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domingo, 6 de março de 2016

Crise do leite

Comunicado da  Direção da APROLEP Associação dos Produtores de Leite de Portugal: 

MARKETING DIRETO dos PRODUTORES DE LEITE CHEGA A LISBOA!

Em Lisboa, no próximo domingo, entre as 15h30 e as 17h00, um grupo de produtores de leite, com suas famílias, vai contactar diretamente os consumidores, em nova ação de marketing direto, à porta do Centro Comercial Vasco da Gama, para abordar diretamente os consumidores de forma a promover o leite, os produtos lácteos e todos os produtos agrícolas portugueses.
Como temos vindo a denunciar, a situação dos produtores de leite agrava-se a cada dia que passa, devido à manutenção de preços ao produtor claramente abaixo dos custos de produção, o que provoca atrasos de pagamento a fornecedores e aumento das dívidas junto do banco. Muitos produtores estão agora a abater animais para reduzir drasticamente a produção, porque a indústria que lhes transforma o leite não consegue exportar nem vender no mercado interno.
Temos de lembrar, até que a voz nos doa, que somos obrigados a reduzir a produção e vender leite ao desbarato enquanto Portugal importa quase 500 milhões de euros em produtos lácteos, dos quais 300 milhões em queijos e iogurtes. Daí o nosso apelo a consumidores e superfícies comerciais para a substituição das importações de sobras de leite da Europa por leite e produtos lácteos nacionais. 
Fazemos um especial apelo ao setor de hotelaria, restauração e cafetarias, para resistirem à tentação de utilizarem queijos ou sucedâneos de queijo importados na elaboração de sandes, tostas mistas e todo o tipo de alimentos confecionados. Pedimos aos consumidores que exijam produto nacional, com o símbolo (PT), na manteiga e outro tipo de entradas servidas nos restaurantes.
Voltaremos à rua as vezes necessárias até que o Governo Português faça alguma coisa de concreto para defender a produção nacional, na identificação da origem dos produtos lácteos vendidos em Portugal, no esclarecimento dos consumidores sobre as qualidades nutritivas do leite, na ação diplomática em Bruxelas (para regular o mercado desregulado pelo fim das quotas e resolver a crise com a Rússia) e na ação diplomática no resto do mundo mobilizando as embaixadas portuguesas para ajudar à exportação dos produtos lácteos portugueses. Precisamos também aí de uma atitude cada vez mais dinâmica da indústria nacional na promoção do leite, na investigação e desenvolvimento de produtos lácteos de valor acrescentado. Sem uma ação rápida do Governo, da Indústria e Distribuição não será possível acudir à agonia atual da produção de leite português. A Direção da APROLEP"

Comentários:
1 . Parece-me extremamente positiva a ação do marketing direto embora me pareça que deveria ser pelo menos em 20 locais por fim de semana, envolvendo a maioria dos produtores de leite cujo número é de alguns milhares para mostrar quão dramática  é a quebra de casf flow (na realidade é)  tendo como objetivo gerar uma verdadeira onda de consumo de produtos lacteos nacionais levando tal como acontece com os vinhos, que os consumidores prefiram produtos da origem Portugal.
2. Creio que a indústria deveria reconverter a sua gestão e contratar um lider operacional e respetiva equipa, alguém das multinacionais com provas dadas nos EUA, Nova Zelândia, etc. com sucesso ao nível da indústria e do negócio dos produtos lacteos para fazer a revolução no sentido de passar o negócio do leite UHT para os produtos lacteos de alta rentabilidade. Além da motivação do consumidor para comprar português é necessário que a industria nacional, tal como fizeram os industriais de sapatos e textil, a industria se reconverta para o designio da exportação competitiva. Claro que é fácil indicar o caminho, difícil é ter sucesso nessa trajetória, a minha experiência de vida indica que o primeiro passo é acreditar que se pode ter sucesso, o segundo passo é começar a trabalhar para se ter sucesso, o terceiro passo é ser perseverante no trabalho para o sucesso (a perseverância é o combustivel do sucesso), o quarto passo é fazer tudo e mais alguma coisa para se ter sucesso (muitas vezes a sorte favorece-nos porque tentamos mais uma vez, com uma nova estratégia que era louca, porque nunca tinha sido implementada, a probabilidade de dar resultado era muito baixa (não me canso de repetir a história da Nova Zelândia como país e da fileira dos seus kiwis, estiveram falidos, assumiram que podiam ter sucesso, fizeram reconversões profundas, assumiram soluções que normalmente não seriam implementadas, colocaram nos seus objetivos que tinham a ambição de serem os melhores, gerarem alta rentabilidade nas suas atividades, trabalharem arduamente para esses desideratos e conseguiram-no)).
3. Se a APROLEP e os produtores pretendem que a industria, o canal HORECA e a distribuição portuguesas apostem realmente nos produtos portugueses além do apelo público, terão que os abordar um a um, mostrando a importância da Vossa proposta, o quão dramático e concreto é o problema dos produtores porque não sendo o caso, muitas vezes fica a ideia que se trata de estratégias para captar apoios públicos. Deverão por a comunicação social a acompanhar o final de cada reunião para mostrar aos consumidores a importância do problema que Vos obriga a bater a todas as portas para encontrar soluções e desta forma o consumidor, o cidadão português perceba que é real e necessária a sua mudança de atitude no ato da compra. Parece a quem analisa a situação fora da fileira que o problema não é muito grave porque não mobiliza os seus players de forma sistemática e continua ao longo de largos períodos de tempo tendo como objetivo ações que possam gerar caminhos e soluções . Parece haver resignação perante a situação, falta de acreditar que esta fileira irá dar a volta e ter muito sucesso financeiro e económico. Estarei errado na minha análise?
4. O governo deve ser pressionado para fazer a sua parte na melhoria da legislação para melhor identificar a origem da matéria prima e dos produtos lacteos, na busca de soluções de âmbito europeu junto da Comissão Europeia, etc. Mais importante é identificar nas condições atuais qual a melhor estratégia para a produção ser competitiva a médio prazo. No entanto, creio que os produtores /industriais deveriam ser eles a contatar as Embaixadas portuguesas pelo mundo para identificar novos mercados e destinos para os produtos lacteos nacionais.             
5. Na minha opinião há pelo menos oito anos que se sabia que este problema poderia colocar-se e não é de conhecimento público que, quer da parte dos governos, quer da parte dos produtores e das suas Organizações, quer da parte da industria, tenha sido feito um estudo, um plano estratégico, uma ação de benchmark sobre as melhores práticas internacionais ao nivel da produção e da industria que pudessem ser recomendadas e implementadas em Portugal. Para mim, o modelo estratégico da produção de leite deverá ser estudado de forma rigorosa tendo em conta a produção competitiva, assente no abaixamento dos custos de produção, no incremento da dimensão das explorações, parte delas provalvelmente terão que ser deslocalizadas, na distância das explorações às fábricas e destas aos locais de consumo, etc, mas também ao nivel da industria, posicionando-a nos produtos alternativos ao leite UHT, novos produtos, novos mercados sobretudo de valor acrescentado. Defendo  que o setor cooperativo do leite deve negociar ruma linha de crédito a 20 anos para reconversão da produção e da industria
6. Na minha perspetiva quem compete são os empresários, os lideres cooperativos, os lideres associativos e estes se buscarem serem mais competentes, mais massa critica, mais conhecedores do que se passa a nivel mundial, enfim..mais lideres efetivos, tenho a certeza que esta fileira sairá mais forte desta grande borrasca dos dias de hoje.
7. Parece-me que se não forem construidos caminhos como os que aqui indico e outros, iremos caminhar para soluções radicais como aquela que me dizia há dois atrás um produtor de leite, solução esta que não defendo, "iremos aos supermercados que comerciliazarem produtos lacteos estrangeiros, encheremos carrinhos de compras com centenas de produtos incluindo frutas e legumes, talho, peixaria e charcutaria, etc. abandonamos os carrinhos de compra junto às caixas e sairemos da superfície comercial. Só paramos quando não tiverem à venda leite e iogurtes de origem estrangeira"         

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