Pequenos Frutos

Rui freitas disse:

"Boa noite sr. Eng;

É com enorme prazer que me dirijo ao seu blog, extremamente útil, diga-se, para lhe colocar algumas questões que dizem respeito à produção de frutos vermelhos, em particular o mirtilo, groselha e framboesa.

Antes de mais, felicito-o pelo excelente trabalho que tem desenvolvido neste blog, ajudando inúmeros jovens que pretendem tornar-se empresários agrícolas, como eu.

Tenho 21 anos e formação em Solicitadoria, mas pretendo dar início a um projecto de produção de frutos vermelhos, na zona Norte - Minho, de onde sou natural. Falo concretamente do Distrito de Braga.

As perguntas que lhe deixo são as seguintes, e depois de já ter lido centenas de artigos e de ter ponderado muito bem o que quero realmente fazer:

- acha que ainda vale a pena candidatar-me ao PRODER, tendo em conta o overbooking registado nos últimos meses?

- a produção de groselha, mirtilo e framboesa dão-se bem na zona referida em cima?

- qual a área mínima para que o projecto seja minimamente rentável? Estava a pensar entre 2 a 3 ha. Acha muito?

- qual a produçao normal de mirtilo e groselha por ha? Disse, num seu post algures, que há culturas de mirtilo a darem 30t/ha.

- como evitar a sazonalidade típica da agricultura? Ou seja, posso plantar diferentes espécies de mirtilos e groselhas de modo a obter diferentes épocas de colheita para ter trabalho todo o ano? Ou quase todo?

- conhece alguma "cooperativa", do género da mirtilusa, na zona que lhe referi em cima? Será essa a maneira mais adequada de escoar os produtos frescos?

E para terminar,

- conhece alguma "bolsa de engenheiros agrónomos"onde possa arranjar parceiros capazes de me ajudarem neste projecto?

- qual o preço de um arrendamento rural?

Como vê, as dúvidas são muitas, e muitas mais virão, há medida que vou estudando e lendo sobre o maravilhoso mundo dos frutos vermelhos, e não só.

Neste momento, e tendo em conta o estado do nosso Portugal, este será um projecto que me parece viável e sustentável a longo prazo, podendo criar, pelo menos, o meu posto de trabalho.

Espero não estar enganado nem sair defraudado, já que é algo que quero mesmo muito!!!


Com os melhores cumprimentos e aguardando resposta,
Rui Freitas (Guimarães)".

Comentários:
1 - A sua 1.ª pergunta está respondida neste blogue no post "não há fome que não dê em fartura".

2 - As culturas indicadas adaptam-se relativamente bem à região de Guimarães. Consulte a Bioberço.

3 - Os 2 a 3 hectares são a superfície ideal para começar nos pequenos frutos, embora a longo prazo terá de atingir os 8 a 15 hectares para tirar partido do seu conhecimento e da estrutura de apoio sobretudo ao nível da mão de obra.

4 - Produtividades:
a) Mirtilo: 10 a 15t/ha
b) Groselha: 10t/há

5 - As espécies e variedades que colocar na sua exploração serão função da estratégia de comercialização que adotar. Embora do ponto de vista teórico, eu concorde com a sua opinião, ter produções durante toda a campanha, na prática assisto à aposta na produção para as janelas de oportunidade dos mercados internacionais.

6 - Para valorizar as suas produções contacte a Bioberço em Guimarães porque estão a organizar uma O.P. (www.bioberco.com)

7 - Para obter ajuda na definição e implementação do seu projeto contate a Eng. Sónia Moreira da Espaço Visual (sonia.moreira@espaco-visual.pt; 917 075 852). 

8 - A renda de prédios rústicos pode variar entre os 100 e os 1500 euros por hectare e ano, conforme a exploração necessita de maiores ou menores investimentos em infraestruturas e melhoramentos fundiários.

9 - Para não se enganar nem defraudar a si próprio leia neste blogue a estratégia que o jovem deve praticar para se instalar na agricultura. Sem competências técnicas e de gestão dificilmente terá sucesso na agricultura. Terá de possuir o perfil de "levar a carta a Garcia", ou seja, conclui com sucesso os processos em que se mete, sobretudo aqueles que são muito difíceis e custosos do ponto de vista pessoal

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Enxertia em actinidia (planta do kiwi)

VALORES DE ARRENDAMENTO PARA UMA EXPLORAÇÃO NA REGIÃO DE SANTARÉM

Rentabilidade da Cultura da Vinha e Economias de Escala