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sábado, 19 de agosto de 2017

Seca: prevenir em vez de remediar





Artigo publicado no Jornal "Vida Económica" da passada 6.ª Feira, 18 de Agosto.

No início desta semana, o ministro da Agricultura Capoulas dos Santos, veio a público afirmar que o Governo irá apoiar financeiramente os agricultores atingidos pela seca extrema que se tem feito sentir e que tem prejudicado a atividade agrícola.
Aplaudo a rápida intervenção do ministro Capoulas dos Santos, mas não pode deixar de sentir que o País e o(s) Governo(s) são geralmente rápidos a divulgar apoios financeiros mas muito lentos a apresentar soluções e a prevenir este estado de coisas, como se viu também no incêndio de Pedrógão Grande.
Não basta acudir financeiramente aos que são prejudicados. É preciso erradicar, ou pelo menos minorar com planeamento, estes prejuízos, quando ocorrem estas catástrofes.
Catástrofes, como os incêndios ou a seca, que são cada vez mais frequentes. É prevenir e não apenas remediar.
No caso da seca há dezenas de anos que se sabe existência deste problema e por isso, não estranha que em 31 de julho último, segundo o IPMA, quase 79% de Portugal continental encontrava-se em situação de seca severa e extrema, 69,6% e  9,2%, respetivamente. Por outro lado, em seca moderada estavam 16,5%, em seca fraca 4,2% do território e 0,5% estava em situação normal. A precipitação no mês de julho foi fraca, 5,3 mm (38% do valor médio). O que acho extraordinário é que não se esteja a aplicar um plano estratégico para proteger a matéria orgânica nos solos, para a utilização de regadios em todo o território nacional, bem como o uso racional da água de rega.
Na minha atividade de agrónomo de campo verifico que a maioria dos meus clientes que depende do abastecimento de água dos furos ou poços já tiveram ou têm quantitativos inferiores quando comparados com os disponíveis nos anos anteriores. Por isso, tiveram de proceder com urgência à abertura de novos poços ou furos, enquanto que noutros casos, procederam à racionalização no uso da água durante a rega (regas melhor monitorizadas, controlo da evaporação, rega deficitária (aplicar quantitativos que garantem que as plantas não morrem e obtêm-se produtividades dentro de níveis mais baixos face aos obtidos sem racionamento da água de rega, mas de qualquer modo interessantes porque determinam produtividades e qualidade que geram rentabilidade à atividade agrícola em causa, etc.)).
Este um desafio ou limitação que veio para ficar, obriga à tomada imediata de medidas com caráter de urgência para no curto prazo se evitarem catástrofes caso não haja precipitação mínima adequada até final do mês de outubro, por um lado e outras ações de médio ou longo prazo que passam entre outras, pelas ações indicadas acima relativas ao plano estratégico para combater a seca, por outro lado. Faço votos que desta vez todo o território nacional tenha os recursos necessários e suficientes para prevenir as catástrofes na agricultura, com os meios necessários em função da respetiva necessidade e limitações.

José Martino
       Consultor e empresário agrícola
  

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