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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Insucesso na instalação de jovens agricultores com apoios do ProDeR?



Sofia  Freitas escreveu:
"Já li o artigo do público e sinceramente é mais jornalismo da treta e de tratar os agricultores e a agricultura como os coitadinhos…

Gostava de saber quantos empresários conseguiam tirar um salário ao final do primeiro ano de atividade da empresa? Gostava de saber se uma pessoa que vai investir num projeto ao qual vai fazer depender a sua vida o seu futuro não será suposto que se preocupe com os canais de comercialização, ou nas atividades agrícolas essa responsabilidade é dos consultores? Realmente, parece-me que é usual uma pessoa que vai investir na metalomecânica, por exemplo, fazer depender a venda dos seus produtos dos consultores que lhe elaboram a candidatura…se assim fosse com certeza estaríamos todos na miséria absoluta e controlados por outras economias…

É uma pena que o jornalismo continue a privilegiar este tipo de discurso e que seja apoiado por dirigentes com responsabilidade sobre o assunto…

É preciso rasgar com este preconceito dos coitadinhos e demonstrar definitivamente que a atividade agrícola é uma atividade económica que visa o lucro e que a sua gestão deve assentar nos mesmos pressupostos que a gestão de qualquer outro negocio ou empresa."
 
Comentários:
1 - É muito importante o que jornal Público descreve hoje (2014.12.16) nas páginas 2 e 3 sobre os investimentos na agricultura apoiados pelo ProDeR sobretudo os que se referem à instalação de jovens agricultores. 
 
2 - Concordo em absoluto com o escrito no texto acima, o qual deveria fazer refletir de forma muito séria a jovem agricultora que aparece no artigo do Público.
 
3 - Estou 100% ao lado do ProDeR que aceita a idoneidade de quem lhe apresenta projeto ou seja, se determinado proponente submete uma candidatura com determinados pressupostos de partida e chegada, antes e após o investimento, bem como ano cruzeiro, o ProDeR aceita-os como bons,  não sendo corresponsável pelos resultados maus que possam advir no futuro pois não tem a responsabilidade de "dizer não".   
 
4 - Os problemas existem com a instalação dos jovens agricultores porque o sistema é cego, não avalia a competência de quem se candidata, aliás retenho as palavras de um alto dirigente do Ministério da Agricultura que no ano passado me disse (não ouvi dizer) "o sistema está montado para instalar jovens agricultores não para garantir o sucesso da sua instalação". Revejam o exemplo no texto acima sobre a metalomecânica e façam um momento de reflexão se o que está a acontecer na agricultura, atividades que uma grande parte da população acha que domina, acontecesse na indústria, se o posicionamento da sociedade, opinião pública e jornalistas, seria a mesma?
 
5- O sistema que defendo é a  avaliação da competência de gestão, empreendedora e técnica quem se quer instalar como jovem agricultor, através da apresentação de projeto, estágio de um ano com tutoria técnica e do chefe de exploração, e provas públicas perante técnicos do Ministério da Agricultura. Após passar no exame poderia rever o projeto e teria apoio financeiro autónomo de apoio à tesouraria (estas ideias foram expostas em artigo publicado no jornal Público há alguns anos).        
 
6 - Não aceito os exemplos apresentado pela jornalista do Público, Ana Rute Silva "... culturas como a dos mirtilos que explodiram e o que antes era um produto de nicho proliferou, com a consequente queda de valor." e o presidente da Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP), Ricardo Brito Paes "As modas, como as dos mirtilos e das plantas aromáticas, são uma grande preocupação". Na minha opinião os mirtilos são um bom negócio para quem seja profissional, os implante nos sítios certos, cumprindo os requisitos técnicos, apliquem excelente gestão da exploração e estejam ligados a organizações competentes para a assistência técnica e comercialização. Os mirtilos são dos poucos frutos cujo consumo foge ao conceito de fruto, podendo ser consumidos de forma prática, a qualquer hora do dia, dentro e fora das refeições, por pessoas de qualquer idade, dispondo bem quem os consome.   

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