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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Cronica de Radio

Ha uns meses atras desenvolvi uma cronica semanal para a radio RCI de Viseu a convite do jornalista meu amigo Jose Luis Araujo.

Publico aqui o texto de uma dessas cronicas. Apesar do tema nao ser agricola tambem se aplica aos players do mundo rural e agricultura.

Revolução cultural em Portugal
Retomo a linha de pensamento que venho abordando neste espaço de crónica radiofónica semanal, a qual foi interrompida na última semana para focar tema dos incêndios florestais, tema este que infelizmente se colocou no topo da atualidade, faço-o retomando a questão que vos deixei para reflexão há duas semanas atrás: O que mudaria nos indivíduos e na sociedade de Portugal se cada um de nós cidadãos assumisse transformar-se através do incremento e subida do nosso nível cultural? 
Na perspetiva da pergunta, a principal característica da cultura é uma atitude e esforço de interpretação pessoal e coerente da realidade familiar e da sociedade, elevando o individuo o respetivo conhecimento, argumentação e aperfeiçoamento. Leva a aumento da exigência global da pessoa consigo própria e com os outros e a uma justificação satisfatória, sobre a envolvente mais próxima ou mais distante, sendo um mecanismo adaptativo, que consiste na capacidade de responder ao meio de acordo com mudança de hábitos, mais até que possivelmente uma evolução biológica.
Pretende-se com este incremento do nível cultural fazer um mecanismo cumulativo que se estenda ao número máximo de elementos da sociedade atual, modificações estas no tecido social que possam alastrar à geração seguinte, que esta transformação faça perder e incorporar outros aspetos que melhorem a vida nos próximos anos, assim como nas novas gerações.
Apesar de a cultura ser um conceito que está sempre em desenvolvimento, pois com o passar do tempo ela é influenciada por novas maneiras de pensar inerentes ao desenvolvimento do ser humano, é preciso acelerar o processo através da interpretação pessoal e global, o que se faz pelo incremento da ligação a um esforço de informação, estudo e reflexão, no sentido de aprofundar a posição adotada de modo a poder intervir em debates, sejam estes mais ou menos formais ou informais. Esta dimensão pessoal da cultura, como síntese ou atitude interior, é o caminho indispensável ao progresso mais acelerado da sociedade portuguesa. Esta evolução de cada de nós, repercutir-se-á na evolução da comunidade seja no conjunto de ideias, comportamentos, símbolos e práticas sociais, podendo vir a ser representada pela literatura, música, arte, dança, etc., bem como influenciar a cultura popular nas suas crenças, aproximando o contato entre regiões.

Defendo que esta mudança se faça pela leitura de jornais e livros, cinema, visita de exposições, etc. que se traduza no estudo, reflexão e aprofundamento dos temas da atualidade, resultando em pensamento estruturado próprio, sempre que possível escrito ou apresentado oralmente. Quando escrevemos ou falamos em público sentimos uma maior responsabilidade em acautelar os pormenores, dominar a argumentação, adquirir saber que se mantém ao longo do tempo.
Termino com a questão que vos deixo para reflexão nesta semana: Havendo uma grande unanimidade em Portugal de que o estudo, a elevação do nível cultural de cada um de nós é fator direto para elevar o nosso nível remuneratório e de felicidade, quais as causas que nos levam à inércia de não iniciar este caminho cultural de forma consistente e constante ao longo do tempo, de achar que isso é para os nossos filhos que o irão fazer na escola e na universidade? Porque será que Portugal não tem tido a capacidade para fazer desaparecer este preconceito que existe na sua sociedade há pelo menos duzentos anos, a mudança cultural se faz-se na geração seguinte através da escola?
Tenham uma excelente semana!   

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