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domingo, 17 de dezembro de 2017

Texto publicado na Gazeta Rural de 2017.12.14: Antevisão do ano de 2018 para as agriculturas de Portugal


Para o ano de 2018 prevê-se que ao nível das agriculturas de Portugal continue a assistir-se ao mesmo tipo de estratégias e fenómenos que ocorreram no ano de 2017:
1.       Incremento das exportações de produtos agrícolas e agroindustriais acima do crescimento da economia, uma estagnação do investimento por bloqueio do PDR2020  (orçamento muito limitado face à procura nas candidaturas submetidas) ausência de decisão na priorização de apoio a cada uma das candidaturas de 1.ª instalação de jovens agricultores, falta de apoio efetivo aos empresários agrícolas e agricultores da região Interior de Portugal onde os negócios da agricultura têm investimentos mais caros, maiores custos de exploração e maiores dificuldades e de acesso aos mercados.
2.       O crédito bancário para apoio aos investimentos na agricultura, sobretudo dos jovens agricultores, vai continuar muito limitado, pois assenta no apoio às candidaturas aprovadas pelo PDR2020 (aprovações em número e valores diminutos) praticamente não existindo para apoiar investimentos que não tenham comparticipação de fundos financeiros públicos. Esta situação só era invertida se houver um trabalho político de convencer a banca a apoiar efetivamente os investimentos na agricultura com especial incidência nos jovens agricultores.
3.       É altamente provável que a seca esteja para continuar no ano de 2018 e nesta perspetiva, irá assistir-se a decréscimo acentuado das produções agrícolas e diminuição da respetiva qualidade. Vai existir pressão para que Portugal avance rapidamente com um programa de investimento ao regadio público e privado com o objetivo de reter e armazenar as águas superficiais.
4.       No ano 2018 o risco de incêndio irá continuar muito elevado porque o nível de massa combustível nas florestas continua em níveis alarmantes, embora sendo provável que a melhor gestão dos meios de combate aos fogos e ignições se repercuta no seu maior controlo. Além disso, enquanto não existirem faixas sem qualquer combustível, largura de 200 m com pastagens, a cada 10 km de floresta (quadriculas máximas de floresta com10 km de lado)  o risco de grandes incêndios e centenas de milhares de hectares ardidos, será muito provável (o recurso a fogo controlado durante este inverno em pelo menos 120 000 hectares de florestas, empregue com a metodologia indicada no presente parágrafo, é o único meio efetivo para limitar os incêndios de 2018, todas as outras medidas em execução com exceção do combate, só  darão resultados a mais de 2 anos).
Prevejo que em 2018 os empresários agrícolas irão dar maior importância:
1.  Aos seguros agrícolas devido à seca e o previsível maior número de acidentes climáticos.
2.  À formação profissional e capacitação dos empresários, chefes de exploração e operadores especializados, porque será a melhor estratégia para tirar partido dos recursos existentes e manter a rentabilidade das explorações agrícolas, tem por base o aumento dos custos de exploração e limitação das produções, devido à seca, não havendo a contrapartida de aumento em igual proporção dos preços de venda das produções.
3. À agricultura digital e de precisão, porque aparecerão novas soluções tecnológicas e ao mesmo tempo verificarão que é o caminho para as suas empresas se manterem competitivas e exportadoras


Votos de Feliz Ano de 2018!


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