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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Fruystach abre sede no Fundão


|Empresa aposta no pistácio para dinamizar economia do Interior de Portugal|

A Fruystach, empresa detida por produtores de pistácio com o objetivo ser uma referência na fileira dos frutos secos, vai entrar em funcionamento na próxima 2.ª feira, 4 de janeiro de 2016, com a abertura da sua sede no Fundão, no Centro de Negócios e Serviços da autarquia.

O projeto, que se irá  transformar numa OP (Organização de Produtores), tem como prioridades criar riqueza, postos de trabalho, e dinamizar a economia das regiões mais desfavorecidas de Portugal, concentrando o foco da sua atividade nos distritos de Bragança, Vila Real, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja.

Para além disso, a Fruystach quer, ainda, contribuir para travar a desertificação destas regiões, desenvolvendo o apoio à criação de projetos agrícolas sustentáveis.

A cultura do pistácio, ainda pouco explorada em Portugal, é a adequada aos climas destas regiões mais deprimidas, com muitas horas de frio no Inverno e muitas horas de calor no Verão. 

Além disso, o negócio do pistácio tem uma grande rentabilidade, com baixo investimento e reduzidos custos de produção. A escolha do Fundão para instalação da Fruystach justifica-se por ficar no centro de gravidade do Interior de Portugal, entre Bragança e Beja.

A Fruystach está aberta a acionistas que sejam produtores de pistácio, tendo como perfil empresarial o rigor e a disciplina na sua atividade de produção, fator chave para a qualidade do produto e para a promoção da competitividade da fileira.

A Fruystach fornece aos seus associados assistência técnica organizada, assegura a comercialização das produções dos seus acionistas, através da exportação para os países da União Europeia, maiores consumidores deste tipo de produto, o que gera valor acrescentado e mais-valias para a dinamização do negócio.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Artigo Voz do Campo - Dezembro 2015



PISTACHO – Oportunidade de futuro*

A FRUYSTASCH é uma sociedade anónima detida por produtores de pistacho, instalados ao longo de todo o território nacional, cujo objetivo é obter o reconhecimento formal como organização de produtores (OP), segundo a legislação europeia e portuguesa, logo que tenha condições para a obter. Tem a sua sede na região da Beira Interior. Possui corpo técnico para assessorar agronomicamente os seus acionistas na instalação e exploração do pistacho. Fará o armazenamento, normalização, embalagem, comercialização dos frutos, valorizando-os sobretudo na exportação. A FRUYSTACH contratou a Espaço Visual, consultora agrícola, para elaboração do seu Plano Desenvolvimento Estratégico, o seu desenvolvimento técnico e para a sua promoção pública.

Segundo a FAO, em superfície, dados de 2010, o Irão é o 1.º produtor mundial com 330 000 ha, seguem-se os EUA com 85 000 ha, Turquia com 52 000 ha, Síria 38 000 ha, Grécia 5 000 há, Turquia 4 5 00 há, Itália 3 500 há, Espanha 3 500 há (hoje terá 10 500 há). Há estabilidade na oferta porque é uma cultura que cresce lentamente devido à longevidade das plantações (duram até 50 anos).
As exportações são lideradas pelos EUA com 111 000t, segue-se o Irão com 110 000t, China 40 000t, Síria 22 000t, Alemanha 17 000t, Turquia 3 000t, Espanha 950t. As exportações totais são da ordem das 280 000t incluindo os restantes países produtores de menor escala (dados relativos ao ano 2010).
As importações são lideradas pela China com 100 000t, seguindo-se a Alemanha com 43 702t, Rússia 40 000 t, Bélgica 15 000t, Holanda 14 491t, Espanha 13 016t, França 10 647t. O total de importações é de 260 000t incluindo os restantes países produtores de menor escala (dados relativos ao ano 2010).
Segundo o GPP, Portugal importou 370,4t no valor de 2,068 M€ e exportou 5,3t no valor de 0,055 M€ (dados relativos ao ano 2012).
Há forte crescimento na procura por parte da China e da União Europeia. Os dados indicam uma certa garantia de comercialização com preços de venda muito interessantes mesmo a longo prazo. O consumo irá ser aumentar de forma exponencial à medida que aumentar a oferta e os preços ao consumidor sejam menos especulativos, pois o pistacho promove grandes benefícios para a saúde na prevenção de doenças cardiovasculares e pelas suas propriedades anticancerígenas.

Em Portugal a cultura do pistacho é inovadora, tecnicamente recomendada para grandes superfícies de cultura, havendo ótimas condições de solo e clima em amplas regiões do Interior de Portugal (cultura recomendada para solos bem drenados, ácidos a alcalinos, pedregosos, baixa fertilidade. Clima continental, muitas horas de frio invernal e muito calor de verão, baixa humidade relativa atmosférica e baixas precipitações em abril, maio e setembro). Sendo a União Europeia um grande consumidor, há pouco tempo atrás, um especialista espanhol na cultura, indicou que são necessários mais 120 000 ha de plantações para satisfazer este mercado, cria uma oportunidade competitiva para os pistachocultores portugueses porque terão vantagem logística de fornecimento face aos grandes produtores mundiais. Outra mais-valia estratégica advém desta parceria entre a FRUYSTACH e a Espaço Visual, a qual aporta conhecimento técnico, tecnologias de produção, soluções de financiamento, promoção e animação da atividade e organização da produção. Para o produtor representa uma atividade sustentável económico-financeira sobretudo a longo prazo.

A FRUYSTASCH recomenda a plantação em regadio, sistema de gota a gota e fertirrigação automáticos, tirando partido do aluguer da estrutura de mecanização do olival, com plena produção ao 5.º ano, sistema de condução em vaso, entrelinha de 7 m e distância na linha de acordo com o vigor da variedade e fertilidade do solo.

A rentabilidade da cultura indica do ponto de vista médio que a dimensão mínima de plantação para instalar um jovem agricultor é de 3 ha. O valor de investimento por hectare na plantação (plantas, tutores, protetores, fertilização e correção de solo, tração, mão de obra) e equipamentos de limpeza de folhas, descasque e secagem variam de 16 500 € a 22 000 €. Acrescem os valores de construções, melhoramentos fundiários e outros equipamentos, os quais apresentam variações muito grandes em função da estruturação que a exploração já possui, ou seja, cada caso é um caso muito diferente em si próprio. A recuperação do capital investido pode ser realizado entre 6 a 10 anos prevendo-se que as plantações durem 50 anos.

A FRUYSTACH e a Espaço Visual estão a organizar durante o mês de dezembro de 2015, sessões gratuitas para divulgação e apresentação da cultura do pistacho nos distritos que apresentam maior aptidão para esta atividade: Bragança (9 dezembro), Vila Real (9 dezembro), Guarda, Castelo Branco (Proença a Nova 5 dezembro), Portalegre, Évora (14 dezembro), Beja (4 dezembro) (inscrições em www.espaco-visul.pt).
Os interessados nas visitas técnicas aos terrenos, custo de 100 euros (IVA incluído) com o objetivo de avaliar in loco as respetivas aptidões de solo e clima para a cultura (marcações: Benjamim Machado 924 433 183).      
Verificado que o terreno possui aptidão de solo e clima para o pistacho haverá uma reunião entre o potencial produtor e os responsáveis da FRUYSTACH para acerto dos pormenores do negócio, condições de integração na OP e usufruto dos seus serviços, seguindo-se a elaboração do projeto, apresentação de candidatura ao PDR 2020, investimento e exploração.
A FRUYSTACH como OP existe para promover e organizar a fileira do pistacho, criar um canal de acesso ao mercado e dar valor acrescentado às produções dos seus associados. 


Conclusões finais:
- A cultura do pistacho recomendada para os regadios do Interior de Portugal, clima continental;
- Apresenta alta rentabilidade para o produtor porque é muito grande a diferença entre o rendimento bruto e os custos de produção
- Há forte procura dos frutos para exportação porque tem propriedades antioxidantes e probióticas.



*José Martino – Presidente do conselho de administração da FRUYSTACH e CEO da Espaço Visual  



 

sábado, 19 de dezembro de 2015

"Entrar na atividade agrícola é um pesadelo"


 
"Tenho 1800m2 de estufas e depois de quase um ano a partir literalmente a cabeça em como produzir com qualidade, finalmente um dia consegue-se e depois o que acontece? Nada!!!  Não se conseguem vender os produtos e deita-se literalmente o produto pró lixo..o mercado está saturadíssimo..aconselho as pessoas deste blogue a darem uma olhada ao link http://www.linos.pt/pt/media-center/os-linos-e-primores-do-oeste e porem a mão na consciência em se querem avançar para isto da hidroponia ou não.
Antes trabalhar no Macdonalds e olhem que não é dizer pouco. Trabalhar para aquecer durante 5 anos e vender a um preço medíocre,oferecer o produto ou deitar fora para justificar o salário mínimo de quinhentos e tal euros para poder manter o que sobrou no final do projecto..as letras pequeninas dos contratos do PRODER. Atualmente verifica-se um aproveitamento das vulnerabilidades das pessoas devido á situação em que o país se encontra..inaceitável...mas compreende-se os paizinhos metem o filho na agricultura".
 
Comentários:
1- Tenho o maior respeito pelo descrito acima, o qual é normal e corrente na minha experiência empresarial: pelo menos os três primeiros anos em qualquer empresa que lanço ou start up em que participo: "são para esquecer: se há algo que identificamos/prevemos que pode correr mal, irá certamente correr muito pior, quer o que conseguimos prever, quer tudo aquilo mais incrível que seja imprevisto". É preciso muita coragem para recomeçar, muita coragem para não culpar os outros, muitíssima coragem para analisarmos o que correu mal, assumirmos os nossos erros pessoais no processo e sobretudo, determinarmos o que iremos mudar no nosso comportamento pessoal, dia a dia, falhar, falhar, tentar, tentar, tentar, melhorar....  Paralelamente, é preciso prever e trabalhar para ter o capital, "combustível dos negócios" para fazer face a estes imprevistos, seja nosso, de familiares, amigos, bancos, business angel, etc..
 
2 - Entendo como um desabafo numa fase do processo empresarial que corre mal a seguinte frase; "Antes trabalhar no Macdonalds e olhem que não é dizer pouco. Trabalhar para aquecer durante 5 anos e vender a um preço medíocre, oferecer o produto ou deitar fora para justificar o salário mínimo de quinhentos...", pois se tal for mesmo assumido, acho que a pessoa em causa nunca fez o seguinte caminho critico:
a) Analisar previamente ao investimento, se possuía ou teria potencial para vir a obter o perfil e caraterísticas pessoais de empreendedor:
- capacidade de avaliação de pessoas (prestadores de serviços, consultores, colaboradores, trabalhadores, clientes, fornecedores, etc.);
- competência para distinguir uma boa ideia de um bom negócio;
- possuir capacidade de liderança, coragem, resiliência, determinação, capacidade de levar a carta a Garcia;
- Capacidade para assumir riscos ("quem pensa não casa; quem casa não pensa")
- Objetivos claros para um investimentos: valor do salário a gerar para sustentar a família/ rentabilizar terras de família/remunerar capitais.
- Capacidade para conseguir o financiamento.
b) Fez a recolha de informação na internet e visitas a produtores e comercializadores para construir o seu conhecimento e plano de negócios sumário,
c) Contratou consultores competentes para o ajudar a instalar-se na agricultura.
d) Adquiriu competências técnicas e de gestão através da formação profissional antes do investimento (cursos de formação profissional, estágios formativos, workshops, visitas de estudo, trabalho em explorações agrícolas, etc.).
e) Registou todas as operações, praticamente hora a hora, tudo o que decorreu na fase de investimento e pós investimento na fase de exploração, incluindo análise ao mercado e aos seus operadores comerciais.
f) Fez a análise critica à informação recolhida tornando-a conhecimento a aplicar e aplicando, tirando neste exercício, partido de técnicos, colegas empresários e comerciantes dos produtos e fatores de produção, ou seja, certamente que faria as mudanças nas culturas hortícolas para outras mais rentáveis e com maior apetência pelo mercado, assim como a procura de outros operadores comerciais.

3 - Reconheço que a horticultura é uma atividade difícil e exigente, pelo que deixo aqui o meu público reconhecimento ao sucesso da Hortijales, ao seu líder, Sr. Norberto Pires, que conseguem em condições muito difíceis, na montanha de Vila Pouca de Aguiar, obter excelentes resultados decorrentes do seu pragmatismo e competência empresarial. É destes exemplos que muitos dos jovens e menos jovens que entram na horticultura deveriam conhecer e praticarem para evitarem muitos dos insucessos e os consequentes,  lamentos e desabafos que o texto acima espelha.

4 - O que sei da minha experiência empresarial é que quando as coisas correm mal sou eu o empresário que pago a fatura, seja do ponto de vista financeiro, social (sirvo de tema para a "prática do principal desporto nacional: ter prazer em falar sobre os insucessos d'outrem", pessoal (depressão)- Por outro lado também sei que para ter sucesso preciso de acreditar que o irei obter, trabalhar afincadamente praticando o indicado em 2., todos os dias tentar fazer melhor que no dia anterior e enfim, quando se tem sucesso empresarial, reconhecer que tal é o resultado do trabalho das nossas equipas, o nosso contributo para criação de riqueza e sustento da nossa família e o progresso da sociedade portuguesa.

5- Sei por experiência própria que o sucesso empresarial é resultado de muito insucesso, de muitas coisas que correram mal e das quais fomos capazes, nós os empresários, de corrigir, solucionar, alterar, recomeçar, percorrer novos caminhos sem a certeza do resultado final, mas certos e determinados a ganharmos dinheiro e obtermos sucesso.

   

Regras para instalar um apiário

"Parabéns pelo trabalho realizado. gostava de saber, se posso instalar apiários num terreno agroflorestal que está ao lado de uma zona urbana e com habitação a menos de duzentos metros."

Comentários:
1 -  Pode instalar o seu apiário desde que esteja pelo menos 100 metros de via pública ou construções em utilização exceto do próprio apicultor.

2 - A distância mínima entre apiários varia entre:
- 100 m para apiários com 1-10 colmeias;
- 400 m para  apiários com 11-30 colmeias;
- 800 m para  apiários com 31-100 colmeias.

3 -  100 é o número máximo de colmeias por apiário.

4 - Os apiários tem que ser previamente à sua implantação, licenciados de acordo com a legislação em vigor. Para obter mais pormenores para o seu caso concreto marque uma consulta com a Eng. Inês Anacleto da Espaço Visual (910 905 474)

Que atividade agrícola escolher para ter um projeto de jovem agricultora rentavel em 1,5 ha de terreno?

"Boa noite, Sr. Engenheiro José Martino.
Venho por este meio, pedir-lhe algumas informações sobre a produção de pistachos. Tenho 32 anos e alguns terrenos, do meu pai, que por motivos de saúde não os está a cultivar. Assim, juntamente com a minha irmã, temos pensado em candidatarmos-nos ao programa "jovem agricultor", de modo a rentabilizarmos os quase 3ha, mas estamos com alguma dificuldade em decidir o que produzir.
Numa 1ª fase, pensámos em ervas aromáticas, mas ao queremos um projeto para cada uma, a área para se tornar rentável, tornava-se pouca. Depois, passámos para a lavanda, mas segundo me informaram, não é rentável cada uma fazer o seu projeto.
Hoje, quando via as notícias do JN, a produção dos pistachos chamou-me a atenção, comecei a pesquisar e cheguei até ao seu blog, reparando que têm sido feitos alguns workshops. Deste modo, pretendo saber: qual a área mínima rentável; se Fafe, distrito de Braga, é aconselhável para a referida produção."

Comentários:
1 - Em primeiro lugar devem equacionar quais as culturas ou atividades agrícolas mais ajustadas para os vossos 1,5 hectares de exploração agrícola por jovem agricultora, ou seja, terão de escolher atividades intensivas cujos investimentos se rentabilizem e permitem gerar rendimentos para sustentar uma família. Exemplos: framboesas, mirtilos, cogumelos, amoras, groselhas, caracóis, porcos bísaros, floricultura, horticultura, etc.
2 - Em segundo lugar devem analisar se as Vossas vocações pessoais estão em linha com alguma dessas atividades para correrem o risco de abraçarem atividades agrícolas para os próximos 10 a 15 anos que não estejam em linha com cada uma das Vossas  aspirações pessoais. Exemplo: uma pessoa que não tenha perfil para trabalhar em ambientes confinados como é o meu caso  pessoal como estufas ou túneis, não devem trabalhar todos os dias nessas atividades sob pena de se sentirem infelizes e violentadas no seu interior.
3 - O concelho de Fafe é trabalhado pela EvBasto pelo que apresento a sugestão de pedir à Dra. Elizabete Ribeiro, consultora desta empresa que lhe faça uma visita (913801256)

Se me poder dar algumas dicas, agradecia

"Bom dia Sr. Engenheiro José Martino, vi os seus comentário no seu Blog e achei que me poderia dar alguns conselhos, então é o seguinte.

Tenho 18 anos, um terreno agrícola junto á E.N.4 no Alentejo entre Arraiolos e Estremoz que está em nome ainda do meu Avô que me pretende dar a mim, o terreno tem 8,5ha inscritos como regadio, 4 furos de água a bombear para um reservatório de água com capacidade de 129 mil  litros de água, bombas de rega instaladas para pivot, mas não tem pivot,  bomba de rega para gota a gota, apesar desta estar avariada e tem também um pavilhão agrícola com área de 260m2.  Queria me dedicar á agricultura já falei com varias pessoas mas não consigo arranjar ninguém que me indique um projeto viável. o que eu estava a pretender era no pavilhão fazer uma cuinicultura, e no terreno um regadio de milho, teria de adquirir alfaias agrícolas necessárias visto não ter nada, será que me consigo sustentar. Se me poder dar algumas dicas agradecia.

Obrigado"

Comentários:
1 - Para lhe dar algumas dicas teria que visitar o seu terreno porque nós os agrónomos tal como os médicos para fazermos diagnósticos precisamos de observar "o doente" (visitar o terreno).

2 -  Para ter uma opinião credível e integrada sobre o que deve fazer, da produção à comercialização, peça uma visita ao Arq. Benjamim Machado da Espaço Visual (telemóvel:924433183)

Se vocês me derem garantias, poderíamos trabalhar juntos

"Boa tarde Sr. Eng. José Martino,

Eu quero me instalar como jovem agricultor. Chamo me ..., tenho 36 anos, tenho o 12°ano e também uma formação como técnico superior de informática. Sou muito polivalente.

O meu projeto é instalar mais de meio hectare de mirtilo e reaproveitar 4 ou mais  estufas para a produção de cogumelos em troncos. As estufas tem a estrutura em ferro e são de uma dimensão de 800 metros quadrados cada uma. Este espaço de que lhe falo já teve também um projeto de floricultura, neste momento está tudo ao abandono. eu queria aproveitar as estruturas existentes, e são bastantes. Desde as estruturas das estufas, passando pelo sistema de rega automático, câmara de frio, trator,  etc.

Já vi que o sr. engenheiro trabalha com a consultora Espaço Visual na  realização de  candidaturas jovem agricultor ao proder 2020.

A minha pergunta é a seguinte: Depois de estar instalado como jovem agricultor, onde posso vender os meus mirtilos e cogumelos? Existem cooperativas onde podemos escoar os nossos mirtilos/cogumelos?

O meu medo é esse. Não tenho medo da produção, da instalação e muito menos de trabalhar.. Sei que tenho que fazer formações na área da agricultura e gestão agrícola, o que é normal para caminharmos na direção do profissionalismo e ter sucesso. Mas o meu medo é onde posso vender os meus produtos ( mirtilo e cogumelos ).

Queria também dizer-lhe que penso instalar 100 colmeias para ajudar a exploração agrícola em termos de encaixe financeiro. O preço do kg de mel é 4 euros o kg, visto que na minha zona é excelente para mel eu próprio gosto de apicultura, mas não queria fazer só um projeto de apicultura.

Se vocês me derem garantias, poderíamos trabalhar juntos.

Gostaria também de saber se atualmente se pode concorrer a instalação jovem agricultor ( medida 3.1.1) + investimento na exploração agrícola (medida 3.2.1). Como concorrer à estas medidas?

Se me poder responder agradecia. Eu leio muitas informações no seu blog.

Cordialmente, "

Comentários:
1 - Para ter sucesso no empreendedorismo agrícola é preciso ter o perfil adequado. Na minha opinião uma das caraterísticas principais para se tomar a decisão de investir na agricultura é ter capacidade para avaliar pessoas: consultores, clientes, fornecedores, colaboradores, colegas, etc. Possui esta caraterística?  Sabe avaliar se é credível quem lhe indica uma atividade ou comercializador? Como o faz ou que metodologia utiliza? 

2 - Se lhe indicarem os canais comerciais onde pode valorizar os seus mirtilos, cogumelos e produtos apícolas tem a certeza que irá ter sucesso e rentabilidade nos seus investimentos? Conheço muitos investidores na agricultura que têm insucesso nos seus negócios apesar de estarem ligados a bons operadores comerciais.

3 - No seu caso tem ideias sobre algumas atividades agrícolas que estão na moda e que pensa vir potencialmente a dedicar-se se aparecer alguém disposto a dizer-lhe aquilo que quer ouvir: "avance, invista, produzir é fácil, eu compro (o fulano X compra pois é bom negócio, etc. etc.)". Todos os dias tenho conhecimento de casos de insucesso na agricultura que começam do mesmo modo, pelos mesmos pressupostos que elenca na sua missiva. Existindo operadores comerciais para os seus produtos: será tão fácil, como faz crer, produzir de forma rentável? A dimensão das atividades terá influência? A quantidade por entrega no posto de receção do comercializador terá peso pela distância no tempo e custo de transporte? Faz sentido uma exploração agrícola com as três atividades que indicou nas dimensões respetivas que elencou? A implementar as ideias que tem no dia de hoje não correrá no mesmo resultado de quem investiu na floricultura?

4 - A Espaço Visual dá-lhe garantias que terá sucesso caso tenha perfil para ser empreendedor agrícola, faça a recolha de informação sobre as atividades que quer abraçar através da internet e visitas de estudo a explorações agrícolas e comercializadores,  implemente os investimentos conforme o projeto, frequente estágios profissionais, cursos, visitas de estudo, etc. tenha bom senso na gestão dos investimentos e exploração, tenha assessoria técnica na fase de exploração. Produzir bem, com o perfil de produto que o mercado quer trocar por euros, é muito exigente, trabalhoso, difícil. Quem afirma que produzir é fácil é porque não conhece a realidade dos pormenores de quem ganha dinheiro na produção agrícola. Esta é muito dura e exigente.

5 - Marque uma consulta com o Arq. Benjamim Machado da Espaço Visual porque esta dar-lhe-á os pormenores para ter sucesso com base nos seus pressupostos pessoais (924 443 183).     

domingo, 13 de dezembro de 2015

O Pistácio na revista "Voz do Campo"

Este é o artigo que publiquei na revista "Voz do Campo" sobre a cultura do Pistácio, que começa a suscitar muito interesse entre os agricultores portugueses e os jovens empresários agrícolas devido á sua grande rentabilidade, baixo investimento e baixos custos de produção.



sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Se for possível falamos sempre por esta via e não através do blog


"Bom dia Engº José Martino,

 Estou a escrever-lhe porque tenho lido muitas coisas que publica e vejo a experiência que têm na área da Agronomia.

Tenho o curso  em Engº. Agro-Pecuária, a minha família tem 7 ha de olival em modo Biológico no … e este ano foi certificado, também tenho uma casa de campo com 1+/-150 m2 de área coberta e 3000 m2 de área descoberta que também tem olival e dois poços.

Em 2016 quero fazer um projeto para Jovem Agricultor e também um projeto para turismo rural ou casa de campo, porque estou no limite de idade, tenho 39 anos.

Quero continuar na mesma com olival e em simultâneo com outra cultura ou mesmo pecuária + turismo.

Trabalho e vivo em Lisboa, a minha disponibilidade é só aos fins de semana nesta fase inicial, mas claro que terei que ter uma pessoa responsável pela parte Agrícola, mas sempre com a minha supervisão.

Agradeço um aconselhamento ao que devo fazer e quais são as ajudas.

Se for possível falamos sempre por esta via e não através do blog.”

 

Comentários:
1. Neste blogue encontra muita informação sobre o que deve fazer para conduzir o processo de investimento na agricultura de forma a obter no futuro os melhores resultados e sucesso (analisar o seu perfil e vocação para empreendedor, buscar soluções comerciais para valorizar as suas produções, etc. etc.).

2. Para a dimensão de olival que possui deverá optar por um projeto de autor, da produção à comercialização, com marca comercial própria, com animação na internet/redes sociais.

3. Na minha opinião deve optar pela agricultura biodinâmica porque é aquela que dentro do modo de produção biológico lhe garante a melhor valorização do azeite e melhor resultado para o seu turismo.

4. Tente encontrar um chefe de exploração competente porque é meio caminho andado para o sucesso financeiro do seu negócio agrícola.

5. Para aconselhamento mais eficaz para o seu caso concreto terá que contatar o meu colega, Benjamim Machado, consultor da Espaço Visual (telemóvel: 924 433 183) marcando uma consulta ou visita.

6. Como já deve ter lido neste blogue não respondo via e-mail aos e-mails e comentários enviados porque não tenho tempo para responder às centenas deles que me são endereçados por leitores do blogue. A estratégia que utilizo é responder via este blogue porque o tempo que emprego na resposta a um caso específico, serve como informação, formação e incremento de competências para milhares doutros leitores interessados nesses temas, trabalho este que faz parte do meu trabalho voluntário, da minha responsabilidade social, em prol do desenvolvimento das agriculturas de Portugal e da sua economia.    

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Venha conhecer o negócio do Pistácio: amanhã em Vila Real e Bragança


Amanhã, em Vila Real e Bragança. Depois, a 14, em Évora e no dia seguinte em Portalegre.
A Espaço Visual quer levar a todo o país e a todos os interessados, potenciais investidores e empresários agrícolas, um negócio com grande margem de rentabilidade e de sucesso: o Pistácio.
Recentemente, organizamos uma visita de estudo a explorações de pistácio em Espanha, um país, nosso vizinho, onde este negócio está em franca expansão.
Sinto-me realizado pela adesão que esta viagem teve. Espero que estas sessões públicas para apresentar o negócio do pistácio possam ter a mesma adesão. Porquê Vila Real/Bragança (9 de dezembro) ou Évora (14) e Portalegre (15)?
Porque o pistácio é um cultura que se dá bem em climas como os que existem no interior do nosso país. Além disso, é uma cultura de regadio. Com esta aposta queremos também combater e travar a desertificação do país, captando investimento para essas zonas despovoadas e esquecidas, criando riqueza e postos de trabalho.
Estou convencido que esta cultura, como disse, com uma grande margem de rentabilidade, baixos custos de investimento e de produção, vai ser um dos negócios agrícolas de ponta do futuro. Espero que compareçam a estas sessões públicas.
O programa, local e horas, podem ser consultados em www.espaco-visual.pt

domingo, 6 de dezembro de 2015

Pistácio

 
"Bom dia Senhor Engenheiro.
Antes de mais, parabéns pelo seu blog.
Gostaria, se me for permitido, de lhe colocar três questões:
- A primeira, prende-se com a rentabilidade da cultura de pistacho; será que o Sr. Engenheiro pode fazer o favor de me informar acerca da rentabilidade média por hectare?
- A segunda, prende-se com as zonas climatéricas mais adequadas para a sua cultura; será que, embora não estando mencionada nos distritos que enumerou, a zona de Alvaiázere, no distrito de Leiria, tem potencial para a cultura do pistacho?
- Por último, e não querendo abusar da sua amabilidade, poderia o Senhor Engenheiro elucidar-me sobre os valores da rentabilidade por hectare da cultura de chícharo, na mesma zona de Alvaiázere? Desde já grato pela sua resposta."
 
Comentários:
1 - A rentabilidade média da cultura do pistácio em plena produção, é superior a 6000 euros por hectare.
 
2 - As regiões com maior aptidão para a cultura, alta produtividade e excelente qualidade das produções, são aquelas que possuem frio invernal com mais de 1000 horas, pelo menos 3500 unidades de calor (verões muito quentes), humidade relativa do ar igual ou inferior a 50% na primavera e verão, baixas precipitações nos meses de abril, maio e setembro. No entanto, há novas variedades que permitem a  expansão da cultura para outras áreas porque requerem menos horas de frio invernal e não são tão exigentes em calor. A cultura requer solos bem drenados.
 
3 - À partida do distrito de Leiria não faz parte da região onde a FRUYSTACH e a ESPAÇO VISUAL irão promover a cultura, embora o pistácio poderá ser cultivado se nessa região existirem micro climas com as condições indicadas em 2.    

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Conheça o negócio do Pistacho

A cultura do Pistacho é uma oportunidade de negócio muito rentável e com futuro.
Porquê? Tem baixos custos de instalação; custos de produção controláveis; é um fruto pouco perecível;  e tem uma procura crescente por parte do mercado mundial.
O negócio do Pistacho tem um grande potencial no nosso país.
Ontem, 2 de dezembro, a Espaço Visual em parceria com a Eurosemillas, organizou uma visita de estudo a explorações de Pistacho em Espanha, um país onde este negócio está em franca expansão.
No passado dia 23 de novembro, a Espaço Visual organizou um workshop sobre o Pistacho na FIL, em Lisboa, no âmbito da Portugal Agro, com notório sucesso em afluência de público interessado.
Sexta-feira, em Beja (http://www.espaco-visual.pt/eventos/163/sessao-publica-pistacho-uma-oportunidade-com-futuro-beja-04-de-dez./), no dia 5, em Proença-a-Nova (http://www.espaco-visual.pt/eventos/164/sessao-publica-pistacho-uma-oportunidade-com-futuro-05-de-dez.-proenca-a-nova/), dia 9, em Bragança (http://www.espaco-visual.pt/eventos/165/sessao-publica-pistacho-uma-oportunidade-com-futuro-braganca-09-de-dezembro/) e Vila Real (http://www.espaco-visual.pt/eventos/166/sessao-publica-pistacho-uma-oportunidade-com-futuro-vila-real-09-de-dezembro/), dia 14 em Évora (http://www.espaco-visual.pt/eventos/167/evora-14-de-dezembro-sessao-publica-pistacho-uma-oportunidade-com-futuro/) e dia 15 em Portalegre (http://www.espaco-visual.pt/eventos/168/portalegre-15-de-dezembro-sessao-publica-pistacho-uma-oportunidade-com-futuro/) a Espaço Visual organiza e promove sessões públicas de esclarecimento sobre o negócio do Pistacho.
As informações e inscrições podem e devem ser feitas através dos links que estão indicados para cada uma destas iniciativas. A entrada é gratuita mas carece de inscrição obrigatória.
Lanço, assim, um apelo a todos os que querem investir numa agricultura mais rentável e com grande potencial de negócio. Lá estaremos para esclarecer e tirar dúvidas a todos os interessados!





domingo, 29 de novembro de 2015

Maracujá

"
Caro José Martino,
Pretendia avançar com um projeto agrícola de produção de maracujá roxo nos próximos tempos. Por isso pergunto-lhe se um terreno com cerca de 1ha no conselho de Coimbra é um bom local para ter essa produção, ou se a dimensão do terreno e o clima da região deixam a desejar. Pergunto também se a produção deverá ser feita em estufa (contornando assim o problema da localização), ou se uma produção em estufa não trás grandes benefícios para a produção do fruto em questão quando comparada com a produção ao ar livre. Quanto ao escoamento da produção, acha que será um problema? Conhece produtores na região de Coimbra, ou perto desta que possa indicar? Cumprimentos,"
 
Comentários:
1 - Na minha opinião os maracujás devem instalar-se junto à costa marítima, regiões sem geada, com temperaturas mínimas invernais que não sejam inferiores a 12.ºC.
 
2 - Para mim creio que a dimensão mínima da exploração deve ser 3 hectares.
 
3 - Coimbra salvo algum microclima existente não me parece uma boa região para a cultura do maracujá.
 
4 - As estufas não me parecem resolver o problema da geada e dos frios invernais.
 
5 - O primeiro passo que deve dar é encontrar empresa ou cooperativa que lhe comercialize os maracujás.

Tenho 45 anos. que apoios públicos ao investimento posso captar?

"Boa Noite Exmo sr. Engenheiro José Martino.
Venho por este meio pedir-lhe informações acerca de um hipotético projecto agrícola, que talvez pretenda implementar. Dados que penso serem importantes para a percepção do que desconheço e para compreensão da minha situação envolvente: - Sou um desempregado de longa data. - Qual os apoios e percentagens dos mesmos, no valor do custo total de projecto? - Pretendo, criar e comercializar uma alga. - Tenho 45 anos - Vivo com uma companheira, mas com IRS à separados. - O avô da minha companheira tem terrenos agrícolas no Ribatejo, tendo sempre sido agricultor. - É num dos terrenos do avô da minha companheira, que pretendia implementar o projecto. - Até que idade se é considerado jovem agricultor? - Os terrenos não estão no meu nome, como percebeu. - O que terei de efectuar para poder aceder a fundos comunitários para a criação deste projecto, visto não ser o dono dos terrenos, nunca ter desenvolvido uma actividade agrícola?"

Comentários:
1 - Para um projeto de investimento na agricultura pode ter um incentivo não reembolsável máximo de 50% face ao investimento elegível.

2 - Os apoios relativos para a 1.ª instalação como jovem agricultor terminam no dia em que o proponente faz 41 anos.

3 - Pode utilizar os terrenos para candidatura aos fundos públicos que apoiam os investimentos na agricultura através da celebração de um contrato de comodato (cedência gratuita) ou de arrendamento entre o proprietário (avô da companheira) e o proponente (leitor). 

Floricultura

"Boa Tarde Eng. José Martino,

Após leitura a vários comentários no seu site, e agradecendo desde já a sua disponibilidade, venho pelo presente solicitar o seu comentário ao seguinte projecto.
Temos em vista a aquisição de um terreno com aprox. 2 ha. no concelho de Braga, para a eventual implementação de um projecto de floricultura em estufa, aproveitando eventualmente alguma da área para colheita ao ar livre.
Além dos apoios que sabemos existir, gostaríamos de saber, sem carácter vinculativo, qual a rentabilidade média anual deste tipo de exploração, de modo a poder avaliar a viabilidade do projecto.
Agradeço novamente a sua disponibilidade.
Melhores cumprimentos"
 
Comentários:
1 -  Para poder avaliar a rentabilidade do projeto de floricultura aconselho-o a procurar empresas e cooperativas que comercializem as flores e avalie os preços de aquisição das flores e demais regras do caderno de encargos da sua qualidade, Deste modo pode ganhar sensibilidade para o que pode acontecer ao seu negócio a médio/longo prazo.
 
2 -  Se precisar de dados técnicos para avaliar o seu potencial marque uma consulta com a eng. Inês Anacleto da Espaço Visual (910 905 474).  

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Pistacho promovido em Castelo Branco e Beja

|Espaço Visual realiza workshops a 4 e 5 de dezembro|
A consultora agrícola líder de mercado, Espaço Visual, vai organizar em 4 e 5 de dezembro dois workshops sobre o Pistacho, reconhecido como um negócio com futuro, em Proença-a-Nova (Castelo Branco) e Beja (programa e inscrições em www.espaco-visual.pt).
Estas iniciativas acontecem depois da Espaço Visual ter realizado uma sessão de apresentação do Pistacho, na FIL, em Lisboa, durante a recente realização do Portugal Agro.
A consultora tem também programada uma visita de estudo a explorações de Pistacho em Zamora, Espanha, onde esta cultura tem vindo a conhecer uma crescente adesão. O Pistacho possui um alto potencial de rentabilidade, facilidade de
escoamento e valorização.
Recentemente, um reputado especialista espanhol
apontou a necessidade de plantar mais 120 000 hectares para suprir as
necessidades de consumo dos países da União Europeia.
A cultura do Pistacho tem especial aptidão para regiões com Invernos muito
frios e Verões muito quentes, humidade relativa baixa na Primavera e Verão,
o que corresponde ao perfil climático dos distritos de Bragança, Vila Real,
Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Alteração de data

A Visita de Estudo a Espanha será realizada a 2 de Dezembro - e NÂO a 1 de Dezembro.
Toda a informação, assim como o programa, incluída no post anterior mantém-se!

Visita de estudo a Espanha promove negócio do Pistacho

|Parceria Espaço Visual e Eurosemillas organiza evento a 1 de Dezembro|
A consultora agrícola Espaço Visual (www.espaco-visual.pt) e a Eurosemillas (ww.eurosemillas.com), grupo líder em inovação vegetal, estabeleceram uma parceria para a realização de uma viagem de estudo à cultura do Pistacho em Espanha, a 1 de Dezembro (ver programa), um país onde esta cultura tem vindo a aumentar a produção (total de 10 000 hectares, ...mais de 25% que no ano passado).
O Pistacho possui um alto potencial de rentabilidade, facilidade de escoamento e valorização. Recentemente, um reputado especialista espanhol apontou a necessidade de plantar mais 120 000 hec para suprir as necessidades de consumo dos países da União Europeia.
A cultura do Pistacho tem especial aptidão para regiões com Invernos muito frios e Verões muito quentes, humidade relativa baixa na Primavera e Verão, o que corresponde ao perfil climático dos distritos de Bragança, Vila Real, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja.
Nesta visita de estudo a Espanha os interessados podem conhecer “in loco” a cultura do Pistacho e avaliar os seus pontos fortes e pontos fracos, as oportunidades e ameaças, através do testemunho e experiência de empresários desta atividade.
Programa:
6h00* - Partida (instalações da Espaço Visual – Zona Industrial de Gondomar)
12h30 - Visita à 1ª Plantação de Pistacho
14h00 - Almoço
16h00 - Visita à 2ª Plantação de Pistacho
18h00 - Retorno a Portugal
22h30* - Chegada a Gondomar
Preço: 25€ (Refeições não incluídas)
Máximo de 50 participantes
 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Entrevista à revista "VIDA RURAL"

Entrevista/Texto retirado do website da Vida Rural.
Entrevista - José Martino

“Há falta de competências de gestão na agricultura”


José Martino - 2
O movimento positivo que a agricultura portuguesa está a viver vai ser estrutural. Há empresários que, mesmo sem experiência, têm perfil para gerir negócios e esse é o ponto determinante para o sucesso nos agronegócios. Esta é a convicção de José Martino, consultor,blogger e mais recentemente business angel na área agrícola, que fala das oportunidades que a agricultura está a gerar e do que falta para tirar mais rentabilidade da atividade.
Como é que olha esta ‘onda’ de novos investidores na área agrícola em áreas tão diversas? Preocupa-o a viabilidade futura destes novos projetos, ou acredita que é um movimento necessário para trazer inovação e modernização ao setor?
Estamos a viver um momento na agricultura que é uma oportunidade. Uma oportunidade pela entrada de novos agentes e de novas competências e também uma oportunidade, porque há uma nova visão. Claro que tudo isto vai ser feito com algum sacrifício, quem não conseguir ter sucesso nas suas atividades vai pagar a fatura…
Como em qualquer atividade económica…
Sim. A ideia que tenho dos negócios é que quem os faz são os empresários. A competência do empresário é a chave para o sucesso. No passado estávamos mais dependentes das condições naturais, quer de solos quer de clima, para a competitividade das atividades agrícolas. Hoje estamos mais ligados à competência dos empresários e à sua capacidade para misturar tecnologia com equipas humanas e com o facto de serem capazes de fazer produtos competitivos.
Ou seja, a capacidade de gestão sobrepõe-se a questões técnicas e climáticas…
Para mim, a grande limitação que existe na agricultura é a falta de competência de gestão, mais do que competências técnicas, porque essas podem ser contratadas. Já as de gestão não é tão fácil…
Esta vaga de investidores, que é muito heterogénea, já tem essas características?
Há uma parte que sim, e essa parte vai tomar conta dos que falharem. Acho que aquilo que aconteceu no primeiro Quadro Comunitário, em que desapareceram as atividades dos jovens agricultores que falharam, não vai acontecer na mesma escala. Creio que agora isso pode acontecer nos projetos de pequena dimensão, mas nos maiores aparecerão outros produtores para tomar conta…
Por aquisição?
Por aquisição, por gestão das explorações, por participação tipo business angels
Culturalmente ainda existe uma resistência que alguém venha tomar conta do meu negócio…
Isso existe, mas conheço uma empresa que foi lançada para apoiar jovens agricultores na gestão das explorações e, neste momento, trabalha maioritariamente com produtores de meia-idade, gente com capacidade financeira. Porque os jovens agricultores ainda têm a ideia de que são capazes de dar a volta e são competentes. Mas os mais velhos e maduros já olham para o negócio de outra maneira, têm as terras e a vontade de as rentabilizar, mas percebem que não têm tempo ou capacidade para o fazer e entregam a gestão.

“A agricultura está a ser vista como um negócio e temos de aproveitar.”
É uma tendência?
Sim, a agricultura está a ser vista como um negócio e temos de aproveitar.
A agricultura está também muito atrativa para quem quer investir como business angel. Até aqui a agricultura financiava-se com fundos comunitários e um pouco na banca…
E com capitais próprios. A banca sempre esteve pouco ligada ao negócio produtivo. Ainda hoje tem muita dificuldade em perceber o negócio agrícola, faz algumas operações de baixo risco, como antecipar ajudas europeias, faz uns leasings em função dos valores dos bens, mas quando se fala em financiar infraestruturas, plantações, aí as coisas já são mais difíceis. Os business angels têm a grande vantagem de serem empresários que a banca conhece e o currículo dos empresários já é uma garantia para a banca de que aqueles projetos irão chegar a bom porto. O acesso à banca fica facilitado e o preço do dinheiro baixa substancialmente. Os business angels têm também a vantagem de serem pessoas que percebem de negócios e que trazem gestão para a agricultura. E isso é muito importante, porque é preciso fazer acontecer a operação cultural certa na hora certa. É muito simples de dizer, mas é difícil de aplicar no terreno.
Parece-lhe que os business angels que vêm de fora do setor, e que olham para ele puramente como oportunidade de negócio mas que conhecem pouco de agricultura, estão preparados para um setor tão arriscado?
Um dos problemas que tínhamos no passado é que os empresários de outras áreas, quando entravam na agricultura, desenvolviam a atividade de uma forma tradicional do ponto de vista da gestão. Porque na agricultura é muito importante a experiência. Temos de formar equipas, escolher as pessoas certas, e ter a coragem de as manter durante o tempo necessário para que ganhem experiência para dominar as operações culturais. Não é uma questão técnica, é uma questão de gestão dos pormenores no dia a dia. E muitas vezes, os que vêm de outras áreas têm a tendência para mudar as equipas quando não há resultados num determinado prazo temporal. Mas não conseguem ter resultados porque falta a maturação… os ciclos da agricultura não são iguais aos ciclos da indústria ou dos serviços.
Os agricultores estão a aceitar bem este novo tipo de investidores? Como é que está a ser a sua experiência?
O nosso objetivo não é ter um número muito elevado de jovens agricultores ou outros investidores ou proprietários. O que estamos à procura é de pessoas com elevado potencial para o negócio, queremos fazer poucas operações, mas de valor acrescentado.

“O que faz a diferença são os empresários, não são as atividades, é o seu perfil. Conheço, na mesma atividade e na mesma fileira, gente que ganha muito dinheiro, gente que ganha algum e gente que perde. E às vezes são vizinhos!”
Está focado em pessoas ou em culturas?
Em pessoas. O que faz a diferença são os empresários, não são as atividades, é o seu perfil. Conheço, na mesma atividade e na mesma fileira, gente que ganha muito dinheiro, gente que ganha algum e gente que perde. E às vezes são vizinhos!
Se tiver dois empresários com o mesmo perfil, um que está numa área tradicional, como a fruticultura, por exemplo, e outro que vai entrar numa área completamente nova, como a produção de rãs, quem escolheria?
Se o negócio das rãs tivesse os canais de comercialização e valorização adequados provavelmente investiria. Compraria a estratégia comercial, essa parte para mim é importante, o acesso ao mercado.
Mas sei que não acredita que o mercado esteja em primeiro lugar…
Sim, contesto completamente isso. Hoje, no mercado, não falta nada. Se não produzirmos alguém o vai fazer. Para estarmos no mercado temos de ser intrinsecamente competitivos e rentáveis. Esta questão da atitude é determinante para o sucesso. A competência do empresário, economia de escala, e por aí fora…
Não o preocupa esta multiplicação de negócios, muitos completamente inovadores, sem organização e escala?
As pessoas estão a entrar nestas novas atividades porque são sensíveis à realidade. A realidade da agricultura portuguesa é que tem falta de competitividade. Do ponto de vista geral e ‘macro’. E como nas atividades tradicionais a rentabilidade é relativa, as pessoas agarram-se a novas oportunidades porque consideram que nas atividades inovadoras automaticamente poderão ter maior potencial…
Isso não é bem verdade…
O potencial existe, mas é preciso transformá-lo em realidade.
José Martino 5
E estão conscientes que há um mercado para desbravar e que essa parte é muito difícil?
Estão conscientes do maior potencial das novas atividades. Mas depois há a ideia de que havendo pouca quantidade o preço é alto e havendo muito o preço é mais baixo. Não comungo desse tipo de raciocínio porque depende dos produtos e a afirmação dos produtos nos mercados, hoje em dia, depende da quantidade e da regularidade da oferta. Se não se conseguir que determinado produto fique no mercado o maior tempo possível, com uma qualidade e homogeneidade que tenha força, ele não vai ser competitivo. Apostar na escassez não é bom, porque a prazo a escassez desaparece. Como se costuma dizer na agricultura só custam os primeiros 10 anos…
Onde é que vê maior potencial quando olha para estas novas oportunidades?
Quando há condições de solos e de clima para essas atividades, do ponto de vista da produção e de acesso ao mercado, quando analisamos os nossos concorrentes e trabalhamos os produtos numa lógica global, há potencial. Onde é que há mercado que valorize essas produções? E o que é que precisamos de fazer para lá chegar? Que quantidades, que regularidade de oferta, que embalagem? Isso tem de estar assegurado.
Mas tendo em consideração o que diz, quais as culturas com mais potencial?
As mediterrânicas são as culturas para as quais temos aptidão. Não estamos a inventar nada, o vinho, o azeite, os hortofrutícolas, produtos tradicionais de qualidade, quer animais quer vegetais.
Nos últimos anos assistimos a um aumento enorme da área de mirtilo, uma cultura que entrou na moda. Vamos ter más notícias em breve para a cultura do mirtilo?
Provavelmente sim, provavelmente não. O mirtilo é um caso paradigmático, semelhante ao que aconteceu ao kiwi na década de 80 do século passado, em que se discutia se se estava a plantar de mais ou de menos, se iria ter rentabilidade a médio e longo prazo ou não. A visão que tenho é esta: o mirtilo é um produto com um potencial de mercado muito grande. Se conseguir que uma criança de dois anos prove mirtilo, ela come uma cuvete inteira, até mais se tiver. Com outro tipo de frutos isto é praticamente impossível. Por outro lado, o mirtilo é um fruto do consumidor moderno. Pode ser consumido a qualquer hora do dia, antes, durante e depois das refeições e é prático: abre uma cuvete e não tem de sujar as mãos. Do ponto de vista do consumo o potencial é imenso.
Mas é um produto caro…
Os preços também vão baixar para aumentar o consumo…
Mas as contas de cultura estão feitas para preços mais baixos do que os atuais?
Sim. Mas aqui há várias considerações. Primeira questão: temos uma área grande de mirtilo em Portugal. Mas há uma percentagem muito grande desta área que está mal implantada, em sítios onde não devia estar. Segunda questão: existe outra área desta parcela, também relativamente elevada, que estando nas áreas certas está mal implantada, a preparação do terreno e a plantação foram mal executadas. Terceira componente: há plantações bem implantadas, bem feitas, mas que depois não foram tratadas nos primeiros anos, do ponto de vista da fertilização, da rega, etc.
Quando se parte para um projeto destes, que não é tão barato assim, não há um plano de ação para a cultura?
Os planos existem, mas precisam de ser executados…

“O que acontece hoje é que o mercado real é relativamente pequeno e o mercado potencial é enorme. Como é que isto se casa é o que falta explicar. Na minha opinião, o mercado vai ser de proximidade. Isto é, vamos produzir para consumir em Portugal e em Espanha.”
Mas o que é que está a falhar? As pessoas não estavam financeiramente preparadas para dar continuidade à plantação ou pensavam que era só plantar e colher?
O ponto-chave é, como falei há pouco, a gestão, é fazer a operação certa na hora certa. E muitas destas pessoas esqueceram-se que é preciso tratar, regar, fertilizar, podar… na hora certa. Para mim, seria positivo que toda esta área estivesse bem feita e em produção. Quanto ao mercado, ele vai reorientar-se e aumentar. O que acontece hoje é que o mercado real é relativamente pequeno e o mercado potencial é enorme. Como é que isto se casa é o que falta explicar. Na minha opinião, o mercado vai ser de proximidade. Isto é, vamos produzir para consumir em Portugal e em Espanha.
E não para exportação massiva, que era a ideia inicial?
Temos de olhar para o globo terrestre, perguntar, e ir à procura do mercado que está disponível para pagar mais por este tipo de fruto. Começamos por aí e depois vamos rearranjando o mercado interno. Se observar o ponto de vista dos países que são grandes produtores frutícolas, quando eles têm uma produção grande também têm um consumo interno grande. No mirtilo vai acontecer isso, a prazo a exportação e o mercado interno vão desenvolver-se paralelamente. Claro que com isto vai haver ajuste de variedades, há variedades que são desadequadas, isso é normal. Muitas vezes ficamos muito causticados porque achamos que temos de fazer logo as opções certas. Isso faz parte da vida, temos de ver estas adaptações e mudanças como positivas.
Quando falou que há projetos mal implementados, houve mau aconselhamento por parte de consultores?
Nalguns casos sim, mas as pessoas são pouco previdentes. Não estou de acordo que a culpa seja do aconselhamento, acho que quem investe é idóneo. Se tomam decisões com base em consultores que não são bons, a responsabilidade é sempre dos empreendedores, não do consultor. Para mim um bom empreendedor é aquele que é capaz de saber avaliar pessoas, quer sejam consultores ou outro tipo de fornecedores ou colaboradores. Se não tiver essa qualidade vai sempre falhar, porque alguém o vai enganar ou vai fazer as opções erradas. No fundo, o que recomendo é que se deve dedicar à agricultura quem tiver perfil para empreendedor, nesta lógica do investimento.
Mas muitas vezes há essa capacidade de gestão, mas o desconhecimento do setor faz com que se confie numa empresa de consultoria agrícola…
Cada um de nós tem de saber com quem se relaciona e que referências tem das empresas…

“Para mim um bom empreendedor é aquele que é capaz de saber avaliar pessoas, quer sejam consultores ou outro tipo de fornecedores ou colaboradores. Se não tiver essa qualidade vai sempre falhar, porque alguém o vai enganar ou vai fazer as opções erradas.”
Mas nos últimos anos surgiram imensas empresas de consultoria agrícola, a acompanhar este dinamismo…
E até comentadores de agricultura. Eu hoje já me sinto com dificuldade em falar em público ou dar entrevistas, porque vejo gente a quem nunca vi nenhum perfil agrícola, mas que percebe imenso de agricultura, mais do que nós que andamos aqui há muitos anos a pagar faturas e aprender todos os dias.
Mas há uma noção de que, neste momento, se estão a fazer projetos de forma irresponsável por mau aconselhamento…
Sim, isso existe, tenho essa perceção. Mas a velha questão de que a culpa é sempre dos outros, do Governo, da família, da escola, não compro isso. A minha prática diária é esta: quando as coisas falham a responsabilidade é minha.
Mas como consultor, não lhe parece que devia haver, no mínimo, um alerta para estas situações? A ideia que se tem é que se estão a entusiasmar as pessoas mesmo quando os projetos, à partida, não têm pernas para andar. Não sente essa responsabilidade?
Isso é o que faço recorrentemente, e passo isso aos meus colaboradores na consultoria. Repare, temos uma taxa de concretização de projetos inferior a 10%, entre as reuniões de consultoria que fazemos e os projetos que avançam. E se quiséssemos esta taxa seria muito mais elevada. Queremos que quem investe tenha sucesso, que o negócio perdure, a nossa visão não é imediatista de lucro, mas claro que a responsabilidade é de quem contrata.
Olhando para o país, e apesar de existir um grande dinamismo na zona sul devido a Alqueva, percebemos que estão a ser implementados muitos projetos no norte e interior do país, muitos deles inovadores, que não estão a ser noticiados…
A agricultura tem desde sempre um problema de comunicação. Quem faz bem, ou muito bem, não é conhecido. E é mais fácil dizermos que isto está mau e darmos atenção ao que corre menos bem do que a quem faz as coisas muito bem. Muitas vezes os empresários que fazem muito bem também são pessoas low-profile e que não gostam de aparecer do ponto de vista público. Mas penso que o caminho é por aí, a utilização dos bons exemplos como estratégia para puxar a agricultura para cima.
Mas queria realçar um ponto. Há uma parte da política pública do país com a qual não concordo: estamos a colocar dinheiro na agricultura em Portugal e isso não se repercute na melhoria da rentabilidade.
Porque é que isso acontece?
Acontece porque o sistema é cego na atribuição das ajudas. Cego do ponto de vista da avaliação da competência de quem usufrui dessas ajudas. Estamos a falar de ajudas públicas, de impostos dos europeus e dos portugueses que deviam ser melhor acautelados.
Está a falar concretamente de ajudas ao investimento?
Sim. Repare, não é porque alguém tem entre 18 e 40 anos, e que diz que quer fazer uma fábrica de sapatos, que lhe são dados milhares de euros de dinheiro público. O que é que esta pessoa sabe de sapatos, de marketing, de gestão de pessoas?
Mas, tal como disse que uma empresa de consultoria acaba por não ser responsável pelo rumo da exploração, quem atribui os apoios também tem de confiar nos projetos e nos empresários, se os números fizerem sentido… Que mecanismos podem ser mais eficientes para fazer este crivo?
A minha proposta é simples e pública. No caso dos jovens agricultores que apresentem projetos, teriam de estagiar durante um ano numa exploração agrícola, com acompanhamento do chefe de exploração e com um técnico-tutor. No final do ano teria de existir um parecer positivo e ser feito um exame público, da responsabilidade do Ministério da Agricultura.
José Martino - 1
Estagiar numa exploração alheia atesta a capacidade de gestão?
Nós já organizámos estágios formativos e ao fim do primeiro dia de estágio há pessoas que dizem logo que ‘isto não é para mim’… se não tivessem feito estes estágios continuaram com a ideia romântica da agricultura…
Isso para jovens agricultores, e para os outros?
Nos outros também. Isto é dinheiro público. Como é que é possível que ao fim de 25 anos, o nível de ajudas que são colocadas na agricultura, quer ao rendimento quer ao investimento, represente 10% do volume de negócios? Como é que é possível que estas ajudas não provoquem um aumento do produto e um aumento do valor acrescentado? Temos de gerar mais valor acrescentado, têm de existir métodos diferentes de atribuição, mas há que sensibilizar os candidatos para que sejam previdentes e que quem atribui seja mais rigoroso. Também considero que os montantes mínimos para a primeira instalação devem ser no mínimo de 150 000€. Porque se os projetos não tiverem dimensão não se consegue gerar pelo menos 15 ou 20 000€, que é rentabilidade mínima necessária para manter uma família. Devia ser dado um sinal do caminho que se quer seguir, que deve ser mais profissional. Também devia ser obrigatório um fundo de maneio para gestão de tesouraria, isto responsabilizaria as pessoas, seria uma salvaguarda.
Mas aí teria muitas críticas que esse fundo poderia inviabilizar os investimentos, porque dificilmente quem começa tem disponibilidade para ter fundos de maneio…
Mas é aí que entram os business angels, o capital de risco. É preferível menos projetos e projetos mais estruturados. Todos estamos saturados de pagar impostos.
Concorda a nova lógica de não apoiar fileiras estratégicas, mas sim projetos?
O Estado demitiu-se de ter opções políticas de liderança. O Estado tem de ter planos estratégicos para as diversas fileiras e colocá-los no mercado para todos e depois cada um aposta no que entender.
Porque é que deve ser o Estado a definir as fileiras estratégicas e não o mercado?
Não é definir as fileiras, é fazer os planos estratégicos das fileiras que devem ser feitos de forma neutra. Tem de haver referenciais para que quem quer entrar nestas atividades perceba o ponto em que elas estão, e isso não existe, esse trabalho não está feito. Veja o caso de Alqueva, na minha opinião devia criar 100 000 postos de trabalho, mas falta um plano estratégico, não existem lá agroindústrias, não se percebe como é que lá vão chegar… Um plano estratégico é essencial. E o que vai acontecer é que o que poderia ser feito em cinco a oito anos vai demorar entre 15 a 20. Mas como somos um país rico podemos dar-nos ao luxo de fazer as coisas desta maneira. Este plano estratégico até poderia ser feito em consórcio por um conjunto de empresas de consultoria, íamos a concurso e era relativamente simples. O Estado não tem de ter vocação para fazer isto, tem é de os pagar [os estudos], e têm de ser feitos com imparcialidade para defesa dos interesses públicos.
Em relação à agroindústria, há, de facto, necessidade de ter uma fábrica de 100 em 100 km num país tão pequeno como o nosso ou devemos pensar em soluções de otimização de transportes e logística, como fazem países como a Austrália ou a Nova Zelândia?
Eu sou adepto da solução que seja economicamente mais competitiva. O investimento em infraestruturas é aquele em que nos sentimos muito felizes, construir fábricas grandes, mas o que é preciso perceber são os métodos utilizados, as estratégias de marketing, o resultado que geramos, o dinheiro que ganhamos. Quanto ao modelo em si não opino, temos de tirar partido do que existe, potencializando. Temos de fazer as coisas bem, e o exemplo que gosto de dar é o da Nova Zelândia, que é um país competitivo desde a base. Um empresário agrícola na Nova Zelândia é desde logo uma pessoa propensa a fazer bem. Estive nesse país três vezes a recolher informação técnica sobre kiwi e conheci empresários que, apesar de estarem no fim do mundo, sabem mais de mercado do que nós que estamos ao lado do mercado. Eles estão a três semanas do mercado, tal como na América do Sul. Aqui perdemos mais tempo a filosofar sobre o tema do que a trabalhar para conquistar. Precisamos de mais dimensão nas explorações para sermos competitivos.
Mas isso passa por explorações maiores, ou por produtores mais organizados para criar escala?
Precisamos em primeiro lugar de ter agricultores intrinsecamente competitivos. Que façam bem, porque com bom produto a venda está facilitada. Veja o caso de Bolzano, em Itália, uma região com 20 000 hectares de macieiras, mas com uma exploração média de 2 hectares. Mas têm uma rentabilidade notável e fazem todos da mesma maneira, fazem bem.
Mas há uma Organização de Produtores que recolhe tudo?
Sim, mas se o produto não for bom a OP não se credibiliza. Temos de começar com uma boa base. Se o produto que faço não é aquele que o mercado quer trocar por euros, nada feito, é aqui que as coisas falham.
Esse é o principal problema, não ter produção uniforme?
Sim, essa é a chave para não conseguirmos gerar valor acrescentado.
Entrevista publicada na edição de maio de 2015 da revista VIDA RURAL