segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Apicultura e Kiwi


A consultora agrícola "Espaço Visual" vai realizar no próximo dia 6 de setembro, sábado, dois workshops sobre Apicultura e sobre a cultura do Kiwi. Estas duas iniciativas, que vão de encontro ao interesse de muitos jovens empresários interessados nestas actividades, vão decorrer nas instalações da Espaço Visual, na Av. Associação Industrial e Comercial de Gondomar, n.º 290, em Gondomar.
O primeiro workshop, organizado em parceria com a empresa "Curiosidade Natural", terá o seguinte programa.

APICULTURA
9H30
Recepção dos participantes
10h00
O negócio da Apicultura. A perspetiva de um produtor.
Miguel Matos – Sócio gerente da Curiosidade Natural
10h45
Os serviços da Espaço Visual para a fileira da Apicultura: apoios PDR 2014-2020, Estágios formativos, contabilidade e gestão, formação de OP, etc.
José Martino – CEO da Espaço Visual
11h30
Visita a apiário da Curiosidade Natural
Lugar das Quintas, Foz do Sousa, Gondomar
12h30
Encerramento do evento

KIWI 
O workshop sobre a cultura do Kiwi tem o seguinte programa:
14H00
Recepção dos participantes
14h30
O negócio do kiwi. A perspetiva de um produtor.
José Martino – Sócio gerente da empresa “J. Martino”
15h15
Os serviços da Espaço Visual para a fileira do kiwi: apoios PDR 2014-2020, estágios formativos, contabilidade e gestão, assistência técnica, etc.
Dina Fernandes - Diretora Geral da Espaço Visual
16h15
Visita à exploração kiwis “hayward” e “arguta” da empresa “J. Martino”
Lugar da Agra, Covelo, Gondomar
17h30
Encerramento do evento

As inscrições para estes workshops são obrigatórias e gratuitas até ao dia 5 de setembro de 2014
Mais informações através do e-mail: inês.anacleto@espaco-visual.pt

sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

A nova agricultura



A nova agricultura
José Martino (engenheiro agrónomo)
josemartino.blogspot.pt 
Portugal precisa de mais criadores de negócio, vulgo empreendedores. Estes não nascem de geração espontânea, nem aparecem por decreto-lei. Um criador de negócios é alguém que deve saber construir o seu plano de negócio, o seu projecto de investimento.
É nesta fase que o Estado tem um importante papel a desempenhar, através das suas diversas estruturas. O GPP (Gabinete de Planeamento e Políticas), por exemplo, estrutura dependente do Ministério da Agricultura e do Mar, deve ser a “via verde” para definição do rumo a seguir pelas agriculturas em Portugal.
Deve caber ao GPP a elaboração de planos estratégicos de fileiras que enquadrem os novos criadores de negócios a terem um quadro preciso, estável e credível sobre para onde canalizarem os seus projectos.
Depois, numa segunda fase, deviam surgir as “incubadoras low-cost”, onde o criador de negócio teria acesso às ferramentas adequadas para construir o seu plano de negócios. A parte financeira deste projecto devia estar alicerçada em fundos de capital de risco.
Estes fundos de capital de risco disponibilizariam um gestor para acompanhar um determinado número de jovens agricultores inseridos numa mesma actividade. Este gestor teria a supervisão e controlo do processo de gestão, produção e financiamento da actividade.
Esta seria uma ajuda e um apoio decisivo para o sucesso futuro destes jovens agricultores. Com a entrada em vigor do PDR 2014/2020 deve ser dado o mote para se começar a funcionar com modelos de rigor e com estratégias organizativas que introduzam métodos exigentes que coloquem mais valor acrescentado, mais competitividade e mais produtividade nas explorações.
A informação e o conhecimento, através de visitas de estudo em Portugal e no estrangeiro, devidamente organizadas, para mostrar os pormenores que fazem a diferença; os estágios nas explorações, sobretudo naqueles que têm elevado sucesso; formação profissional eficiente: são duas ferramentas essenciais para construir a agricultura portuguesa do futuro.

in semanário "Vida Económica", de 22 de agosto de 2014

quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Vidigueira: o que cultivar?

AnónimoMaria do Céu disse...
Boa tarde.
Adorei o seu blogue e o interesse que desperta nesta área, assim decidi solicitar a opinião do Sr. Eng. José Martino. O meu pai tem uma quinta com 6 hectares junto ao IP2 em Vidigueira. O pomar está velho e teria que investir muito nele e eu pensei num projecto no âmbito do Proder, que seria um misto de turismo rural e cultivo de algo que fosse rentável dentro das novas fileiras do momento, ou não. Pensei em alfazema, parece que apenas existe um produtor em Portugal, ou outro tipo de frutos que desse no nosso micro clima. Gostava de ouvir a opinião do Sr. Eng. Obrigada

Comentário: 
Bom dia Maria do Céu. Agradeço as suas palavras. Sugiro-lhe, para ter um primeiro enquadramento do que pretende fazer, que envie um email para dep.comercial@espaco-visual.pt. Terei, posteriormente, todo o gosto em ajudar.

sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

Comentários anónimos, NÃO!


Quando, há seis anos, lancei este blog, estava longe de pensar na implantação que o mesmo iria ter no mundo agrícola. Muitas vezes dou comigo a reflectir sobre este impacto. Constato que a esmagadora maioria das pessoas ligadas ao mundo rural e agrícola que assiste às palestras, seminários e conferências em que sou orador, aborda-me no final para falar sobre o blog. Reconheço que é algo que me deixa orgulhoso e com uma pontinha de vaidade. Hoje, mais de 1 milhão de "page views" depois, este blog é, provavelmente, o mais lido de todos os que se dedicam às questões agrícolas. Isto não só faz aumentar a responsabilidade como obriga a um rigor e a uma monitorização mais apertada.
Recebo diariamente dezenas de emails no blog. O tempo e o esforço que emprego a responder a esses emails obrigam a uma triagem, pelo que alertei os meus leitores que só responderia a quem se identificasse e anexasse um contacto (email e/ou telemóvel). O meu voluntarismo e a minha paixão pela agricultura, com o objectivo de ajudar os que querem lançar-se neste negócio, têm transigido com este alerta. Mas, a minha cada vez mais difícil e complicada agenda de trabalho, faz com que a partir de 1 de Setembro, seja intransigente. Só responderei a emails identificados e com endereço electrónico e/ou telemóvel anexo. Espero que compreendam!

Certificação: a qualidade reconhecida

Desde que colaboro com a “Vida Económica”, já lá vai quase uma boa meia dúzia de anos, a agricultura mudou muito em Portugal. Tenho a felicidade de ser um espetador privilegiado desta evolução.
Estou todos os dias no terreno junto de agricultores, jovens e mais antigos, de agentes públicos, de entidades administrativas, de empresas, de autarquias, de universidades. Aprendo todos os dias como se deve e como não se deve fazer.
O mundo rural é uma fonte inesgotável de surpresas, positivas e negativas, de conhecimento, de filosofias de vida e de gestão. Como disse, acompanho toda esta torrente de vivências pessoais e empresariais a par e passo.
Muito do que vejo, falo e aconselho, aproveito para dar conta aqui, neste espaço de opinião que chega a muita gente. É um dever que tenho, o de aconselhar, alertar, apoiar e ajudar a construir um mundo novo na agricultura portuguesa.
Um mundo baseado na competência, no empreendedorismo rigoroso e que se traduza em dar valor acrescentado à produção, criando riqueza e emprego. Como disse e repito, a evolução tem sido tremenda.
Questões tão complexas como, por exemplo, a certificação de produtos agrícolas, eram uma miragem e um fator negligenciável até há poucos anos atrás. Hoje, a certificação de produtos agrícolas é um fator decisivo para o sucesso.
Porque falo da certificação? Porque os produtos do modo de produção biológico só o são se forem certificados por uma entidade devidamente reconhecida para o efeito. Aliás, grande parte da opinião pública confunde-os com os da agricultura artesanal, parece-lhe que são a mesma coisa, e que têm a mesma qualidade, o que é um erro.
Quando hoje se fala tanto em segurança alimentar, o fator da certificação é garantia e selo de qualidade para se poder colocar os produtos agrícolas nos exigentes consumidores dos mercados nacionais e internacionais.
O que importa é alertar os produtores agrícolas que queiram certificar o seu produto para escolherem as entidades que lhes dão mais garantias de proximidade e serviço e os consumidores para que peçam o certificado de produto biológico.
José Martino, 07/08/2014
- See more at: http://www.vidaeconomica.pt/vida-economica-1/publicacoes-9/edicao-num-1552-do-vida-economica-de-08082014/negocios-e-empresas/certificacao-qualidade-reconhecida#sthash.uzMC9jeF.dpuf

segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

"Criadores" vs empreendedores



Os “criadores” de negócios agrícolas
José Martino
Consultor agrícola
Quando estava a preparar a elaboração deste artigo, ouvi na televisão Bagão Félix, ex-ministro das Finanças, dizer que não gostava da palavra “empreendedorismo”, preferindo a palavra “criar”, “inovar”, “inventar”.
Dizia isto enquanto apresentava como boa notícia do dia uma criação ou invenção de um “empreendedor” jovem português. Como disse no início, estava a elaborar este texto quando ouvi isto da boca de Bagão Félix.
Ora, a minha intenção era falar do “empreendedorismo agrícola”. Hesitei logo em usar a palavra. Depois pensei que a palavra “criar”, mais curta e fácil de pronunciar, talvez faça mais sentido.
Vou, por isso, seguir a opinião de Bagão Félix e passar a utilizar a expressão “criar negócios”, em vez de “empreendedorismo”. Na verdade, é disso que se trata, de criar negócios. E é isso que falta a Portugal.
As razões são muitas e variadas. Desde uma cultura económica e financeira muito dependente do Estado, até uma aversão ao risco, à criação e à inovação que está nos nossos genes. É, por isso, preciso romper com este “status quo”.
Temos de obrigar todos os agentes agrícolas a colaborar nesta mudança de paradigma na agricultura portuguesa. Muitos estão a fazê-lo no sector privados, jovens e menos jovens  agricultores estão a criar novos negócios, a aproveitar novas oportunidades, a inventar novos produtos e novos mercados.
É fundamental que o sector público acompanhe esta torrente de ideias, estratégias, projectos e negócios que estão a contribuir decisivamente para as exportações e para o aumento do PIB agrícola.
Deixo aqui um conselho e um desafio aos responsáveis políticos do Ministério da Agricultura: colocar o GPP (Gabinete de Planeamento e Políticas), uma estrutura dependente deste Ministério, a elaborar planos estratégicos de fileira das atividades agrorurais.
O GPP, que devia assumir um papel de “think tank” para a agricultura nacional, tem recursos humanos e financeiros, tem experiência na negociação dos quadros comunitários com Bruxelas. Deveria pensar, reflectir e propor linhas de orientação e princípios “macro” para osresponsáveis políticos e agentes que trabalham na agricultura em Portugal.
É necessária esta visão de futuro, estratégia e de longo prazo, fazendo o levantamento dos pontos fortes e fracos de cada fileira e traçandoplanos de ação para se atingirem objectivos previamente definidos.
Tal devia ser o principal trabalho do GPP e nele focar toda a sua energia. Este trabalho é fundamental, como “guia de orientação”, para todos os “criadores” que querem lançar o seu projecto e elaborar o seu plano de negócio e de investimento.

sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

A vez da economia real

A vez da economia real

José Martino
Empresário e Consultor Agrícola


A crise do BES veio pôr a nu uma verdade gritada a plenos pulmões há muitos anos: a economia real é feita por pessoas como eu e o leitor. Pessoas que sabem quanto custa uma bica, um bilhete de metro, a bandeirada de táxi ou quanto custa montar uma empresa, os dias do mês para pagar às Finanças, muitas vezes pagamentos por conta de IVA e IRC, à Segurança Social e salários.
Vivo da e para a agricultura há tempo demasiado para saber bem o que é a economia real. Vejo todos os dias gente como o leitor a mexer na terra, a semear, a colher o fruto e a vendê-lo.
Vejo há muito tempo gente a investir com o seu dinheiro e com o dinheiro dos bancos e dos fundos comunitários não na compra de acções ou de outros produtos financeiros, mas na compra de terra, na compra de maquinaria e factores de produção, na aquisição de mais formação e conhecimento, na contratação de mais funcionários.
Assisto com gosto e com um brilhozinho nos olhos a toda esta (r)evolução na agricultura portuguesa, que escapa muitas vezes ao mainstream, ocupado com as novelas da especulação financeira.
Enquanto andamos distraídos, a nossa agricultura não pára. Os nossos criadores de negócios agrícolas procuram novas soluções para os seus projectos, sempre com o fim último de gerar mais valor acrescentado, garantir mais riqueza e criar mais postos de trabalho.
Estou convencido que a imaginação e a genialidade dos nossos produtores agrícolas vai permitir que a agricultura do futuro não esteja limitada a questões de sazonalidade, mas será possível produzir tudo, todo o tempo, em todo o lado. Sem estar dependente de questões como o clima ou o solo.
Recentemente, a economia real da nossa agricultura deu mais um exemplo concreto de como potenciar o negócio. Enquanto os holofotes mediáticos estavam virados para a economia financeira, a tal que não cria valor acrescentado mas destrói valor, o empresário Lino Santo, da Primores do Oeste, uma empresa de hortícolas, garantiu, através de uma parceria com a Galp Energia, a possibilidade de produzir durante todo o ano através do aquecimento das suas estufas.
Este empresário agrícola vai investir mais 25 milhões de euros este ano, vai criar mais valor acrescentado, exportar mais, importar riqueza para o nosso país, contratar mais pessoas. A petrolífera vai libertar menos dióxido de carbono para o ar e assim proteger e defender mais o ambiente.
Numa altura difícil para muita gente em Portugal, lembro-me amiudadamente da célebre frase de John Fitzgerald Kennedy, o icónico presidente democrata norte-americano: "Não perguntes o que a América pode fazer por ti; pergunta o que podes fazer pela América."
Certamente há outros lugares em Portugal em que outros projectos deste tipo se podem implementar e multiplicar. Há gente que à hora a que escrevo está a fazer muito pelo seu e nosso país, pelos que têm e pelos que não têm emprego. Gente que a torrente de notícias brutais não paralisa nem faz recuar. Gente que continua a arriscar, a projectar, a inovar, a investir, a contratar. É em gente deste calibre e desta estirpe que temos de pôr os olhos.
Da comunicação social aos comentadores e analistas, aos poderes públicos e aos homens de Estado, se é que ainda os há por aqui. Já o disse e escrevi publicamente: gostava de ver o reconhecimento público por estes criadores de negócios, de trabalho e riqueza, ao ponto de merecerem ser agraciados com os títulos honoríficos do Dia de Portugal. E não percebo porque é que não há nenhuma personalidade da economia real com assento no Conselho de Estado. A famosa Reforma do Estado também tem de passar por aqui. A economia real agradece!

Artigo de opinião publicado hoje no jornal i

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

A vida tem de continuar

A vida tem de continuar
por José Martino, Empresário e consultor agrícola
Numa altura em que graves problemas assolam uma instituição financeira de prestígio, devo dizer que o que mais me tem tranquilizado, e me continua a fazer acreditar na solidez do nosso sistema bancário, não são as palavras que tenho ouvido aos mais altos responsáveis do Governo e do Banco de Portugal.
Elas são bem-vindas mas não passam, para já, de meras manifestações de intenção. O que realmente me tem tranquilizado é o comportamento sereno e imperturbável das outras instituições financeiras que são o núcleo duro do nosso sistema bancário.
Numa altura em que o regime parece ruir à nossa volta e que cresce na população um sentimento de crescente distanciamento da classe política e governativa e da própria democracia, é reconfortante ver um importante banco apoiar e debater o "estado da nação" agrícola. E perceber que a vida das empresas, das instituições financeiras e da sociedade civil não pode parar.
Nos últimos dias, fixei duas ideias fortes: a necessidade de dar massa crítica, mais dimensão e garantir mais capitais próprios aos empreendedores agrícolas e o investimento na sua formação de base. A primeira ideia teve como autor o presidente do BCP, Nuno Amado, a segunda o reitor da UTAD - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Não podia estar mais de acordo. Aliás, há já muitos anos que venho defendendo estas duas premissas em artigos nos jornais e no meu blogue (josemartino.blogspot.pt). Garantir a exequibilidade destas duas ideias é ponto-chave e decisivo para se alterar o paradigma da agricultura em Portugal. Isso só pode ser possível através de medidas de política governativa que assumissem a rutura com um modelo de apoios públicos ao investimento que está obsoleto.
Enquanto se tratar tudo e todos pela mesma bitola, sem se privilegiar quem arrisca, quem investe na sua formação, quem olha para a agricultura como um projeto de vida, um negócio a rentabilizar e a criar emprego, então estaremos sempre a marcar passo. Espero que os responsáveis governativos do Ministério da Agricultura traduzam em medidas legislativas as assertivas palavras do líder do BCP e do reitor da UTAD.
Se assim não for, podem mudar as pessoas à frente da gestão dos 4,4 mil milhões de euros de fundos comunitários à disposição do Programa de Desenvolvimento Rural 2014--2020, mas, no final do dia, as notícias serão de devolução de fundos a Bruxelas e de uma realidade agrícola nacional sem alterações de fundo.

Artigo de opinião publicado no Diário de Notícias de hoje (edição impressa)

quarta-feira, 6 de Agosto de 2014

10º aniversário da Gazeta Rural

O texto que aqui partilho com os meus amigos foi publicado hoje na edição do 10º aniversário da prestigiada revista "Gazeta Rural", para a qual o seu Director, José Luis Araújo, teve a amabilidade de me convidar.


O desafio dos próximos 10 anos
José Martino (empresário e consultor agrícola)
Josemartino.blogspot.pt
A Gazeta Rural, uma publicação de prestígio sobre questões da agricultura portuguesa, pede-me uma análise sobre o que foi a agricultura portuguesa nos últimos 10 anos e aquilo que estimo que seja nos próximos 10.
É uma tarefa de risco que assumo com todo o prazer. A primeira parte do desafio é relativamente fácil. Basta fazer uma pequena investigação nos relatórios elaborados pelo INE – Instituto Nacional de Estatística e encontra-se facilmente o cenário daquilo que foi a última década agrícola em Portugal.
A percentagem dos agricultores portugueses sem qualquer instrução diminuiu significativamente (47% para 29%), a dimensão média das explorações aumentou, de 6,7 ha para 11,4 ha, os agricultores cujo rendimento depende exclusivamente da exploração agrícola também aumentou, de 7% para 11%.
Tudo isto são (foram) boas notícias, mas será que a realidade agrícola portuguesa mudou assim tanto nos últimos 10 anos? A resposta a esta pergunta é essencial para preparar a próxima década da agricultura nacional.
E a resposta é: sim, mudou. Mas mudou mais a forma do que o conteúdo. Isto é, mudou mais a percepção que as pessoas, a sociedade e os “media” tinham da agricultura, do que a realidade mais profunda do sector, ao nível económico e social.
Hoje, a agricultura está na moda. Uns dizem que isso acontece por causa da crise. Outros por causa do interesse que subitamente a comunicação social começou a dedicar ao sector. Uma causa e outra estão umbilicalmente ligadas.
Muitos jovens agricultores olharam para a agricultura como a fonte de todas as soluções: da perda de emprego à baixa de rendimentos. Os nossos políticos, por seu lado, anunciaram a agricultura como o pilar fundamental da nossa economia.
A questão central é que os problemas de fundo mantêm-se. Um exemplo: há dias, milhares de jovens agricultores foram confrontados com a suspensão das candidaturas ao ProDer, que está no seu último ano de execução.
A medida apanhou todos de surpresa, até porque governantes com responsabilidade no sector tinham afirmado o contrário. Este é um paradigma que tem de ser mudado. A agricultura e os agricultores não podem viver na incerteza. É por isso que tem de ser definido, pelos partidos de poder, um quadro estável de duas legislaturas (8 anos) sobre como deve funcionar a nossa agricultura.
Deixo aqui o meu contributo para a agricultura portuguesa dos próximos 10 anos. Temos de implementar um sistema de ajudas ao investimento que privilegie quem trate a agricultura como um negócio, criando valor e emprego, e não como um mero hobby.
Essa diferenciação é crucial. Ela permitirá fazer uma triagem desses apoios, com benefícios para quem faça agricultura de mercado, para quem invista na aquisição de competências e conhecimento.
Esta deve ser uma alteração fundamental dos próximos 10 anos. Os actores políticos devem reflectir sobre a necessidade de apoiar (estamos a falar de recursos públicos, limitados e de todos, pelo que a sua gestão rigorosa é obrigatória) quem quer assumir o seu perfil e vocação de agricultor, constituindo a sua própria empresa, com capitais próprios e fundo de maneiro 
Esse é um sinal incontornável sobre o novo modelo agrícola que é preciso construir para os próximos 10 anos. Um modelo que terá de estimular o arranque efectivo da Bolsa de Terras, através de uma maior participação empresarial; o reforço do sector associativo, mais forte e organizado; um Ministério da Agricultura que seja fonte dos melhores quadros técnicos e que possa ir ao mercado contratá-los.
Uma boa parte destas premissas deve ser assumida e plasmada em propostas pelo GPP (Gabinete de Planeamento e Políticas), caracterizando o que existe e lançando as bases de um novo modelo, com objectivos concretos.
Temos fazer com que os apoios públicos ao investimento sejam efectivamente reproduzidos na agricultura nacional. Isso só se consegue com uma alteração de um modelo baseado numa ideia sociológica para um modelo de mercado. 
Estou convencido de que só assim poderemos ambicionar obter um PIB agrícola que atinja os 10% do PIB nacional. Esse é o desafio que se coloca nos próximos 10 anos a todos os agentes que trabalham no sector agrícola. Espero dar o meu contributo para atingir esse desiderato.

terça-feira, 5 de Agosto de 2014

Morangos em hidroponia

Nuno Soares disse...
Caro Sr. Eng. Estou a pensar em investir num projecto de morangos em hidroponia. Neste sentido gostaria de lhe colocar algumas questões: 1- Considera o concelho de Viana do Castelo com potencial para este cultivo? Sugere outro? 2- Qual seria a área adequada para poder tirar rendimento para sustentar a minha família (cerca de 1000€/mês) 3- Existe na zona de Viana do Castelo algum "agente" capaz de assegurar a comercialização (vi que em Guimarães existe a BFruit...) 4- Quanto tempo demoraria para começar a produzir e para equilibrar a tesouraria (vi no blog que deu exemplos disto para o caso dos mirtilos, e das framboesas, mas não encontrei sobre os morangos) Obrigado pela sua atenção, e acima de tudo pela criação e manutenção deste blog que é uma fonte de inspiração para quem se quer lançar na agricultura. 

Comentário:
O concelho de Viana do Castelo tem potencialidades. Quanto mais perto do mar, mais potencial existe, devido ao facto das temperaturas no Inverno serem mais amenas. As regiões com mais potencial são as do sudoeste alentejano e do Algarve, porque pode produzir fora de época com custos mínimos de aquecimento. Pode contactar a Bfruit (www.bfruit.pt) porque trabalha em todo o país. Tem dois anos até equilibrar a tesouraria.

Produção de porco bísaro

Eva Maria disse...
Boa noite Engº José Martino. eu sou do Concelho de Murça e gostaria de saber onde me posso informar acerca das condições de produção de porco bízaro com maternidade. Atentamente 

Comentário:
Sugeria-lhe que enviasse email para dep.comercial@espaco-visual.pt

Preço de terreno agrícola

Lucília Oliveira disse...
Boa tarde, Por via de herança entrei na posse de um terreno no Alto Alentejo, distante da minha residência habitual. Ora acontece que não tenho quaisquer conhecimentos a nível agrícola e nunca pensei dedicar-me a tal actividade. É uma herdade com terrenos de pastagem, oliveiras, sobreiros e azinheiras, num local tranquilo e a mais de 1 km da estrada alcatroada. Já pensei em colocar no mercado para venda. Ora acontece que não tenho nenhuma informação sobre o preço do metro quadrado ou do hectare, logo não consigo definir os valores praticados no mercado, mas também não queria depender dos serviços de uma imobiliária. Será que existe um preço de referência para o valor da terra agrícola? Obrigada pela ajuda. 

Comentário:
Sugeria-lhe a seguinte estratégia. Faça-se potencial compradora dos terrenos à volta do seu. Os preços que lhe pedirem  por m2 podem servir-lhe de parâmetro para os terrenos que quer vender.

Como se candidatar...

Sara Peixoto disse...
Boa tarde! Quero iniciar um projeto na área da agricultura. Será que me pode dar uma orientação em termos de apoios económicos? Tenho pesquisado bastante nesta área, sei que existe o ProDer, a minha duvida é como apresentar a minha candidatura. Melhores cumprimentos 

Comentário:
Sugeria-lhe que enviasse um email para dep.comercial@espaco-visual.pt

Candidatura de Jovem Agricultor

Miguel Faria disse...
Sr. Engenheiro, tendo em vista a dúvida colocada pelo Sr. João Silva, que vai ao encontra da minha e a resposta por si dada que não foi esclarecedora para mim, peço se possível que possa esclarecer melhor a mesma. Tendo eu 30 anos e exercendo outra atividade, é possível candidatar-me como jovem agricultor no PDR 2014-2020? Em caso afirmativo, as condições e o peso do projeto ser ou não aprovado serão as mesmas de um jovem que se queira candidatar mas se encontre na situação de desempregado? Desde já agradeço qualquer resposta sua. 

Comentário:
Sim, é possível. As condições de acesso e aprovação não têm em conta a situação de emprego ou desemprego ou de estar a exercer outra actividade a tempo inteiro. A questão relevante é a coerência técnica, económica e financeira do projecto, com especial ênfase na sua rentabilidade futura.

Produzir bagas de goji

António disse...
Parabéns pelo blog. gostaria de saber se as bagas goji são uma boa aposta e se dão rentabilidade para um jovem agricultor se poder instalar. obrigado 

Comentário:
O seu projecto deve ter assegurada a comercialização da produção. A nível técnico, com ponderação a médio prazo, as bajas de goji podem ser produzidas num alargado número de terrenos e regiões.