Outras reflexões sobre o ProDeR

O leitor Diogo descreveu neste blogue a sua experiência com o ProDeR:



"Concordo plenamente consigo, Filipe Pedro. Estou no ultimo ano da minha
licenciatura em gestão, comecei a pensar na ideia de apostar na agricultura pois
os meus pais tem uma pequena quinta e queria rentabilizar foi então que em
Agosto do ano passado submeti a minha candidatura, 5 meses depois foi aprovado,
em Dezembro, passados quase um mes e meio assinei o contrato e agora vou
aguardar mais um mes para fazer o pedido de pagamento e depois vou ter que
esperar mais 2\3meses para receber o dinheiro, ou seja lá para Maio Junho. é
ridículo este pais, oportunidades perdem-se por esta demora e pela sensação de
mendigos que estas estruturas nos fazem sentir. agora a parte burocrática, algo
surreal, tenho medo ( e já tenho um monte de licenças na cama do projecto ) que
venha cá algum instituto ou algo do género que me multe por eu não lhe ter
comunicado a minha intenção de avançar com o projecto, isto já para não falar
dos atendimentos rudes que encontro nos serviços a que me dirijo para pedir as
licenças. No fundo, fui enganado, pensei que apoiavam mais os jovens
agricultores, pensei eu que o trabalho duro era no campo, mas já estou ansioso
por esse mesmo trabalho e fugir desta fase de espera e licenças, fui engano pois
aquele fervor que esta inerente ao inicio de um projecto nosso esta a esmorecer
e ainda não comecei os trabalhos no campo, basicamente se fosse hoje avançaria
novamente mas não tinha feito tantos planos não tinha elevado a fasquia pois as
estruturas (ifap, drap, ren, câmara municipal, etc etc ) não apreciam o trabalho
que estou a desenvolver pela cidade e pelo pais, não é que eu peça tratamento
especial mas pelo menos que tenham uma postura proactiva.Boa sorte para
os que iniciam agora actividade e para os que vão iniciar muita
paciência.muitos parabéns pelo blog, é um blog com uma utilidade publica
que outras instituições publicas não temCumprimentos. Diogo"





Comentários:


1 - Os prazos de tramitação do ProDeR estão estipulados por lei, mas infelizmente não se cumprem. Os prazos indicados pelo leitor Diogo são, na minha opinião, em termos médios, considero-os "normais", considero que o prazo temporal, entre a entrega do Pedido de Pagamento e o crédito da ajuda na conta bancária, é de 4 a 6 meses. É com base de exemplos deste tipo, a incerteza do atraso gera desmotivação e medo, "fazem-nos sentir como mendigos", defendo uma nova política mais clara e objetiva para a agricultura portuguesa (ver ponto 7 do post com o titulo: "4.º Aniversário deste blogue: contributo para uma política agrícola mais eficaz").
2 - É necessário que o ProDeR clarifique, previamente, o que vai pedir em sede de controlo e auditoria porque o medo que o leitor sente, quanto a licenças e seu controlo, eu que sou profissional da consultoria do ProDeR, também o pressinto.
3 - Ao contrário do leitor eu nunca me senti engando pelo ProDeR porque tive a oportunidade de conhecer pessoalmente a "competência" da primeira gestora do ProDeR. Dra. Rita Horta, e o ex-ministro da Agricultura que a tutelou, Dr. Jaime Silva, pelo que, fiquei "vacinado": o ProDeR começou mal (atrasos nas aprovações e pagamentos) e irá acabar mal (devolução a Bruxelas de muitos milhões de euros).
4 - Os jovens agricultores e os agricultores têm de assumir o ProDeR como um apoio e não como uma panaceia para financiar de forma exclusiva os seus investimentos.
5 - O ministério da agricultura está imbuído num processo burocrático em que infelizmente os seus colaboradores estão a ser perseguidos por processos burocráticos, controlos, auditorias, etc., em que as chefias intermédias se demitiram das suas responsabilidades, salvo honrosas exceções e que deixaram cada um dos seus funcionários à sua sorte.
6 - Presto-lhe a minha homenagem pela coragem e determinação que está a pôr nos seus investimentos. Peço-lhe que, mais importante que os outros e o ministério da agricultura não apreciem o seu esforço, é que o meu amigo se valorize a si própio porque está a criar riqueza em Portugal.

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