Muita parra, pouca uva

A Vida Económica publicou na passada 6.ª feira o seguinte artigo que eu escrevi:


A crer nas últimas sondagens, o CDS pode vir a obter um resultado histórico nestas eleições. Como técnico do sector agrícola, tal devia ser-me agradável porque o CDS, ou melhor, o seu líder, Paulo Portas, tem-se assumido como o grande defensor da agricultura e dos agricultores. Mas para quem segue com atenção a campanha, tem verificado que Paulo Portas pouco tem falado sobre o futuro da agricultura e dos agricultores. Por isso, concluo que o CDS e o seu líder só aparentemente defendem o sector agrícola e os seus agentes.

Tem sido da parte de Paulo Portas muita retórica e poucas propostas concretas. Ou seja, muita parra e pouca uva. O que disse o líder do CDS sobre o facto dos agricultores portugueses são os mais velhos da União Europeia, com quase metade a ultrapassar os 65 anos, o que leva ao abandono das terras? Nada.

O que diz o líder do CDS sobre o atraso dos pagamentos aos jovens agricultores, com consequências para o seu futuro e para o futuro dos seus projectos, prejudicando a criação de postos de trabalho e de criação de riqueza? Nada.

Ou seja, naquilo que realmente importa, Paulo Portas nada diz sobre o que pensa do futuro da agricultura portuguesa. Que propostas tem; que ideias tem; como pretende tirar a agricultura do atoleiro onde este governo a meteu? Não se sabe.

Tenho para mim que a justificação para este silêncio de Paulo Portas é de mero calculismo político. O que quero dizer com isto? Paulo Portas está mais interessado em não hostilizar excessivamente o governo, preservando eventuais alianças futuras, do que em fazer jus às suas palavras e à sua retórica: defender a agricultura e os agricultores.

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