Um processo Kafkiano que decorre no Ministério da Agricultura.

Um viticultor candidatou-se em 2008 às ajudas da União Europeia para reconversão da sua vinha (candidaturas designadas por “VITIS”). Para tal apresentou o seu projecto através de uma “Candidatura Agrupada” promovida pela Adega Cooperativa da qual é associado. Recebeu a comunicação da aprovação da candidatura, assinou o respectivo contrato de ajudas, procedeu à implantação da nova vinha e por fim, apresentou o Pedido de Pagamento das Ajudas. Até este ponto, com maiores ou menores dificuldades, o processo evoluiu dentro das suas vicissitudes normais da burocracia do Ministério da Agricultura (abstenho-me de as descrever porque o que escrevo a seguir é bem mais grave).

Para receber as ajudas a quem direito tem que haver uma vistoria de controlo à sua vinha. Até hoje não houve vistoria ao projecto porque o sistema informático tem que emitir, previamente à visita ao terreno, um Relatório da Candidatura, o qual por deficiência do sistema informático sai em branco. O técnico da Direcção Regional de Agricultura e Pescas (DRAP) a quem incumbe fazer a vistoria já enviou para Lisboa dois pedidos a comunicar a falha e a solicitar para que repararem o sistema informático. Como esta falha ainda não foi reparada o processo está parado. Telefonou-se para a DRAP e informam que não podem fazer nada sem Lisboa resolver o problema. Telefonou-se para Lisboa e dizem que não podem fazer nada porque é a DRAP que tem de resolver o problema.

Certamente concordam comigo que se trata de um excelente exemplo de processo kafkiano!

Comentários

Anónimo disse…
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É obra, nem Kafka ...
Conseguia ser tão Kafkiano!

PORTUGAL NO SEU "ESPLENDOR" ... !!!


Alexandre
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José Martino disse…
Tive hoje que procurar documentos sobre as propriedades que possuo e descobri que em 1939, o meu bisavô já sofreu de um imbróglio burocrático kafkiano. Li a cópia de uma carta que escreveu à "hidráulica" enviando a cópia de um recibo do pagamento de uma licença e pedindo para lhe ser considerado e portanto que fosse emitida a licença porque não tinha culpa que a Entidade tivesse extraviado o processo e o tesoureiro não podia esclarecer o caso porque tinha falecido.
O Estado Português não consegue inovar nos entraves que cria aos seus cidadãos!