Plano de Desenvolvimento Rural do Continente 2014 – 2020 (PDR 2020)*


 
*Artigo que escrevi e foi publicado no suplemento "Agrovida" do semanário "Vida Económica" em 2015.03.06

Quem gizou o PDR 2020 fê-lo na defesa dos superiores interesses das agriculturas de Portugal?
Até esta altura creio que o fizeram com inteligência, separando quem o estudou e negociou/negoceia (GPP) da Entidade que o operacionaliza (Autoridade de Gestão do PDR 2020), estudando o ProDeR, mantendo o que estava bem, as suas linhas mestras, melhorando os seus pontos fracos e estrangulamentos.
Há uma evolução positiva, sobretudo no que diz respeito ao período temporal após a aprovação da candidatura, no que diz respeito às exigências das competências de gestão, organizativas e técnicas, aos potenciais jovens empresários agrícolas, no sentido de puderem ser apoiadas as ideias que tenho defendido desde há alguns anos: estágios profissionais em explorações agrícolas, visitas de estudo em Portugal e no estrangeiro, assistência organizada.
A ligação ao mercado através da majoração das ajudas para quem é sócio de uma Organização de Produtores (OP) é uma mais-valia que a médio prazo irá contribuir para dar valor acrescentado às produções agrícolas tornando-as mais e melhor transacionáveis, incrementando as exportações.

Há lacunas e riscos do PDR 2020 falhar no desenvolvimento e transformação das agriculturas de Portugal?
Como lacuna identifico a ausência de ajudas específicas e autónomas para o setor cooperativo. Considero que a Constituição da República Portuguesa deve ser cumprida neste princípio económico e vital para que os microprodutores, das regiões deprimidas económica e socialmente, tenham acesso ao mercado. Destaca-se ainda a ausência medidas de apoio público a instrumentos de engenharia financeira, tais como o Capital de Risco, ou outros que sirvam para alavancar sociedades veículo constituídas por “business angels” (empresários experientes que aceitem ser sócios de jovens agricultores e outros, aportando capital, experiência na gestão empresarial e agrícola, acesso ao crédito bancário) orientadas para financiar startups do setor agrícola num modelo semelhante à linha lançada pelo FINOVA (Compete /QREN) para os outros setores da economia. Gostaria que cada promotor quando validasse o contrato de ajudas tivesse acesso a um documento que indicasse de forma clara como irá ser controlado e auditado, no âmbito da verificação das suas obrigações contratuais. Por último, creio que o PDR 2020 corre o risco de falhar no desenvolvimento das regiões deprimidas de Portugal, caso os responsáveis políticos deste e futuros governos, continuem com a política liberal de deixar que os promotores do litoral e do interior de Portugal possam concorrer livremente no acesso aos fundos públicos. Recomendo que se pratique o que a legislação prevê, sobretudo a partir de 2018, prevejo que nesta altura os fundos financeiros disponíveis sejam escassos, que possam existir concursos específicos com períodos de apresentação das candidaturas às ajudas ao investimento por objetivos e prioridades, área geográfica elegível, em função dos superiores interesses das regiões onde de forma estrutural e natural são mais caros os custos de investimento e produção agrícola.

 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Enxertia em actinidia (planta do kiwi)

VALORES DE ARRENDAMENTO PARA UMA EXPLORAÇÃO NA REGIÃO DE SANTARÉM

Quantos quilos pode produzir uma planta de kiwi (actínidea)?