Precisam-se Empresas de Capital de Risco para o Negócio Rural!

Tenho lido em vários órgãos de comunicação social, artigos sobre relatos da vida de jovens licenciados à procura do 1.º trabalho. Para milhares de jovens é duro e difícil o período de tempo desde a saída da Universidade ou Politécnico até encontrar um trabalho estável. Penso que a liderança política do país tem que melhorar as condições para tornar muitos destes jovens em empreendedores. Além dos apoios financeiros disponíveis é necessário implementar formação profissional sobre implementação e gestão de empresas, pois verifico por mim próprio que mesmo tendo alguns anos como empresário ainda sinto muitas limitações e deficiências como líder, para fazer empresas com excelentes resultados e performances.
No âmbito agrícola será necessário que o Ministério da Agricultura ponha a funcionar uma capital de risco que apoie os jovens agricultores, que tenha possibilidade legal para se manter no capital das empresas durante 10 anos. Esta equipa política do Ministério da Agricultura prometeu durante vários anos que este instrumento de apoio aos empresários iria funcionar, mas na realidade não há capitais de risco específicas para o pequeno/médio negócio agrícola ou do mundo rural. Chega-me a notícia que por falta de envolvimento de uma capital de risco a VINIVERDE, uma sociedade anónima criada em 2008 por Adegas Cooperativas da Região dos Vinhos Verdes, a qual teve na sua criação o envolvimento político directo do Ministro e Secretário de Estado da Agricultura, corre o risco de encerrar a sua actividade. Faço votos, em nome dos milhares de pequenos viticultores que dela dependem para chegar ao mercado, que tal não venha a acontecer!
Foto:FreeDigitalPhotos.net

Comentários

Miguel Pinto disse…
Um dos factores que condiciona o sucesso ou insucesso de uma empresa é a maior ou menor dificuldade de acesso a financiamento adequado. Este assume particular relevância quando se trata de jovens empreendedores, nomeadamente jovens agricultores.
Claro está, que o financiamento via Capital de Risco faz pressupor, um esforço prévio e significativo na identificação dos riscos envolvidos, na compreensão do mercado que se pretende atingir (em todas as suas dimensões), na determinação da viabilidade da oportunidade de negócio (tendo em conta a análise das várias envolventes) e na viabilidade económico–financeira da empresa ou futura empresa.
Também deverá ser claro para os jovens agricultores que o Capital de Risco relaciona-se bem com os empreendedores que possuem projectos capazes de conduzir a uma valorização interessante do capital, que os investidores aportam, não esquecendo, que são também eles quem impõe condições aos empreendedores, nomeadamente o envolvimento total, equipa bem estruturada, estratégia bem delineada e gestão profissional.
Se ao nível do envolvimento e motivação do empreendedor agrícola já existe uma cultura enraizada, estou em crer, que ao nível da estratégia e da gestão profissional ainda existem falhas graves quando se “semeia” o que naturalmente vai condicionar o fruto que se quer “colher”.
A não observância destes princípios fará com que muitos nem sequer tenham oportunidade de semear (financiamento) o que muitas vezes culmina com desalento e frustração. Esta última, manifesta-se muitas vezes da forma mais fácil, exigindo mais subsídios e mais apoios, esquecendo o pressuposto básico de qualquer apoio: a rentabilidade do capital investido.
José Silva disse…
Parabéns, mais uma vez, Engº Martino***

E parabéns por 3 razões:

Já registou + 2 Contribuidores!
Acrescentou + 1 tema fundamental!
Confessa + 2 dificuldades empresariais!

Eu creio que os actuais planos curriculares incluem uma cadeira de Gestão.

Os capitais de risco também são (muito) ambiciosos! Quando "apostam"... acreditam no (enorme) sucesso que os ambiciosos projectos "demonstram" (poder) vir a ter.

Vejamos uma inicitiva recente:

Em parceria com o ISCTE para fomentar empreendedorismo
Concurso para criar jovens empresários arranca sábado na RTP2
11.02.2008 - 17h31 Lusa

....

Cada um destes vencedores ganha acesso imediato e privilegiado aos programas de apoio ao lançamento de novas empresas existentes no IAPMEI, bem como a linhas de crédito de um dos patrocinadores do programa.

....

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1319258


http://empreendedoras.blogspot.com/2008/02/260-projectos-de-negcios-concorrem.html
((Blog resultante do Programa FAME (FORMAÇÃO AVANÇADA PARA MULHERES EMPREENDEDORAS) que procura congregar todos os agentes participantes nas várias edições deste programa. Pretende igualmente constituir-se como um espaço de discussão sobre as problemáticas relacionadas com o empreendedorismo feminino. Este site foi criado e é dinamizado pelo IFDEP (INSTITUTO PARA O FOMENTO E DESENVOLVIMENTO DO EMPREENDEDORISMO EM PORTUGAL))

E já há (houve?) alguma coisa (prometida?):

AGRO - Medida 6

- FIQ AGROCAPITAL 1 - A agricultura já tem capital de risco

Desde 15 de Junho (???), data de início da actividade, está a funcionar a AGROCAPITAL, a Sociedade Gestora do FIQ AGROCAPITAL 1. Trata-se da primeira iniciativa de Capital de Risco exclusivamente destinada a PME’s dos sectores agrícola, agro-alimentar e florestal. Esta iniciativa decorre da aprovação de projecto submetido ao Programa AGRO que prevê, no seu Eixo Prioritário 1, a Medida 6 de Engenharia Financeira, com o objectivo de alargar às pequenas e médias empresas do sector agro-florestal, os mecanismos de capital de risco

O FIQ AGROCAPITAL 1 é um Fundo de Capital de Risco para Investidores Qualificados dotado de 15 milhões de euros de capital subscrito pelo IFADAP e pela Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo, CRL.

Destina-se a investir em pequenas e médias empresas com sede e direcção efectiva em território português operando em sectores de actividade elegíveis, nomeadamente:

· Agricultura
· Produção animal
· Caça
· Silvicultura
· Agro-indústria
· Actividades industriais, de comércio, de serviços e de I&D que desenvolvam a sua actividade na fileira agro-florestal.

etc...

Já morreu (chegou a nascer?)?

A definição é ideal:
....

O AGROCAPITAL I tem por objectivo não só financiar as empresas mas também contribuir para o seu desenvolvimento e crescimento, apoiando a gestão das mesmas, seguindo a lógica de que o sucesso do negócio das empresas participadas é também o sucesso do seu próprio investimento.

Os investimentos são realizados em projectos que possuam um potencial elevado de crescimento e valorização e que sejam liderados por promotores com elevada capacidade de gestão.

http://www.credito-agricola.pt/CA/Oferta/AssessoriaFinanceira/CapitaldeRisco/FCR+Agrocapital.htm
José Silva disse…
Mais uma Associação!
**São 26 empresas**

Vale a pena visitar:

http://www.gesventure.pt/servicos/indicadores/cr_portugal_2007.pdf
José Martino disse…
A sociedade de capital de risco AGROCAPITAL só pode intervir como accionista até 5 anos, o que não é compatível com grande parte dos investimentos agrícolas que necessitam prazos de maturação do negócio de 7 a 10 anos. Com os 5 anos como o negócio não gera o jovem agricultor só conseguiria pagar à capital de risco se tivesse capital próprio para o efeito e neste caso não precisaria deste tipo de apoio

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