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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Ensino superior agrícola



Boa tarde Engº Martino

 Ao ver o título deste artigo fiquei logo com imensa curiosidade para saber a sua opinião sobre a formação no nosso país, vindo de uma pessoa com a sua maturidade profissional. 
A focalização dos cursos superiores da área agrária, supondo que se refer aos de nível superior e nãos o de nível médio (CET's) ou de carácter modular, já possuem muito na sua génese curricular inicial uma vertente virada para o empreendedorismo e menos para outras vertentes. 
Se pode ser feito mais, penso que sim, mas muito já foi feito! 
Há quase 20 anos fiz parte do conselho pedagógico da minha universidade de formação, tendo me debatido em várias reuniões de professores para a inclusão de disciplinas mais vocacionadas para o empreendedorismo, nomeadamente ao nível do marketing e gestão dos canais de distribuição. Felizmente posteriormente foi criado um módulo de especialização. Obviamente falo de uma realidade que conheço, mas penso que o mesmo se tem verificado noutras instituições de ensino.


Cumprimentos

 José Ferraz (Eng.º Zootécnico) 

Comentários:
1 - Noto a tendência, à medida que se envelhece, de considerar que a geração de técnicos à qual se pertence estar melhor preparada cientificamente que a precedente. Na minha perspetiva não há diferenças, o sucesso técnico continua a mostrar-se da mesma forma, em cada época há um pequeno grupo de pessoas brilhantes, que juntam conhecimento acima da média algumas das vezes sem o adequado ajustamento emocional, o maior grupo em número, que possui conhecimento e ajustamento emcional e o terceiro grupo que não consegue dominar e aplicar os conceitos técnicos.

2 - Creio que hoje acontece o mesmo que se passou comigo enquanto estudante universitário, não acreditava que a maioria das matérias tivesse interesse para a vida profissional, enquanto engenheiro agrónomo e por isso, não utilizei o esforço máximo para as dominar e relacionar entre si os conceitos cientificos das diversas áreas. Com o tempo e com os desafios profissionais, fui obrigado a reestudar diversos temas, se quis estar à altura dos desafios que assumi. 

3 - 31 anos depois de ter deixado o Instituto Superior de Agronomia defendo que a formação universitária agricola hoje, tendo em conta a especialização no desenvolvimento das agriculturas de Portugal,  deveria ser muito mais especializada sobretudo ao nível dos mestrados. Em conclusão, o ensino técnico e cientifico deveria ser mais exigente ao nível da licenciatura e mais ligado aos avanços tecnológicos e de gestão, ligado ao terreno, aos líderes empresariais, de Instituições públicas, associativos, fornecimento de factores de produção e serviços, etc., ao que de melhor se  faz no campo e com ele se inerliga, ao nivel dos mestrados. Defendo que após a licenciatura, antes de fazer o mestrado, deveria haver um período temporal de trabalho com duração 3 a 5 anos para criar a oportunidade da experiência pessoal, mostrar qual a área de especialização que mais motiva o técnico e sobre a qual tem mais interesse em aprofundar os seus conhecimentos.

4 - Defendo que o Ensino Universitário e Politécnico deve ter uma avaliação externa à Instituição que avalie as competências para ensinar dos professores, sobretudo os resultados produzidos pelos alunos da Instituição nos últimos dez anos e a respetiva empregabilidade. Por outro lado, não menos importante, os alunos devem autoresponsabilizarem-se pela aprendizagem, por melhor que seja o sistema de ensino, nada pode substituir a vontade de aprender.     

5 - Resposta à questão colocada: no ensino atual falta resposta ajustada aos desafios empresariais, deve ser feito um caminho de juntar as Instituições às agriculturas de Portugal, falta ao ensino dar conhecimento dos players públicos e privados, das regiões e das atividades, com o objetivo de tornar mais eficiente e eficaz o trabalho dos técnicos  no desenvolvimento económico de Portugal.


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