  Obrigado

Cumprimentos"
 
Comentários:
Para apoio para a melhor estratégia  para elaborar um contrato de arrendamento rural marque uma reunião com a Eng. Sónia Moreira da Espaço Visual (917 975 852) ou contate um advogado. 

Ajudas ao investimento nos castanheiros


Boa tarde Eng. Martino
Tendo em conta a fileira da Castanha gostava de lhe colocar as seguintes questões:

1-Relativamente ao PDR 2020 que incentivos/programas estão contemplados

para a plantação de castanheiros para produção e comercialização de castanha;

2- Tendo em conta que a fileira da Castanha só tem os primeiros resultados nunca antes dos 5/6 anos, em que medida é que uma candidatura à plantação de Castanheiros pode ser aprovada e financiada pelo PDR 2020;

3- Que medidas do PDR 2020 é que estarão provavelmente mais adaptadas a uma candidatura de sucesso na fileira da Castanha.

Grato pela sua ajuda e pelo sábio e valioso contributo que tem dado à Agricultura e aos (futuros (jovens) agricultores).


Comentários:
1 - NO PDR 2020 estão previstos apoios para a produção de castanhas através das ajudas para a 1.ª instalação de jovens agricultores, investimentos na agricultura (investimentos iguais ou superiores a 25 000 euros) e pequenos investimentos (5000 a 24999 euros) e apoios específicos para estruturas de transformação e comercialização das castanhas.

2 - Para ir de encontro aos pormenores do seu projeto e tirar o melhor partido dos apoios públicos, marque uma reunião com a Eng. Sónia Moreira da Espaço Visual (917 075 852).

3 - Pode apresentar e implementar um projeto de castanheiros sem garantir o seu posto de trabalho e o equilíbrio da tesouraria (tal só é possível fazendo um orçamento para o efeito, o qual deve ser financiado por capitais próprios e crédito, ou business angels ou empresas de exploração. Recomendo que possua os meios financeiros adequados para além das ajudas públicas ao investimento para completar os investimentos (as ajudas públicas têm um teto máximo de 85%, há itens não elegíveis) e para fazer face aos custos de exploração até equilibrar a tesouraria.

4 - A Espaço Visual irá organizar uma feira sobre empreendedorismo no final do mês de fevereiro de 2015. Esteja atento em www.espaco-visual.pt sobre este evento, o qual lhe irá dar ferramentas sobre um vasto conjunto de apoios complementares ás ajudas públicas ao investimento e que poderão alavancar os projetos de jovens agricultores que têm elevado potencial como empreendedores e que estão limitados nos recursos financeiros e experiência.   

 

Floricultura

"Boa tarde Sr. Engenheiro,

Tem sido com muita curiosidade e satisfação que tenho testemunhado algumas das suas intervenções a questões pertinentes na área agrícola. Desta feita, venho por isso explanar e obter alguma orientação do meu caso em particular. Assim sendo, disponho de uma área pequena (+/- 3000 m2) no concelho de Fafe que gostaria de converter em pequena exploração de floricultura. Dado não possuir uma forte capacidade financeira e dado a área de terreno não ser muito grande encontro-me num dilema pois não sei se me poderei candidatar a financiamento comunitário. A minha questão fundamental é se uma área inicial de cerca de 2000 m2 na área de floricultura em estufa seria financeiramente viável para inicio de atividade. Haveria pois contingências até á implementação total do projeto e consolidação da vertente comercial, pelo que me parece aconselhável não iniciar numa grande escala de produção.
 Senão que outra cultura aconselharia? E qual a área mínima requerida para poder concorrer a financiamento comunitário?
Agradeço antecipadamente a sua atenção"



Comentários:
1 - Para a atividade indicada e para a superfície em causa pode candidatar-se e obter ajudas do PDR 2020 para a 1.ª instalação como jovem agricultor. 

2 - Recomendo que tente encontrar um terreno com maior dimensão porque mesmo começando com 0,2-0,3 ha, recomendo a superfície mínima que rentabilize o projeto, tenha possibilidade de dentro de poucos anos  ampliar a atividade pelo menos até aos 4-5 ha tirando partido da mesma infraestrutura da rega e fertirrigação, armazém, mão de obra, máquinas e equipamentos, etc.

3 - Se estiver em condições para se instalar como jovem agricultor deve tirar partido das ajudas existentes porque lhe alavancam o investimento e diminuem o seu risco.

4 - As contingências indicadas, devem ficar acauteladas na fase de preparação do projeto através de visitas de estudo a produtores já instalados quer em Portugal, quer no estrangeiro. Por outro lado, prepare-se através de estágios. Defina previamente qual a estratégia comercial que irá implementar e que parceiros lhe irão valorizar as produções.

5 - Marque uma consulta com a Eng. Sónia Moreira da Espaço Visual (917 075 852) para abordar os pormenores do processo.         

Morangos em cultura hidropónica


"Bom dia Sr. Eng. José Martino
Eu não tenho qualquer formação nem experiência em agricultura  hidropónica mas depois de muitas pesquisas fiquei bastante interessado e com muita vontade de criar o meu próprio emprego visto estar desempregado. Pretendia saber se e possível beneficiar do apoio aos jovens agricultores e avançar com a minha ideia começando pelo cultivo de morangos. Eu resido em vila real de santo António e se for possível avançar com este projeto por onde devo começar?
Agradeço desde já a sua atenção."

 
Comentários:
1 - Para saber mais sobre morangos em cultura hidropónica inscreva-se nos workshop e visita de estudo que a Espaço Visual irá organizar no mês de janeiro de 2015. Consulte www.espaco-visual.pt.

2 - Pode beneficiar dos apoios dos jovens agricultores para se instalar nesta atividade.

3 - Deve começar por recolher informação através de pesquisas na internet, visitas de estudo individuais ou em grupo a produtores já instalados, estágios formativos, etc. e contatar organizações de comercialização/organizações de produtores para ter um canal que lhe valorize as produções.
 

Qualidade da água de rega em plantações de framboesas


"bom dia eng. Martino, eu sou um jovem agricultor da região do algarve

estou em fase de desenvolvimento de uma plantação de framboesas de 3 hect. .

mas agora que fiz analises bacteriológicas á agua deu-me um resultado que não esperava

apareceu-me 1 ufc de eterococos fecais na amostra de agua.

gostaria que me elucidasse se isso é impeditivo para a minha cultura

e se sim o que eu tenho para viabilizar a minha plantação.

desde já agradeço a sua resposta"
 
 
Comentários elaborados pelo Eng. Daniel Portelo da Bfruit:
 
1 - Aparecer estreptococos fecais na água de rega não é impeditivo da produção frutícola, no entanto há alguns cuidados que é necessário ter.
2 - Nestes casos, o que se faz usualmente é a aplicação de hipoclorito ou peróxido de hidrogénio juntamente com a água de rega, em contínuo. Assim, deverá prever no sistema de rega a instalação de um depósito extra para fazer este tratamento de forma permanente.
 
3 - Os serviços técnicos da Bfruit têm competências para calcular as quantidades necessárias de produtos quando os seus sócios na organização de produtores quando estes lhes forneçam as análises à água de rega.
 
 

Continuo com algumas dúvidas, e gostava de saber a sua opinião pessoal.


 
"Bom dia eng Martino, Antes de mais deixe-me agradecer novamente as orientações que me deu há umas semanas atrás, foram muito úteis. Tenho neste momento o processo a ser elaborado pela Espaço Visual, mas continuo com algumas dúvidas, e gostava de saber a sua opinião pessoal. O meu projecto vai assentar num terreno com 3ha na zona de Famalicão. Inicialmente tinha previsto plantar apenas mirtilo, mas após várias visitas a outras empresas, fiquei com a ideia de não apostar unicamente numa cultura, numa perspectiva de distribuir os riscos e apostar numa colheita mais alargada. Nesse sentido: - Acha que o mercado está a ficar "inundado" de mirtilo ou ainda tem margem para crescer? - Acha que plantar 1ha de framboesas é um bom complemento para os 2ha de mirtilo? - Para um terreno destas dimensões, há outra opção viável? Claro que isto acarreta outros custos, nomeadamente na formação relativa a mais do que uma cultura, mas também poderá trazer outros benefícios. Agradeço a resposta".
 
Comentários:
1 - Acho que o mercado dos mirtilos tem muito potencial pois eu próprio estou à procura de terrenos para implantar até 40 hectares de mirtilo porque o seu consumo ultrapassa o conceito de fruto, acompanha as refeições, funciona como snack entre as refeições, dispõe bem, é consumido de forma voluntária por crianças de 2 anos desde que consiga que elas os provem.
 
2 - Os riscos que podem aparecer são semelhantes aos que sofreu o kiwi nas décadas de 80 e 90 do século passado, instabilidade de preços de mercado devido a ajustamentos entre a oferta e a procura porque o mercado estava a crescer e a comercialização não se encontrava organizada. Por outro lado, muitos dos produtores implantaram mal, cuidaram mal e tinham preços de produção elevados face ao preço de mercado.
 
3 - Na minha opinião se optar pelas framboesas deve começar com 1 hectare e no mesmo local deve ter a possibilidade dentro de 2-4 anos, chegar aos 4-5 hectares. É um erro ter 1 hectare único de framboesas sem poder crescer no mesmo local para tirar partido da equipa da mão de obra, infraestrutura da rega e fertirrigação, armazém, etc.
 
4 -  Com 3 hectares de exploração optaria exclusivamente pelos mirtilos.
 
5 - No futuro, creio que quando aparecerem novas variedades de amoras, com sabor e poder de conservação frigorífica, esta cultura será uma atividade com muito interesse como alternativa aos outros pequenos frutos.
 
6 - Faça uma visita de estudo à Bioberço e pode recolher in loco a experiência das limitações decorrentes das multiactividades numa micro exploração de pequenos frutos.        

Workshop | O Cultivo de Fisália – Physalis Peruviana


Workshop | O Cultivo de Fisália – Physalis Peruviana

 
 
Uma oportunidade para conhecer este fruto exótico oriundo da América Latina mas com um consumo crescente em Portugal e na Europa.
 
PROGRAMA
 
8:45
Abertura de secretariado
 
9:00
A cultura de Fisália e sua viabilidade económica
 
10:00
Técnicas de Cultivo
 
10:45
Pausa para café
 
11:00
O fruto: da colheita ao processamento
 
11:30
Apresentação de Projeto já desenvolvido – desafios e sucessos
 
12:15
Apoios e incentivos, PDR 2020
 
13:00
Avaliação e encerramento
 
 
Data: 10-01-2015
Local: Instalações da Espaço Visual Valbom, Gondomar.
Destinatários: Estudantes, profissionais na área da agricultura, potenciais empreendedores, empresários e público em geral.
Custo: 50€ (IVA incluído à taxa legal em vigor) Emissão de certificado de participação

Considera uma boa opção complementar o Mirtilo com a Groselha?


"Sr. Eng. José Martino,
Continuo com algumas dúvidas sobre a cultura a produzir em Baião no âmbito do programa “Inst. Jovens Agricultores-PDR2020". O excesso de informação (pesquisada) está a baralhar-me; há opiniões para todos os gostos!! Não saberei antecipadamente se tenho aptidão/vocação para esta ou aquela cultura porque não tenho a experiência necessária na área agrícola. Penso que a questão principal que preocupa qualquer iniciado é a rentabilidade versus investimento; todos querem ganhar dinheiro e eu não fujo à regra. Sou empreendedor, competente e dedicado em tudo o que faço na vida, mas quando se trata de arriscar num campo que não se conhece é sempre um "tiro no escuro". Finalmente optei por um terreno com 3,7 hectares. Estou inclinado para culturas em campo aberto (ar livre) e que não exijam disponibilidade a tempo inteiro, mas que constituam uma boa fonte de rendimento, como é o caso de alguns pequenos frutos. Vou excluir os Kiwis devido à pequena dimensão do projeto em termos de área. Amoras, Morangos e Framboesa não cumprem os requisitos de disponibilidade atrás enunciados; sobram os Mirtilos e as Groselhas que em termos de adaptação ao terreno e rentabilidade me parecem os mais adequados, com base nas minhas pesquisas, sendo que as Groselhas atingem valores de mercado mais altos em relação aos Mirtilos. Outro aspeto a ter em conta é que no concelho de Baião, entre projetos implementados e projetos em desenvolvimento podemos apontar para sensivelmente 150 pequenos produtores com área média de cultivo de 2 hectares, no curto/médio prazo, sendo que 70% desses projetos se reportam ao Mirtilo. Quero apostar em duas culturas para diversificar o risco(Mirtilo e outra). Considera uma boa opção complementar o Mirtilo com a Groselha ou sugere outra cultura? Que tipo de "manutenção" exige a groselha?"

Comentários:
1 - Caro leitor, é altamente arriscado tomar decisões empresariais com base exclusiva na informação recolhida na internet. Se não tem experiência para tomar decisões por favor não as tome porque irá arrepender-se. Recomendo que faça visitas de estudo durante três meses e após este prazo tome uma decisão sobre as atividades agrícolas em que irá empreender.

2 - É uma falácia o raciocínio apresentado: "Penso que a questão principal que preocupa qualquer iniciado é a rentabilidade versus investimento; todos querem ganhar dinheiro e eu não fujo à regra."
a) Para ganhar dinheiro na agricultura é preciso paixão e competência pelas atividades que se desenvolvem.
b) É perigoso buscar de forma exclusiva a "rentabilidade versus investimento". Um exemplo: ainda esta semana tive uma discussão com um dos meus sócios jovem agricultor porque é preciso perfil pessoal para se melhorar na atuação, na capacidade para vencer impossíveis e estar aberto a reinventar o seu comportamento, pois ao fim de alguns meses de implementação dos investimentos verificou ser necessário estar todos os dias, meses a fio, fechado dentro de uma estufa a "comandar tropas", com inúmeras tarefas que têm de ser implementadas simultaneamente. Resultado, os pequenos pormenores de gestão do dia a dia estão a falhar, não se fazem em tempo útil, na melhor oportunidade técnica, a gestão da mão de obra na colheita, condição essencial para se terem custos competitivos e obter rentabilidade, começa a dar sinais que não melhora a cada dia que passa. Enfim, todos querem rentabilidade mas esquecem-se dos ossos de oficio de cada uma das atividades. Conclusão, o ganhar dinheiro parece estar cada vez mais distante apesar da rentabilidade potencial intrínseca dessa atividade ser das mais elevadas. É muito importante cada empreendedor transformar o potencial em real, em adquirido.

3 - Concordo com a sua opinião de que "investir é um tiro no escuro", por isso, deve minimizar o risco  do que dependa si próprio como empresário sendo competente e dedicado. O ponto chave está no processo para se atingir a competência. Como o pensa fazer?

4 -  As groselhas são uma excelente cultura se tiver operador comercial que as valorize porque o seu mercado mesmo potencial é muito pequeno e por isso, existe um risco real de desaparecimento do mercado caso se ultrapasse determinando nível quantitativo global de produção. Por outro lado, é uma cultura que exige conhecimentos técnicos específicos, muito dependente da realização de cada uma das operações culturais na melhor oportunidade técnica, na hora certa, pois caso contrário, não conseguirá produzir e não conseguirá pagar os custos de produção.

5 - Na minha opinião os 300 hectares de mirtilos que diz existirem no concelho de Baião não representam excesso de produção. No entanto, acredito que muitos desses 150 produtores irão ter problemas quer na produção, quer na comercialização porque muitas dessas plantações não estão dimensionadas para serem mecanizadas, não possuem sistema de rega e fertirrega automatizados, têm variedades sem interesse comercial, não estão ligados a organizações de comercialização, não têm assistência técnica organizada, etc. etc.

6 - Em síntese, é boa opção ter na mesma exploração mirtilos e groselhas desde que esteja ligado a um operador comercial/organização de produtores (exemplo: Bfruit), se o terreno em causa tiver aptidão para as culturas, se forem bem implantadas e bem cuidadas.

   

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Insucesso na instalação de jovens agricultores com apoios do ProDeR?



Sofia  Freitas escreveu:
"Já li o artigo do público e sinceramente é mais jornalismo da treta e de tratar os agricultores e a agricultura como os coitadinhos…

Gostava de saber quantos empresários conseguiam tirar um salário ao final do primeiro ano de atividade da empresa? Gostava de saber se uma pessoa que vai investir num projeto ao qual vai fazer depender a sua vida o seu futuro não será suposto que se preocupe com os canais de comercialização, ou nas atividades agrícolas essa responsabilidade é dos consultores? Realmente, parece-me que é usual uma pessoa que vai investir na metalomecânica, por exemplo, fazer depender a venda dos seus produtos dos consultores que lhe elaboram a candidatura…se assim fosse com certeza estaríamos todos na miséria absoluta e controlados por outras economias…

É uma pena que o jornalismo continue a privilegiar este tipo de discurso e que seja apoiado por dirigentes com responsabilidade sobre o assunto…

É preciso rasgar com este preconceito dos coitadinhos e demonstrar definitivamente que a atividade agrícola é uma atividade económica que visa o lucro e que a sua gestão deve assentar nos mesmos pressupostos que a gestão de qualquer outro negocio ou empresa."
 
Comentários:
1 - É muito importante o que jornal Público descreve hoje (2014.12.16) nas páginas 2 e 3 sobre os investimentos na agricultura apoiados pelo ProDeR sobretudo os que se referem à instalação de jovens agricultores. 
 
2 - Concordo em absoluto com o escrito no texto acima, o qual deveria fazer refletir de forma muito séria a jovem agricultora que aparece no artigo do Público.
 
3 - Estou 100% ao lado do ProDeR que aceita a idoneidade de quem lhe apresenta projeto ou seja, se determinado proponente submete uma candidatura com determinados pressupostos de partida e chegada, antes e após o investimento, bem como ano cruzeiro, o ProDeR aceita-os como bons,  não sendo corresponsável pelos resultados maus que possam advir no futuro pois não tem a responsabilidade de "dizer não".   
 
4 - Os problemas existem com a instalação dos jovens agricultores porque o sistema é cego, não avalia a competência de quem se candidata, aliás retenho as palavras de um alto dirigente do Ministério da Agricultura que no ano passado me disse (não ouvi dizer) "o sistema está montado para instalar jovens agricultores não para garantir o sucesso da sua instalação". Revejam o exemplo no texto acima sobre a metalomecânica e façam um momento de reflexão se o que está a acontecer na agricultura, atividades que uma grande parte da população acha que domina, acontecesse na indústria, se o posicionamento da sociedade, opinião pública e jornalistas, seria a mesma?
 
5- O sistema que defendo é a  avaliação da competência de gestão, empreendedora e técnica quem se quer instalar como jovem agricultor, através da apresentação de projeto, estágio de um ano com tutoria técnica e do chefe de exploração, e provas públicas perante técnicos do Ministério da Agricultura. Após passar no exame poderia rever o projeto e teria apoio financeiro autónomo de apoio à tesouraria (estas ideias foram expostas em artigo publicado no jornal Público há alguns anos).        
 
6 - Não aceito os exemplos apresentado pela jornalista do Público, Ana Rute Silva "... culturas como a dos mirtilos que explodiram e o que antes era um produto de nicho proliferou, com a consequente queda de valor." e o presidente da Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP), Ricardo Brito Paes "As modas, como as dos mirtilos e das plantas aromáticas, são uma grande preocupação". Na minha opinião os mirtilos são um bom negócio para quem seja profissional, os implante nos sítios certos, cumprindo os requisitos técnicos, apliquem excelente gestão da exploração e estejam ligados a organizações competentes para a assistência técnica e comercialização. Os mirtilos são dos poucos frutos cujo consumo foge ao conceito de fruto, podendo ser consumidos de forma prática, a qualquer hora do dia, dentro e fora das refeições, por pessoas de qualquer idade, dispondo bem quem os consome.   

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

2 hectares de physalis ou gogi?


"Boa noite, sou o N. R., vou iniciar um projecto agrícola atravez do PDR, tenho estado a pensar em produzir physalis ou bagas goji numa área de 2ha, gostava de obter informação acerca de como escoar o produto mais tarde, como fazer o projecto e fazer um estudo sobre a rentabilidade do mesmo, gostava de ter a sua ajuda se estiver disponivel claro.
Obrigado"
 
Comentários:
1 - Recomendo que frequente um evento sobre physalis organizado pela Espaço Visual em 2015 (veja no fim de dezembro em www.espaco-visual.pt). Pode também frequentar sessões para potenciais produtores organizados pela Bfruit em Guimarães. 
 
2 - Se tiver potencial de mercado  para estas produções marque uma consulta com a eng. Sónia Moreira da Espaço Visual (917 075 852).
 
3 - Recomendo que após a consulta com a Eng. Sónia Moreira visite outros produtores e fique com informação/conhecimento para tomar a decisão sobre as atividades que irá abraçar. 

Apicultura


"Boas.
Gostava de saber algumas coisas sobre um projeto que estou a pensar fazer como jovem agricultor, porque tenho algumas duvidas.
Para fazer o projeto necessito de alguma formação/curso ou depois do projeto ser aceite fornecem me alguma formação/curso?
Qual o mínimo de colmeias necessito para fazer o projeto com as ajudas de premio de instalação e os 60%?
Ou basta o valor do projeto ser no total acima de 40 mil € e não tem um mínimo de colmeias?
No projeto é preciso fazer também um casão para a extração de mel com as divisões todas como casa de banho, um vestuário, luz , agua potável e isso tudo ou não é preciso isso tudo ao pormenor?
Aguardo uma resposta
Obrigado
Com os melhores cumprimentos"

Comentários:
1 - Só deve avançar para projetos na apicultura após ter formação profissional base sobre esta atividade/visitas de estudo em Portugal e no estrangeiro/estágios/workshop/etc.  ou contratando consultoria especializada (www.curiosidadenatural.pt) fazer a formação enquanto aguarda a aprovação do projeto PDR 2020.

2 - Mesmo durante e após o investimento deve continuar com as ações indicadas em 1.

3 - O número mínimo de colmeias deverá ser decidido por si em função dos resultados da rentabilidade e dos seus objetivos empresariais, locais disponíveis, potencial produtivo da(s) região(ões), etc.

4 - Precisa de um armazém de apoio e veiculo adequado para deslocação dos equipamentos e materiais de apoio.

5 - Se na região onde tiver os apiários existirem melarias que façam prestação de serviço da extração do mel não terá necessidade em inve3stir numa unidade primaria de produção para o efeito.

6 - Na minha opinião é uma atividade muito rentável para os jovens empresários agrícolas que sejam organizados, disciplinados, com capacidade de gestão, que adquiram conhecimentos nesta atividade e que gostem de fazer a operação certa na hora certa (melhor oportunidade técnica).

7 - A Espaço Visual pode-lhe dar a melhor informação sobre as ajudas do PDR 2020, formação profissional, etc. Recomendo que contate a Eng. Sónia Moreira (915 075 852).

Frutos secos para 6 ha


"Sr. Eng. José Martino,
No âmbito do meu anterior email, para os mesmos 6 hectares em Baião, tendo em conta o meu interesse  também por frutos secos e porque a zona é propícia a esse tipo de culturas, coloco-lhe a mesma questão para o cultivo de castanheiros, nogueiras e aveleiras: que 2 culturas escolheria e qual a área que reservaria a cada uma delas, bem como quais as espécies de cada árvore colocaria no terreno?
Obrigado."

Comentários:
1 - Os frutos secos indicados parecem-me interessantes para superfícies mínimas de 10 hectares.

2 - Na minha opinião a economia de escala verifica-se para superfícies superiores a 20 hectares.

3 - Pelo indicado em 1 e 2 não faz sentido indicar que variedades implantaria.


Framboesa

Boa tarde Eng. José Martino,

Desde já quero felicitá-lo por ajudar no seu blog os interessados pela agricultura que, de alguma forma, querem investir neste setor que na minha opinião pode gerar rendimentos interessantes desde que gerido com profissionalismo.

Sou um jovem Eng. Agricola no desemprego e uma das opções que tenho ponderado é instalar-me como jovem agricultor na zona de Alcochete, com a produção de framboesa. Teria que arrendar o terreno (não tenho ideia ainda dos valores) e o mínimo seria 1 ha, penso eu ser o mínimo para ser viável.

Gostaria de saber a sua opinião relativamente à produção desta cultura nesta zona, tendo em conta o clima, a escassez de OP´s ou compradores deste fruto nas proximidades, a dificuldade inicial para conseguir Global Gap e ter mais hipóteses de escoamento do produto.

Tem ideia de produções por hectare bem como custo do investimento? Em "condições normais" qual seria o período de recuperação do investimento?


Agradeço desde já o tempo dispensado,



Comentários:
1 - Concordo com a sua  opinião de que a agricultura pode gerar rendimentos interessantes para quem for capaz de gerir com profissionalismo, caso tenha perfil de empreendedor.

2 - O valor anual para a renda de 1 hectare de terreno agrícola varia entre os 150 euros e 1000 euros conforme sejam necessários ou não investimentos em infra estruturas, melhoramentos fundiários, construções, correções de solo, etc.

3 - Na cultura da framboesa comece com 1 hectare mas faça-o numa exploração que possa chegar pelo menos aos 4, pois a prazo, tendo sucesso, irá precisar desta dimensão de atividade para ter um rendimento anual interessante e poderá tirar maior partido de todos os investimentos iniciais que não sejam "!plantação".

4 - Contate a  Bfruit (www.bfruit.pt)  no sentido de recolher informação sobre a comercialização para o seu caso concreto. Faço-o através da participação num encontro para potenciais produtores.

5 - Na minha opinião precisa de 150 000 euros por hectare para custos de investimento + custos de exploração até equilibrar a tesouraria. A produtividade pode variar entre as 12 e 20 toneladas por hectare. A recuperação do investimento pode ser feita entre 5 a 8 anos, dependendo da sua capacidade de gestão da mão de obra na colheita pois o controle destes custos é crucial para o sucesso económico desta atividade.   


Dúvidas diversas

S. S. escreveu:
"Bom dia, eu gostaria que me esclarecesse à cerca de algumas dúvidas que tenho. Eu já estou inscrita como jovem agricultora, e possuo um terreno de 1 hectare e meio, mais ou menos, na zona de trás os montes, mais precisamente Bragança. Estive a informar-me e ainda estou indecisa sobre o qual tipo de projecto me lance, estava a pensar na apicultura, ou então na plantação de pequenos frutos (amoras), qual será a melhor opção naquela zona? Em relação às ajudas, eu não estou realmente informada sobre o PDR 2014-2020, será que me pode esclarecer no que consiste? Também gostaria de saber, caso seja do seu conhecimento, as formações que há agora de agricultura/apicultura, teria todo o interesse em realizar e me preparar para este projecto. Obrigada. Atenciosamente"


Comentários:
1 - A apicultura é uma excelente atividade agrícola se tiver vocação e conhecimento para a explorar.

2 - As amoras também podem ser uma excelente oportunidade se conseguir instalar variedades que tenham poder de conservação frigorifica e suportem o manuseamento dos frutos desde a colheita até ao consumidor. Sobre esta opção consulte a Bfruit através da participação numa reunião de potenciais produtores (www.bfruit.pt)

3 -  Também pode fazer a opção pela apicultura e pequenos frutos, se estiver nos seus objetivos pessoais produzir nas duas fileiras.

4 - As ajudas do PDR 2020 irão apoiar os investimentos dos jovens agricultores até 60% do investimento elegível, obtendo adicionalmente prémio de primeira instalação. Recomendo que marque uma consulta com a Eng. Inês Anacleto da Espaço Visual (910 905 474).

5 - Para a formação em apicultura contate a Eng. Inês Anacleto da Espaço Visual porque estão programadas ações para o mês de janeiro 2015.

Que atividades agrícolas devo escolher?


R. S. escreveu:
 
"Sr. Eng. José Martino,
Apresento-lhe desde já as minhas sinceras felicitações pelo excelente “Blog”!
Vou pôr em prática 2 projetos, no âmbito do programa “Inst. Jovens Agricultores-PDR2020”, em 6 hectares no Concelho de Baião. Optei pela fruticultura ao ar livre, nomeadamente pelo cultivo de mirtilos, groselhas e/ou kiwis. Peço a sua opinião para o seguinte dilema: tendo em vista uma maior eficiência e rentabilidade na utilização do espaço, e também como forma de minimizar o risco de investimento, devo apostar em 2 ou 3 culturas? Quantos hectares devo dedicar a cada uma delas? E para as culturas escolhidas devo apostar em 1 só espécie de planta ou em 2 espécies com períodos de maturação diferente (quais?)?
Se fosse o Sr. José Martino, com base na sua experiência, o que faria??
Antecipadamente agradecido."

Comentários:
1 - Na minha opinião tendo em causa a superfície total de exploração indicada e partindo do principio que o terreno tem aptidão de solo e clima para as atividades, deve optar por 2 culturas: 4 hectares de kiwis e 2 hectares de mirtilos. Desta forma com uma pessoa a trabalhar a tempo inteiro conseguiria realizar todas as operações culturais exceto a poda de inverno e a colheita, operações estas que realizaria recorrendo a mão de obra sazonal.

2 - Creio que me pergunta, para as culturas que indiquei, se deve optar por uma ou mais variedades. Nos kiwis optaria pela variedade Hayward e nos mirtilos colocaria as variedades duke (precoce) e aurora (tardia). Na minha opinião deve tornar-se acionista da Bfruit e por isso, deve consultar esta organização de comercialização antes de fazer os investimentos (geral@bfruit.pt).

3 - Para esclarecer pormenores dos seus projetos recomendo que marque uma consulta com a Eng, Sónia Moreira da Espaço Visual (917075852).