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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Qual a sua opinião sobre as culturas a realizar?

Boa noite caro José,

Desde já os meus parabéns pelo seu blogue, é deveras interessante. Resido na zona de Caminha e sou licenciado em engenharia mecânica, trabalho no ramo desde que me licenciei. 

Tenho a cada dia que passa uma vontade cada vez maior de criar algo meu e conciliar alguns conhecimentos de gestão de projeto que fui adquirindo durante este período com a satisfação que tenho em plantar, cuidar e ver crescer as plantas. Cresci num meio rural mas ninguém da minha família vive da agricultura apenas tem alguns terrenos.

Sendo assim atualmente os meus pais tem um terreno com 4 hectares que atualmente é um pinhal e tem outro com 4000 M2 que é utilizado para a agricultura de subsistência. 

A minha ideia é realizar um projeto com o apoio do pdr2020 para jovens agricultores que me permitisse aproveitar esses terrenos e obter algum rendimento extra uma vez que a curto prazo não pretendo deixar a minha atual profissão.

Pensei na possibilidade de aproveitar o terreno maior para plantação de castanheiros e combinar com outra cultura no terreno menor, kiwi ou mirtilo uma vez que já li no seu blogue que no mínimo aconselha 10 hectares para castanheiros.

Gostaria de saber qual a sua opinião sobre as culturas a realizar, tendo em conta que o terreno mais pequeno já possui alguns castanheiros e não é um terreno muito soalheiro. Agradeço desde já o seu auxílio. 

Cumprimentos:


Comentários:
1. Recomendo que os terrenos dos seus pais sejam avaliados por um técnico agrícola com o objetivo de verificar quais as atividades/culturas com aptidão potencial.

2. Com os resultados do indicado em 1. pode tomar decisão sobre a apresentação ao PDR2020 da sua candidatura de 1.ª instalação como jovem agricultor ou eventualmente outro tipo de candidatura que concluir ser mais ajustado.

3. A minha opinião sobre as culturas a realizar? Potencialmente: kiwi, castanheiro, mirtilo, abacate, cerejeira,  hortifruticultura em modo de produção biológico, etc. 

terça-feira, 17 de setembro de 2019

BioProdutores

Viva, boa noite,
Vi que assistiu  à Sessão Pública de Apresentação do Projeto BioProdutores, 5.ª feira passada, dia 12 setembro, Penafiel.
Qual a sua opinião sobre a produção hortícolas e frutícolas no modo biológico? E sobre o evento?
Obrigada
Cumprimentos,

Comentários:
1. Há forte incremento da procura de produtos hortofrutícolas no mercado português com 70% do seu abastecimento a ser feito por produtos importados. Há condições para auto abastecimento nacional e potencial para exportar. O que falta é produzir e organizar a produção. É uma atividade rentável para explorações de pequena dimensão, policultura e agricultura familiar. É uma fileira que está a organizar-se e como diz e bem, o presidente da direção da AGROBIO - Associação Portuguesa de Agricultura Biológica, Jaime Ferreira, é uma das poucas fileiras que tem uma Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica e um Plano de Ação.

2. O modo de produção biológico está sujeito a um conjunto de normas e regras de produção que têm de ser cumpridas pelo produtor, as quais vão desde a inscrição como produtor biológico  e neste mesmo ato a assunção do conhecimento e cumprimento das regras de produção biológica e a existência de um contrato de prestação de serviços com um Organismo Privado de Controlo e Certificação devidamente homologado para o efeito.

3. Há muita confusão entre a produção artesanal, as produções agrícolas assentes no abandono das atividades (agricultura que eu denomino de "agricultura abandonológica") com o modo de produção biológico ou agricultura biológica, assente no cumprimento das regras e da legislação e na certificação.

4. O Projeto BioProdutores tem todas as condições para dar certo: assenta na liderança da Biocheers, uma organização comercial com acesso ao mercado nacional e internacional, cujos produtores proutores associados têm experiência na atividade e servem como exemplo a quem está iniciar-se, tem a assessoria de uma organização espanhola de sucesso que dá assistência técnica, produz e comercializa em produtos bio. Por outro lado o projeto BioProdutores irá ter influência da Bio Região Tâmega e Sousa  que a Comunidade InterMunicipal do Tâmega e Sousa tem vontade em promover num futuro próximo, assim como o apoio de alguns municípios da região.



JOSÉ MARTINO: Estou Desesperado Com os Resultados Obtidos na Min...

JOSÉ MARTINO: Estou Desesperado Com os Resultados Obtidos na Min...: Eng. José Martino, boa noite, Estou instalado como jovem agricultor há 2 anos e estou desesperado com os resultados obtidos na minha explo...

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Análises de Solo e Folhas: Qual a Melhor Estratégia?

Bom dia, Eng. José Martino,

Para mim a nutrição das culturas é muito importante porque a alimentação é a base da vida.
Qual a estratégia que recomenda para análises de solo e de folhas? Que laboratórios são melhores?
O que faço com os resultados das análises?
Espero que me responda às questões colocadas porque verifico que o faz regularmente com outros e acaba por prestar um serviço que interessa a muitos. Agradeço as suas respostas e motivo-o a continuar a esclarecer quem precisa porque se houvesse muita gente como o engenheiro este país iria para a frente.
Tenha um bom dia de trabalho.
Cumprimentos,

Comentários:
1. Estratégia de análises de solo? Recomendo análises de solo após a mobilização profunda de preparação de terreno, previamente ao inicio da atividade agrícola e todos anos, nos primeiros 4 anos, de 2 em 2 anos, até ao décimo ano e de 4 em 4 anos, a partir do décimo ano.

2. Estratégia de análises de folhas? Uma vez por ano na época indicada pela produção integrada para a cultura em causa (pesquise na internet: normas técnicas para a produção integrada dagadr "nome da cultura") e sempre que verifique que há anomalias em parte da cultura (faça uma amostragem de folhas na zona com problemas e outra amostragem onde a cultura está normal). Na minha prática agronómica, se a cultura tiver rentabilidade que o suporte, mando fazer análises foliares a meio do ciclo para verificar se há deficiências de nutrientes e caso exista, fazer a respetiva correção através de adubações foliares.

3. Melhores laboratórios? Mais perto da sua exploração que tenham os seus métodos de análise acreditados e dêem resultados em tempo útil. Cujos resultados estão em linha com o desenvolvimento das culturas e o observado no terreno. Sempre que possível trabalhe com o mesmo laboratório porque da minha experiência agronómica verifico que não são iguais os resultados obtidos entre  laboratórios.

4. Entregue os resultados a um técnico especialista nessa cultura para visitar o seu terreno/cultura e interpretar os resultados dos boletins de análise de solo e de folhas. Na minha opinião, a interpretação de análises de solo e de folhas sem conhecer/visitar o respetivo terreno/cultura é muito artificial e sujeita a elevada probabilidade de erro. Pela minha experiência agronómica  verifico que os valores indicados nas análises são mais fiáveis quando resultantes de uma série de análises de solos e de folhas de vários anos.

5. Se precisar de esclarecer mais dúvidas técnicas marque uma reunião com a eng. Sónia Moreira da Espaço Visual (917075852).   

Estou Desesperado Com os Resultados Obtidos na Minha Exploração Agrícola: O que me aconselha a fazer?

Eng. José Martino, boa noite,

Estou instalado como jovem agricultor há 2 anos e estou desesperado com os resultados obtidos na minha exploração agrícola porque não consigo as produtividades planeadas, a qualidade das produções é baixa, tenho dificuldades em gerir o pessoal, as competências dos colhedores  são baixas, tudo me corre mal, o que me aconselha a fazer? Desisto e paro por aqui e perco tudo ou persisto, coloco mais dinheiro e posso vir a ter sucesso ou perder ainda mais? O que lhe diz a sua experiência e que me possa aconselhar? Por favor, responda-me. Preciso de um conselho de alguém independente. A minha família e os meus amigos não entendem o que estou a passar, julgam-me de uma forma muito dura. Agora percebo o desespero, a depressão, a pressão psicológica que passam todos aqueles que não têm sucesso nos negócios.
Uma vez mais, obrigada.
Abraços

Comentários:
1. A minha experiência como técnico e empresário diz-me que qualquer negócio agrícola ou não agrícola, nos primeiros 2 a 5 anos corre mal ou muito mal, tal só não acontece  se o empresário conseguir contratar a um concorrente uma equipa de gestão e de operação que já esteja em atividade e nela tenha sucesso.

2. Nos primeiros anos é preciso formar as equipas de trabalho permanente, conhecer a atividade, fornecedores, prestadores de serviços, clientes, colocar em funcionamento o controlo de gestão, ganhar experiência a resolver os problemas que aparecem, antecipá-los, preveni-los, resolvê-los de forma rápida, ganhar resistência psicológica com os sobre custos, gastos acima do orçamento, valor das vendas abaixo do previsto, deficiências devido à má gestão da mão de obra por parte do empresário, etc. Mais que tudo, é preciso prever o orçamento para suportar estas variações de resultados, caso seja necessário.

3. O que me aconselha a fazer? Analise a situação em que se encontra elaborando um documento com as vantagens e inconvenientes de continuar ou de parar, incluindo os respetivos orçamentos.
Tendo os documentos indicados concluídos consulte 2 ou 3 pessoas com experiência em negócios e registe as respetivas opiniões. A partir deste ponto tem todos os elementos para tomar a sua decisão final.

4. Se precisar de uma opinião especializada marque uma consulta com a Eng. Sónia Moreira da Espaço Visual (917075852) e eu ou alguém da equipa de consultores a irá ajudar.   

domingo, 15 de setembro de 2019

Assistência Técnica Agrícola: O Que Fazer Para a Tornar Eficaz?

Estimado Eng. Martino,
Presta um serviço inestimável à agricultura que agradeço e espero que continue a fazê-lo por muitos anos, porque aprendo muito com os seus conselhos e tenho a certeza que muitos milhares de outros também ganham com a sua transmissão de conhecimento e experiência.
Tenho um engenheiro que me dá assistência técnica mas não estou satisfeito com os resultados. O que me aconselha a fazer?
Obrigado e bom trabalho.
Cumprimentos,

Comentários:
1. Haver um técnico que acompanha regularmente uma exploração agrícola não é garantia absoluta de bons resultados e de sucesso. Questões que se levantam:
a) O técnico é competente?
b) O modelo de assistência técnica é o adequado? (Frequência de visitas, tempo de visita, análise de dados, relatórios, etc.)
c) O produtor, empresário e chefe de exploração, estão motivados para tirarem partido da assistência técnica ou pelo contrário, estão convencidos que sabem mais que o técnico que a sua OP (organização de produtores) lhes impõe?

2. A assistência técnica agrícola tem de ser organizada, com objetivos e metas definidos e com avaliação no final de cada ano/campanha.

3. O que aconselho fazer? Responder por escrito, com honestidade, às questões elencadas em 1. e com base nas respostas elabore um plano de ações também escrito para tornar eficaz o serviço de assistência técnica  que o assessora. Persista sempre no seu objetivo de tirar o máximo partido e resultados da aplicação técnica na sua exploração agrícola. Utilize o seu técnico como seu treinador ou mentor, imaginando-se um atleta de alta competição ou um grande empresário.

4. Se precisar de mais apoio marque uma consulta com a Eng. Sónia Moreira da Espaço Visual (917075852).

sábado, 14 de setembro de 2019

Crédito Bancário: Como Fazer a Negociação?

Boas, José
Comecei na agricultura no inicio deste ano e estou satisfeito com o meu trabalho e os resultados obtidos.
Necessito aumentar a minha exploração agrícola e para tal terei de recorrer ao crédito bancário, quer porque terei de comprar terra aos vizinhos, quer para fazer mais nas minhas atividades de fruticultura e horticultura biológicas (claro que a compra de terra só será feita caso o valor do crédito seja baixo).
Que banco me aconselhas? Qual a melhor cena para lidar com os empregados do banco?
Fico à espera da ajuda
Até logo,

Comentário:
1. A abordagem aos bancos deve ser feita com base num plano de negócios que demonstre que é rentável o investimento tendo por base uma distribuição equilibrada entre capitais próprios e capitais do banco (os capitais próprios devem ser no mínimo 20% e podem utilizar o prémio de primeira instalação de jovem agricultor).

2. A melhor alternativa ao plano de negócios é apresentar uma candidatura PDR2020 já aprovada para ser financiada pelo banco porque uma grande parte do risco é assumido pelo Estado através da percentagem de ajudas financeiras públicas de apoio ao investimento.

3. Além do indicado em 2. os bancos recorrem aos apoios da garantia mútua através da Agrogarante, o risco bancário do valor do empréstimo é transferido na sua maioria (50% a 80%) para este sistema (uma grande parte da base do sistema de garantia mútua é realizada através de fundos financeiros públicos colocados/alocados pelo Estado).

4. Os bancos preferem o indicado em 2. porque percebem muito pouco dos negócios da agricultura, preferem fazer crédito ao consumo ou crédito à habitação, porque não têm que avaliar negócios e são tramitados com base nos rendimentos do proponente (avaliação pela documentação do IRS), dão mais valor aos números de uma candidatura aprovada face a um Plano de Negócios porque no primeiro caso, os seus número e estimativas foram avaliados por funcionários do Ministério da Agricultura.

5. Antes de abordar os bancos analise os números, memorize os principais números do negócio, e prepare-se para o exame que lhe irão fazer (ensaie o discurso): Qual a sua experiência? Porque se dedica a este negócio? Quais os principais números do negócio? Quais os valores do investimento e os resultados gerados? A quem vende e irá vender? Evolução do mercado e seus preços? Quem lhe dá assistência técnica?  Etc.

6. Banco que aconselho? Nenhum em concreto. Deve começar por abordar o banco onde tem conta pessoal porque já o conhecem, há relacionamento pessoal e financeiro ao longo de tempo, há uma base de confiança. Faça a abordagem, pelo menos, a três bancos. Quando em determinado banco sentem que há outro banco disposto a financiá-lo, a atitude muda e tornam-se mais eficazes. Utilize a melhor proposta de um banco para baixar os valores da taxa de juros e comissões junto dos outros bancos com quem está a negociar para obter mais benefícios.

7. Como lidar com os interlocutores bancários? Prepare-se psicologicamente para um processo que normalmente é demorado e duro. Nunca demonstre pressão de tempo para fechar a operação de crédito. Mantenha permanentemente o discurso coerente. Hábil e subtilmente coloque os bancos a concorrerem entre si nas condições e pormenores de crédito. Analise cada reunião/telefonema que tem/faz com gestor bancário e melhore na próxima abordagem os pontos onde esteve menos bem, tenha em mente ser um especialista nesta matéria de negociação bancária e faça tudo ao seu alcance para evoluir e lá chegar (este processo não é fácil, pratique auto motivação, lembre-se frequentemente que irá precisar muitas vezes de recorrer aos serviços do banco, o dinheiro que poupar nos créditos é mais fácil de ganhar do que o do negócio).

8. Se necessitar de apoio especializado marque uma consulta com o Dr. Mário Coelho da Espaço Visual (911768809) 



quarta-feira, 11 de setembro de 2019

PDR 2020

Caro Eng. José Martino,

Tenho uma candidatura ao PDR2020 que tem atrasos significativos no pagamento das ajudas. Diz a Entidade consultora que contratei que é normal haver muitos meses entre apresentar o pedido de pagamento e o dinheiro ser creditado na conta bancária. O que me aconselha a fazer?
Obrigado.
Continue o bom trabalho.
Cumprimentos,


Comentários:
1. Sempre que o PDR2020 não funciona bem, o que é usual, são necessárias a persistência e teimosia, qualidades que são muito importantes nos promotores para conseguir o que pretende neste tipo de candidaturas, em tempo útil ou mais curto que o standard.

2. Pergunte ao seu consultor o contato telefónico do serviço onde está o seu processo a ser tramitado e o nome do técnico a quem está atribuído. Telefone regularmente e pressione mostrando a necessidade de receber o dinheiro rapidamente.

3. No caso dos telefonemas com o técnico não surtam efeito contate o chefe de divisão que lidera o técnico em causa. Se não tiver sucesso com os contatos, vá subindo na hierarquia, diretor de serviço e diretor regional de agricultura e pescas.

4. Recomendo que envie mensagens para o Facebook do Ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, há produtores que me têm dito que dá respostas rápidas.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Limoeiros na Região do Tâmega e Sousa

Olá Eng.º José Martino, 

Observando que efectua diversas publicações com intuito de clarificar dúvidas e oferecer algumas respostas, aproveito a oportunidade e lançar uma  questão.  
Nas semanas precedentes, tenho reflectido com intuito de avançar num protejo e desenvolver um limoal com extensão de 1,5 a 2 ha.
 Contudo, questões que se prendem com a região, o clima e outras tem gerado dúvidas. 
A questão é se consideraria  que a plantação de um limoal em toda extensão numa zona relativamente próxima do rio Tâmega na região de Penafiel seria interessante, atendendo a sensibilidade sobretudo com o clima mais frio do inverno,por outro lado, o rio influencia o clima e proporcionará também o ambiente mais húmido para o limão mais "sumarento". 
 
Cumprimentos


Comentários:
1. Considero que a região indicada tem aptidão climática para a cultura do limoeiro, devendo no seu caso salvaguardar o microclima específico da exploração e se for necessário instalar um sistema de rega anti-geada por microaspersão.

2. O limão mais "sumarento" tem a ver com a variedade e a rega adequada, nem água a mais, nem água a menos.  

3. Recomendo que visite plantações de limoeiros na região do Tâmega e Sousa e desta forma possa tirar conclusões da experiência da adaptação climática  da cultura aos microclimas existentes.

sábado, 7 de setembro de 2019

O que fazer para melhorar os resultados económico/financeiros da minha exploração agrícola?

Caro Eng. Martino,

Sou agricultora há 15 anos e preciso de melhorar os resultados da minha exploração agrícola porque estou receosa que nos próximos tempos irei ter menor rendimento para sustentar a família. O que me aconselha a fazer?

Obrigado.

Cumprimentos,


Comentários:
1. Tem o meu respeito pelo seu trabalho na agricultura e mais que tudo, pela sua preocupação em melhorar o rendimento liquido da sua exploração agrícola.

2. Conselhos:
1. Registe exaustivamente os pormenores do que faz cada dia na sua exploração agrícola. Use uma agenda ou bloco ou telemóvel ou tablet para o efeito. Exija o mesmo dos seus colaboradores. Tire uma a duas horas por semana para analisar os dados recolhidos e tomar decisões com base neles.
2. Elabore um plano sumário, elaborado por si, com o diagnóstico da situação e das ações que estão ao seu alcance realizar.
3. Visite outras explorações que desenvolvam as mesmas atividades agrícolas que tem em sua casa e aprenda pormenores que pode implementar na melhoria do seu negócio (o que faz a diferença é aplicar as melhores tecnologias com os pormenores mais adequados ao contexto real), tenha a preocupação de ir aos pormenores, verifique que práticas de gestão fazem, como registam e analisam os dados e mais que tudo, que decisões tomam com base nessas análises.
4. Inscreva-se em ações de formação profissional. Tire partido dos cursos implementados pela internet, aproveite ao máximo os contatos mesmo à distância com formadores e colegas. Quando houver ações em sala elabore uma listagem de dúvidas e assuntos que lhe interesse discutir, assim como, contate informalmente com todos os participantes com o objetivo de incrementar a sua rede de networking.

3. Os melhores resultados económico/financeiros de explorações agrícolas que eu conheço estão diretamente relacionados com a competência da pessoa ou pessoas que fazem a gestão de topo e a gestão operacional do dia a dia.  Seja exigente consigo própria e discipline-se a si própria para incrementar as suas competências de gestão, foque-se no é importante e faça um bom plano para diminuir as urgências.     

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Atividades vegetais e pecuárias que me interessam

José, bom dia,
Encontrei-o esta semana em Alcobaça e da conversa que tive com um agricultor que visitou retive a ideia que procura novas atividades agrícolas que possam ser alternativas  rentáveis.
O que procura?
O que o faz ir para o campo à procura de novas oportunidades?
Obrigado
Continue o bom e incansável trabalho que faz pela agricultura e por todos nós.
Cumprimentos,

Comentários:
1. As atividades da agricultura são dinâmicas ao longo do tempo em função dos mercados e das alterações climáticas.

2. Como consultor agronómico que sou e, mais que tudo como agricultor/empresário agrícola, estou muito atento às novas experiências, oportunidades e ideias naquilo que diz respeito a exploração de culturas vegetais e atividades pecuárias.

3.  Abacate, abóboras gigantes, amêndoa, avelã, cereja, espargo, figo, fisália, maracujá, medronho, pêssego, pistacio, noz, sabugueiro, etc. são atividades vegetais que me interessam.

4. As atividades pecuárias ligadas a raças autóctones são aquelas que tenho estudado e acompanhado.

5. Verifico no terreno que há imensas oportunidades que não vingam do ponto de vista de criação de riqueza porque não há estratégias para dar a conhecer e organizar as fileiras de forma comercial

terça-feira, 3 de setembro de 2019

José Martino: 33 anos de trabalho agronómico (e não só)



Comemorei 33 anos de trabalho no passado dia 1 setembro.
Sinto que ainda há muito a fazer nas agriculturas de Portugal, apesar dos muitos trabalhos, eventos, empresas, associações, etc. que desenvolvi ao longo dos meus 33 anos de trabalho agronómico no kiwi, pequenos frutos, frutos secos, empreendedorismo e dos negócios na agricultura. 
Estou empenhado em fazer das agriculturas excelentes negócios quer para os que estão na atividade, quer para todos aqueles que a ela se querem instalar e dedicarem-se. A minha visão, experiência, conhecimento, abertura à inovação, organização das fileiras, permitem-me propor as estratégias adequadas e eficazes, as quais se podem  promover e que podem levar à criação de riqueza, emprego, valor acrescentado.
Acredito que as agriculturas de Portugal podem ajudar a chegar a país desenvolvido ao fim de uma década se houver liderança política e social que coloquem objetivos coletivos ao país (vale a pena ler o discurso de João Miguel Tavares no dia de Portugal de 2019 “Dêem-nos alguma coisa em que acreditar” (https://www.publico.pt/2019/06/10/politica/opiniao/deem-nos-alguma-coisa-em-que-acreditar-1875954) tirando partido dos cidadãos competentes, formados e capacitados, capital disponível, fatores de produção disponíveis e baratos, revolução tecnológica que está a iniciar-se e a transformar a economia e que desta vez Portugal pode abraçar sem atrasos, fatores estes que nunca foram tão favoráveis em nenhum período temporal ao longo dos muitos séculos da nossa vida coletiva. 

O que falta?
Visão coletiva, liderança com marcação de objetivos coletivos a cinco e dez anos, congregação de vontades para gerar massa critica que interrompa o ciclo de quase duzentos anos de autofagia política.
Como fazer?
Cada um de nós cidadão de Portugal tem de cumprir o seu destino de vida, fazer o que está ao seu alcance e cumprir a sua vocação, o seu desígnio de vida, tendo como objetivo lutar por atingir os seus ideais, melhorar as suas competências, subir na vida pessoal e cultural, consequentemente, gerar que a opinião pública tenha ideias claras sobre os caminhos  da vida coletiva que Portugal pode percorrer a 10 anos e onde pode chegar.
Aqui fica um resumo do meu contributo:
1 - A minha ação passa por conhecer o que de melhor se faz em Portugal e no estrangeiro, ao nível das tecnologias e metodologias de gestão agrícolas, e dá-lo a conhecer todos os empresários interessados. Neste sentido, promovi a organização de um vasto conjunto de eventos ao longo dos anos, com maior incidência nos últimos, e irei continuar na busca de inovação, muitos destes novos eventos  irão ser anunciados, quer neste blogue, quer no sítio na internet e facebook da Espaço Visual, quer no meu facebook pessoal
2 - Registo com agrado que neste último ano este blogue (está 11,5 anos de serviço à comunidade) continuou o seu papel de prestação de serviço público no esclarecimento de dúvidas de agricultores, empreendedores e outros interessados no mundo rural, turismo, etc.

3 – Batalho e dou o meu contributo para que as agriculturas de Portugal se desenvolvam e os agricultores sejam pessoas que tenham as suas atividades melhor remuneradas e maior prestigio dentro da sociedade portuguesa. Faço-o pelos artigos que escrevo para jornais nacionais, regionais, revistas técnicas e pela minha participação programas de televisão e rádio, bem como, conferências e workshops.

4- Sou um apaixonado pela fileira do kiwi, pequenos frutos, pistácio e frutos secos, e pelo mundo que as envolve, mas sou sobretudo um defensor dos agricultores profissionais que pagam com o seu esforço as limitações estruturais de uma atividade que os políticos pela sua inação e má gestão estratégica e operacional, relegaram para muito acessória na economia portuguesa.

5- Bato-me por um associativismo forte, organizado e eficaz como aquele que pratiquei enquanto presidente da direção da APK – Associação Portuguesa de Kiwicultores, na ação que tive no aparecimento da RefCast – Associação Portuguesa da Castanha, assim como por um Ministério da Agricultura que seja a fonte dos melhores quadros técnicos para conduzir e apoiar a liderança política de momento que é responsável democraticamente por gerir os destinos das agriculturas de Portugal (sou um feroz opositor da estratégia seguida por vários governos, há muitos anos a esta por parte, que são responsáveis pelo esvaziamento de técnicos, dirigentes e do património do Ministério e das Instituições por ele tuteladas).

6 - Resumo da minha atividade profissional:
Iniciou-se no dia de 1 de Setembro de 1986, primeiro dia de trabalho remunerado, como engenheiro agrónomo, a trabalhar na "FENAGRO - Federação Nacional das Cooperativas Agrícolas de Aprovisionamento e Escoamento de Produtos, FCRL", tendo por base o apoio de um estágio ao abrigo do Programa "COOPEMPREGO" com o qual o Instituto António Sérgio apoiava a integração de Quadros nas Cooperativas (o setor cooperativo atual precisa de um programa especifico de apoios contemplando um dos eixos num Programa, espécie de Coopemprego ajustado à realidade do tempo atual). Nesses 6 meses de estágio e nos 2 anos seguintes na UCANORTE - União das Cooperativas do Noroeste, CRL, aprendi muito sobre o mundo das relações do trabalho, da realidade cooperativa na agricultura portuguesa, da sua importância estratégica e sobretudo, ganhei competências técnicas sedimentando as teorias que aprendi no Instituto Superior de Agronomia. Passei 6 dos melhores anos da minha vida na Kiwi Sol, fiquei a saber os custos pessoais, financeiros e sociais da montagem de uma empresa desde a concepção da ideia até à fase cruzeiro do negócio. E desde 1994 que fui free lancer na consultoria agro-rural e nele sou empresário. Desde esse ano e até abril de 2014, fui consultor da LIPOR na área da compostagem, colaborador de uma das pessoas mais fascinantes que conheci como estratega, inovador, político e líder empresarial, o Dr. Fernando Leite, o seu administrador-delegado (vale a pena analisar o sucesso da LIPOR ao longo de 37 anos, bem como as causas do seu pioneirismo). Fui e sou um agricultor. Nos últimos anos tenho apostado fortemente na atividade empresarial ligada à consultoria para os agentes do mundo rural através da Espaço Visual, e Entidades Públicas e Associativas Regionais (Câmaras Municipais, Comunidades Intermunicipais, Associações) através da empresa de consultoria, Ruris Desenvolvimento.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Colocar a Economia de Portugal a crescer 3% ao ano


Portugal tem que colocar a sua economia a crescer ao ritmo de 3% ao ano para conseguir criar riqueza para sustentar o Estado Social a que os portugueses têm direito, continuar a cumprir os compromissos com a dívida externa, combater o elevado risco de empobrecimento da sociedade portuguesa (20 a 30% da sua população está em risco de pobreza sobretudo nos reformados).

Dizem os especialistas que para os próximos dez anos a economia de Portugal crescerá a taxas incipientes, continuando a economia portuguesa a cair até ficar no 2.º ou 3.º lugar do fundo da tabela, quer da zona Euro, quer dos países da EU. Com estes números é praticamente impossível conseguirmos que cumprir o indicado no primeiro parágrafo. 

Para ultrapassarmos estes obstáculos é necessário colocar objetivos à sociedade portuguesa, seja ao nível do Estado, seja ao nível do cidadão, seja ao nível das empresas. O Estado necessita cumprir os prazos temporais dos processos burocráticos que tem de tramitar, monitorizar cada um dos prazos, alargar para cumprir sempre que necessário, desburocratizar para simplificar e encurtar prazos temporais, promover a revisão do edifício jurídico, lei a lei, atualizar todas as leis que regem a sociedade portuguesa, fazer a reforma do Estado, avaliar ministério a ministério, serviço a serviço, entidade tutelada a entidade tutelada, verificar se tem os meios humanos, materiais e orçamentais para cumprir os objetivos, graduar o que se avalia segundo o grau do maior interesse público, não despedir, reafectar meios, apostar nos mais importantes e fechar todos aqueles que têm menor interesse para Portugal. Para o cidadão motivá-lo para se formar, frequentar ações de formação profissional, ações de formação formal, promover uma cultura de trabalho, iniciativa, empreendedorismo pessoal. Para as empresas implementar um crédito fiscal mais agressivo para promover o investimento, melhorar os processos de licenciamento e burocracia, diminuir os impostos indiretos, manter um quadro fiscal estável durante a legislatura.

A política económica deve promover o investimento em bens transacionáveis, sobretudo os destinados para a exportação ou que substituam as importações a preços competitivos. O Governo de Portugal terá de fazer o seu trabalho estimulando a economia para fazer com que 60% do PIB tenha como fim as exportações. Este objetivo público e da sociedade deve fazer  com que cada um dos portugueses terá faça a sua parte, acredite, forme-se, incremente as suas competências profissionais e pessoais, investa e trabalhe para mostrar que é possível colocar a economia portuguesa a crescer 3% ao ano.

É este caminho que ajudará a economia portuguesa a crescer ao ritmo desejável. Assim acreditemos que é possível e trabalhemos para atingir este objetivo!


sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Mirtilo - Controlo de Infestantes

Boa noite,Eng. 
Tenho um problema grave com as ervas infestantes junto ao pé da planta mirtilo, tenho tela mas no buraco onde esta a planta que tem de raio uns 5 a 7 cm nasce me alguma erva que não consigo a dar vazão a monda-la, que herbicida posso utilizar tendo em conta que estou em produção integrada?
Cps


Comentários:
1. O problema que identifica com infestantes no buraco da tela é maior quando as plantas têm 2 anos ou menos, nesta altura as próprias plantas fazem pouca sombra na zona do seu colo (zona de transição entre a raiz e os caules do arbusto).

2. Não recomendo a aplicação de herbicida nas infestantes do buraco da tela na base da planta, porque o colo da planta é uma zona com risco elevado de entrada do herbicida e de vir a afetar o desenvolvimento do arbusto.

3. No buraco da tela pode aplicar areia, casca de pinho bem curtida, estes inertes retardam o aparecimento de infestantes ou as que aparecem são mais fáceis de arrancar à mão. Em alternativa pode colocar um tampão em tecido têxtil grosso. 

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Inquério CAP - qualificação e competências dos recursos humanos

1. Levei cerca de 20 minutos a preencher o inquérito da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP)  para avaliar as necessidades dos empresários agrícolas em matéria de qualificação e competências de recursos humanos do mundo rural (O inquérito online aqui.).
2. Espero que a CAP consiga atingir os objetivos que traçou “identificar as necessidades de qualificações, mapear as competências chave para o mundo rural e conceber os referenciais de qualificação chave para o desenvolvimento do setor agroflorestal.”
3. Faço votos que dos resultados deste inquérito resultem melhores e mais eficazes ações de qualificação para os agricultores. Este Eixo é chave para a melhoria da competitividade das explorações agrícolas de Portugal