A distribuição organizada pratica uma estratégia louca de preços baixos! Será que querem incrementar a crise?

Hoje, tive a oportunidade de conversar com várias pessoas, que me falaram na crise que a distribuição organizada está a colocar a fileira hortofrutícola. Desde há um ano que os preços de aquisição dos hortofrutícolas por parte da distribuição desceram 30% e não houve acréscimo de produção que justificasse tal fenómeno.

A distribuição organizada está cada vez mais concentrada e cada vez mais agressiva nos preços e condições que impõe aos seus fornecedores de hortofrutícolas. As duas principais cadeias digladiam-se nos preços baixos, os fornecedores suportam a guerra. As restantes cadeias não podem ficar atrás e seguem-lhe o exemplo.

Os preços baixos não fazem aumentar o consumo, pois já não é factor diferenciador entre os supermercados. Há abaixamento do consumo e consequentemente, as cadeias tentam recuperar o que deviam ganhar comprando mais barato para praticar os mesmos preços de venda.

Como se faz sentir o papel regulador do Estado? O Estado demitiu-se das suas funções?
Há dias este problema foi exposto ao Ministro da Agricultura. Estou na expectativa do que irá fazer!

Comentários

Anónimo disse…
Esta é a situação que se vive na generalidade dos produtos de grane consumo, sejam ou não transformados! A distribuição apenas destrói valor, para, por um lado angariar meios para subsidiar os seus próprios produtos e as suas próprias ineficiências ou diferenças de serviço. Entre-se numa loja Modelo ou Pingo Doce e depois visite-se uma loja Lidl ou Minipreço e descubra-se como é possível apresentarem os mesmos preços... quem cobrirá o diferencial de custos operacionais? Todos conhecem os malabarismos negociais e contabilísticos, mas mesmo aqueles que todos os dias pagam essa factura estão impedidos de denunciar essa situação porque qual será a empresa que pode sobreviver à perda de um cliente que representa mais de 25% (quando não atinge os 40 ou 50%) da sua facturação. Adicione-se para além disso os problemas associados à contínua diminuição do número de referências por segmento e veja-se a 'embrulhada' em que estão metidas a generalidade das empresas fornecedoras. E quem ganha? Os clientes? se sim, pelo menos não tanto como ganhariam se a concorrência (saudável, do ponto de vista económico e ético) efectivamente funcionasse... faça-se as contas não apenas aos chamados produtos isco, mas também a um verdadeiro carro de compras e vantagem dilui-se muito rapidamente. O Estado? com tanto trabalho precário e tanta destruição do tecido empresarial, quer no sector fornecedor, quer na concorrência comercial mais tradicional, o saldo líquido, seja do lado do emprego, seja do lado da receita fiscal, é altamente discutível... Então quem ganha finalmente? Seguro, seguro, apenas os distribuidores, que deixaram de ser entidades de raiz comercial, para se converterem em entidades de natureza para-bancária, que asseguram mais de metade dos seus resultados na conta de resultados financeiros. 1000 perdões pela extensão deste comentário PP
Anónimo disse…
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Um dia destes fui à compras, na secção dos horticolas, reparei numa embalagem de tomate cherry. Importado de Espanha, 8 Eur/Kg. Olhei com olhos de bem ver para a embalagem, mais de metade dos tomates tinham bolor.

Se me oferecessem a embalagem, eu pura e simplesmente recusava ...
Seria uma boa ideia o Estado proibir a importação dos restos que os Espanhois não consomem!

Alexandre
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José Silva disse…
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O comentário PP não é longo: é preciso e completo.

Não creio que seja o Estado sòzinho que deva intervir: alguém tem que pedir a sua intervenção, denunciando práticas não conformes.
O problema é comunitário. As delegações dos países europeus afectados têm mostrado a sua posição. E a de Portugal? Não a tenho visto...

http://ec.europa.eu/agriculture/newsdigest/2009/200.htm

Unión de Consumidores de España (UCE)
http://www.coag.org/rep_ficheros_web/5663ebaf2de02e363cb702f9c72f6474.pdf
JRNA disse…
Claro que a distribuição tem de ser fiscalizada e muito... No entanto o problema não é só deles. É urgente uma concentração da oferta pois só assim é possível fazer-lhes frente e isso, há cerca de 20 anos que se apregoa, mas não tem sido feito. Mesmo na dita produção organizada, o volume de produtos comercializados é baixo, acabando por ser perfeitamente destruída pelas grandes superfícies que, numa altura de crise, procuram sobretudo preço baixo em detrimento da qualidade.

No que toca aos tomates com bolor é claramente uma manifesta incompetência do responsável de loja pelos produtos frescos. Não é muito normal isso acontecer na grande distribuição. O que viu é lixo e isso tem de ser denunciado na própria loja.

No entanto, a destruição do normativo comunitário referente às normas de qualidadse também pode estar na origem de muitos produtos apresentarem mau aspecto, mas que não são propriamente lixo.

A grande distribuição está a viver em função da crise, muitas vezes sem escrupulos para com os seus fornecedores. A produção quer viver como sempre viveu e naõ está a aprender nada com o que se está a passar. Mais... Uma das grandes empresas recentemente formadas ao nível do sector, rebenta todos os dias com os preços, eliminando gradualmente concorrencia. Ou seja, muitas vezes é a própria produção a dar tiros nela própria...
Anónimo disse…
O LIDL vai apresentar amanhã uma promoção de castanha a 1,5 euros, segundo informações de mercado a cadeia irá perder 0,5euros/kg.Assim irá continuar a crise para os fruticultores....

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