AGRO-INDÚSTRIA APOSTA NA INOVAÇÃO E INTERNACIONALIZAÇÃO

A última revista da "Voz do Campo" publicou o seguinte artigo:

AGRO-INDÚSTRIA APOSTA NA INOVAÇÃO E INTERNACIONALIZAÇÃO

José Martino*

A agro-indústria portuguesa (AAP) é um dos elos das fileiras mais
estratégico para promover o sucesso da agricultura portuguesa.
Trata-se do interface entre a produção e a distribuição, quer no
mercado nacional, quer nos mercados internacionais.

A AAP, além de possuir a capacidade de transformação de matérias
primas produzidas em Portugal e noutros países, possui a capacidade
logística de as armazenar, o que a torna um parceiro estratégico dos
agricultores.

Não é possível estruturar produções que não estejam contratualizadas e
em linha com os mercados, pois a procura é determinante no seu
desenvolvimento harmonioso. A obtenção de economias de escala é o
factor estratégico para ter a melhor competitividade nos mercados.

Neste sentido, tem-se assistido à consolidação e crescimento de grupos
económicos em território nacional simultaneamente produtores e
exportadores na lógica do abastecimento contínuo ao mercado, embora
seria desejável, face à crise económica que se vive, que o seu número
e dimensão fossem incrementados.

Realço que do ponto de vista das ajudas financeiras disponibilizadas
para investimento, desde 1986, ano da entrada de Portugal na CEE, que
a AAP as esgotou em todos os Quadro Comunitários de Apoio, sendo de
sublinhar que o poder político não teve o cuidado de promover o
financiamento contínuo desta actividade.

Os investimentos foram realizados numa lógica produtiva e só nos anos
mais recentes se assistiu a investimentos em melhor organização e
gestão dos processos. Notou-se a falta de uma marca forte associada a
estratégias de distribuição e comunicação partilhadas e promoção nos
mercados e internacionalização.

Nesta perspectiva importa referir que existem grandes potencialidades
de exportação para produtos da AAP que apresentam vantagens
comparativas ou têm acumulado, ao longo dos anos, um conjunto de
competências técnicas e tecnológicas.

Por outro lado, chega-se à conclusão que um dos principais critérios,
quer de empresas, quer de consumidores, é baseado no valor. Ora, para
se ser competitivo no contexto internacional e nacional, os caminhos a
seguir são os da especialização, inovação e diferenciação.

Nalguns casos, constata-se ainda que a melhor produção nacional
destina-se ao mercado exterior, para assim obter uma melhor
valorização através de preços mais elevados e de canais de
distribuição com um portfólio de consumidores mais exigentes.

O mercado nacional tem pequena dimensão para rentabilizar os
investimentos e, por outro lado, nalguns sectores da AAP é necessário
fazer investimento directo em fábricas no estrangeiro como forma de
dar dimensão e escala a essas actividades, tendo em conta que mercados
mais competitivos geram maiores necessidades de incorporação nos
negócios de processos e produtos inovadores.

Ainda recentemente, confidenciou-me um empresário, o qual iniciou o
processo de internacionalização há cerca de 15 anos, que se não
tivesse criado e comprado fábricas no estrangeiro, que se tivesse
desenvolvido o seu negócio exclusivamente em Portugal, a sua
actividade económica não teria crescido mais de 10% ao ano, e que na
realidade tem conseguido crescimentos anuais acima dos 200%.
É deste tipo de exemplos que Portugal necessita, não como excepção,
mas como regra para promover as exportações de produtos agrícolas
portugueses e a incremento da competitividade da AAP.


* Sócio Gerente da Consultora "Espaço Visual"

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