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domingo, 25 de março de 2012

Lições da Agricultura Neozelandesa (2)

Continuo com os comentários sobre a Nova Zelândia e a sua agricultura, desta vez com base no artigo que o presidente da SOGRAPE escreveu e que o Expresso publicou:
1 - A internacionalização da SOGRAPE passou por duas fases: a primeira pela exportação dos vinhos portugueses e a segunda pela produção de vinhos noutros países, sobretudo no hemisfério sul, nos quais se inclui a Nova Zelândia.
2 - A estratégia de instalação passa pela verticalização da intervenção através de compra de empresas com vinha, que fazem vinhos e que os comercializam.
3 -  A Nova Zelândia é um país em que a vinha tem os maiores índices de rentabilidade porque há conhecimento vitícola a ser produzido e aplicado para gerar valor acrescentado, bem como são possiveis conjugações/cooperações empresariais impensáveis em qualquer outro país, utilização das adegas por mais do que uma empresa e fileira organizada com base na prestação de serviços.
4 - A operação de internacionalização na Nova Zelândia traz à SOGRAPE grande prestigio internacional e excelentes resultados para o investimento que realizou neste país.
5 - A SOGRAPE é um exemplo na sua internacionalização que deve ser seguido por outros players nacionais.
6 - A organização vitivinícola  neozelandesa deve ser estudada e adpatada com o objetivo de encontrar soluções para os problemas de rentabilidade e de mercado na vitivinicultura douriense.
7 - Na minha perspetiva colocar mais 10M€ na promoção dos vinhos do Porto e Douro é uma pequena ajuda, mas nem de perto nem de longe a solução para os estrangulamentos e problemas que esta região sofre desde há alguns anos 

O sucesso (também) no novo mundo




Salvador Guedes, presidente da Sogrape
Salvador Guedes, presidente da Sogrape
A Sogrape nasceu há 70 anos com o objetivo de "mostrar os vinhos portugueses ao mundo". A vocação internacional da empresa ficou assim alinhada desde a primeira hora, hoje consolidada através da presença das suas marcas em mais de 125 mercados nos cinco continentes.


Não admira pois que, no cumprimento desta estratégia, se tenha tornado natural, a partir do final dos anos 90, que a Sogrape entrasse no sector produtivo de outras latitudes com elevado potencial vitícola - Argentina, Chile e Nova Zelândia -, complementando desta forma o investimento que a empresa também tem vindo a efetuar na área da distribuição e reforçando assim a sua posição no mercado global.

Esta exportação do seu processo produtivo para o novo mundo fez-se através de aquisições de unidades que têm em comum a verticalização da sua atividade (desde a vinha, à vinificação, engarrafamento e comercialização dos seus vinhos), permitindo à Sogrape ganhos importantes em termos de controlo do seu processo e um mais correto posicionamento como empresa global do sector vitivinícola internacional.

No caso concreto da Nova Zelândia, a geografia onde regista os mais elevados índices de crescimento e rentabilidade, pelo elevado preço de exportação dos seus vinhos, a aquisição em 2008 da Framingham - empresa-boutique responsável pela produção de vinhos na famosa região de Marlborough - tem-se revelado de primordial importância para a Sogrape ganhar prestígio e uma crescente notoriedade de todo o seu portefólio nos mercados de maior sucesso no panorama internacional.

Além disso, a Framingham abriu à Sogrape a possibilidade de produzir vinhos diferentes, com castas frescas e frutadas de climas temperados, tais como as brancas Sauvignon Blanc e Riesling, e a tinta Pinot Noir, acrescendo ganhos significativos de know how ao nível da viticultura, e da viticultura orgânica em particular, muito desenvolvida nesta geografia.

A adaptação da Sogrape à Nova Zelândia e à sua cultura foi particularmente fácil, graças à calorosa hospitalidade e informalidade do seu povo - os kiwis - e à grande racionalidade que revela para congregar esforços e investimentos em busca dos melhores resultados. (Em Marlborough, por exemplo, é comum várias empresas partilharem adegas e quase todos os produtores contratam o serviço de engarrafamento a duas unidades da região...)

Hoje, quatro anos volvidos, podemos dizer que a Framingham, fruto do trabalho, do investimento e do intercâmbio de conhecimentos, é uma aposta ganha, com a distribuição a crescer de seis para 40 mercados e a empresa a duplicar o valor das vendas sem alterar o seu posicionamento.

Não será por acaso, aliás, que o vinho Framingham F-Series Riesling Auslese 2011, produzido na Nova Zelândia pela Sogrape, acaba de ser eleito o melhor vinho desta casta numa prova cega dos maiores especialistas mundiais, ou ser ainda considerado, pela prestigiada jornalista britânica Jancis Robinson, o melhor vinho da região de Marlborough que alguma vez provou...

Salvador Guedes, presidente da Sogrape

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