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sexta-feira, 2 de março de 2018

Associativismo Agrícola

Eng. José Martino, boa noite,

Sei que tem experiência no associativismo agrícola, quer por ter estado no lançamento da APK - Associação Portuguesa de Kiwicultores, RefCast - Associação Portuguesa da Castanha e outras, quer por ter sido presidente da direção da APK e dirigente da RefCast ou ainda por acompanhar na consultoria muitas outras associações ao longo de várias décadas, qual a sua opinião sobre o estado atual do associativismo em Portugal?

Comentários:
1.  O associativismo agrícola deveria defender os interesses sócio profissionais dos seus membros e como tal em cada eleição deveria ser sufragado um programa de ação e o respetivo orçamento, o qual deveria ser suportado pelas quotas dos sócios.

2. Na realidade, a maioria dos agricultores queriam pagar o menos possível para a suas associações, ou melhor, se pudessem, pretendiam não pagar nada e que a associação lhes fizesse embolsar, receber dinheiro público, isto é, uma excelente associação é aquela instituição que consegue "mamar no Estado".

3. Verifico no terreno que há boas e más associações, menos frequentes em número, aquelas que se encontram bem estruturadas, cujos sócios lhes reconhecem eficácia pela defesa dos seus interesses sócio profissionais. Há muitas associações que não têm em dia as suas obrigações, não têm quotas em dia para todos os associados (mantêm associados cujas quotas não estão em dia), não têm a contabilidade em dia, não fazem as assembleias gerais, não elegem órgãos socais, etc. uma grande parte não desenvolvem ações ou fazem-no de forma incipiente, em prol dos objetivos estatutários

4. Defendo que fosse obrigatório por lei que as associações tivessem de comprovar anualmente as suas obrigações legais (contabilidade, recebimento das quotas dos sócios, etc.)

5. Na minha opinião, as associações deveriam estar organizadas em federações e só estas deveriam ser recebidas pelos responsáveis políticos de topo do Ministério da Agricultura.

6. Os serviços a prestar pelas associações ao Estado Português deveriam ser objeto de concurso público com duração superior a uma legislatura com o objetivo de tornar o sistema associativo mais independente da conjuntura política de momento e consequentemente, mais eficazes na defesa dos interesses sócio profissionais dos agricultores.
  

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