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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Artigo JN "Fazemos bem" 27 abril

Texto do artigo que o JN publicou na campanha "Fazemos bem" Setor primário
 
Uma nova Ovibeja
J
osé Martino
Consultor agrícola

Vai começar dentro de dias mais uma edição da Ovibeja, uma das mais importantes feiras agrícolas nacionais. A partir de 4ª feira até dia 3 de maio, temo que os noticiários televisivos e as reportagens jornalísticas reproduzam apenas o que tem sido um hábito instalado: o desfilar de governantes para uns minutos de exposição mediática.
É assim há muitos anos. Quem tem culpa? Talvez ninguém. Os governantes encontram ali um espaço propício a passar a sua mensagem/propaganda, numa altura em que já se entrou a sério na pré campanha eleitoral para as legislativas de Setembro/Outubro. Os media, porque sabem que podem ter ali, diariamente e à mãos, primeiro ministro e ministros ávidos de dizer o que quer que seja.
E no entanto, o que ganha a agricultura e os agricultores com isso? Aparentemente nada. Se calhar a culpa está nos agentes agrícolas que não sabem ocupar como deve ser o espaço mediático para fazer valer os trunfos da nossa agricultura.
Mais do que promessas vãs de governantes, espero que esta Ovibeja, a 32º, seja marcada pela divulgação do que se está a fazer bem e muito bem na agricultura portuguesa. E sei do que falo: está a fazer coisas estruturalmente muito boas.
O aumento das exportações agrícolas, o sucesso de pequenas, médias e grandes empresas que têm levado o nome dos produtos portugueses aos grandes mercados internacionais com um sucesso extraordinário.
O que é que falta? Falta que o Governo, falando de um projeto muito emblemático, apoie e estimule através de um plano estratégico, os jovens agricultores e investidores agrícolas a aproveitar as oportunidades que o projecto do Alqueva pode trazer a Portugal.
A Ovibeja é uma feira agrícola, com uma enorme e prestigiada história no desenvolvimento rural do Alentejo e do país. Este evento alia a área da produção, da transformação, dos serviços, e é ainda uma mostra institucional e um centro de negócios.
É por isso que defendo que mais que a Ovibeja a banca e o Governo têm um papel decisivo. Os produtores podem fazer tudo bem, mas ambos, governo e banca, devem promover os business angels e o capital de risco para apoiar este empreendedorismo sério e determinado. Mas mais: o Ministério da Agricultura deve tudo fazer para tramitar dentro dos prazos legais os projetos e respetivos pagamento de ajudas ao investimento.
Copiando o slogan do JN, este é o momento para apostarmos tudo no “Fazemos Bem”. Estou certo que aprendendo com os erros do passado, e com o sucesso de quem faz muito bem no presente a agricultura não passará de moda, nem da ilusão à desilusão.

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