Dificuldades na helicicultura

"Bom dia Engº,
Há cerca de 3 anos iniciei com 2000m2 de estufas para criação de caracóis, o projecto foi financiado parcialmente pelo Proder.
Acontece que actualmente o preço de venda dos caracóis já desceu para 1/3 , ainda esta semana ofereceram 1€/kg, o que é impensável pois nem paga o trabalho da apanha,  dizem os vendedores que há excesso de criação daí os preços estarem assim.
Quando entreguei o projecto para aprovação, entre os vários documentos entreguei também um contrato de escoamento com uma empresa a 3.7€/kg e como uma garantia de produção de 8 ton/ano. Essa empresa que fez o contrato não aceita caracol há mais de um ano, bem como o máximo que consegui produzir foi 3 a 4 ton/ano.
Resumindo, não conseguimos vender a nossa produção total, e o que vendemos é a um preço muito baixo. Eu e o meu sócio temos de andar a pôr dinheiro pessoal para pagar o empréstimo, farinha, luz, etc.
O projecto foi de 5 anos, ainda faltam 2 anos. Há alguma forma de cancelarmos o projecto? deverei processar a empresa que nos passou o contrato de escoamento, visto que até foram esses que montaram as estufas,câmara, alevins, enfim tudo !
Peço aqui uma opinião/ajuda ao Engº José Martino.
Com os melhores cumprimentos,".

Comentários:
1 - Na helicicultura tem sucesso quem desenvolve o negócio na estratégia que eu denomino de "projeto de autor", o empresário é responsável pela produção e ao mesmo tempo pela distribuição, comercialização e valorização das suas produções, juntando outras atividades complementares, como sejam o fornecimento de fatores de produção para novos empreendedores, formação profissional, animação para o consumidor, etc.  

2 - Na minha opinião há lugar para a exploração de caracóis com a estratégia uma parte das explorações francesas implementam, produzir com custos muito baixos de instalação e exploração, produzir na época mais favorável, vender diretamente os caracóis para restaurantes e bares da região e a produção que não se consegue colocar em fresco, fazem na própria exploração, uma industrialização artesanal que vendem nas feiras regionais desde o outono até à primavera.

3 - Defendo que devem comercializar o que produzem, promover e participar em festivais de caracóis, vender à porta da exploração, organizar showcooking com caracóis, fazer contatos para exportarem diretamente, etc. tentando valorizar as Vossas produções de forma a compensar pelo incremento do preço, ganhando margem ao elo da cadeia seguinte (comercialização) o abaixamento da produtividade face ao indicado no projeto.

4 - Os primeiros anos nos negócios são mais difíceis que aquilo que conseguimos imaginar, acontece com quase todos os empreendedores aquilo que se passa convosco: ter de levar dinheiro todos os meses para fazer face aos custos operacionais e compromissos. São estes acontecimentos dramáticos que nos fazem empresários: passar da fase da busca de culpados para a construção de soluções, perceber onde pode estar realmente o negócio, onde se pode vir a ganhar dinheiro, o processo não é instantâneo, exige coragem, determimação, acreditar que se vai ter sucesso, fazer o esforço titânico de melhorar nos pormenores em cada dia que passa, vencer os pequenos erros continuando a tentar no dia seguinte, nunca desistir. Quem não sabe isto que estou a descrever é porque não é realmente um empresário, alguém que teve que fazer o seu próprio negócio com "sangue, suor e lágrimas".

5 - Cancelar o projeto? Processar a empresa que assumiu contratualmente a comercialização? Só posso dar conselhos com o conhecimento dos pormenores, o que obviamente não possuo. 

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