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terça-feira, 31 de julho de 2012

Organizaçoes de Produtores

A importancia dos Organizaçoes de Produtores (OP) é de tal forma indiscultivel que todos nós os que somos sensiveis ao interesse público e aos temas das agriculturas de Portugal sentimos a obrigaçao de contribuir para fazer avançar no terreno novas OP's e incrementar a dimensao das existentes.

As Op's concentram a produçao, criam economias de escala para a comercializaçao, defendem os agricultores  porque criam acessos aos mercados para os seus produtos.

Nos próximos tempos este será um tema em que irei trabalhar e dar publicamente a notoriedade que merece e necessita. A seu tempo darei notícias

sábado, 28 de julho de 2012

Estágios Formativos na Agricultura

Estou feliz porque terminou no passado sábado o estágio de apicultura e encerra no dia de hoje o de pequenos frutos, estágios formativos organizados pela Espaço Visual, mas sobretudo o que me dá maior satisfação é saber que se concretizaram os objetivos que nortearam a sua implementação, colocar os jovens agricultores em contato direto com as atividades agrícolas podendo executar as principais operações culturais, bem como dar-lhes a oportunidade de terem disponivel, ao longo do ano que durou o estágio, um empresário agricola experiente para esclarecer todo o tipo de dúvidas. Estou consciente que este choque com a prática e experiência do terreno, o enfrentar a chuva e o sol porque foi necessário fazer as operações culturais na melhor oportunidade técnica, determinou jovens e menos jovens melhor formados para enfrentar o empreendedorismo e terem sucesso na agricultura.

Quem estiver interessado em aderir a estágios na agricultura  deve contatar o eng. Daniel Portelo da Espaço Visual (daniel.portelo@espaco-visual.pt; 22 450 90 47)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Melhoria da Produtividade em Portugal

Porque será que a maioria dos portugueses não consegue cumprir horários, prazos de execução de trabalhos, fazer intervenções em eventos dentro do tempo atribuido pela organização e fazer com aue as reuniões decorram dentro do tempo previsto (a maioria das reuniões são proporcionais ao tempo disponivel)?
Este conjunto de preocupações está na minha cabeça porque pretendo encontrar um conjunto de propostas e ações, sem custos orçamentais, que se forem implementadas transformarão a economia portuguesa.

Portugal atravessa nesta altura e irá ser cada vez mais acutilante, a crise que na minha opinião, além de um ajustamento de modelo económico, o qual assenta na baixa produtividade do trabalho, resultará numa mudança permanente de hábitos de consumo da maioria dos portugueses. Muitas vezes, despendemos uma tarde para fazer uma reunião que se poderia fazer em meia hora se os documentos de suporte ao encontro fossem enviados previamente, outras vezes participamos em encontros que no caso que todos os presentes tivessem feito previamente o trabalho de casa, se poderiam evitar, pois com a elaboração de documentos e o seu envio por email não justificaria as deslocações dos participantes. Quantas deslocações se evitariam (os combustíveis e automóveis são importados)? Será que se a N/ postura fosse outra, mais eficaz, com o mesmo tempo de trabalho diário, conseguir-se-ia fazer mais  trabalhos e de melhor qualidade?
Acho que é um desiderato nacional batermo-nos pelo cumprimento dos horários. Espero que seja esta uma das bandeiras das reformas estruturais de Portugal: melhoria da produtividade nacional pelo cumprimento dos horários e prazos de tramitação dos processos que dependem da administração pública.
Peço aos leitores que caso concordem com o exposto, coloquem neste blog comentários de adesão a esta campanha. Obrigado!

Mirtilos (11)

Rui Castanhola disse:

"Boa tarde Sr. Engenheiro.
Estive a ler este post e a situação descrita pelo Sr. José Carlos é semelhante á minha na medida em que só me poderei dedicar em part time.
Conclui em Novembro de 2011 uma plantação de mirtilo com num terreno com aproximadamente 3500m2 onde tenho 775 plantas (metade são Duke e a outra Bluecrop).
Na altura que fiz a minha plantação não era possível me candidatar a qualquer financiamento da PRODER visto que a plantação tinha menos de um hectare e está localizada numa zona que não é considerada desfavorecida (Avelãs de Cima – Anadia).
Após a leitura do seu 8º ponto a minha questão é se ainda me posso candidatar a algum tipo de apoio para a minha exploração, pois tenho intenção de fazer uma cobertura da exploração com rede anti granizo, para deste modo evitar situações desagradáveis como as que se verificam com alguns produtores de vinho no Douro.
Cumprimentos"

Comentários:

1 - Pode candidatar os investimentos que necessita realizar na sua exploração às ajudas previstas para os Investimentos de Pequena Dimensão (ação 1.1.2 do ProDeR), obtendo um incentivo não reembolsável no valor de 40% do investimento. Para ter acesso a estas ajudas terá de dar inicio de atividade nas finanças e ter o terreno em seu nome ou possuir um contratro de arrendamento ou comodato para ter o direito de o explorar.

2 - Na minha opinião deveria candidatar a rede que lhe serviria de anti-granizo e anti-pássaro, bem como recomendo que adense a plantação para o dobro das plantas, de forma que também duplique a produtividade nos primeiros anos.

Plantas Aromáticas e Medicinais (2)

Complemento com mais informação o post "Plantas Aromáticas e Medicinais (1)":

- O investimento para cada hectare com a plantação e demais estruturas de apoio na secagem situa-se entre os 100 000 e os 120 000 euros. A este valor acresce IVA recuperável, por isso não elegivel

- Fundo de maneio necessário:
- 30% do valor total do investimento para garantir que é executado em tempo útil (1 ano) porque é necessário pagar primeiro e posteriormente recebe-se a ajuda do ProDeR (60%).
- valor do IVA recuperável, imobilizado durante 1 a 1,5 anos. Devem ser estudados os casos em que é possivel que o "IVA seja pago pelo adquirente", neste caso, o proponente não necessita de o orçamentar.
- parte do montante do IVA é necessário ser utilizado nos dois primeiros anos até equilibrio da tesouraria da exploração agrícola 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Plantas Aromáticas e Medicinais (1)


José Cabrita disse:

"Antes de mais boa tarde.
Estou a enviar este email na tentativa de que me ajude a dissolver
algumas dúvidas que tenho em relação ao PRODER.
Sou um jovem de 22 anos que reside no baixo alentejo e frequento uma
licenciatura em Gestão de Empresas. Há algum tempo para cá foi se
desenvolvendo em mim uma vontade de fazer algo empreendedor e que
tenha alguma hipótese de dar certo. Analisei muito por alto as
hipóteses e encontrei um "nicho" que achei muito interessante e que
pelo que me disseram apresentava alguma rentabilidade. Este nicho
seria a produção de plantas aromáticas e medicinais. Pelo que fui
encontrando na Internet e por uma reportagem que vi num programa de
televisão fiquei com a sensação de ser algo bastante interessante e,
melhor ainda, não necessita-se uma grande área de exploração. Por isso
aqui vai a minha 1ª QUESTÃO: Será isto mesmo verdade de ser um dos
tipos de produção que melhor rentabilidade dá e que apenas se precisa
de alguns hectares (4 ou 5 pelo que vi) ?
2ª QUESTÃO: Existe realmente probabilidade de através de uma
candidatura ao PRODER eu conseguir realizar este projecto? Até que
valores eles podem financiar?
3ª QUESTÃO: Não tenho o terreno para a criar da exploração, é possível
comprar ou arrendar o terreno através do PRODER? Como está a "Bolsa de
terras" que o governo ia criar ou já criou, é que não encontro nenhuma
informação a cerca disso.
4ª QUESTÃO: Pessoalmente acha este tipo de exploração viável ou
aconselharia me outro tipo de exploração.

Agradeço desde já a resposta, e não querendo abusar ainda mais da
paciência, cumprimentos."

 

Comentários:

Seguem a "dissolução das dúvidas" relativamente a investimentos em Plantas Aromáticas e Medicinais (PAM) e ProDeR:

1.ª) As PAM são uma atividade rentável e exportadora, o que se enquadra no perfil de atividades que Portugal precisa desenvolver para reestruturar a sua economia. As explorações com 4 a 5 ha de PAM geram niveis de rentabilidade muito interessantes, sobretudo em regiões com forte aptidão de clima para esta atividade como é o Alentejo.

2.ª) A Espaço Visual tem elaborado muitos projetos de PAM ao longo de todo o território nacional, para instalar jovens empresários agrícolas através das ajudas previstas na ação 1.1.3. do ProDeR. Para a região em causa o nivel de apoio ao investimento é de 60%, havendo um prémio de 1.ª instalação de 30000 euros (este valor é pago à cabeça, antes do inicio do investimento).

3.ª) O ProDeR apoia investimentos, isto é, analisa projetos, contrata ajudase analisa pedidos de pagamento, pelo que, não cria as condições de acesso á terra para o jovem obter acessso à terra. Terá de procurar através de amigos e conhecidos o contato de proprietários de terrenos agrícolas, os quais não tenham perfil ou disponibilidade para os explorarem e tentar o seu arrendamento ou no caso de possuir capital, a sua compra. A Bolsa de Terras tão cedo não o poderá ajudar porque a lei está em estudo na Assembleia da República, precisará ser aprovada, publicada e regulamentada para ajudar os jovens que querem ter acesso á terra para se instalarem como empresários agrícolas.


4.ª)  Aconselho que conheça a atividade das PAM, os seus ossos de oficio e verifique se tem vocação para a abraçar e ser o seu projeto de vida. O meu amigo, Eng. Luís Alves, que recebe voluntários no Cantinho das Aromáticas com  o objetivo de formar/dar estágio  os/aos potenciais jovens empresários, já recebeu alguns que, passado pouco tempo desistiram. porque concluiram que não era nesta a atividade que queriam empenhar as suas vidas.
Exemplos de alternativas: apicultura, frutos vermelhos, porco preto alentejano, etc.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Olivicultura

Vitor M. Pereira disse:
"Boa tarde,

Exmo. Sr. José Martino,

Cá estou mais uma vez, e nunca é demais felicitar este serviço público, o qual visualizo semanalmente.

Tendo em linha de conta os meus post já colocas, refiro-me à agricultura em Trás-os-Montes.
De facto tem razão e que é necessária uma linha de crédito bonificada e menos rígida para se poder obter o sucesso, pois as condições por vezes não favorecem.
Mas passo a passo lá se vai caminhando devagar…

A questão que lhe quero colocar na qual já tenho “mais ou menos” o projecto idealizado (embora ainda não fiz o devido estudo no terreno), é sobre a variedade da Oliveira Cobrançosa (produção em modo biológico). Estou neste momento a pensar em avançar na compra de um terreno com cerca 8 ha, em que grande parte do mesmo já se encontra instalado com oliveiras da variedade Cobrançosa (cerca de 2000).
Pelo que já verifiquei este tipo de variedade produz um azeite de elevada qualidade.

Gosta de saber a opinião do Sr. Engº relativamente a esta variedade/cultura, e se existe com o terreno disponível e bem aproveitado e a possível qualidade a exportação da matéria-prima?

Uma vez que não possuo o terreno em causa não me posso candidatar ao PRODER, pelo que tirei que fazer um estudo bem elaborado entre as despesas/receitas e escoamento da matéria-prima para ter a tesouraria sempre equilibrada.

Agradecia desde já um comentário do Sr. Engº relativamente à ideia apresentada.

Desde já grato pela atenção dispensada.

Cumprimentos"


Comentários:
1 - Agradeço as felicitações sobre o blog que penso serem merecidas porque parece-me que este blog tem conteúdos únicos que vão de encontro aos interesses e dúvidas dos leitores.

2 - Na minha opinião, considero um excelente negócio a produção de azeitonas e de azeite de alta qualidade proveniente de variedades regionais portuguesas, junto com boa estratégia comercial e de marketing, com aposta na exportação em países/mercados de valor acrescentado.

3 - Recomendo que faça um plano de negócios que lhe determine a dimensão da exploração olívicola necessária para rentabilizar o investimento agrícola, agroindustrial (lagar) e comercial, bem como o respetivo estudo de mercado.

4 - Uma vez que não possui o terreno, para se candidatar ao ProDeR, necessita de um titulo válido de exploração: contrato de cedência gratuita (comodato) ou contrato de arrendamento.

5 - Avance, não perca a oportunidade através da sua iniciativa de ajudar a agricultura de Trás os Montes

terça-feira, 24 de julho de 2012

Estratégia para se instalar um horticultor de sucesso


 
Pedro Pontes disse:

"Sou um potencial agricultor.Tenho cerca de 1h para trabalhar. Estou na beira alta interior norte. Será que a horticultura é uma boa aposta, para quem precisa de viver disto a tempo inteiro? Ultrapassei os 40 por isso já não da para JEA."
 
 
Comentários: 

1 -  O leitor Pedro Pontes ambiciona tornar-se agricultor a tempo inteiro e pergunta-me se com a horticultura pode sustentar-se e presumo que a família, com o rendimento de 1 ha de terra nessa. À primeira vista parece-me que a resposta definitiva deva ser dada pelo próprio Pedro Pontes depois de fazer o seguinte exercício:
a) Fazer contatos comerciais para definir a quem irá vender os seus hortícolas. Verificar se pode vender nos mercados e feiras na região ou no litoral, se na região existe algum operador comercial grossista honesto que valorize os seus produtos quer no mercado nacional quer na exportação.
b) Defina o tipo, quantidade e valor de cada hortícola que tem mercado ao seu alcance
c) Deve  avaliar o potencial produtivo do seu terreno ao nivel de solo e clima adequado para a horticura, bem como se tem água disponivel para rega em quantidade e qualidade (análise à água de rega). Verifique na região envolvente se há tradição na atividade, controle que tipos de culturas hortícolas  são cultivadas.
d) Faça uma pesquisa no circulo de 5 km à volta do seu terreno de outros prédios rústicos com aptidão para a horticultura e disponiveis para cedência gratuita ou arrendamento.
e) Faça um apanhado dos hortícolas que pode produzir e respetivas quantidades.
f) Pode contratar a Espaço Visual ou outra empresa  prestadora de serviços para lhe fazer uma estimativa de rentabilidade do seu negócio.
g) Se decidir avançar recomendo que vá estagiar noutras exploração hortícolas. A Espaço Visual promove estágios ao longo de um ano numa exploração de sucesso e referência "Hortijales" em Vila Pouca de Aguiar   

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Linha de crédito CGD para apoio à tesouraria dos jovens agricultores

Anónimo



Está em mudança acelerada o meio agrícola que era demasiado fechado, em que os  poucos  agricultores mais novos eram na sua maioria filhos dos agricultores mais velhos, porque neste momento estão-se a instalar um elevado número de jovens agricultores, à média mensal de 200 jovens, 2400 por ano e creio que o número duplicará em 2013 se mantiverem as ajudas à instalação de jovens agricultores até final desse ano. Este fenómeno está a criar ruturas, a mudar o status quo e a atrair para a agricultura pessoas doutros quadrantes com novas ideias e filosofias. Estamos a viver o inicio de uma revolução agrícola e rural, a qual será efetiva se não houver falhas orçamentais nas ajudas para instalar os jovens agricultores. 
O que é necessário acautelar para garantir uma taxa de sucesso elevado na atividade dos jovens agricultores?
Na minha opinião, o acesso a financiamento bancário com custos e prazos compativeis com a actividade agrícola a desenvolver, que sejam pagos por ela. 
Os apoios públicos são "apoios", ajudam a entrar na atividade e alavancar os investimentos, são muito importantes e determinantes, mas não conseguem suprir todas as necessidades de capital. Neste ponto o governo através da CGD tem que criar uma linha de crédito para apoio à tesouraria dos jovens agricultores instalados à menos de 5 anos, com acesso menos rigido que nas condições bancárias usuais, sem apoios públicos em bonificações para não haver impedimentos por parte da Comissão Europeia ou com bonificação dentro das regras dos apoios minimis, pois os jovens têm vontade de arriscar, trabalhar, assumir riscos  e vencer na vida, meios necessários para mover montanhas, mas infelizmente sem os meios financeiros adequados, muitos deles irão fracassar, prevejo que sem este apoio bancário, uma taxa superior a 50%, mesmo que tenham perfil e vocação para empresários.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Viticultura ou hidroponia?

Filipe Ferreira disse:

"Boa Tarde
Sr Eng. José Martino

Começo por dar os meus parabéns pelo blogue fantastico
A minha situação e a seguinte:
Em breve vou ser mais um jovem do nosso país a fazer parte do lote de jovens sem emprego, e sou de uma familia que sempre viveu da agricultura.
Ai pensei e por que não continuar eu mesmo.
Sou da zona de Santarem e o meu avô tem uma exploração a base de vinha com cerca de 15 hectares e como sempre fui criado neste meio e tambem algo que eu adoro,decid apostar na agricultura, ate porque penso que vai ser algo rentável e com futuro no nosso pais...

As minhas questões eram as seguintes:
1º A minha ideia era continuar com a exploração vinicula, mas tambem pensei em apostar na hidroponia visto ter um terreno com cerca de 2 hectares com agua.
2º O que preciso de fazer para me candidatar ao PRODER e se e possivel, se tenho que ter alguma formação especifica na área
3º Acha que e possivel e pode ser rentavel juntar estes dois negocios, vinicula e hidroponia?
4º No futuro gostava tambem quem sabe poder apostar numa casta nobre e poder rentabilizar mais a exploração


Agradeço desde já a sua disponibilidade
Com os meus melhores cumprimentos"


Comentários:

1 - Agradeço o interessante comentário que colocou neste blog.

2 - Conte com a minha solidariedade para a fase que vai atravessar. Acho esplêndido que se sinta vocacionado para ser empresário agrícola, mantendo a tradição familiar do seu avô. Calculo que os seus pais, tal como a minha geração, não deram a importância que a agricultura deveria ter nos últimos 20 anos. Felizmente a sua geração tem a agricultura como uma oportunidade de negócio.

3 - Parece-me boa opção a manutenção da exploração viticola (produzir uvas), embora me pareça muito interessante a produção de vinhos com colocação no mercado (vinicultura), se tal atividade ainda lhe for rentável. Parece-me que está no caminho do futuro, quer do ponto de vista técnico e de rentabilidade se optar pela diversificação cultural com tecnologia hidroponica.

4 - Recomendo para as culturas hidroponicas que consulte a HUBEL porque é um grupo empresarial de grande sucesso nesta área de negócio agrícola.

5 - Para se candidatar ao ProDeR não necessita de formação especifica na área, embora eu recomende que o faça para dominar o know how da atividade e assim, não comprometer o seu investimento.

6- Na minha opinião, deve privilegiar uma das atividades, embora nos próximos cinco anos deva manter as duas, a viticultura porque é rentável e está em velocidade cruzeiro gerando fluxos financeiros e a hidropinia porque parece ser o que gosta de fazer, a sua vocação de vida. No fim desse período temporal tome a decisão que lhe pareça de maior bom senso e aposte numa delas.

7- O futuro será aquilo que sonhar e trabalhar diariamente os pormenores, passo a passo, para atingir esses objetivos. Tenho a certeza que terá sucesso!

8 - Bom trabalho!   

Kiwi ou pequenos frutos. O que fazer se os capitais são escassos?



Álvaro Oliveira disse:
"Sou proprietario de um terreno com 3 ha em Sangalhos,concelho de Anadia que está abandonado.Outrora foi uma quinta de bons vinhos, mas há perto de 3 anos a vinha foi arrancada por ter sido muito maltratada por uma empresa vinicola muito conhecida no país, a quem esteve arrendada durante 10 anos.Era do meu pai que entretanto faleceu por doença súbita quando se procedia ao arranque.
Gostaria de rentabilizar esse terreno que tem um poço artesiano mesmo no centro, pois faz um pequeno vale.Tenho lido no seu blog sobre algumas culturas como o Kiwi e os pequenos frutos vermelhos.Quanto ao kiwi tenho "á porta" a Kiwicoop e muitas plantações por perto.Quanto ao mirtilo,por exemplo,a zona mais próxima de cultura é a de Sever do Vouga mais montanhosa..Se quanto ao kiwi não devo ter duvidas da possibilidade de cultura(nesse terreno há um pequeno espaço com alguns pés que o meu falecido pai plantou),já quanto aos pequenos frutos vermelhos não sei se a terra e o clima são propicios á cultura.
Outro ponto importante é o custo que qualquer projecto desta natureza implica.Eu e a minha esposa estamos desempregados há anos,tenho 58 anos feitos ontem e a minha esposa 52, pelo que apoios
não deverão ser possíveis e o nosso capital é mínimo.
Tenho 3 filhos um com 32 anos que trabalha em Coimbra,outro que está a acabar um mestrado também em Coimbra e a mais nova,a caminho dos 18,no 12º ano.Já falei com eles sobre a possibilidade de investimento em nome deles,mas mostram-se reservados por falta de tempo.
Pelo que leio no seu blog os rendimentos liquidos poderão ser maiores nos pequenos frutos do que no kiwi,embora sejam culturas mais sensiveis ao tempo e á terra.
Pergunto:1-o que acharia que pudesse investir nesse terreno?
2-A nivel de custos quanto seria necessário para cada cultura,kiwi,mirtilo,framboesas,tendo em conta a área do terreno?
3-Será que haveria possibilidades de algumas ajudas financeiras, tendo em conta a minha idade e minha esposa?
4-E quanto á possibilidade de integrar os meus filhos,talvez através de uma empresa societária,quais as possibilidades de ajudas no Proder?
Peço desculpa pelo tempo que lhe tomei,mas este terreno em pousio,a crescer um matagal de muito mau aspecto,merecia outro fim que não o de momento,e a necessidade de rentabilizá-lo,tendo em conta a nossa situação de desemprego.No entanto também a nossa idade é um óbice,tal como a descapitalização.Restam os filhos mas com os óbices do trabalho e estudos de cada um deles.O que fazer?
Agradeço desde já a sua disponibilidade para me poder dar uma ajuda.
Com os meus cumprimentos" 


Comentários:

1 - Agradeço o texto que teve a amabilidade de colocar neste blog.


2 - Teriam de ser avaliadas as condições de solo e clima do terreno que possui para duma forma eficaz poder decidir sobre o melhor investimento. Por outro lado, deve ter em conta o seu perfil empresarial: tem apetência pelo risco? Está disposto a investir quando os recursos são escassos e os novos investimentos nos primeiros tempos pregam-nos umas partidas e muitas vezes exigem mais capital do que o previsto?


3 - Tendo em conta que os Vossos recursos financeiros são escassos, recomendaria do ponto de vista teórico, a framboesa ou o morango, porque produzem passados alguns meses após o investimento, durante o primeiro ano, enquanto que o kiwi e os mirtilos equilibram a tesouraria ao 4.º ano após o investimento (nos três primeiros anos além de não produzirem geram custos). No entanto ressalvo que devem optar pela cultura que pessoalmente mais vos agradar, que tenha a ver com o vosso perfil (exemplo: há pessoas que não conseguem trabalhar dentro de abrigos, outras que não conseguem passar dias a fio a colherem pequenas bagas, etc.)


4 - No kiwi precisará para investimento 30 000 a 50 000 euros / ha + IVA. Nos pequenos frutos entre o investimento na plantação e infra-estruturas necessita de 65 000 a 80 000 euros / ha + IVA. As variações resultam da especificidade do V/ terreno, se tem acesso direto a camiões, das infra-estruturas de apoio que pode necessitar, limpezas, etc.



5 -   O Sr. e para a sua Esposa terão direito às ajudas públicas de apoio aos agricultores da ordem dos 40% (haverá concurso em setembro próximo). Para o Vosso caso concreto, seria recomendável pelo menos, a instalação de um dos filhos como jovem agricultor, porque com um investimento de 75 000 euros teria direito à cabeça, após a contratação e antes do inicio do investimento, ao prémio de instalação no valor de 30000 euros que usariam como capital próprio no investimento. O Vosso filho teria de disponibilizar  duas a três noites durante a semana e alguns sábados (212 h) para fazer a formação, após a submissão do projeto na base de dados do ProDeR, obrigatória de jovem agricultor (ao fim de 4 meses terminará a formação). O projeto agrícola não implica a alteração da atividade profissional normal.  

5 -  Não recomendo que nesta fase faça uma sociedade por quotas entre os filhos porque esta só terá direito a um prémio de instalação de jovem agricultor no valor de 30 000 euros, enquanto que cada filho apresentar uma candidatura tem direito a 30 000 euros vezes três (três prémios de jovem agricultor). No entanto, se estiver disponivel para pagar uma consulta (40 €)  podemos explicar com mais pormenores várias hipóteses para se financiar o investimento para o seu caso concreto (contatar eng. Sónia Moreira: 917 075 852; sonia.moreira@espaco-visual.pt).



6 - Se tiverem possibilidade de utilizarem a Vossa mão de obra familiar, quer durante a fase de investimento, quer durante a fase de exploração, terão um recurso  muito importante que vos pode ajudar para ultrapassar o óbice financeiro.



7 -  Votos de bons investimentos e sucesso na agricultura!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

ACÇÃO DE DIVULGAÇÃO

Esta ação sobre GlobalG.A.P. tem muito interesse para os produtores de pequenos frutos que necessitam exportar as suas produções. A certificação em  GlobalG.A.P. é condição indispensável para acesso ao mercado internacional. É muito importante colocar os investimentos indispensáveis para obter a certificação no projeto ProDeR de jovem agricultor, quer para os investimentos corpóreos, quer para a assessoria à sua implementação. Participe!


ACÇÃO DE DIVULGAÇÃO
REFERENCIAL DE CERTIFICAÇÃO GLOBALG.A.P.

No próximo dia 27 de Julho (6ª feira), pelas 14h00, em Guimarães, terá lugar uma Acção de Divulgação sobre o referencial de certificação GlobalG.A.P., organizado em parceria com o COTHN – Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional e a NATURALFA – Controlo e Certificação, Lda.

Este evento é dirigido a todos os operadores agrícolas que estejam a ser certificados ou pretendam obter a certificação do referencial GlobalG.A.P. e tem como objetivo dar a conhecer o referencial e os seus principais requisitos, assim como esclarecer dúvidas para obtenção da certificação.

A sessão será iniciada com uma abordagem teórica, seguida de visitas a duas explorações para permitir verificar in locu a implementação do referencial GlobalG.A.P.

A participação é gratuita, mas é obrigatória a inscrição até dia 25 de Julho (4ª feira), através da ficha de inscrição  que devem pedir geral@naturalfa.pt ou carmo@cothn.pt ou fax 224541215 .
Rua da Praia, 180 - 4515-175 Foz do Sousa - Gondomar
Telf: +351 224 541 215 | Fax: +351 224 541 215
Email: geral@naturalfa.pt


Programa


14h00 Sessão Teórica*

Abordagem aos principais requisitos do GlobalG.A.P. – Liliana Perestrelo

Inspeção de pulverizadores – Maria do Carmo Martins

16h30 Visita a exploração agrícola de Kiwis com o GlobalG.A.P. implementado

Briteiros – Guimarães

17h30 Visita a exploração agrícola de Mirtilos e Framboesa com o GlobalG.A.P. em fase de implementação

S. Clemente de Sande - Guimarães

19h00 Encerramento

*A sessão teórica irá realizar-se no Edifício Central do Avepark (1º edifício à esquerda). À chegada os participantes deverão indicar através do intercomunicador que vão participar na Acção de Divulgação GlobalG.A.P.para que seja permitido o acesso ao estacionamento.

Mirtilos (10)

Anónimo disse:
"Oi José Martinho. Gostava de saber se me tornar-se num produtor de mirtilos, teria onde os vender na minha região, (vale do sousa)? Quais os pontos de escoamento do mirtilo nos arredores do vale do sousa-Paredes?

Floricultura

Marina disse:
 
"Muito obrigado
Aconselha os cravos porque têm saída (li que praticamente toda a produção é exportada) ou porque é a realidade que mais conhece?
Tentei recolher mais alguma informação junto da Associação de Floricultores de Portugal, mas o srº presidente disse que só disponibilizam informação aos sócios!"
 
Comentários:
1 - Aconselho os cravos como uma hipótese de produção de flores com aptidão na região interior de Portugal. Para as produções permanentes em estufa é uma das que necessita de investimentos mais baixos e tem potencial quer para exportação, quer para o mercado nacional.
 
2 - A minha sugestão é que se torne sócia da Associação dos Floricultores de Portugal e assim tenha acesso da informação e formação que disponibilizam.   

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Acha que macieiras e mirtilos podem ser um bom investimento

Ol leitor Mário disse:
"Ola S.Eng. Jose Martino antes de mais muitos parabens pelo blog.
Eu sou um jovem de tras os montes e estou a pensar fazer uma candidatura no proder, acha que ainda irei a tempo?
Quanto ao projeto queria saber se pode ser dividido e duas partes, uma fazer um pomar de macieiras e por outro lado apostar nos pequenos frutos como e o caso do mirtilo e da framboesa e estes produzir metade em estufa e a outra metade ao ar livre. Acha que pode ser um bom investimento?
obrigado pela disponobilidade."

Comentários:

1 - Penso que vai a tempo para se instalar na agricultura, estatuto de jovem agricultor, com as ajudas do ProDeR porque a ministra da Agricultura anunciou recentemente que iria reforçar o orçamento da ação do ProDeR que instala jovens agricultores (1.1.3). Pela minha parte pode contar que irei empenhar-me para que esta acção funcione até ao fim do ProDeR, 31 dezembro de 2013.


2 - O projeto que pretende fazer parece-me coerente do ponto de vista técnico económico se tiver pelo menos 5ha de macieiras e 1.5 ha de pequenos frutos.  Precisa verificar se os seus terrenos têm aptidão de solos e clima para estas culturas


3 - Será um bom investimento se o meu amigo tiver perfil para empresário agrícola

visita a plantações de mirtilos e framboesas instalados em 2012

Estou a organizar uma visita a plantações de mirtilos e framboesas instalados em 2012, a qual decorrerá em Guimarães, na 2.ª quinzena do próximo mês de Setembro (anunciei neste blog que seria a 19 e 20 de julho, mas infelizmente não a consegui concretizar dentro do objetivo temporal que tinha definido).

Darei bnste blog novas notícias sobre este tema quando as parcerias estiverem concretizadas e o programa fechado 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Visita a Campo de Mirtilos - Segóvia, Espanha

Visita a Campo de Mirtilos - Segóvia, Espanha

 
Com o objetivo de se conhecerem no campo as principais variedades de mirtilo, o seu comportamento e a respetiva caraterização, a Espaço Visual organiza, deslocação em autocarro, no próximo dia 10 de julho a Segóvia, Espanha ao campo experimental de variedades e viveiro da Planasa.
A oportunidade de observar em loco os frutos nas plantas imediatamente antes da colheita, é anual daí a escolha desta data específica.
O programa tem a seguinte cronologia:
5h00 Saída da Rotunda do Freixo
13h00 Almoço na região de Segóvia
15h00 Visita a campo experimental de variedades e viveiro da Planasa
17h30 Fim da visita
24h00 Chegada ao Freixo
O preço da deslocação é de 45 euros (IVA incluído), incluído o custo de transporte e da visita.
(não estão incluídas as refeições)

Se estiver interessado em participar a confirmação deverá ser enviada por email para daniela.oliveira@espaco-visual.pt, até ao dia 8 de Julho. Para mais informações por favor contacte: 917 656 212.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Qual a maneira de realizar um projeto agrícola sustentável e rentável?

Benjamim Soares disse:
"Boa tarde Sr. Eng. José Martino,

Antes de mais gostaria de o felicitar pelo blog , onde encontrei informação de forma explicita que procurava e estava difícil de encontrar.

Eu como muitos jovens fiquei recentemente desempregado, com o panorama geral encontra-se difícil de encontrar um trabalho. Então comecei a pensar num negocio e o que gostaria de fazer para ocupar o meu tempo e realizar o meu sustento.
Foi entao que comecei a pensar na agricultura, como tenho na familia um pequeno produtor de amoras (primeiro ano de cultivo) e outro com um sistema de hidroponia para consumo próprio. Foi um passo até pensar na ideia que tenho em mente ainda numa fase muito embrionária e com pouca informação ainda recolhida, por isso decidi escrever-lhe para ver se me pode ajudar de maneira que possa recolher mais informação e apoios para poder realizar um projecto sustentável e rentável para mim.

A ideia referida consiste em encontrar um terreno agrícola com cerca e 3 hectares sendo divido em dois tipos distintos. O primeiro cerca de 1 hectare com estufas com sistema hidroponia para um cultivo onde possa ter um rendimento ao longo do ano. Este espaço com o cultivo de pepinos ou feijão verde dependendo da produtividade.
Os outros 2 hectares tinha na ideia o cultivo de amoras e framboesas esta ultima especialmente pela menor exigência a nível de clima, mas depois de ler o seu blog vejo que escreve muitas vezes sobre o mirtilo algo também a ponderar.

Sendo esta ideia tem surgido algumas questões.
A primeira onde seria um bom local para ter a plantação, tendo condições de terreno e clima adequados, eu vivo no grande Porto algo que não fosse muito longe para não ter gastos excessivos em transporte.
A segunda é em termos financeiros para a construção das estufas e preparar o terreno para o cultivo dos produtos acima referidos, não tendo capital necessário como seria viável seguir em frente com a ideia, sabendo que posso recorrer a ProDeR e onde posso informar-me melhor sobre isso.
A terceira a falta de formação na área, onde poderei encontrar suporte para isso e ajuda para poder elaborar o projecto de uma forma viável e quais poderão ser os custos.
A quarta e ultima é como poderei encontrar informação onde posso vender os meus produtos e preços médios pagos ao produtor, pois produzir e não ter mercado assusta um pouco.



Agradeço desde já a sua disponibilidade e também peço desculpa por ter mandado um email igual ao comentário.

P.S. Sabe quando vai voltar a fazer um seminário como o de 30 de Junho?

Com os meus melhores cumprimentos,

Benjamim Soares"


Comentários:

1 - Deve explorar aprofundamente este blog, pois ele contém muita informação sobre investimentos, estratégias e atividades para jovens agricultores.


2 - Deve procurar nos concelhos que constituem o Grande Porto o local para insatalar a sua exploração agrícola. Deve recorrer ao arrendamento de prédios rústicos.


3 - Além das ajudas do ProDeR pode pedir a antecipação do subsídio de desemprego para utilizar como capital próprio no investimento. Elabore um Plano de Negócios rigoroso para determinar os capitais que necessita para investimento e fundo de maneio até equilibrar a conta de teouraria.


4 - Recomendo que estagie nos explorações dos seus amigos/familiares/cinhecidos para conhecer os ossos de oficio de cada uma das atividades agrícolas. A Espaço Visual está a desenvolver estágios em pequenos frutos, apicultura, kiwi, horticultura, floricultura, etc. e verificamos que há jovens que desistem de se deidcarem a determinadas atividades agrícolas porque reconhecem não terem perfil individual paras as suas exigências, como por exemplo,trabalhar dentro de uma estufa a altas temperaturas, colher pequenas bagas dias a fio durante largas semanas, etc. Há muitas pessoas com ideias românticas da agricultura que não conhecem a dureza e a nobreza desta profissão.


5 - Recomendo que contate a eng. Sónia Moreira da Espaço Visual (sonia.moreira@espaco-visual.pt; 917 075 852) para lhe enviar propostas de honorários para os diversos serviços que irá necessitar, bem como lhe poderá indicar alguns contatos de produtores e comercializadores.  


6 - O Seminário de 30 de junho foi no sábado passado, pelo que, solicito aos leitores que coloquem neste blog os temas que têm interesse, bem como as regiões onde estão interessados que eles se realizem. Desta forma irei ponderar o que irei fazer no próximo futuro

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Castanha do Litoral (Minho e Douro Litoral)

Paulo Moreira disse:


"Sr. Eng. José Martino,

Começo por dar os meus parabéns pelo seu excelente blogue, um óptimo meio para motivar os nossos jovens para a agricultura, uma actividade que creio poder ser o futuro de muitos portugueses, nomeadamente aqueles que não querem sair do nosso país.

Há cerca de 10 anos, aproveitando a disponibilidade de tempo do meu pai, na altura recém reformado e com um gosto enorme pela agricultura, abdicamos de metade de uma plantação de eucaliptos, numa propriedade com cerca de 3 ha em Lever, aqui bem perto da sua Foz do Sousa, para plantar castanheiros. Na altura a ideia era cortar um pouco a má imagem dos eucaliptos, nomeadamente na frente de estrada. Posteriormente, o meu pai começou a se interessar pelos castanheiros, lendo alguns livros sobre a espécie, apostando em aprender tudo o que pudesse sobre a sua enxertia. Aqui na freguesia existiam, na altura, 3 ou 4 castanheiros muito antigos que, sem qualquer tipo de tratamento, produziam castanhas de excelente qualidade, que mais recentemente confirmei serem da variedade judia. Após vários anos a plantar novas árvores e a enxertar, principalmente Judia e Bouche de Betizac, temos hoje cerca de 120 castanheiros em vários estados de desenvolvimento. O ano passado já produzimos cerca de 400 kg de castanha, que, com relativa facilidade, conseguimos vender na freguesia. A particularidade dos nossos castanheiros é que começam a produzir na primeira quinzena de Setembro - Bouché de Betizac e terminam na última quinzena de Outubro - uma sub variedade de Judia que tem uma maturação um pouco mais tardia. A qualidade da castanha parece ser muito boa, mas a época da colheita coloca alguns desafios à sua conservação e comercialização. Se hoje 400 Kg é uma brincadeira, daqui a meia dúzia de anos pode ser uma coisa mais séria, podemos estar a falar de 5 ou 6 ton.de castanha ( o castanheiro mãe Bouché de Betizac tem cerca de 8 anos e o ano passado já produziu cerca de 60 kg).

Hoje as castanhas são um passatempo e uma paixão para o meu pai, que não olha para a actividade numa perspectiva de negócio, mas com os anos a disponibilidade e capacidade do meu pai vão diminuir, obrigando-me, quanto mais não seja por respeito ao meu pai, a olhar para o pequeno souto de outra forma. Neste momento a minha vida profissional não me deixa muito tempo livre, mas da maneira que este país está, nunca se sabe se um dia terei que olhar para isto mais a sério.

Depois de o maçar com toda esta história, queria perguntar o que me aconselha para poder comercializar as minhas castanhas, caso continue a ter pouco tempo para investir no negócio. Será que podem existir interessados (cooperativas, grossistas, etc...) em castanhas tão precoces?

Antecipadamente grato pela disponibilidade em ler este mail e por uma eventual resposta.



Cumprimentos,



Paulo Moreira

PS: Peço desculpa por ter enviado este comentário por mail, mas desconhecia as regras do seu blogue."


Comentários:

1 - A fileira do castanheiro é das poucas que apresenta saldo positivo quando se valorizam as exportações e as importações de castanha.



2 - Na minha opinião não precisa de ter muito tempo disponivel para  ter na produção de castanhas uma atividade rentável e interessante.



3 - Parece-me que para souto localizado em Lever, Vila Nova de Gaia, deveria apostar nas variedades precoces de castanha, amareal e os hibridos franceses, em lugar das  variedades judia ou longal porque tirará partido da comercialização das castanhas com melhores preços no mês de setembro do que competir com a melhor qualidades das castanhas de Trás-os-Montes e Beiras durante o mês outubro.


4 -  Deverá ter uma maior quantidade das variedades de castanha indicadas em 3) e ligar-se a um comerciante especializado em castanha (Agromontenegro, Cooperativa Agrícola de Penela da Beira, Agroaguiar, Sortegel, Alcindo e Irmão, etc.)    

A distância ao mercado das regiões interiores de Portugal será limitante na produção agrícola?

Marina disse:"

Bom dia Srº Eng.
Tive a falar com um engenheiro projectista , o qual me referiu que a implementação da floricultura no interior é difícil devido à dificuldade de escoamento das flores no interior uma vez que é no litoral que se concentram os maiores negócios nesta área. Gostaria de saber a sua opinião e como considera que esta questão poderia ser minimizada.
Uma outra questão que lhe gostaria de colocar prende-se com o cultivo de frutos vermelhos (cultura que me foi aconselhada, especialmente as framboesas), parece-me que está na moda este tipo de culturas mas, no futuro está área não atingirá a saturação com tanta gente que se está a dedicar a este tipo de cultura de momento? À semelhança do que aconteceu com outras culturas como por exemplo as cerejas. Conheço pessoas que de uns anos para cá têm cada vez mais dificuldade em escoar as cerejas coisa que não acontecia a alguns anos atrás."

Comentários:

1 - A produção de flores deve ter como destino preferencial a exportação, embora reconheço que há floricultores com muito sucesso no mercado nacional. Assim sendo, não me parece que a localização no litoral seja determinante, embora junto ao mar o inverno é mais suave e pode-se tirar partido da precocidade das produções.


2 - Na minha opinião, parece-me determinante para obter sucesso na floricultura, o perfil do empresário, a sua determincao, competência na gestão, rigor no tratamento dos pormenores, etc. Em conclusão, para mim tem mais importância o perfil do empresário do que a região onde se localiza a exploração. Como explica o engenheiro projetista seu conhecido o sucesso da produção de cravos na região de Chaves?


3 - O handicap apresentado pode ser ultrapassado se a leitora Maria se tornar uma verdadeira especialista incontornável na produção de uma determinada espécie florícola.


4 - Honestamente, a limitação na produção de frutos vermelhos é a mesma da floricultura, ser capaz de se produzir o tipo de produto com o perfil que o mercado o troca por euros de uma forma mais fácil. Reconheço que é mais fácil promover as culturas que estão na moda porque para se fazerem investimentos é necessário acreditar que as produções que fazemos irão ter sucesso comercial. A realidade irá demonstrar quem verdadeiramente ganha dinheiro a produzir na agricultura. 



5 - O sucesso na produção dos pequenos frutos irá ser determinado pelo patamar de qualidade, estado de maturação, cor, etc. que os produtos de Portugal venham a obter nos mercados internacionais ( se os diversos mercados internacionais derem valor acrescentado aos frutos portugueses teremos mais de meio caminho andado para ganharmos muito dinheiro com esta cultura e nesta fileira).


6 - A cereja não deixou de dar dinheiro, tornou-se uma atividade mais seletiva em que aqueles que possuem as melhores variedades melhor adaptadas ao mercado atual e dominam as mais avançadas tecnologias de produção (exemplo: conseguem quebrar a dormência invernal de forma eficaz. fazem uma nutrição da planta que promove maior produtividade, tamanho, sabor, dureza do fruto, etc. têm excelentes rentabilidades e maior facilidade de acesso ao mercado.


7 - .Creio que estão a perder terreno os produtores de cereja, têm dificuldades para escoar as suas cerejas, aqueles  que exploram variedades já ultrapassadas para a procura do mercado atual ou não fizeram a adequada modernização tecnológica na implantação e exploração dos seus pomares

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Sociedade por quotas para instalação de jovem agricultor

Maria disse:

"Boa tarde se forem duas pessoas , uma de 45 e outra de 20 poderão ter acesso ao proder? Se Sim como podem fazer ? A formação será obrigatorio para as duas pessoas ? Ou não ?"

Comentários:

1 - O acesso às ajudas para instalação de um jovem agricultor, alguém com mais de 18 anos e menos de 40 anos, pode fazer-se através de uma sociedade por quotas em que o jovem detenha a maioria do capital (51% ou mais) e seja gerente.


2 - Tendo atenção o que escrevi em 1), para o exemplo que a Maria indicou a pessoa com 20 anos pode-se instalar como jovem agricultor através de uma sociedade por quotas entre essas duas pessoas indicadas porque tem enquadramento nas ajudas previstas pelo ProDeR para instalação de jovens agricultores  (a pessoa com 20 anos é gerente e detém 51% de capital da empresa).


3 - A formação profissional decorrente da instalação do jovem agricultor é obrigatória para o jovem, a pessoa com 20 anos.