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segunda-feira, 12 de março de 2012

O que posso fazer para melhorar a agricultura portuguesa? O que está ao meu alcance individual?

Um anónimo que se identificou como agricultor escreveu o seguinte:

"Sou agricultor desde sempre e fico pasmado com esta corrida á terra. Esqueçam os fins de semana, feriados e férias. No que me toca não sei o que é isso á vários anos. Será que as pessoas pensam que viver da terra é tarefa facil?
Deixo aqui um desafio:
apontem o que podemos fazer para todos vivermos melhor da terra."

Aqui vai a minha resposta ao desafio lançado:
1 - Tem que analisar a sua exploração agrícola e verificar os seus pontos fortes e fracos, bem como as ameaças e oportunidades.
2 - Deve comparar os resultados das suas atividades com as dos seus colegas agricultores e reverificar quais são os pormenores que pode e deve melhorar.
3 - Acha que só na agricultura é que não existem férias, fins de semana, feriados? Tenho empresas de consultoria trabalho 14 a 16 horas por dia, o meu descanso é feito nas tarde de domingo. Para ter sucesso em qualquer negócio é preciso trabalhar de forma árdua e correr riscos, não são exclusivos da agricultura.
4 - Noto que na agricultura a maioria das pessoas se acomodam muito, não correm riscos para melhorar a dimensão, eficiência, eficácia na atividade. Verifico que aqueles que se queixam mais são os que assumem menores custos pessoais na estratégia da mudança. Pelo contrário, os empresários agrícolas de sucesso não têm tempo para se queixarem, ocupam o tempo a estudar estratégias alternativas e não têm medo de mudar de atividade quando percebem que as suas atuais não t~em futuro (como se diz na gíria "até os burros mudam")
5 - Há corrida à terra porque o cidadão comum percebeu, esta é a sua perspetiva, que na agricultura pode ter uma atividade profissional interessante porque o povo precisa de comer e se Portugal falir, o que na minha opinião irá acontecer entre 2012 e 2013, pelo menos não passará fome. Há muitos que irão ter insucesso, mas outros mudarão a face da agricultura portuguesa.
6 - A opinião pública, os responsáveis políticos de topo e intermédios, os dirigentes associativos, agricultores, etc. têm de interiorizar que o sucesso da agricultura de mercado passa pelo empreendedorismo e pelo incremento do peso das empresas na produção agrícola. É determinante que a dimensão das explorações seja igual ou superior ás economias de escala das atividades (dimensão da atividade que gera custos fixos mais baixos).
7 - A agricultura de serviços públicos tem que ser mantida pelos subsídios da União Europeia e do Estado Português. Todos temos que batalhar para que os agricultores e o seu agregado familiar tenham uma vida digna, que as suas casas tenham comodidades minímas e salubridade. Os agricultores não podem ser cidadãos de 2.ª categoria tal como acontece nos dias de hoje.
8 - Para todos vivermos melhor da terra cada um de nós tem que ser massa critica, saber o que se deve fazer para melhorar a agricultura, tornado-a uma atividade económica rentável. Aqui ficam registadas as minhas ideias:
a) - Fazer com que o ministério da agricultura tramite dentro dos prazos legais os processos burocráticos, sejam projetos ProDeR, licenças, pagamentos de ajudas ,etc. O que podemos fazer? Falar com os responsáveis do serviço sempre que detetarmos uma anomalia. Se persistir escrever à tutela. Se continuar, utilizar os meios de comunicação social.
b) Empenharmo-nos para que o banco público de terras avance de forma eficiente e eficaz para podermos aumentar a dimensão das nossas explorações agrícolas. O que está ao nosso alcance? Assinar a petição pública sobre este assunto que está na net. Escrever sobre o banco de terras no sitio da internet do ministério da agricultura. Quando avançar no terreno publicitar o que funciona bem e denunciar publicamente as suas falhas e estrangulamentos
c) Conhecer e mostrar os casos de sucesso na agricultura, imitando-os para melhorar a nossa atividade. Por outro lado, mostrá-los através da comunicação social para motivar e prestigiar a agricultura como setor importante da economia portuguesa.
d) Pressionar os políticos para fazerem o cadastro dos prédios rústicos através da declaração voluntária junto com o  IRS, aos mesmo tempo que legislem para quem não o fizer durante dois anos perca a propriedade a favor do Estado, sendo a obirgação deste colocá-los no mercado através de hasta pública.
e) Levar o ministério da agricultura a legislar para que as heranças indivisas de prédios rústicos que não façam partilhas até dois anos, percam as propriedades a favor do Estado, este promove a venda por hasta pública, desconta os impostos e paga o montante sobrante aos herdeiros.   
f) Pressionar o govern para que crie na CGD um crédito tipo habitação para a agricultura, empréstimos de longo prazo atribuidos de acordo com o IRS do agregado familiar, com hipoteca do imóvel. Este crédito destina-se a compra de propriedades rústicas, pagamento de tornas a co-herdeiros ou investimentos estruturais de longo prazo na exploração agrícola.

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