Agriculturas de Portugal - Liderança Politica Precisa-se (2)

No passado dia 2 de julho escrevi o seguinte post:

Caro José, bom dia,
Escreveu há pouco tempo neste blog o seguinte:
"3. Liderança estratégica das agriculturas de Portugal: o que faz um líder? Aponta caminhos, traça objetivos, aponta estratégias e está à frente a ajudar no seu desenvolvimento, motiva os agentes, é exemplo de determinação e coragem em prol do superior interesse publico das agriculturas de Portugal. É esta metodologia que defendo deve ser aplicada pelos políticos que são responsáveis pela gestão do Ministério da Agricultura. Quando eu tiver mais tempo, irei, aqui neste blog, desenvolver este ponto."
Ainda não desenvolveu o assunto. Permite-me o desafio de explicitar este ponto?

Cumprimentos

Comentários:
1. A liderança a exercer pela equipa política do ministério da agricultura terá como prioridade mostrar, no campo, os bons exemplos de sucesso em cada uma das atividades da agricultura e do mundo rural, a qual se dedicará com muito tempo disponível, a acompanhar no terreno a agricultura digital e de precisão, modo de produção biológico, promoção das fileiras mais competitivas  e incremento das respetivas exportações. A trabalhar no terreno com os responsáveis de cada fileira na ultrapassagem dos estrangulamentos, muitos deles decorrentes da ausência de dialogo e de conflitos de egos entre dirigentes, necessário construir pontes de dialogo, e mais que tudo apostar na construção de soluções que geram valor acrescentado e na promoção da formação profissional em todos os elos das fileiras (a equipa política do ministério da agricultura tem que ser cabeça de cartaz da criação da moda da formação profissional para todos e para cada um, do mais simples trabalhador do campo aos lideres intermédios e de topo, passando pelos operadores especializados, chefes de exploração, técnicos, etc.).

2. Analisem na comunicação social, nos últimos 4 anos, nos últimos 8 anos, nos últimos 12 anos, o número de visitas ao terreno dos responsáveis políticos do ministério da agricultura, deputados, primeiro ministro e presidente da república. Assistimos a eventos e mais eventos, poucas visitas de campo, pouco foco e interesse em mostrar à sociedade o dialogo com os agricultores no terreno mas mais impressionante tem sido os muros e barreiras que se erguem na tramitação das ajudas públicas de apoio à agricultura que resultam da falta de liderança política operacional e foco na resolução de problemas que ficam no limbo entre quem analisa candidaturas e pedidos de pagamento (Direções Regionais de Agricultura e Pescas) quem decide superiormente os problemas e coordena as ações de base (Autoridade de Gestão do PDR2020) e  entidade que paga (IFAP). Há projetos que são kafkianos, tudo o que podia correr mal, corre ainda pior que mal, pois faltam mecanismos de foco nos processos que ficam muito atrasados, na resolução dos problemas que geram o muito atraso, pois cada entidade tem de cumprir os seus objetivos internos globais, as regras próprias de funcionamento sujeitas a auditoria e não percebem que por trás de cada projeto está uma iniciativa de vida, uma vida suspensa..

3. Voltarei ao tema em próximo post


Comentários (este é o próximo post):
1.  A liderança política passa por colocar objetivos para o complexo agroflorestal, no prazo de um legislatura (4 anos) para a taxa de crescimento do valor da produção, valor acrescentado a gerar, formação bruta de capital fixo, rendimento empresarial líquido, etc. A partir destes dados deve ser traçado o respetivo plano de ações a implementar para se motivarem os agentes económicos a participarem no cumprimento das metas traçadas, sentindo-as como suas na quota parte que entendam dever assumir.

2. A liderança política deve assumir a ação de reformas estruturais como seja a motivação para que se crie uma moda com a formação profissional dos agricultores, chefes de exploração, operadores especializados, etc. 

3. A liderança política passa pela construção de políticas que contribuam para a melhoria das estruturas fundiárias, como sejam, por exemplo, banco de terras (instituição onde os proprietários de forma voluntária podem colocar o seu capital fundiário "terra" onde receberão juros, ou seja, a renda, isto é, os terrenos são arrendados aos proprietários pelo Estado ou autarquias e subarrendados a quem tenha perfil para os explorar, com prioridade para os jovens agricultores, agricultores locais, agricultores familiares, etc. Para os proprietários tem a vantagem da garantia do pagamento da renda e a devolução dos prédios rústicos no mesmo estado de uso ou melhor quando comparado com o seu estado na data de inicio do arrendamento)  expropriação de uso (arrendamento coercivo para quem tem os seus terrenos abandonados ou não os explore de acordo com o programa de gestão florestal aprovado para o terreno em causa, com poderes de subarrendamento a quem possa explorar por integração fundiária), crédito bancário tipo crédito à habitação (crédito concedido para aquisição de prédios rústicos tendo por base o IRS do agregado familiar até à mesma taxa de esforço como se fosse a aquisição de uma habitação/prédio urbano, prazo de operação de 20 a 40 anos, taxas de juro iguais às do crédito à habitação).

4. A liderança política passa por convencer os portugueses que vale a pena investir o dinheiro dos seus impostos do orçamento do Estado para lá do dinheiro da união europeia e da respetiva quota parte nacional do compromisso, tendo como objetivo instalar jovens agricultores todos os jovens agricultores com projetos aprovados e que não captaram fundos europeus, promover a gestão florestal (criar faixas de pastagens com 500 m de lagura fazendo quadriculas de floresta com 10 km de lado, instalar e cuidar devidamente das florestas) etc.        

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