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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Coisas que nunca deverão mudar em Portugal

Merece reflexão este post que publiquei em 2010:

O embaixador britânico em Portugal, Alex Ellis, antes de deixar o posto, publica no jornal Expresso do Sábado 18 de Dezembro de 2010, um artigo com o titulo deste post. Não resisti a escrever sobre o assunto porque me identifico com o descrito: começa por recorrer a "Os Maias" de Eça de Queiróz, o livro que mais admiro, para descrever a atitude dos portugueses sobre o nosso próprio país e de seguida enumera "dez coisas" boas que Portugal possui e que "espera", espero que nunca mudem em Portugal.
A n.º 8 é a mais fantástica, vou descrevê-la: "Mulheres. O Adido de Defesa da Embaixada há 15 anos deu-me um conselho:"Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher".Concordei tanto que me casei com uma portuguesa". Se tenho algum sucesso na minha vida deve-se à minha mulher, irmãs, cunhadas e às minhas colaboradoras na Espaço Visual, na LIPOR, APK, etc. Sempre acreditei e assumi que as mulheres portuguesas estão melhor preparadas para enfrentar e resolver de forma pragmática os problemas que se nos deparam.

Comentários:
1. Tenho grande admiração pelos "Os Maias" de Eça de Queiroz porque descrevem muito bem a sociedade portuguesa há quase cento cinquenta anos, nos seus tiques e limitações, as quais ainda continuam actuais, Para mim esta descrição escrita serve para termos consciência das nossas limitações como portugueses  e fazermos tudo o que esteja ao nosso alcance para as ultrapassarmos. Na minha opinião o ex-embaixador britânico enquadra-se no perfil de português culto. 
 

2. Acredito na regra n.º 8 enunciada pelo ex-embaixador britânico porque passados todos estes anos continuo a verificar que as mulheres são as responsáveis neste país, concluírem com sucesso processos complexos e de difícil execução.


3. Acredito que nos próximos anos as mulheres irão liderar Portugal e que o país irá ser diferente e mais desenvolvido porque as mulheres têm perfil psicológico e de actuação estratégica em linha com os desafios da sociedade de hoje. 

Artigo Publicado no Jornal de Negócios 2017.09.05


A defesa da floresta
nos programas autárquicos

José Martino
Consultor e empresário agrícola

A um mês das eleições autárquicas, aguardo com expectativa e curiosidade ver quais os candidatos que colocam nos seus programas medidas de prevenção e combate aos fogos florestais.
E esta minha curiosidade não se esgota nos concelhos onde os fogos foram mais mediatizados e intensos este Verão, a começar pela tragédia de Pedrogão Grande, passando por diversos concelhos do Norte, Centro e Sul do país.
Como está à vista de todos, este não é um problema de um concelho ou de uma região. É um problema nacional, porque todos estão sob a ameaça de poderem ser confrontados com um fogo florestal de proporções mais ou menos dramáticas.
Isso acontece porque Portugal negligencia há décadas a defesa da florestal. Os fogos florestais não são uma inevitabilidade todos os Verões. É preciso, por isso, elaborar um plano estratégico para a floresta em cada concelho do nosso país.
Lanço agora este alerta não só porque quero ver a preocupação de cada um dos candidatos autárquicos, mas porque é agora que se tem de atuar para começar a prevenir os fogos do próximo Verão.
Nos últimos dias, tenho sido abordado por muitos candidatos autárquicos de diversos concelhos para os ajudar a formular um programa de ação neste sentido. A todos respondo que as minhas ideias e propostas estão desde há muito no espaço público e estão a serviço de todos. Utilizem-nas!
Para já, deixo aqui um conselho aos próximos presidentes de câmara eleitos: apliquem já a legislação em vigor para, em conjunto com as entidades competentes na matéria, proteção civil, bombeiros, forças de segurança, técnicos municipais e florestais, proprietários de terras, etc., elaborem um plano de “fogo controlado”, a concretizar neste Inverno, com o objetivo de prevenir os fogos do próximo Verão.
O “fogo controlado” garante a preservação da floresta, diminui a massa combustível, compartimenta as parcelas de terreno florestal e garante a descontinuidade na propagação dos fogos.
Esta medida de prevenção e combate dos fogos é o único instrumento de curto prazo para a defesa da floresta contra os incêndios, pois os demais instrumentos da reforma florestal têm efeitos a médio e longo prazo.
Outras das medidas que gostaria que constasse dos programas autárquicos era a promoção do arrendamento de terras florestais por parte da Câmara Municipal, o chamado Banco de Terras Municipal, garantindo ao proprietário a sua renda (juros do capital fundiário, terra) e a devolução em estado de uso melhor. Assim se colocam terras sem gestão florestal ao serviço da riqueza de um concelho, colocando-as através de aviso público de atribuição de subarrendamento, nas mãos de quem tem vocação para a exploração florestal (e.g. Banco de Terras de Guimarães) Aqui chegado, proponho uma medida de que pouco ou nada se tem falado: a escola de pastores. Para diminuir a massa combustível instalada na floresta, deve-se tirar partido dos pequenos ruminantes, ovinos e caprinos. Para a sua gestão pecurária e preciso players com competêncas para os explroarem. Preconizo que sejam as autarquias a avançarem com escolas municpais de pastores para dentro de 1 ano as ovelhas e as cabras estarem no terreno a controlar a vegetação rasteira florestal.
Este plano de ação municipal de combate aos fogos deve ainda prever medidas de identificação das infraestruturas existentes ao nível da rede primária e secundária de combate aos incêndios. Isto passa, ainda, pela formação dos munícipes para esta atuação, da colocação no terreno dos kits de 1.º combate em viaturas 4x4, pertencentes a Instituições Públicas (e.g. Juntas de Freguesia, Câmara Municipal, etc.) e privadas (associações florestais, particulares, etc.) os quais disponibilizam os veículos na época de maiores riscos. A implementação deste plano garante a 1.ª intervenção no tempo máximo de 10 minutos após a detação da ignição e o controlo do fogo na meia hora seguinte.
Outra das medidas será avançar com um sistema de vigilância humana e tecnológica que garanta a deteção imediatamente após a ignição, bem como o alerta rápido e atempado das ignições e a respetiva comunicação aos meios operacionais.
Este é o meu contributo com medidas concretas para os programas eleitorais autárquicos, com o objetivo de defender,  preservar e valorizar a floresta, como recurso nacional valor económico único, produzido em Portugal sem recurso a importações, que tem valias nas vertentes turística, ambiental e paisagística, que garante qualidade de vida das populações das regiões mais deprimidas.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Visita de estudo a explorações agrícolas do Baixo Tâmega

Será no próximo dia 26 de setembro, que irá acontecer uma nova sessão de trabalho, em que será realizada uma Visita de Estudo a quatro explorações hortícolas e frutícolas do Baixo Tâmega.
Inscrição gratuita, participe!

Inscreva-se aqui: https://goo.gl/forms/IkHlHBkVN2mKHqQ13

Ver programa em: https://www.facebook.com/foodclusterevolution/photos/a.728192844013155.1073741828.727579207407852/863300983835673/?type=3&theater

Irei animar e coordenar esta ação pirmeiro entre produtores do Baixo Tâmega (visitas a explorações agrícolas de hortícolas, cogumelos, mirtilos, kiwis arguta) e em segundo lugar a todos aqueles que se queiram juntar nesta jornada de animação de campo, mesmo que não sejam da região até se completar a lotação do autocarro.

Este evento serve para conhecer empresários de cada uma das atividades indicadas, oportunidade para os empresários do agroalimentar do Baixo Tâmega se conhecerem e por último, criar confiança para melhorar as formas de cooperação entre parceiros.

Cronica de Radio

Ha uns meses atras desenvolvi uma cronica semanal para a radio RCI de Viseu a convite do jornalista meu amigo Jose Luis Araujo.

Publico aqui o texto de uma dessas cronicas. Apesar do tema nao ser agricola tambem se aplica aos players do mundo rural e agricultura.

Revolução cultural em Portugal
Retomo a linha de pensamento que venho abordando neste espaço de crónica radiofónica semanal, a qual foi interrompida na última semana para focar tema dos incêndios florestais, tema este que infelizmente se colocou no topo da atualidade, faço-o retomando a questão que vos deixei para reflexão há duas semanas atrás: O que mudaria nos indivíduos e na sociedade de Portugal se cada um de nós cidadãos assumisse transformar-se através do incremento e subida do nosso nível cultural? 
Na perspetiva da pergunta, a principal característica da cultura é uma atitude e esforço de interpretação pessoal e coerente da realidade familiar e da sociedade, elevando o individuo o respetivo conhecimento, argumentação e aperfeiçoamento. Leva a aumento da exigência global da pessoa consigo própria e com os outros e a uma justificação satisfatória, sobre a envolvente mais próxima ou mais distante, sendo um mecanismo adaptativo, que consiste na capacidade de responder ao meio de acordo com mudança de hábitos, mais até que possivelmente uma evolução biológica.
Pretende-se com este incremento do nível cultural fazer um mecanismo cumulativo que se estenda ao número máximo de elementos da sociedade atual, modificações estas no tecido social que possam alastrar à geração seguinte, que esta transformação faça perder e incorporar outros aspetos que melhorem a vida nos próximos anos, assim como nas novas gerações.
Apesar de a cultura ser um conceito que está sempre em desenvolvimento, pois com o passar do tempo ela é influenciada por novas maneiras de pensar inerentes ao desenvolvimento do ser humano, é preciso acelerar o processo através da interpretação pessoal e global, o que se faz pelo incremento da ligação a um esforço de informação, estudo e reflexão, no sentido de aprofundar a posição adotada de modo a poder intervir em debates, sejam estes mais ou menos formais ou informais. Esta dimensão pessoal da cultura, como síntese ou atitude interior, é o caminho indispensável ao progresso mais acelerado da sociedade portuguesa. Esta evolução de cada de nós, repercutir-se-á na evolução da comunidade seja no conjunto de ideias, comportamentos, símbolos e práticas sociais, podendo vir a ser representada pela literatura, música, arte, dança, etc., bem como influenciar a cultura popular nas suas crenças, aproximando o contato entre regiões.

Defendo que esta mudança se faça pela leitura de jornais e livros, cinema, visita de exposições, etc. que se traduza no estudo, reflexão e aprofundamento dos temas da atualidade, resultando em pensamento estruturado próprio, sempre que possível escrito ou apresentado oralmente. Quando escrevemos ou falamos em público sentimos uma maior responsabilidade em acautelar os pormenores, dominar a argumentação, adquirir saber que se mantém ao longo do tempo.
Termino com a questão que vos deixo para reflexão nesta semana: Havendo uma grande unanimidade em Portugal de que o estudo, a elevação do nível cultural de cada um de nós é fator direto para elevar o nosso nível remuneratório e de felicidade, quais as causas que nos levam à inércia de não iniciar este caminho cultural de forma consistente e constante ao longo do tempo, de achar que isso é para os nossos filhos que o irão fazer na escola e na universidade? Porque será que Portugal não tem tido a capacidade para fazer desaparecer este preconceito que existe na sua sociedade há pelo menos duzentos anos, a mudança cultural se faz-se na geração seguinte através da escola?
Tenham uma excelente semana!   

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Agricultura de Precisão - Dicas sobre agricultura www.espaco-visual.pt


A agricultura de precisão insere-se no âmbito mais lato dentro da agricultura digital, esta está e irá revolucionar o modo de fazer agricultura fazendo que sejam geridos os múltiplos e complexos pormenores seja na atividade vegetal, seja na atividade animal.  

É importante rever a base técnica:
O conceito de agricultura de precisão está normalmente associado à recolha de dados e ao seu tratamento, como qualquer empresa, tendo em conta a forma como se faz agricultura, a sua especificidade ou seja, tendo em conta o espaço e o tempo. 

Tira partido das tecnologias de informação e comunicação na agricultura para  recolher, dados, avaliá-los, e monitorizá-los, ponto a ponto de  determinada parcela de terreno e pode ser feito, apreciado e acompanhado ao longo dos dias, meses anos. 

agricultura de precisão incide sobre a gestão dos fatores de produção, como por exemplo, sementes, fertilizantes, fitofármacos, água, etc. tendo em conta as condições de cultura,...

Continuar a ler em... http://www.espaco-visual.pt/agricultura-de-precis%C3%A3o

terça-feira, 5 de setembro de 2017

José Martino: 31 anos de trabalho agronómico


Revisito o texto que escrevi há 1 ano atrás sobre o mesmo tema (comemorei 31 anos de trabalho no passado dia 1 setembro):
Sinto missão cumprida ao fim de 30 anos de trabalho agronómico em prol das agriculturas de Portugal, kiwi, pequenos frutos, frutos secos, empreendedorismo de sucesso e dos negócios da agricultura 

Estou empenhado em fazer da agricultura um excelente negócio para os que estão na atividade e para todos aqueles que a ela se querem dedicar. A minha visão, experiência, conhecimento, abertura à inovação, permitem-me elencar as estratégias que se podem  promover e que podem levar à criação de riqueza, emprego, valor acrescentado.
Portugal tem condições que lhe permitem chegar a país desenvolvido ao fim de uma década porque possui cidadãos competentes, formados e capacitados, capital disponível, fatores de produção disponíveis e baratos, tecnologia, fatores estes que nunca foram tão favoráveis em nenhum período temporal ao longo dos muitos séculos da nossa vida coletiva. 

O que falta?
Visão coletiva, liderança com marcação de objetivos coletivos a cinco e dez anos sua história, congregação de vontades para gerar massa critica que interrompa o ciclo de quase duzentos anos de autofagia política.
Como fazer?
Cada um de nós cidadão de Portugal tem de cumprir o seu destino de vida, o que está ao seu alcance e sua vocação, tendo como objetivo lutar por atingir os seus ideais, melhorar a sua vida pessoal e consequentemente, a vida coletiva será muito melhor.
Aqui fica um resumo do meu contributo:
1 - A minha ação passa por conhecer o que de melhor se faz em Portugal e no estrangeiro, ao nível das tecnologias e metodologias de gestão agrícolas, e dá-lo a conhecer todos os empresários interessados. Neste sentido, promovi a organização de um vasto conjunto de eventos ao longo dos anos, com maior incidência nos últimos, e irei continuar na busca de inovação, muitos destes novos eventos  irão ser anunciados, quer neste blogue, quer no sítio na internet e facebook da Espaço Visual, quer no meu facebook pessoal
2 - Registo com agrado que neste último ano este blogue serviu para prestar um serviço de interesse público na divulgação do empreendedorismo na agricultura e na promoção da criação de riqueza.

3 - Batalhei e dei o meu contributo para que as agriculturas de Portugal se desenvolvessem e os agricultores sejam pessoas mais prestigiadas pela sociedade pelos artigos que escrevi para jornais nacionais, regionais, revistas técnicas, conferências e workshops em que participei.

 4 - Resumo da minha atividade profissional:
Iniciou-se no dia de 1 de Setembro de 1986, primeiro dia de trabalho remunerado, como engenheiro agrónomo, a trabalhar na "FENAGRO - Federação Nacional das Cooperativas Agrícolas de Aprovisionamento e Escoamento de Produtos, FCRL", tendo por base o apoio de um estágio ao abrigo do Programa "COOPEMPREGO" com o qual o Instituto António Sérgio apoiava a integração de Quadros nas Cooperativas (o setor cooperativo atual precisa de um programa especifico de apoios contemplando um dos eixos num Programa, espécie de Coopemprego ajustado à realidade do tempo atual). Nesses 6 meses de estágio e nos 2 anos seguintes na UCANORTE - União das Cooperativas do Noroeste, CRL, aprendi muito sobre o mundo das relações do trabalho, da realidade cooperativa na agricultura portuguesa, da sua importância estratégica e sobretudo, ganhei competências técnicas sedimentando as teorias que aprendi no ISA. Passei 6 dos melhores anos da minha vida na Kiwi Sol, fiquei a saber os custos pessoais, financeiros e sociais da montagem de uma empresa desde a concepção da ideia até à fase cruzeiro do negócio. E desde 1994 que fui free lancer na consultoria agro-rural e nele sou empresário. Desde esse ano e até abril de 2014, fui consultor da LIPOR na área da compostagem, colaborador de uma das pessoas mais fascinantes que conheci como estratega, inovador, político e líder empresarial, o Dr. Fernando Leite, o seu administrador-delegado (vale a pena analisar o sucesso da LIPOR ao longo de mais de 25 anos, bem como as causas do seu pioneirismo).Fui e sou um micro agricultor. Nos últimos anos tenho apostado fortemente na atividade empresarial ligada à consultoria para os agentes do mundo rural.

Sou um apaixonado pela fileira do kiwi, pequenos frutos e frutos secos, e pelo mundo que ela envolve, mas sou sobretudo um defensor dos agricultores profissionais que pagam com o seu esforço as limitações estruturais de uma atividade que os políticos relegaram para muito acessória na economia portuguesa.

Assumo que a cidadania é pilar básico da vida em sociedade, não aceito a cobardia (choca-me que uma grande parte dos meus comentadores neste blogue o faça sob a forma anónima) de não "chamar os bois pelos nomes", dizer o que está mal e o que está bem, com o objetivo de fazer melhorar os sistemas, independentemente de no futuro vir a criar problemas pessoais.

Bato-me por um associativismo forte, organizado e eficaz como aquele que pratiquei enquanto presidente da direção da APK – Associação Portuguesa de Kiwicultores, assim como por um Ministério da Agricultura que seja a fonte dos melhores quadros técnicos para conduzir e apoiar a liderança política de momento que é responsável pelos destinos da agricultura portuguesa (sou um feroz opositor da estratégia seguida por vários governos de há muitos anos a esta por parte que são responsáveis pelo esvaziamento dos técnicos e do património do Ministério e das Instituições por ele tuteladas).

Acho que os media são um pilar básico de liderança na mudança da economia e sociedade portuguesas e neste sentido, sou colunista e articulista de diversos orgãos de comunicação social.

Quero deixar aos meus filhos a herança do exemplo e da memória de uma vida plena de 3o anos de trabalho agronómico, de realizações, de sucessos, de muitos sacrifícios, de alguns insucessos, de persistência na busca de soluções sustentáveis, de entre-ajuda com quem me cruzei, sobretudo aqueles que precisavam, acreditaram e trabalharam para fazer melhor e diferente, uma escola de técnicos e agricultores com quem colaborei, ajudei a formar e melhorar os respetivos negócios.

Um agradecimento a todos, aos que tiveram sucesso e aos que fracassaram, aos que comigo trabalharam, aos meus amigos, amizades que foram lapidadas pelo tempo, aos de longa data ou aos mais recentes, uma referência especial às equipas de meus colaboradores nas diversas empresas que materializam os meus sonhos e muitos dos meus idealismos, mas mais que tudo concretizam os seus sonhos e apostas de vida e por último, um agradecimento muito especial aos meus sócios, parceiros e gestores dos diversos negócios.

domingo, 3 de setembro de 2017

Artigo Semanário "Vida Economica" 2017.09.01

Parados no tempo*


O tempo de férias é um tempo que aproveito para fazer uma revisitação daquilo que escrevi no passado. Espanto-me por, a maior parte das vezes, constatar que parece que foi escrito ontem, tal a sensação que nada mudou. Portugal é um país fantástico mas ao mesmo tempo estranho.
Descobri uma reportagem escrita há mais de 7 anos, em 22 de agosto de 2010 pelo famoso jornalista Adelino Gomes e publicada no jornal PÚBLICO.
Nela se falava de uma petição online que fez caminho e levou o BE a elaborar um projeto de lei que levou ao Parlamento.
O tema era o ... Banco de Terras.
Com a devida vénia, transcrevo partes dessa reportagem, que continua atual.
"Com um emprego que muitos invejariam numa multinacional, Sílvio Matos, nome fictício, não é agricultor. Ainda. E ainda não é porque, um ano de tentativas depois, ainda não encontrou quem lhe arrende por dez anos uns hectares de terra onde se possa lançar num projecto agrícola voltado para a exportação.
Na última porta a que foi bater, conta, o dono do terreno consultou um amigo "empreiteiro" e acabou a pedir uma exorbitância pelo arrendamento. Entre outros motivos, o medo de ficar preso a um contrato e a expectativa de um negócio fácil na área imobiliária levam proprietários a preferir ficar com as terras paradas, o que nem sequer é penalizado. E esta paralisia, "estranha num país em crise", fértil em terras abandonadas e no qual se volta a falar da importância da agricultura para a economia, levou José Martino, um conhecido consultor agronómico do Norte do país, a lançar na Internet uma petição a insistir numa proposta que, com muitas nuances, tem vindo a ser feita desde o 25 de Abril: a criação de um banco de terras de gestão pública.
A história de Sílvio Matos já passou pelas mãos de José Martino. Que conhece muitos outros processos de insucesso completo, ou de anos e anos gastos em busca de terrenos que, existindo, não estão disponíveis para arrendamento. "É uma questão cultural. A posse tem muita importância, e as pessoas estão sempre à espera de uma valorização, preferindo não arrendar." Recusando modelos estatizantes, que pressupõem que o Estado compre terras paradas para as ceder a quem as queira explorar, este engenheiro agrónomo defende que seja criado em Portugal algo parecido com o Banco de Terras Galego (Bantegal), cuja experiência de quase três anos é considerada válida pelas autoridades locais, e que é um case study europeu, conhecido, por via da Direcção-Geral da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, pelas autoridades portuguesas.
Tal como na Galiza, o que José Martino defende na petição alojada em http://peticaopublica.com é que seja criado um portal "imobiliário", com todas as parcelas disponíveis para arrendamento e respectivas condições para a prática da agricultura. Condições essas previamente avalizadas pelas direcções regionais de agricultura, às quais, defende, seria dada a gestão do portal. Mas para lá do interface informático baseado em sistemas de informação geográfica e desenvolvido pelo Laboratório do Território da Universidade de Santiago de Compostela, o que distingue o projecto galego é o papel do Estado. A Junta Regional, no caso, garante ao dono do terreno que lhe pagará a renda se o arrendatário falhar e compromete-se com a entrega da terras nas mesmas ou até em melhores condições do que no início do contrato.
Se um instrumento como este existisse em Portugal, Lúcia Lopes, 38 anos, talvez não tivesse precisado de uma década para encontrar o seu primeiro terreno em Ponte de Lima, arrendado por 15 anos, mínimo exigível para a a sua aposta num projecto de produção de castanha. E Victor Araújo talvez não perdesse tanto tempo a viajar por vários concelhos do interior dos distritos do Porto e Braga à procura de terra onde expandir os seus projectos de kiwicultura. 
Sócio de várias empresas desta fileira que vem ganhando importância no sector, este empresário assume que os vinte anos de contrato que propõe é o primeiro problema negocial. "Antes de discutir o preço, esbarramos logo na questão do tempo", nota.
(...) Responsável por algumas operações de emparcelamento - conseguiram juntar 30 hectares de várias propriedades em Valença e na Póvoa de Lanhoso exploram uma área de 35 hectares, consequência destes esforços de busca nos últimos anos -, Victor Araújo considera que a baixa tributação das terras incultas não fomenta a colocação das propriedades no mercado de arrendamento/venda.
A dificuldade em encontrar terras disponíveis para arrendamento rural, a preços justos, é um entrave conhecido à expansão da agricultura no Centro e Norte do país, regiões onde à reduzida dimensão da propriedade se juntam problemas como o abandono. Problemas que a cada Verão são associados aos incêndios que, no caso deste ano, até se concentram precisamente nestas duas regiões.
As histórias de dificuldades e insucesso multiplicam-se e, mesmo considerando não ser este o maior problema do sector, o Ministério da Agricultura espera, depois do Verão, ter pronta legislação que crie um banco ou bolsa de terras, que facilite o mercado imobiliário rural.
(...) Do lado do Governo, é o próprio secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural que explica que, paralelamente ao banco de terras, estão a ser estudadas com as Finanças medidas de "desincentivo" ao abandono da terra. Medidas "imprescindíveis" para garantir a adesão de proprietários ao mercado do arrendamento rural, nota também José Martino".
Esta reportagem foi escrita há mais de 7 anos. É caso para refletir, caro leitor, não é?

*José Martino
Consultor e empresário agrícola

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Se os factos não encaixam na teoria, muda a agricultura!



Ás vezes vale a pena revisitar o passado como acontece neste artigo que escrevi em abril de 2012 para a revista AGROTEC, muitas das ideias ainda se mantém actuais e com interesse do ponto de vista político: 

Assisti ao longo dos últimos anos a variados debates televisivos sobre o desenvolvimento da economia portuguesa, das suas agriculturas e da região interior do país e a ideia que trespassa para a opinião pública é que não há ideias eficazes sobre as estratégias a implementar para, numa legislatura, colocar a economia portuguesa a crescer de forma duradoura. É comum culpabilizarem-se as causas estruturais que explicam o fenómeno, como handicap que remete o início das soluções para a geração seguinte ou no caso de problemas mais complexos para as mudanças de mentalidade a realizar no ensino básico. É comummente aceite que o sucesso levará dezenas de anos a implementar e como tal, os contemporâneos têm argumentos e alibis para não assumirem, no momento presente, os riscos de mudar comportamentos e de vida. Este preconceito traz-me à memória “Os Maias” de Eça de Queiroz, em que esta mesma discussão, com os mesmíssimos argumentos já se fazia na 2.ª metade do século XIX. Nestes mais de cento e cinquenta anos a sociedade portuguesa não foi capaz sequer de evoluir nos argumentos/práticas das melhores estratégias a aplicar, não sendo de estranhar que tenha falhado no real desenvolvimento económico e social do país. Na minha opinião, as coisas difíceis, complexas e estruturais, têm de ser decompostas em elementos mais simples, a economia portuguesa tem de tirar partido de todas as atividades que possa desenvolver de forma competitiva, tem que apostar simultaneamente e de per si, no turismo, agricultura, pesca, extração mineira, indústria, comércio internacional, serviços exportadores, etc.

Como se faz?
Não resisto a transcrever os pensamentos de Albert Einstein: "A imaginação é muito mais importante que o conhecimento, se os factos não encaixam na teoria, muda os factos”.
Imaginemos a mudança na agricultura: Em primeiro lugar, atividade a atividade, têm ser feitas ações de benchmarking a nível mundial, pois assumimos com humildade que não sabemos fazer e vamos ver como os outros países desenvolvidos fazem bem. Copiamos, não de forma cega, mas adaptando à nossa realidade mais que tecnologias, formas de gerir investimentos, pessoas e atividades. Este trabalho está a ser feito com sucesso por muitos empresários agrícolas cujo trabalho e resultados de sucesso ímpar não são conhecidos, nem divulgados como matriz e exemplo de excelente empreendedorismo. Em segundo lugar, tem que haver uma orientação política para que o crédito a conceder pelos bancos privilegie o investimento produtivo na criação de riqueza em lugar das empresas públicas, PPP, OPA’s, etc. Porquê? Os bancos preferem os negócios em que o risco é transferido para o Estado e nos quais os seus administradores estão em linha com o poder político. O que ganhou Portugal com esta estratégia? Uma pré-falência da sua economia e uma crise que tem ser combatida mais com imaginação e conhecimento comum. Ainda me lembro que em 1999, quando visitei a Nova Zelândia pela 1.ª vez, este país tinha 70 quilómetros de autoestradas, como contrapartida era um país rico, fortemente exportador, em que os bancos apoiavam como prioridade os investimentos produtivos para exportação, em que as estradas com curvas e lombas não eram impeditivas da competitividade das exportações, porque os seus produtos, sobretudo os agrícolas, tinham mais que preços competitivos, perfis e quantitativos adequados às caraterísticas da procura nos mercados internacionais. Em terceiro lugar, a agricultura pode ter a sua quota-parte no novo modelo de desenvolvimento económico de Portugal, substituindo de forma competitiva a importação de produtos agrícolas /agroindustriais ou promovendo as suas exportações, pelo menos, com o objetivo de equilibrar a quatro anos a balança alimentar portuguesa, ultrapassando o seu défice que atinge cerca de 3000 M€.

Passo a elencar algumas propostas concretas, exequíveis, sem aumento de encargos no orçamento do Estado, para mudar os factos:
a) Fazer com que o Ministério da Agricultura tramite dentro dos prazos legais os processos burocráticos que processa, se for necessário, no imediato, de forma pontual, publicar legislação para alargar os prazos, tendo como objetivo, no fim da legislatura, o seu encurtamento até ao limite que não venha a gerar sobrecustos orçamentais.
b) Colocar em ação no ministério da Agricultura “ O Provedor do Agricultor”. Figura independente que receba as reclamações dos utentes e as trate de forma justa e célere.  
c) Incrementar as economias de escala na atividade agrícola através da implementação do banco de terras, do crédito tipo habitação para a agricultura e linhas de crédito específicas para a agricultura disponibilizadas pelo banco público (é possível desenvolver a agricultura de mercado, explorando de forma sustentável os recursos que existem em Portugal com uma política de crédito equilibrada, através da CGD, de acesso fácil quer para investimento ou exploração, cujos montantes, prazos e custos estejam em linha com as atividades agrícolas) e cadastro declarativo dos prédios rústicos junto das declarações do IRS ao longo de dois anos.
d) Montar uma estratégia para combater a taxa elevada de insucesso na instalação de jovens agricultores, fazê-lo através da frequência obrigatória de estágios em explorações agrícolas de sucesso público amplamente reconhecido, acautelar o fundo de maneio das suas explorações pelos apoios públicos/bancários à sua tesouraria (através da CGD), implementar uma estratégia pública com objetivo de fazer participações no capital social das empresas dos jovens agricultores pelas agroindústrias ou entidades de comercialização das produções.
e) Priorizar no ProDeR para serem apoiados os investimentos que gerem produções no próprio ano ou ano seguinte, como por exemplo, morangos, framboesas, apicultura, floricultura, horticultura, etc., como forma de ajudar Portugal nos anos económicos mais difíceis de 2012 e 2013. 


*José Martino (engenheiro agrónomo)
Josemartino.blogspot.com

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Conselho para iniciar projecto agrícola

Boa Noite, Sr. Eng. José Martino,

Sou um jovem de 33 anos, sem formação agrícola, mas que está empenhado em mudar de vida e iniciar um projecto agrícola e queria pedir-lhe a sua opinião e alguma orientação antes de avançar para algo mais concreto. 

Passo a explicar a minha situação, os meus sogros têm um terreno no baixo Alentejo de 70ha com sobreiros plantados há cerca de 20 anos, o terreno tem uma barragem e na sua extensão passa  uma canal de rega aberto pertencente à associação de regentes mas que nós também temos acesso.

Actualmente não se tira qualquer rendimento do terreno estando este sem qualquer tipo de tratamento, a terra não é gradada a poda das árvores não é feita e alguns sobreiros estão a secar. 

Com estas condições gostaria de saber se existe alguma possibilidade de iniciar alguma actividade paralelamente aos sobreiros como por exemplo a criação de gado. Sabendo eu que o montado de Sobro é um investimento a longo prazo acho que é um desperdício não se aproveitar mais aquele terreno para outras actividades.

Grato pela sua atenção 

Com os melhores cumprimentos 

Comentários:
1. Verifique que culturas e atividades agrícolas e pecuárias existem na envolvente.

2. Tente saber  quem compra e valoriza as produções do indicado em 1.

3. Visite produtores que se dedicam às atividades com potencial para o seu terreno e vá à procura dos seus "ossos de ofício". Não descanse enquanto não souber ou dominar todos os pormenores dos negócios agrícolas que pensa vir a dedicar-se no futuro.

4. Leia a fundo este blogue porque tem imensa informação e conhecimento, mas mais que tudo conselhos sobre o modo de iniciar o seu projeto agrícola.


5. Para saber mais especificidades dos eventuais investimentos para o seu terreno, marque uma visita para o Arq. Benjamim  Machado (924433183). 

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Artigo Publicado na Edição 300 da Gazeta Rural (revista publicada no dia de hoje)

Questões sobre a fileira dos vinhos do Dão*

É meu objetivo no presente artigo contribuir para o debate e melhoria da massa critica na fileira dos vinhos do Dão. Na minha opinião e na qualidade de apreciador de vinhos, busco novas marcas, novas propostas, a região demarcada do Dão, pelas suas caraterísticas de solos, climas, castas e saber fazer dos seus players, viticultores, vinificadores e comercializadores, produz dos melhores vinhos de mesa de Portugal. A região tem potencial a longo prazo, para liderar de forma inequívoca, reconhecida, traduzida em prémios, comunicação, turismo, valor acrescentado, riqueza distribuída por toda a superfície regional, a liderança e o topo da qualidade fantástica dos vinhos de Portugal.
É minha convicção quem produz uvas terá algumas dificuldades, pelo que, a 1.ª questão que coloco é sobre a rentabilidade da produção de uvas, ou seja, quem é exclusivamente produtor de uvas, o viticultor, a base da cadeia, tem a rentabilidade intrínseca para o efeito? Tem condições e incentivos no valor como as uvas são pagas, para que o seu maior esforço na qualidade, rigor, determinação, colocadas no terreno, na parcela, na videira, se traduzem em maior valor financeiro? O empresário vitícola é suficientemente reconhecido pelos compradores/valorizadores das uvas e pela sociedade pelo seu esforço e sacrifício? Vale a pena fazê-lo? Em síntese, é negócio ser exclusivamente produtor de uvas? É uma mais valia que dá para sustentar a família de forma digna e sustentada no tempo? Ou pelo contrário, para obter a justa valorização do seu empenho o viticultor tem que ser simultaneamente vinificador, transformar-se na entidade que faz e mais do que isso, comercializa o vinho? Tem necessidade para sobreviver de se apropriar da margem do elo seguinte da fileira?
Deixo as questões para reflexão dos membros da fileira dos vinhos do Dão e da sociedade em geral: O que fazer para melhorar o negócio da produção de uvas? O mercado funciona em função da oferta e valoriza o incremento na qualidade das uvas?
Continuo com 2.ª bateria de questões sobre os restantes elos da fileira dos vinhos do Dão: será o negócio da vinificação gerador de maior margem líquida que a produção? Há equilíbrio e funcionamento de mercado entre produzir uvas e transformá-las? Ou, quem concentra as produções apropria-se de forma desequilibrada da margem financeira? Ou sendo esta última interessante, podem os players da vinificação existirem de forma autónoma o 3.º elo da cadeia, o conjunto das entidades que só comercializam o vinho? Ou é mais eficaz, gera melhor resultado económico, quem vinifica distribuir os vinhos? 
Coloco esta bateria de perguntas porque a verticalização no negocio das uvas e do vinho, fenómeno que acontece à escala mundial, que se verifica nas principais regiões vinhateiras de Portugal e representa uma incorporação da atividade dos players da fileira, isto é, à medida que o tempo passa, começa na comercialização a qual reunifica com a vinificação e posteriormente, caminham para colocar a vinha e a produção de uvas na mesma entidade, ou seja quem distribui e comercializa vinhos também os industrializa e produz, tira partido das economias de escala, das ajudas públicas, da imagem junto de mercado de serem produtores. Em Portugal verifico nas diversas regiões vinhateiras o esmagamento da margem financeira do conjunto muito alargado de micro, pequenos e médios viticultores seus fornecedores, seja na valor das produções, seja nos prazos de pagamento. Este rolo compressor não é muito notado pela sociedade porque são muito generosas as ajudas públicas à plantação de vinhas, ao desenvolvimento da fileira e à promoção internacional dos vinhos.


*José Martino - CEO da “Espaço Visual” e da “Ruris – Desenvolvimento” 

terça-feira, 29 de agosto de 2017

O que explorar nesta propriedade?

Boa tarde, Sr. Engenheiro José Martino,

Sou um jovem de 30 anos, casado e recentemente adquirimos uma propriedade de 5 hectares localizada em ... para uma vida de autosuficiência|sustentável|ecológica.

Temos poucas despesas.

A propriedade já possui árvores de fruto e com uma produção que ultrapassa as necessidades do consumo familiar ( falo de maçãs bravo-esmolfe e focinho de burro, figos, azeite, ginjas e marmelos).
Boa parte da propriedade não está aproveitada e tal dá-me alguma tristeza, pelo que penso torná-la rentável.

O que explorar nesta propriedade? Não pretendo ganhar escala, mas sim ter algum rendimento familiar e evitar ter terra abandonada.


A transformação de Ginja daria valor acrescentado?Explorar cultivares de fruta regionais?

Tal seria motivo para candidatar-me a jovem agricultor?ou será um risco desnecessário tendo em conta a nossa realidade ( uma vida simples).

A produção biológica seria a que mais se enquadra nos nossos valores.

Aguardo algumas dicas.

Atentamente, 

Comentários:
1. Amalise dentro das produções que faz na sua exploração agrícola aquela ou aquelas que estão melhor adpatadas às condições de solo e clima locais e ao mesmo tempo faça uma pesquisa de mercado, realize contatos para encontrar operadores comerciais grossistas que possam ter interesse na valorização desses produtos.

2. Defendo que deve candidatar-se às ajudas de jovem agricultor porque não há investimentos sustentáveis mesmo em pequena escala que sejam baratos. Como vai investir por sua conta, captando os apoios públicos do jovem agricultor consegue baixar o risco do investimento.

3. O modo de produção biológica é uma excelente opção sobretudo se tirar partido da agricultura biodinâmica. 

A questão é: podemos ser todos empreendedores?

A resposta é não. Para se ser empreendedor é preciso ter perfil, o mínimo de capital para o efeito ou em sua substituição uma forte ambição ou eficiente e eficaz capacidade para fazer negócio (transformar produto ou serviço em dinheiro).
Na verdade, há os que podem mas não sabem; há os que podem mas não querem; há os que não podem mas sabem e querem. São estes últimos que as Incubadoras devem apoiar no lançamento dos seus projetos agrícolas inovadores, criadores de emprego e riqueza, catapultando muitas vezes os parcos recursos próprios dos empreendedores. A banca deve olhar e apoiar de maneira diferente estes novos players que muitas vezes desesperam pelo apoio financeiro para as suas empresas “start up”.


O que fazer para apoiar os empreendedores? Criar uma rede de incubadoras de base rural de cariz municipal que incluam bancos de terras (as Câmaras Municipais arrendam terras aos proprietários, garantem as rendas e disponibilizam por subarrendamento aos empreendedores) criar com o mesmo principio do crédito à habitação (dar um imóvel como garantia para o empréstimo de muito longo prazo (20 a 40 anos) tendo como base para prestação mensal (juros mais amortização do empréstimo) a taxa  de esforço no rendimento do agregado familiar (utilizam-se como base de cálculo os valores do IRS) e avance-se para uma formação profissional eficaz.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Políticas de nova geração para as agriculturas de Portugal


1. Colocar mais 500 M€ no orçamento de Estado para 2018 com o objetivo de reforçar a componente nacional de apoio aos projetos de investimento na agricultura  e florestas o que iria desbloquear os atrasos nos pagamentos do PDR2020 em 2018 e financiar as medidas reforma da floresta (sem o reforço orçamental não haverá mudança estrutural).   Paralelamente negociar com Bruxelas que este valor não conte para efeito de défice excessivo.

2. Colocar em dia as análises, contratações e pagamentos das candidaturas de apoio ao investimento no âmbito do PDR 2020.    

3. Numa altura de escassez das ajudas devem ser utlizados critérios de atribuição de ajudas públicas ao investimento que defendam os superiores interesses públicos de Portugal, critérios a majorar em próximos concursos:
1.º)  Privilegiar os jovens agricultores: todas as candidaturas de 1.ª instalação de jovens agricultores aprovadas, obrigatóriamente serão financiadas.
2.º) Prioridade de acesso aos fundos públicos de apoio ao investimento e rendimento para explorações situadas nas regiões do interior de Portugal
3.º)  Os sócios das OP’s
4.º) A agricultura de precisão e novas tecnologias

4. Melhorar a visão dos negócios da agricultura para que a banca possa apoiar de forma efetiva aos investimentos de longo prazo 20 a 30 anos, sobretudo ao nível das plantações, melhoramentos fundiários e infraestruturas em detrimento do crédito à habitação.


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Negócio nas agriculturas de Portugal

Há um movimento positivo que consiste na melhoria dos negócios nas agriculturas de Portugal, uma maior empresarialização dos campos, uma mudança que se está a viver de forma não planeada e que vai ser estrutural a longo prazo para todos aqueles que conseguirem ao longo do tempo ter resultados que garantem a rentabilidade e sustentabilidade.

Há empresários que, mesmo sem experiência, têm perfil para gerir negócios, conseguem avaliar pessoas de forma eficaz sejam colaboradores, fornecedores e clientes, têm competências para formar e gerir equipas, coragem, liderança, capacidade de risco, etc. e este portefólio de competências é o ponto determinante para o sucesso nos agronegócios. 

As oportunidades que a agricultura está a gerar são muitas e diversificadas, há a possibilidade de organizar os pormenores das explorações agrícolas, de aprender a fazer bem ou muito bem, com todos aqueles que têm sucesso, há um conjunto de alguns produtores que no terreno são o exemplo acabado da boa gestão, verdadeiras metodologias empregues pelas empresas multinacionais para gerar valor acrescentado, líderes que devemos copiar e adaptar as boas práticas. Há um campo vasto de aprendizagem, assim sejamos humildes, resilientes, perseverantes, bem organizados e disciplinados. É um caminho pioneiro que vale a pena iniciar e percorrer, é duro mas fonte de satisfação pelo sucesso e resultados.

A agricultura moderna é o admirável mundo novo que se nos abre de par em par, é uma oportunidade, quer pela entrada de novos agentes, quer por novas competências, quer por uma nova visão. Tudo isto é corporizado nos empresários, são eles que criam e fazem os negócios florescer.. 

O Rigor do Ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos

Excerto da entrevista que o Ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos concedeu à jornalista Teresa Costa do Dinheiro Vivo e publicada em https://www.dinheirovivo.pt/entrevistas/estao-em-curso-as-duas-maiores-reformas-que-o-pais-viveu-em-muitas-decadas/ no dia 19,08,2017, pelas 8:02h.

....
Tenciona pedir mais dinheiro às Finanças para o orçamento agrícola de 2018?

Em 2016 e 2017, o Ministério das Finanças e a Assembleia da República não negaram ao Ministério da Agricultura os meios necessários, e estou certo que assim será em 2018 e 2019. A primeira prioridade é a execução dos fundos comunitários, para que possamos mobilizá-los. No caso da agrícola, com cofinanciamento nacional, são cerca de 600 milhões de euros por ano, portanto, a minha primeira prioridade foi conseguir no orçamento de 2016 e 2017 os meios necessários para a contrapartida nacional que permitam a execução plena dos fundos comunitários. Consegui, em 2016, executar 100% da dotação anual do programa, tendo em conta que em 2014 a execução tinha sido de 0% e em 2015 tinha sido também muito baixa. Primeira prioridade: executar 100% em 2016, o mesmo objetivo para 2017, que estou certo que vamos cumprir e trata-se de em 2018 de começar a recuperar os atrasos de 2014 e 2015.

Em relação ao PDR2020, há queixas de atrasos na análise dos pedidos de pagamentos. Confirma?

Há um ano encontrei o PDR completamente paralisado, não havia um único projeto contratado e posso dizer que, agora, 30 mil projetos estão analisados e neste momento contratados e em pagamento projetos que implicam um investimento na ordem dos dois mil milhões de euros e um apoio público que se aproxima dos mil milhões. Uma recuperação em ano e meio verdadeiramente notável. Admito que possam existir atrasos pontuais, mas a situação está muito perto da normalidade depois da situação caótica que encontrei.

Comentários:
1. Nos últimos 5 anos todo o orçamento comunitário disponibilizado a Portugal foi executado a 100% por ter havido contrapartida de fundos nacionais, o que corresponde a 600 M€ de apoio ao investimento (+/- 90 M€ de orçamento nacional).

2. Como as ajudas ao investimento correspondem a uma taxa média de apoio de 50% em subsídio não reembolsável, equivale a uma contrapartida de 1200 M€ de investimento realizado anualmente pelos agricultores e apoiado com fundos públicos europeus e nacionais.

3. Repare o leitor na subtileza e sagacidade política do experiente ator em causa, o que se traduz na precisão das seguintes palavras da entrevista: “…neste momento contratados e em pagamento projetos que implicam um investimento na ordem dos dois mil milhões de euros e um apoio público que se aproxima dos mil milhões”, contratados e em pagamento! Projetos contratados têm como contrapartida pagamentos no tempo futuro, nunca no presente, pois a pagamento no corrente ano 2017 o Ministério da Agricultura só pode fazer 600 M€, parecendo indiciar para os desprevenidos que se estariam a pagar 1000 M€, contrapartida de 2000 M€ de investimento, aliás este é o título da edição impressa do Dinheiro Vivo publicada no passado sábado “Capoulas Santos “Estão a pagamento projetos de investimento de dois mil milhões de euros no PDR2020””. Em conclusão, o Sr. Ministro Capoulas Santos foi rigoroso nos termos utilizados, a realidade que se passou foi outra... O leitor tire as conclusões que entender!   

Em próximo post irei voltar a comentar este excerto da entrevista 

sábado, 19 de agosto de 2017

Seca: prevenir em vez de remediar





Artigo publicado no Jornal "Vida Económica" da passada 6.ª Feira, 18 de Agosto.

No início desta semana, o ministro da Agricultura Capoulas dos Santos, veio a público afirmar que o Governo irá apoiar financeiramente os agricultores atingidos pela seca extrema que se tem feito sentir e que tem prejudicado a atividade agrícola.
Aplaudo a rápida intervenção do ministro Capoulas dos Santos, mas não pode deixar de sentir que o País e o(s) Governo(s) são geralmente rápidos a divulgar apoios financeiros mas muito lentos a apresentar soluções e a prevenir este estado de coisas, como se viu também no incêndio de Pedrógão Grande.
Não basta acudir financeiramente aos que são prejudicados. É preciso erradicar, ou pelo menos minorar com planeamento, estes prejuízos, quando ocorrem estas catástrofes.
Catástrofes, como os incêndios ou a seca, que são cada vez mais frequentes. É prevenir e não apenas remediar.
No caso da seca há dezenas de anos que se sabe existência deste problema e por isso, não estranha que em 31 de julho último, segundo o IPMA, quase 79% de Portugal continental encontrava-se em situação de seca severa e extrema, 69,6% e  9,2%, respetivamente. Por outro lado, em seca moderada estavam 16,5%, em seca fraca 4,2% do território e 0,5% estava em situação normal. A precipitação no mês de julho foi fraca, 5,3 mm (38% do valor médio). O que acho extraordinário é que não se esteja a aplicar um plano estratégico para proteger a matéria orgânica nos solos, para a utilização de regadios em todo o território nacional, bem como o uso racional da água de rega.
Na minha atividade de agrónomo de campo verifico que a maioria dos meus clientes que depende do abastecimento de água dos furos ou poços já tiveram ou têm quantitativos inferiores quando comparados com os disponíveis nos anos anteriores. Por isso, tiveram de proceder com urgência à abertura de novos poços ou furos, enquanto que noutros casos, procederam à racionalização no uso da água durante a rega (regas melhor monitorizadas, controlo da evaporação, rega deficitária (aplicar quantitativos que garantem que as plantas não morrem e obtêm-se produtividades dentro de níveis mais baixos face aos obtidos sem racionamento da água de rega, mas de qualquer modo interessantes porque determinam produtividades e qualidade que geram rentabilidade à atividade agrícola em causa, etc.)).
Este um desafio ou limitação que veio para ficar, obriga à tomada imediata de medidas com caráter de urgência para no curto prazo se evitarem catástrofes caso não haja precipitação mínima adequada até final do mês de outubro, por um lado e outras ações de médio ou longo prazo que passam entre outras, pelas ações indicadas acima relativas ao plano estratégico para combater a seca, por outro lado. Faço votos que desta vez todo o território nacional tenha os recursos necessários e suficientes para prevenir as catástrofes na agricultura, com os meios necessários em função da respetiva necessidade e limitações.

José Martino
       Consultor e empresário agrícola