terça-feira, 29 de Julho de 2014

O exemplo da Bfruit

Bfruit já exporta 150 t para Holanda, Bélgica e Brasil

Mercado alemão, inglês, canadiano e do Médio Oriente, no radar desta organização de produtores de pequenos frutos
A Bfruit, organização de produtores de pequenos frutos (kiwis, mirtilos, morangos, amoras, framboesas e groselhas), com sede em Moreira de Cónegos, Guimarães, prevê comercializar cerca de 150 toneladas de produção até final de 2014.
Este volume de produção significa uma faturação da ordem dos 800 mil euros e tem como destino a exportação, principalmente os mercados da Holanda, Bélgica e Brasil. Estes resultados superam as previsões feitas pelos responsáveis da Bfruit, aquando da inauguração do seu primeiro entreposto de frio, em abril deste ano.
A empresa, com atividade em todo o território nacional, já representa 49 produtores e tem pontos de recolha nas regiões de Entre Douro e Minho e distritos de Viseu e Santarém. “O nosso foco está em expandir a comercialização da produção a outros mercados, como a Alemanha, Inglaterra, Canadá e Médio Oriente”, explica Fernanda Machado, presidente do Conselho de Administração da Bfruit.
A filosofia de trabalho da Bfruit assenta na profissionalização dos produtores, na comercialização de fruta de qualidade nos mercados externos, e na manutenção de uma imagem de credibilidade junto dos “players” internacionais. Para Fernanda Machado, “os objetivos imediatos da Bfruit são representar 80 produtores, que signifiquem uma área de exploração de 120 hectares.
Fonte: Agroportal (ler aqui)

Dança de cadeiras



Dança de cadeiras
José Martino
Empresário e Consultor Agrícola
A suspensão das candidaturas ao ProDer e a mudança de responsável na gestão dos fundos comunitários de apoio à agricultura podem servir para fazer correr muita tinta mas são apenas a espuma dos dias.
O essencial fica sempre escondido por detrás de decisões políticas mais ou menos avulsas, mais ou menos circunstanciais. O problema de fundo continua sem solução à vista, mesmo quando estamos a falar de um envelope financeiro de 4,4 mil milhões de euros.
Enquanto se mantiver a praxis política de que temos de agradar a todos e, por conseguinte, dar dinheiro a todos, a sustentabilidade e a rentabilidade de um sector que podia contribuir para atingir, nos próximos anos, com 10% do PIB nacional, fica posta em causa.
O problema de fundo é que o sistema de atribuição de ajudas e apoios aos projectos agrícolas, chame-se ProDer ou PDR, é neutro relativamente à competência, ao perfil e à vocação de quem se candidata a esses apoios.
Ser empreendedor ou jovem agricultor não é uma qualidade que possa ser adquirida independentemente de se possuir de “per si” determinadas características e aptidões técnicas e académicas.
São esses critérios, como o de identificar alguém que tem algum histórico na agricultura ou que fez estágio em explorações agrícolas e se submeteu ao parecer de um chefe de exploração ou tutor, ou alguém que frequentou uma escola agrícola ou prestou provas públicas perante técnicos do Ministério da Agricultura, que devem avaliados por quem atribui essas ajudas.
É preciso sublinhar que estamos a falar de dinheiro público, que, na minha opinião, deve ser prioritariamente canalizado para quem demonstre que faz as coisas bem, trata-as melhor e produz nos sítios certos.
A mera troca de cadeiras pode ser muito apetecível para alimentar os bastidores da intriga política nacional, mas nunca vai resolver nada de fundo e estrutural.

Artigo de Opinião que publiquei no jornal i no dia 25 de junho de 2014

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Comercializar os pequenos frutos

António disse...
Sr. Engº, gostaria de saber se existe uma cooperativa no distrito de Bragança ou Vila Real que ajude os produtores da região a escoar os pequenos frutos aqui produzidos. Cumprs,
Comentário:
Sugiro-lhe que contacte a Bfruit (www.bfruit.pt) geral@bfruit.pt / tel: 253 089 397

terça-feira, 22 de Julho de 2014

Cultura da cereja

Mónica Rodrigues disse...
Boa tarde Sr. Engenheiro. Antes de mais, agradeço por toda a sua dedicação e disponibilidade em ajudar tantas pessoas que concerteza estão a precisar!! É de facto um trabalho com muito valor!! Muito obrigada!! Gostaria de lhe expor as minhas questões: eu e o meu marido estamos a ponderar comprar um terreno com 3 hectares, na Covilhã, para construir habitação, porém, sabemos que a maior parte dele é terreno rural. Assim, lembramo-nos de o rentabilizar, tentando a sorte com a plantação de árvores de fruto e/ou pequenos frutos, com ou sem ajuda de estufa. Assim, gostaríamos de lhe perguntar o que nos diz a este respeito e caso ache que seja algo viável, que tipo de produtos nos aconselha para esta zona. Esta zona é muito propícia ao cultivo de cerejeiras, principalmente, mas também se vê alguns pessegueiros, macieiras e oliveiras. Não sei qual a viabilidade de plantar maracujás, kiwis ou phisalis!? Também gostaríamos de saber se existe algum tipo de ajudas/incentivos. 

Comentário:
Parece-me bem o cultivo de cereja, desde que o solo tenha aptidões e desde que o processo produtivo seja rigoroso e competente. É uma cultura de que gosto, é atractiva e rentável.

Vários terrenos, várias culturas

Filipe Dias disse...
boa tarde sr. eng José Martino em primeiro lugar queria felicitá-lo pelo seu blog, pois é verdadeiro serviço público. A minha questão é a seguinte: tenho uns terrenos, cerca de 4 a 5 hectares divididos em várias parcelas e em lugares diferentes. Queria saber se com esta área poderei candidatar-me a 1 projeto do ProDer? Já agora pedia-lhe sugestões sobre o que plantar lá? Os terrenos são em Trás-os-Montes. Tenho o curso de jovem agricultor. obrigado, e continuação deste excelente trabalho. 

Comentário:
Pode candidatar várias parcelas para actividades diferentes, desde que o projeto de investimento tenha coerência técnica e económica. Qualquer sugestão de cultura deve primeiro ter assegurada a comercialização, pelo que a avaliação só pode ser feita caso é um caso.

sexta-feira, 18 de Julho de 2014

ProDer ou Microinveste

Saul Miranda disse...
Prezado José Martino, Quero desde já agradecer pela disponibilidade em responder a questões, e de felicitá-lo pelo seu blogue. Tenho vontade de me instalar como jovem agricultor. Tenciono pedir financiamento Microinveste (microcrédito com apoio do IEFP) ou PRODER (se for elegível, não sei se o projecto será). Tenho duas opções: utilizar um terreno em Arraiolos, com 3ha, ou alugar um terreno na região Oeste (pois resido em Cascais, assim estaria mais perto da família). Tenciono dedicar-me a uma cultura rentável em espaços pequenos. Que sugestões me dá? Considera que já começa a surgir demasiada produção de mirtilo, pois tem sido tão publicitado ultimamente? As bagas goji, a corgete, a salsa, o piri-piri... são boas opções? Agradeço desde já a sua atenção. 

Comentário:
É melhor ProDer, porque é a fundo perdido, excepto se não tiver capitais próprios.
Opções: hidroponia/horticultura/floricultura

Visitas de estudo à framboesa

António Palma disse...
Não sabe de novos eventos deste género para 2014 (Visita de estudo à framboesa)? Estou com dificuldades em encontrar produtores no centro/sul, sendo que a minha zona é Ribatejo/Azambuja. 

Comentário:
Sugiro-lhe que vá estando atendo ao site e ao facebook da Espaço Visual (www.espaco-visual.pt). Novas iniciativas serão organizadas e divulgadas em breve.

quinta-feira, 17 de Julho de 2014

Instalação de Jovem Agricultor

Manuel Gomes disse...
Gostaria de saber se o prazo para concluir o projeto de instalação de jovem agricultor, é até ao fim do ano ou podemos pedir prolongação? Cumprimentos.

Comentário:
A lei diz que é até final do ano.
Mas desde que autorizado pelo Governo, a data limite é 30 de junho de 2015. Depois tem de ser avaliado caso a caso pelo ProDer/PDR 2014/2020. 

quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Como produzir framboesa

Luís Sarreira disse...
Boa tarde Sr Eng José Martino. Antes de mais quero agradecer pelos esclarecimentos que tem postado no seu blog. Tenho uma área com 19200 m2 com muitos declives,ela esta em conversão para biológico e quero fazer 1ha de framboesa. Qual a opção mais viável biológico ou convencional? Qual a diferença de produção entre elas? Visto que não consigo por túneis em toda área terei que fazer uma parte ao ar livre. Quais as vantagens ou desvantagens? Na área total tenho uma parcela com 1200 m2 de terreno com barro cinzento,que por cá chamamos piçarro onde duas dezenas de anos a trás tinha lá estufas do qual nunca deu culturas de jeito. Nesta parcela estava a pensar por em vasos, ou em sacos visto que a terra não presta. Em vaso pode-se considerar biológico? E na quantidade de produção tem diferenças? Tem contactos de empresas onde posso escoar as framboesas biológicas ou convencional. Obrigado, com os melhores cumprimentos.

Comentário:
Quanto à produção de framboesa, aconselho-o a consultar especialistas na matéria. Inclinar-me-ia para a produção pelo método convencional, mas consulte o engº Pedro Oliveira, do INIAV. Recomendo que utilize os túneis, dão mais garantias de qualidade e acesso ao mercado. Para mais apoio e esclarecimentos técnicos e de escoamento do produto, recomendo-lhe que contacte a Bfruit (www.bfruit.pt).

terça-feira, 15 de Julho de 2014

Produção de cogumelos II

Fátima disse...
Gostaria de saber quais as espécies de cogumelos que podem ser produzidos na zona beira litoral interior, e que tem melhor escoamento a nível nacional ou europeu. 

Comentário:
Ouço falar que há 1 técnico especialista na DRAPCentro, o engº Henriques.

Análise de projetos ProDer

Joana Barbosa disse...
Antes de mais quero dar-lhe os parabéns pelo seu blog - já tive oportunidade de o fazer pessoalmente, mas esta é a primeira vez que escrevo - que tanto me ajudou no início desta caminhada. Aproveito este espaço para o questionar acerca do Proder. Eu tenho um projecto submetido em dezembro do ano passado e, embora saiba que os projectos estão a demorar muito a ser analisados na região norte, fiquei muito apreensiva com as últimas informações que tive de que ainda estavam a analisar os projectos de março 2013! Sendo que essa era a mesma informação de janeiro! Ou seja, em 5 meses não analisaram nem um mês de projectos? Há alguma explicação ou forma de resolver? Se não estou em erro até li que o tempo legal seriam 105 dias! Aconselha-me a fazer alguma coisa? Muito obrigada.

Comentário:
A DRAPN está a analisar os projetos submetidos em maio/junho de 2013. Esta estrutura possui três vezes mais candidaturas que as outras regiões. Como estamos no último ano em que se pode apresentar pedidos de pagamento relativos ao ProDer, há um elevado número que tem bloqueado a análise de novos projetos. A solução era permitir a contratação de mais técnicos e quadros.

Produção de cogumelos I

Hugo Silva disse...
Tenho seguido atentamente o seu blogue já há algum tempo e desde quero felicitá-lo pelas dúvidas que tira a quem o segue! também estou a pensar em elaborar um projecto para apresentar ao Proder eu sou de Castro Daire e gostava de saber se um projeto de 2 mil metros quadrados de estufa, metade para produção de cogumelos e metade para produção de framboesas seria um bom investimento naquela zona e quais os custos que iria ter e por fim gostaria de saber qual a melhor qualidade de cogumelos a produzir naquela zona e empresas existentes onde eu pudesse vender o meu produto. Agradeço desde já a sua atenção!

Comentário:
A dimensão referida parece-me muito pequena. Devia começar por encontrar a melhor maneira de comercializar o produto e em função do que seja possível valorizar fazer a programação da produção.

Produção de cogumelos

Maria José Silva Oliveira disse...
Resido na região do Gerês, Terras de Bouro, e venho por este meio solicitar o pedido de alguns esclarecimentos, uma vez que pretendo implementar uma produção de cogumelos. Sendo que o objetivo inicial, era conciliar duas produções, por um lado cogumelos, e por outro produção de um tipo de pequenos frutos (framboesa/amora/physalis). Uma vez que ainda não possuo terrenos com a área mínima requerida para a produção de frutos, gostava de avançar com os cogumelos. Em primeiro lugar, gostaria de uma opinião sobre este tipo de produção/produtos (cogumelos); possuo cerca 150 m^2 deárea coberta e aproximadamente 1400 m^2 de área arborizada descoberta; gostava de conciliar a produção também de espécies silvestres, será viável ou não??!!; estabeleci um 1º contacto com a Espaço Visual e pretendia saber quem será a pessoa mais indicada para dar acompanhamento ao projeto. Agradeço desde já toda a atenção dispensada. 

Comentário:
A viabilidade/rentabilidade da produção de cogumelos depende sempre de encontrar uma entidade que comercialize e valorize o seu produto. Quanto ao projecto, pode sempre contactar a Espaço Visual (dep.comercial@espaco-visual.pt), que será encaminhada para quem lhe pode prestar o apoio que necessita e dar os esclarecimentos que pretende.

sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Suspensão de candidaturas ao ProDer


Reproduzo aqui a notícia publicada hoje no jornal "Correio da Manhã" sobre a suspensão das candidaturas ao ProDer. As minhas declarações têm como objectivo defender os jovens agricultores que estão em vias de lançarem o seu projecto agrícola!

quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Mais respostas a dúvidas II

Vanda Neves disse...
Caro Eng José Martino, muito obrigada pela ajuda que presta a tanto gente. Gostava de o "ouvir" sobre 2 pontos: 
1. Tenho um terreno com 3 ha na costa vicentina, gostava de saber que tipo de cultura é mais favorável naquela zona, pela especificidade do clima . Árvores ? Quais ? pequenos frutos ? vinha ? 
2. Sendo o objectivo maximizar a rentabilidade do terreno, que tipo de apoios estão disponíveis ? Porque leio imenso e não chego a conclusão nenhuma ... Gostava ainda de saber se é possível, na perspectiva dos apoios que existem, dispor num mesmo espaço, cultivo agrícola e turismo rural. Obrigada.

Comentário:
Pelo clima, aconselho os pequenos frutos, devido à sua precocidade.
PDR: apoios para investimentos superiores a 25 mil euros; pequenos investimentos (5 mil/25 mil euros); apoios para instalação de jovens agricultores (18/40 anos, inscrição nas finanças, 9º ano, título de exploração e que não tenham recebido ajudas públicas).
Deve consultar empresas de consultadoria, como a Espaço Visual, para perceber melhor o enquadramento do projecto, da legislação a consultar, das acções a implementar para criar o seu projecto de negócio.


José Murteira disse...
Gostaria que explicasse quais os valores que um projecto de jovem agricultor irá ter com o novo PDR. Cumprimentos, 

Comentário:
Apoios entre 40% e 60%, depende de ser ou não região desfavorecida; tipo de investimento; sócio de OP (organização de produtores) e ter seguro agrícola. Pode consultar a Espaço Visual (dep.comercial@espaco-visual.pt)

Sónia Pimentel disse...
Desde já quero dar-lhe os parabéns pelo excelente blog e pelo trabalho que faz dando apoio a toda a gente. Tenho 19 anos e estava a pensar iniciar um projeto de plantação de mirtilos mas tenho andado a pesquisar e cheguei à conclusão que já há muita gente a investir e pensei então na plantação de Goji visto que ainda não é muito explorado em Portugal. Existem condições para se entrar no mercado com algumas expectativas de sucesso? Gostava de saber a sua opinião e se seria um negócio rentável. Sou do concelho de Mogadouro e não sei se o clima é adequado e se o fruto se irá adequar bem. Gostava de saber se é rentável iniciar o projeto alugando ou comprando um terreno visto que não possuo nenhum e quantos m2 seriam necessários? Obrigada! 

Comentário:
Como Portugal é um país pequeno, nunca há excedente de produção de mirtilo, pelo que nunca teremos grande peso no mercado internacional. Não se assuste com isso. O que interessa é investir bem e produzir com qualidade. Desde que o processo seja bem feito há sempre mercado e comercialização.O mesmo se aplica à produção de Goji: é preciso conseguir quem valorize o produto e assegurar a comercialização.